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A aventura de dirigir na Islândia

Esse inverno tem sido bem ameno aqui na Islândia, com pouca neve. Isso até poucos dias atrás. Começou a nevar pra valer na noite da quarta-feira passada e já na manhã da quinta feira, cerca de 30 cm de neve cobria o estacionamento do prédio onde eu moro.


(varanda de casa, na quinta-feira de manhã )

Na manhã da quinta-feira, eu saí de casa com o menor dos meus dois carros, um Suzuki Wagon R+, já que minha noiva saiu de casa mais cedo com o carro maior. A viagem pro trabalho foi lenta, levando o triplo do tempo usual, no meio de uma nevasca pela manhã. Com pneus de inverno, com pregos na borracha, a neve na estrada não atrapalhou muito. Durante o resto do dia, a neve continuou caindo furiosamente. Por volta das 16:00, quando eu estava deixando o trabalho, o meu carro andou três metros e atolou na neve. Não andava nem pra trás e nem pra frente. Tive que pegar uma pá, que o escritório tem pra esses casos, e passar uns vinte minutos removendo a neve da frente do carro. Com a miro parte da neve removida à pá, e mais três pessoas empurrando o carro, consegui desatolá-lo e sair do estacionamento. O carro atolou uma segunda vez quando eu estava entrando no estacionamento do meu prédio, mas dessa vez eu consegui dar ré, pegar velocidade e subir na neve. O problema com estacionamentos é que neles a neve se acumula, enquanto nas ruas um caminhão da prefeitura remove a maior parte da neve.


(estacionamento da empresa)

Ne sexta-feira, com ainda mais neve nas ruas, não querendo atolar na neve de novo, decidi ir pro trabalho com o meu carro maior, um jipe Land Rover Freelander 4x4. Esse carro não teve problema com a neve, mas é menos estável nas estradas, já que ele tem pneus especiais que podem ser usados o ano todo mas que não tem pregos. Bom, cheguei no trabalho, estacionei o carro e fiquei tranqüilo sabendo que com um jipe grande assim, não seria problema sair do estacionamento mais tarde. O problema, eu descobri mais tarde, seria controlar o um carro grande e pesado, sem pneus de pregos, sobre a rua coberta de gelo.

Saindo do trabalho na sexta-feira, virei com o carro na rua e a traseira do carro começou a dançar, de um lado pro outro, com o carro patinando. A tração com a rua era zero. Eu tentei controlar o carro, que dançava de um lado e pro outro, até que com um grande estrondo ele bateu de frente numa parede de pedra. O que ficou na minha mente foi o barulho, até mais do que a força do impacto. Eu não machuquei nem nada, estava de cinto e devia estar à uns 30-40 km por hora apenas. Ainda, eu pensei que a frente do carro estaria destruída pra falar a verdade, com ele ali atravessado na rua, perpendicular ao muro. Mas, pra minha surpresa, quando liguei o carro novamente, ele estava funcionando normalmente. Dei ré, manobrei e desci do carro pra checar o estrago. Surpresa ainda maior foi que o único dano da batida foi a placa do carro ter amaçado um pouco. Com carro em si, literalmente nem um arranhão. O para-choque de plástico desse carro parece ser bem forte, e ajudou que havia uma pequena montanha de neve na frente do muro de pedra que amorteceu um pouco o impacto. O susto foi grande, mas ficou tudo bem.



Quando eu contei o acontecido para amigos islandeses nesse fim de semana, todos tinham uma história similar pra contar de carros descontrolados, freios praticamente sem efeito sobre o gelo, e de todo tipo de batidas no inverno, não importando o tipo de pneu ou o tipo de tração do carro. Ainda me disseram que não conhecem ninguém que nunca passou por uma situação dessas. Esse é um fato da vida na Gelolândia, para todos.
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