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De volta

Depois de três semanas de férias nas terras tropicais do Brasil, estou de volta nesse rochedo perdido no polo norte. De 30 graus para -3, de camisa de manga curta para casacão de inverno. De cerveja barata para... não quero nem pensar! Férias sempre parecem ser curtas demais. De qualquer maneira, é bom estar de volta na Gelolândia, senti falta dos meus amigos daqui e da minha casa.

A viagem da Islândia ao Brasil é mesmo muito longa. Na ida eu peguei um vôo de três horas com a Icelandair para Londres, esperei oito horas no earoporto de Londres para pegar um vôo da TAP de mais três horas para Lisboa, daí esperei no aeroporto em Lisboa mais quatro horas pra então pegar o vôo de 10 horas para Belo Horizonte. No total 28 horas de viagem! E isso sem contar com deslocamento pros aeroporto, que são distantes aqui na Islândia e em BH também. Na volta, mesmo esquema. Depois de uma viagem longe assim é que você reflete que a Islândia é mesmo o fim do mundo, onde o proverbial Judas perdeu as botas depois delas terem congelado.

A espera de oito horas no aeroporto em Londres na ida foi à noite e portanto todas as lojas estavam fechadas e o aeroporto repleto de mendigos dormindo nos assentos. Mas até não foi tão ruim assim porque consegui encontrar um canto com uma tomada na área de espera. A minha felicidade ao ver a tomada foi como num desses filmes de sessão da tarde, como se uma luz dourada saísse dos três preciosos e abençoados buracos na parede, prometendo horas de entretenimento. Sentei ali, liguei meu notebook na santa tomada e passei umas seis horas na internet, navegando e conversando com a família no Skype e também com jogos.

Na volta para a Islândia, a única pergunta que me foi feita pelo oficial de imigração no aeroporto aqui na Islândia, depois dele olhara para o meu cartão islandês de identidade de estrangeiro, foi, só pra me fazer sentir com complexo de perseguição sobre o assunto, "Talarðu íslenskú?" (Você fala islandês?). Tá bem, tá bem, vou entrar no curso de novo, e um dia eu chego lá!


O dinheiro encolheu...

Voltei das férias para descobrir que fiquei mais pobre. Eu o resto dos habitantes da Gelolândia que ganhamos em coroas islandesas. A moeda islandesa despencou de valor em 20% enquanto eu estava fora do país. Sem razão específica, só por causa da "crise internacional de crédito" que causou uma falta de confiança nos bancos islandeses no mercado internacional. O problema com a economia aqui na Islândia é que ela é tão pequena que basta um investidor de maior porte enfiar a mão no bolso, que o mercado quebra e a moeda despenca. Na minha opinião, o governo deveria ter intervido no mercado para impedir uma queda tão grande no valor da moeda. Melhor, podiam acabar com essa frescura e se juntar à UE e adotar o Euro logo!

Existe um clima por aqui atualmente de que o país acabou de entrar numa crise econômica que ainda vai durar por algum tempo. Até mesmo o porta-voz do Primeiro Ministro divulgou nessa semana uma nota dizendo que: "Todos os indicativos são de que a expansão da economia está se revertendo. As previsões atuais são de um enfraquecimento da economia nacional da Islândia, depois de vários anos de crescimento rápido. A situação atual dos mercados financeiros internacionais apontam para um futuro incerto. "

Num país onde tudo é importado, uma queda dessas no valor da moeda com certeza fará com que o custo de vida em geral aumente. Nessa semana o leite já aumentou em 14,6% e o litro agora custa SK 100 (USD $1.32, Real 2,31). Notei hoje que o preço do sorvete na sorveteria perto do meu trabalho subiu também.


E a gasolina subiu...

Nessa semana tem havido protestos de caminhoneiros bloqueando as principais avenidade de acesso à Reykjavík e Kopavogur, por causa de uma alta recente no preço dos combustíveis. A Islândia não produz nenhum petróleo, logo todo combustível tem que ser importado, o que deixa o país vulnerável às recentes altas no preço do pretóleo, muito para a infelicidade dos caminhoneiros. Aqui na Islândia, que é um país do tamanho da Inglaterra, não existem trens e tudo tem que ser transportado por caminhões, logo qualquer tipo de protesto dessa classe se torna complicado. Para mim pessoalmente, o chato foi levar o triplo do tempo pra chegar no trabalho pela manhã nos últimos dois dias por causa desses protestos.
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