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Confrontos violentos nas ruas de Reykjavík

Os protestos que começaram na terça-feira ainda continuam, pedindo a renúncia do governo e eleições imediatas. Ontem à tarde parecia que finalmente as manifestações estavam surtindo efeito no meio político, quando, como eu mencionei no post de ontem, o principal setor regional de um dos partidos que forma a aliança que governa a Islândia decidiu recomendar à cúpula do partido que a aliança, e com ela inevitavelmente o governo que perderia sua maioria no parlamento, seja dissolvida. Com esse anúncio os manifestantes celebraram nas ruas, numa atmosfera quase que carnavalesca e a maioria decidiu ir pra casa. Uma minoria, na maioria jovens, resolveu ficar marcando a ua presença nas ruas do centro e em volta do parlamento.



Por volta da meia-noite de ontem, o confronto com a polícia começou. Parece que foram alguns adolescentes querendo aprontar confusão, francamente, uns idiotas, que começaram a jogar pedras no batalhão de choque da polícia. Em resposta, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar toda a multidão. É a primeira vez desde 1949 que gás lacrimogêneo é usado na Islândia.

Ontem eu critiquei a polícia e a reação desproporcional da força policial contra a população. Hoje no entanto, eu tenho que condenar essa minoria de manifestantes que jogou pedras nos policias. Protestos tem que ser pacíficos - violência nunca ajuda em nada. Sete policias foram feridos nos confrontos de ontem à noite.



Não posso deixar de pensar, também, que a escalada na violência tem a ver com a polícia usando seus cacetes e sprays de pimenta mais cedo no mesmo dia. Uma ação leva a uma reação. Um dos meus autores favoritos disse em um dos seus livros algo que me veio à cabeça nesses dias - a viabilidade da existência de uma força policial que confronta o povo depende dessa população continuar acreditando na mentira de que um pequeno grupo de oficiais pode conter toda o população civil imensamente mais numerosa; e quando a polícia começa a enfrentar o povo mais diretamente, arrisca-se destruir a crença nessa mentira.

Mas que fique claro, não acho que existe justificativa para atacar com pedeas a polícia ou quem quer que seja.

Só espero que o governo renuncie ou seja derrubado com manobras políticas antes que a situação piore e realmente saia completamente do controle.




Hoje o protesto continuou, mas com uma certa ressaca da noite de ontem. Uma multidão menor, de algumas centenas de manifestantes, se reuniu na frente do parlamento batendo panelas e fazendo muito barulho. Hoje a coisa tem sido pacífica - até agora, pelo menos.

Vale à pena lembrar a proporção dos números dos protestos dos últimos dias. Uma multidão de 3 mil manifestantes, em relação ao tamanho da população da Islândia, seria o equivalente à um protesto com 2 milhões de participantes no Brasil.

Um cartaz de um dos manifestantes hoje na praça em frente ao parlamento islandês me chamou a tenção pelas palavras simples mas tão verdadeiras, e feitas ainda mais irônicas pelo fato de estarem sendo usadas num protesto em frente ao parlamento mais antigo do mundo...



Tradução: “Quando a confiança se foi, TUDO se foi”.

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