O Relatório Negro
12/04/10 22:59 Filed in:
EventosHoje o país parou para receber o muito aguardado "relatório negro", do comitê que investiga o colapso do sistema bancário islandês que ocorreu no final de 2008, quando todos os bancos comerciais e de investimento do país faliram.
Finalmente algumas respostas à pergunta de como um país tão pequeno se tornou a maior vítima da crise econômica internacional.

O relatório é enorme, são 2300 páginas. Por um lado, não existe nada de novo nele que já não se sabia ou se suspeitava. Mas pelo menos agora existe certeza. Segundo o relatório, o sistema bancário islandês era conduzido de maneira inapropriada, de fato criminosa, pelos diretores dos bancos. O governo não desempenhou seu papel na condução da economia e no controle do setor bancário, e pior, sabia meses antes que o colapso estava por vir, e escolheu não fazer nada à respeito.
O comitê de investigação não tem poder de abrir processos na justiça criminal, mas o relatório já está nas mão de outra comissão que tem poder para decretar um tribunal especial que pode mandar para a cadeia por até dois anos os políticos que foram negligentes em seus cargos. A polícia também deve tamb;em investigar os diretores dos bancos que foram citados no relatório como tendo agido de maneira criminosa.
Número de indivíduos que já admitiram sua culpa: zero.
Político é tudo a mesma raça não importa o país!
Pontos principais do "relatório negro":
- Políticos acusados de extrema negligência na condução da economia:
Geir H. Haarde (ex- Primeiro Ministro)
Arni Mathiesen (ex- Ministro da Economia)
Bjorgvin G. Sigurdsson (ex- Ministro do Comércio)
David Oddsson (ex- Presidente do Banco Central) - este deixou o país ontem!
- Os bancos estavam sendo usados pelos seus donos e diretores como um pote de dinheiro sem fim, para uso próprio. Os maiores devedores dos bancos eram seus diretores, com alguns deles tendo pegado dos bancos empréstimos de valor superior à cinco bilhões de dólares. Um dos grandes bancos emprestou mais da metade do valor de marcado do banco inteiro, para um dos seus diretores.
- Os próprios bancos detinham 40% ou mais de suas próprias ações via empresas-fantasma, quando o limite definido por lei é de 10%. Os bancos usavam das empresas fantasma para comprar ações deles mesmos, assim inflando o valor das ações e o tamanho dos bancos no papel.
- O então presidente do Banco Central, David Oddsson, chegou à avisar ao governo seis meses antes, de que um colapso estava por vir, mas não ofereceu nenhum conselho e não tomou nenhuma providência. O governo, por sua vez, esperou que o Banco Central resolvesse a situação sozinho.
- Quando o então secretário para assuntos bancários se recusou a apoiar a decisão de David Oddsson de nacionalizar o banco Glitnir ao invés de estender à ele uma linha de crédito, David Oddsson o ameaçou dizendo: "Se você não me der apoio, eu vou pessoalmente fazer sua vida muito difícil nesse país". A nacionalização desse banco gerou um pânico imediato nos mercado internacionais e desencadeou o colapso dos três bancos em menos de duas semanas.
- David Oddsson tentou fazer manobras políticas para tomar o posto do Primeiro Ministro em um governo de emergência no início da crise, mas foi barrado pelo outro partido de coalizão no governo. Ainda assim, o relatório menciona que o então Primeiro Ministro estava com medo de confrontar Oddsson sobre o assunto.
- Em 2008, mesmo com uma situação financeira já periclitante, as empresas islandesas pagaram mais de 4 bilhões de dólares em dividendos para os acionistas. Um grande número delas faliu no mesmo ano.
- As reservas monetárias do Banco Central eram totalmente inadequadas para o tamanho do setor bancário. Quando os enormes bancos precisaram de socorro, não houve como socorrer. O governo não devia ter permitido que os bancos se tornassem tão grandes.
- O departamento de avaliação de riscos de um dos maiores banco não fez nenhuma análise de risco para os 20 maiores clientes de empréstimos.
- O presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson, é criticado no relatório por usar seu cargo para promover os interesses dos bancos no exterior.
Vamos ver se alguém será mesmo punido, ou se vai acabar tudo em pizza aqui na terra do gelo!