Desde quando mudei aqui para a Gelolândia há cerca de dois anos atrás, reparei, e comentei várias vezes aqui no blog, o imenso número de novos prédios de apartamentos sendo construídos. Reykjavík parecia um grande canteiro de obras com guindastes em todas em direções no horizonte. Não só prédios novos, mas bairros inteiros sendo construídos. Freqüentemente, quando dirigindo próximo aos inúmeros canteiros de obra eu me perguntava - "Quem é que vai morar em todos esses novos apartamentos?"
Hoje, esses novos bairros, com seus prédios inacabados e abandonados desde Outubro passado, verdadeiros bairros-fantasma, são monumentos à crise que devastou a economia da Islândia nos últimos meses.
Com as linhas de crédito baratas já não mais disponíveis, as construtoras tiveram que parar as obras por completo, despedir praticamente toda a força de trabalho, e vender seus tratores e guindastes só para conseguir evitar a falência. A procura por imóveis também praticamente já não existe mais, depois do grande êxodo de islandeses que deixaram o país para procurar empregos nos outros países nórdicos e na Inglaterra. Grande parte da esperada demanda pelos novos apartamentos seria o até então crescente número de estrangeiros no país, mas a realidade agora é que metade dos estrangeiros que moravam na Islândia deixaram o país nos últimos meses.
A companhia elétrica
Orkuveita Reykjavíkur, revelou hoje que havia investido o equivalente a 23 milhões de dólares na infra-estrutura de eletricidade, encanamento de água e esgoto para esses novos bairros. Com ninguém, ou quase ninguém morando neles, esse é um prejuízo e tanto.
As prefeituras também estão com dificuldade em manter serviços para bairros em que apenas poucos apartamentos estão ocupados, além das perdas na verba que foi investida em planejamento urbano mas que não resultaram na esperada arrecadação de impostos.
Dentre os bairros-fantasma na região da capital estão Helgafellsland in Mosfellsbær, Vatnsendahlíd em Kópavogur, Úlfarsárdalur em Reykjavík, Vellir em Hafnarfjörður, e Urridaholt em Garðabær.
No final de dezembro, meu departamento na empresa onde eu trabalho mudou de prédio, de Reykjavík para o subúrbio de Kópavogur. Esse novo prédio, que foi terminado logo antes da crise, está cercado por prédios inacabados e desde de Outubro abandonados, sem trabalhadores ou máquinas de construção.
Será interessante ver o que acontece com esses bairros-fantasma no futuro, quando a situação melhorar.
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Update: algumas fotos dos prédios inacabados e abandonados logo perto de onde eu trabalho em Kopavógur...


... nem sinal de trabalhadores ou máquinas, desde o colapso da economia em Outubro.