(ilustração do artista islandês Hugleikur Dagsson)
Vários leitores do blog comentaram nas últimas semanas sobre a imagem de um suposto monstro que teria sido capturada em video, que vem circulando na midia internacional, inclusive no Brasil. Essa notícia só apareceu na midia aqui na Islândia há poucos dias atrás, e o foco por aqui tem sido mais sobre a fascinação da midia estrangeira com o assunto, do que sobre o monstro em si.
Aqui está o video. A pessoa que filmou disse diz que estava tomando o café da manhã em casa, quando viu um movimento estranho no lago, então correu para pegar a filmadora, e correu até margem do lago para fazer o filme. Os céticos afirmam que esse movimento na superfície da água poderia ter sido causado por um galho de árvore, ou outro objeto, preso na margem. Assista e decida por você mesmo.
Eu sempre tive grande interesse sobre o folclore aqui da Islândia, e já tinha lido sobre esse monstro em alguns dos livros de contos de fadas. O primeiro relato sobre esse monstro foi escrito no ano 1345. Os islandeses o chamam de "Lagarfljótsormur" ou “Verme do Rio Líquido”.
O rio glacial Lagarfljót ("Rio Liquido") fica no leste do país e tem 140km de extensão, nascendo na geleira Eyjabakkajökull (“Geleira do Penhasco da Ilha”). Antes de chegar ao mar, o rio desagua num lago de 53 quilômetros quadrados e 120 metros de profundidade em seu ponto mais profundo. Aqueles que já visitaram essa região podem atestar que esse seria o lugar perfeito para um monstro se esconder, por estar coberto em constante neblina e ser muito, muito frio.
A história sobra a origem desse monstro é bem conhecida na Islândia...
Era uma vez, há muito tempo atrás, uma mulher que morava no distrito de Hérað, perto do rio Lagarfljót. Ela tinha uma filha, para quem deu um anel de ouro. A filha perguntou à ela como seria possível lucrar o máximo possível com o anel, e a mãe disse que ela deveria colocar o anel embaixo de uma serpente, e dentro de um baú. Assim o anel cresceria junto com a serpente. A serpente ficou lá por vários dias. Mas quando a garota foi olhar dentro do baú, a serpente tinha crescido tanto que o baú estava quase quebrando. A garota ficou com tanto medo, que ela jogou o baú no rio, com a serpente e o anel dentro.
Algum tempo depois, algumas pessoas disseram ver uma grande serpente na água, e ela começou a matar animais e gente que chegassem perto demais do lago. Algumas vezes ela ia às margens e cuspia um terrível veneno. Os habitantes da região estavam muito preocupados com esse ameaça, mas não sabiam o que fazer. Finalmente, dois xamãs finlandeses foram contratados para vir à Islândia para matar a serpente e recuperar o anel de ouro.
Os xamãs finlandeses pularam no rio, mas logo voltaram à superfície. Eles disseram que não havia solução para esse problema, que a serpente era inderrotável; não era possível matar a serpente ou recuperar o ouro. Mas eles mergulharam várias vezes, e finalmente conseguiram amarrar a cabeça e a calda da serpente ao fundo do lago. Desde então a serpente nunca mais foi mais capaz de matar ninguém, animais ou gente, mas às vezes ela flexiona o seu corpo que pode então ser visto na superfície da água, e é isso que se vê desde então e até hoje na superfície do lago.