Não houve surpresas nas eleições de ontem. Como já se esperava, os partidos de esquerda ganharam o maior número de votos e consolidaram sua posição no governo. O partido que governava a Islândia pelos últimos vinte anos e que foi forçado a deixar o governo depois da "revolução das panelas" em janeiro, o Partido da Independência, foi o que perdeu o maior número de parlamentares.
O parlamento islandês é formado por 63 parlamentares. Nessa eleição foram eleitas 26 mulheres, constituindo 43% do total de parlamentares. Um bom número de novos candidatos foram eleitores, são 23 eleitos pela primeira vez. Oito parlamentares que buscavam a re-eleição não foram eleitos.
Votos brancos nessa eleição foram 6,226 ou 3,2%, e votos nulos foram 528 ou 0,3%, de um total de votos de 193,934.
De um total de 227,896 com direito de voto, 85,1% votaram ontem.
Resultados por partido político:
Partido S - Samfylkingin (Aliança Social Democrata) - Foi o grande vencedor dessa eleição, com 29% dos votos, representando um aumento de 3.2% desde a eleição passada e assim elegendo mais dois parlamentares. Este é o partido da atual Primeira Ministra Johanna Sigurdardottir, e o único partido que apoia a entrada da Islândia na União Européia.
Partido V - Vinstri Grænir (Movimento Esquerda Verde) - Este é o partido que forma a coalizão de governo atual com o Samfylkingin. Nessa eleição ganharam 20,7% dos votos, representando um aumento de 7% em relação à eleição passada e assim elegendo mais cinco parlamentares. Para continuar na coalizão de governo, pode ser que sejam forçados a apoiar a possível entrada da Islândia para a União Européia.
Partido D - Sjálfstæðisflokkurinn (Partido da Independência) - O partido de direita responsável pelo colapso da economia islandesa ainda conseguiu 23,0% dos votos, representando uma baixa de 12,8% em comparação à eleição anterior e assim perdendo nove parlamentares. Ainda assim, esse resultado me surpreendeu. É difícil de entender como um número tão grande de islandeses ainda acredita que o partido que faliu o país ainda é o mais indicado para governá-lo.
Partido B - Framsóknarflokkurinn (Partido Progressista) - Recebeu 14,1% dos votos, representando um aumento de 2,9% e assim elegendo mais dois parlamentares. Esse partido foi o que mais fez campanha, prometendo cortes em impostos.
Partido O - Borgarahreyfingin (Movimento Cívico) - Um bom resultado para este partido que foi formado apenas nove semanas antes das eleições. Ganhou 7,1% dos votos, assim elegendo quatro parlamentares. Imagino que muita gente cansada com os mesmo partidos de sempre deve ter voado neles com uma esperança de renovação na política. Ainda não está claro se vão se juntar à coalizão de governo ou ficar na oposição.
Partido F - Frjálslyndi flokkurinn (Partido Liberal) - Recebeu 2,1%, comparando com um resultado de 7,3% em relação à eleição passada, e perdeu todos os quatro parlamentares que tinha. Esse partido, que foi formado com uma plataforma de reforma no sistema de quotas de pesca, perdeu o foco nos último anos e foi esquecido pela grande maioria do eleitorado.
Partido P - Lýðræðishreyfingin (Movimento Democrático) - Participando de eleições pela primeira vez, recebeu apenas 0,6% dos votos, que imagino tenham vindo das famílias dos candidatos. Não elegeu nenhum parlamentar.