meio-dia / meia-noite
23/08/07 18:20 Filed in:
Dia-à-dia
Durante o mês de Julho nunca anoitece aqui na Islândia,
o fenômeno é conhecido como "o sol da meia-noite". Para
mostrar a diferença de luz durante o dia e a noite, eu
tirei duas séries de fotos nesse verão, da varanda do
meu apartamento. Montei então dois panoramas com cada
série de seis fotos, um mostrando a vista ao meio-dia e
outro à meia noite.
Clique na foto abaixo para ver os dois panoramas juntos
em alta resolução.
Eu mesmo fiquei surpreso ao ver as fotos juntas e ver
que tem tão pouca diferença entre a luz do meio-dia e
da meia-noite durante o verão aqui na Islândia.
Noite da Cultura
18/08/07 20:22 Filed in:
Eventos
Ontem foi a Reykjavík Culture Night, um dia cheio de
eventos culturais espalhados pela cidade toda, do
meio-dia à meia-noite. O principal evento do dia foi a
Maratona de Reykjavík que muito gente foi assistir nas
ruas aproveitando o tempo bom. O dia fechou com um
espetáculo de fogos de artifício na baía de Reykajvík.
Eu passei o dia no centro indo de um evento para outro
e gostei muito do dia, foi ótimo. Tirei muitas fotos,
aproveitando pra fotografar o que muita gente aqui no
blog vinha pedindo, gente na rua e nos cafés.
Li no jornal que o diretor americano de cinema Quentin
Tarantino está aqui na Islândia no momento para
aproveitar o dia de eventos. Perguntado sobre a razão
do seu interesse no país, ele disse: "Eu sou um grande
apreciador da cultura, das mulheres e das bebidas
islandesas." - Sábias palavras de um homem que
claramente sabe reconhecer as boas coisas na vida!
Clique aqui para ver a galeria de fotos
da Noite da Cultura
Discovery channel queria
filmar arqueologia de mentira, encontra arqueologia de
verdade
17/08/07 20:20 Filed in:
Notícias
Os jornais estão noticiando que uma equipe da Discover
Channel esteve aqui na Islândia recentemente para
filmar um programa onde um personagem estilo Indiana
Jones encontra tesouros arqueológicos fictícios, só que
quando começaram a escavar para colocar o tal tesouro
de mentira, acabaram encontrando um túmulo verdadeiro
da época da colonização da Islândia no século IX. Esse
pessoal deve ter ficado confuso!
A Islândia tem uma história rica de bem documentada nos
1100 anos do país. Um detalhe que eu acho interessante
é que muitos lugares de imensa importância na história
nacional, como ruínas de casa de figuras nacionais
importantes, na maioria das vezes existe apenas uma
plaquinha ou muitas vezes nem isso. Em outros lugares
como nos EUA, lugares equivalentes teriam um parque de
diversão temático com barraquinhas para se comprar
camisetas e todo tipo de sourvenir!
Russos invadem espaço aéreo
islandês
17/08/07 20:11 Filed in:
Notícias
A principal notícia nos jornais de hoje é de que ontem
vários aviões bombardeiros russos invadiram o espaço
aéreo islandês, rodeando a ilha sem aviso prévio ao
governo islandês. Como a Islândia não tem exército
próprio e nenhuma base militar ativa em seu território,
aviões-caça das forças armadas da Noruega e
Grã-Bretanha tiveram que decolar de seus respectivos
países e vir proteger seu a Islândia, escoltando os
aviões russos de volta até o espaço aéreo russo.
O interessante é que quando as autoridades islandesas
reclamaram com a Russia, a resposta do governo russo
foi "Sobrevoamos a Islândia mesmo, e faremos de novo
quando bem quisermos. Não precisa reclamar, nossos
aviões não usam a mesma altitude dos aviões de
passageiros islandeses." Parece que a Russia quer mesmo
reafirmar-se como uma potência a ser respeitada e
temida.
Outra paixão islandesa:
acampar
13/08/07 01:51 Filed in:
Opiniões
Eu já falei aqui de algumas paixões dos islandeses,
como sorvete, churraco e carrinhos de supermercado.
Agora no final do verão, com todo mundo voltando de
férias, todos tem a mesma história pra contar, dos dias
que passaram em uma barraca em algum lugar da ilha.
O último país que eu imaginaria o povo ser louco com
acampamento seria aqui na Islândia, por óbvios motivos
meteorológicos. Mas parece que o pessoal por aqui anima
mesmo. Todos os meus colegas de trabalho, sem exceção,
acamparam nesse verão com a família ou amigos, e todos
tem a mesma história pra contar de como estava gelado e
como o vento sacudia a barraca incessantemente. Uma das
histórias que ouvi mencionava o fato de que o vento
estava tão forte numa das noites que os pinos de ferro
que seguravam a barraca no chão se quebraram e a
barraca inteira foi levada pelo vento sem nunca mais
ser encontrada, enquanto o pessoal que estava dentro,
berrando para serem escutados na ventania, teve que
correr para dentro dos carros para se protegerem da
súbita nevasca de verão.
À princípio eu até achei a idéia interessante, de se
acampar em um campo de lava remoto, algum lugar bem
bonito e isolado. Mas, não é bem assim. Pra começar, é
proibido na Islândia dirigir fora das estradas, já que
levar o carro off-road pode destruir vegetação rasteira
que nesse clima levaria décadas para se recuperar.
Parece que os islandeses na grande maioria das vezes
acampam em áreas designadas para acampamento, onde
dezenas de barracas se aglomeram em torno de um prédio
onde ficam banheiros e algumas vezes geradores de
eletricidade também, o que eu não chamaria exatamente
de isolamento ou de contato íntimo com a natureza.
Eu sempre quis fazer uma viagem de carro em volta da
Islândia, pela Estrada Número Um que contorna a ilha.
Talvez no ano que vem eu faça tal viagem e anime de
acampar no caminho, já que em algumas partes mais
remotas do país é difícil arranjar acomodação. Vou
tentar já ir me acostumando com a idéia de noites
gélidas e uma barraca balançando com o vento extremo
que sopra incessantemente nessas latitudes glaciais.
O mundo todo em uma
ilha
05/08/07 14:53 Filed in:
Geografia
A Islândia é hoje verdadeiramente um país com uma rica
mistura de nacionalidades e culturas. Estrangeiros de
mais de 130 países moram aqui, representando um total
de 24,118 pessoas, ou seja cerca de 9% da população da
Islândia.
Segundo os números oficiais, os maiores grupos de
estrangeiros são os Poloneses (6,854), Filipinos
(1,409), Dinamarqueses (1,203), Americanos (1,059),
Lituanos (1,031) e Tailandeses (1,014).
O números oficial de Brasileiros morando na Islândia é
69, sendo que 18 desses obtiveram cidadania islandesa.
No entanto, eu imagino que o número de brasileiros seja
mais alto que esses 69, já que suponho que grande parte
dos brasileiros morando por aqui tenham cidadania de
algum outro país europeu como a Itália ou Portugal e
que assim não aparecem nos números oficiais como
brasileiros.
Aqui está um mapa interessante que foi publicado
recentemente num jornal islandês. Nesse mapa dá pra ver
o número de estrangeiros provenientes de cada país
morando por aqui. Clique na imagem para vê-la ampliada.
De volta da Bulgária,
reflexões sobre a islândia
01/08/07 14:34 Filed in:
Opiniões
Depois de cinco dias trabalhando na Bulgária, estou de
volta na Islândia. Eu fui à serviço para uma empresa
farmacêutica islandesa que emprega mais de três mil
pessoas na Bulgária, fui instalar um novo sistema de
Telefonia por IP para o novo escritório deles na
capital Sofia. Acabou que não vi muito de Sofia, já que
quase não tive tempo fora do trabalho. Só deu mesmo pra
passear um pouco na área em volta do hotel durante à
noite quando eu voltava do trabalho e saía à procura de
algo pra comer pro jantar. A cidade me pareceu bonita,
muito arborizada, cheia de grandes e imponentes prédios
do período comunista que devem ser interessantes de se
visitar.
É impressionante o tamanho da economia islandesa quando
você pensa que o país só tem 300 mil habitantes. Essa
empresa mesmo para qual eu fui trabalhar nesses dias na
Bulgária, tem treze mil empregados no total em mais de
30 países. No Reino Unido, empresas islandesas
praticamente controlam o mercado de comida no país e
compraram também várias das maiores lojas de roupas
britânicas, e a maior loja de brinquedos. Na Dinamarca
e Noruega, vários bancos locais foram recentemente
comprados por bancos islandeses, assim como algumas
companhias aéreas e pelo menos um jornal de grande
circulação. Isso um país que tem uma população igual à
cidade brasileira de Blumenau (SC) ou ainda de Uberaba
(MG).
Nesse fim de semana eu também fui forçado à refletir
sobre o isolamento geográfico aqui da Gelolândia. A
viagem para Sofia foi uma das mais indiretas que eu já
fiz. Eu viajei de Reykjavik para Gothenburg na Suécia,
depois para Copenhagem na Dinamarca, daí para Munich na
Alemanha e de lá finalmente para Sofia. Os motivos
desse número de conexões foram o pequeno número de vôos
que saem da Islândia pela manhã e o fato de que a
companhia aérea islandesa Icelandair só faz conexão com
vôos operados pela companhia escandinava SAS e suas
parceiras. Depois de morar em Londres por muitos anos,
eu estava acostumado a ter pegar vôos diretos pra
qualquer lugar do mundo à qualquer hora do dia, e essa
maratona de quatro conexões e 14 horas de viagem dentro
da Europa realmente me fez refletir sobre o isolamento
geográfico desse rochedo perdido no mar Atlântico
Norte.