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Congresso Viking e tesouros enterrados

Na semana passada a Universidade da Islândia foi sede de um evento internacional de historiadores e arqueólogos especializados no chamado período Viking da história dos países nórdicos. O Congresso Viking durou a semana toda e teve vários eventos interessantes, mas eram na maioria fechados à participantes inscritos.

Eu aproveitei para ir a uma palestra aberta ao público chamada “A Cama do Dragão: Ouro e Prata na Islândia da Era Viking - e Além”.

Eu fiz curso universitário em História antes de mudar de carreira e trabalhar em TI, e História ainda é a minha paixão e pra mim essa palestra aberta foi fascinante.

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Uma coisa curiosa que aprendi à respeito da Islândia é que, apesar de tesouros feitos de ouro serem freqüentemente encontrados em tumbas vikings na Noruegas e outros países escandinavos, na Islândia somente um único objeto de ouro foi encontrado até hoje - uma bola pequena de fio de ouro, que teria sido pendurada na roupa como decoração.

Ainda, se acredita que muitos tesouros da era viking devem estar enterrados aqui na Islândia que ainda não foram encontrados. Se acreditava naqueles tempos que qualquer tesouro enterrado, mesmo longe da tumba do indivíduo, o acompanharia depois da morte à Valhalla, o paraíso viking onde os guerreiros lutavam por toda a eternidade. Era comum que se enterrasse seus tesouros antes de partir para uma viagem perigosa ou uma batalha, para se certificar que em cas de morte o tesouro acompanharia o espírito de seu dono até os halls de Odin.

Uma dessas histórias mais conhecidas é a do viking, poeta, e grande (anti-)herói nacional islandês Egill Skallagrimsson, que teria enterrado seu tesouro de peças de prata antes e morrer. Nos mais de mil anos desde a morte de Egill, muita gente tem especulado sobre onde estaria o tesouro, que nunca foi encontrado.
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Urriðaholti - Um Bairro Fantasma

Logo antes do colapso financeiro da Islândia em Setembro de 2008 o mercado imobiliário estava em expansão. Em qualquer direção que se olhasse em Reykjavík, haviam inúmeros guindastes pontilhando o horizonte. Sempre me perguntei quem seriam essas pessoas que as construtoras esperavam que iriam comprar todas essas casas e apartamentos. Nas duas últimas semanas de setembro no ano passado, tudo mudou - os três bancos comerciais de grande porte faliram, assim como um grande banco de investimentos, apagando 76% do valor da bolsa de valores islandesa, e fazendo a moeda islandesa despencar para menos da metade do valor. Com o colapso, o setor de imóveis e construção simplesmente parou. As construtoras demitiram os trabalhadores, venderam suas máquinas e a maioria dos seus guindastes para evitar a falência, e o valor de imóveis caiu em estimados 60% - estimados porque o mercado foi extinto e agora, quase um ano depois, ainda continua inexistente, sem praticamente nenhuma venda de imóveis no país nesses meses todos.

Como resultado, bairros inteiros que estavam sendo construídos simplesmente foram abandonados. Alguns apenas com ruas, postes, e infra-estrutura-básica, outros com a grande maioria das casas e prédios já construídos. De uma maneira ou outra, não há mais demanda ou dinheiro para que a construção desses bairros, casas e prédios seja finalizada. O que restou, como um grande monumento à kreppa ( “crise” ), foram bairros fantasma, sem nenhum ou praticamente nenhum morador.

Um desses bairros, que visitei para tirar algumas fotos aqui pro blog é o Urriðaholti ( “Morro das Trutas” ), em Hafnarfjörður, nas imediações da capital Reykjavík. Este bairro em particular, como mostra uma placa no local, havia sido projetado para ter 1,500 apartamentos e casas de primeiríssima qualidade. Mas as obras pararam em Outubro de 2007 logo com o início da crise, e tudo que existe hoje no local é um estranho cenário que me lembra de filmes pós-apocalípticos em que apenas resquícios de uma civilização sobreviveram algum cataclismo.

Video que fiz no local:



E ninguém sabe quanto anos vai levar até que as obras possam ser retomadas para finalizar este e outros bairros fantasmas. Cinco anos, ou dez anos, ou mais.

Clique nas fotos para vê-las ampliadas.

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Rua ainda não asfaltada, mas já com hidrantes, e com postes de iluminação pública ainda sem luzes.

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O plano para o bairro, numa placa no local colocada lá para servir de guia desse lugar que agora só existe mesmo na própria placa:

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Visão geral do bairro, que deveria ser rebatizado de Kreppaland:

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Clique aqui para ver a galeria completa de fotos
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trânsito

Uma das coisas que chama a atenção de qualquer visitante à Islândia é o fato de que s carros sempre para para pedestres atravessarem a rua. Esse é um ponto positivo do trânsito na Islândia.

O ponto negativo só é óbvio para aqueles que dirigem por aqui: os islandeses, no geral dirigem muito mau. A expressão inglesa “driving like a maniac” seria bem adequada. Os motoristas por aqui estão sempre acima do limite de velocidade, raramente dão seta para mudar de pista, e ficam grudados na traseira do carro da frente. Ainda, manobras proibidas e de algo risco são comuns de se ver pelas ruas.

É interessante que, mesmo com esse comportamento extremo ao volante, eu nunca ouvi falar de um caso de “road rage” por aqui, que são comum em outros país onde motoristas descem do carro e se atacam fisicamente. Acho que por aqui existe um entendimento de que as manobras malucas e comportamento de perigo ao volante são a norma, o que todo mundo faz, e assim ninguém leva pro lado pessoal.

Eu não posso comparar com o Brasil, já que estou fora do país por quase dez anos e nunca dirigi por lá. Mas comparados aos motorista britânicos, pelo menos, os islandeses são maus motoristas.

Aproveitando o assunto, outra coisa que me chateia no trânsito por aqui é não só o excesso de rotatórias em alguns bairros mas o fato de que as rotatórias sempre são elevadas no centro, o que impede que se consiga ver o trânsito do outro lado e em conseqüência se tem que diminuir a velocidade, o que é exatamente o que a rotatória deveria existir para evitar. Quando comentando disso com um amigo islandês, a resposta que obtive foi de que as rotatórias são elevadas por que senão todo mundo passaria por cima ao invés de seguir o contorno. Talvez essa seja a causa geral dos problemas no trânsito da Gelolândia, uma atitude de ser “o dono da rua”.

De qualquer maneira, no geral o trânsito por aqui é tranqüilo desde que se acostume com essa atitude ruim dos outros motoristas. Engarrafamentos são muito raros, e normalmente só ocorrem quando o clima está muito ruim, tem muita neve na rua, etc. O melhor é que, na capital, normalmente não se leva mais de 15 minutos pra chegar à qualquer lugar de carro.
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Emigração em massa

O departamento de ciências sociais da Universidade da Islândia divulgou um estudo nessa semana afirmando que a população islandesa pode cair em até 10 mil habitantes (cerca de 3% do total) nos próximos anos por causa de emigração como resultado da crise econômica.

Desde o inicio da crise econômica em Outubro passado, milhares de islandeses já deixaram o país, para procurar emprego e melhores oportunidades em países que não estão sofrendo tanto com a crise mundial, principalmente Noruega, Dinamarca e Ingaterra.

Eu pessoalmente conheço cinco islandeses que mudaram do país nos últimos meses, e olha que eu conheço pouca gente por aqui. A empresa onde eu trabalho, uma das maiores do país, já perdeu 4% dos empregados nesse ano, que decidiram se mudar com a família para outros países.

De certa maneira essa emigração em massa faz com que o nível de desemprego, que já chegou em 9%, não suba ainda mais. Mas, o pior efeito é o “brain drain”, ou seja muita gente bem qualificada deixando o país.
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Marinheiro de laguinho

Hoje pela manhã quando eu estava caminhando para o prédio do parlamento islandês para fazer um trabalho pro governo, eu vi um cena um tanto inesperada. Um pequeno agrupamentos de pessoas cercava um japonês vestido de marinheiro e segurando um modelo de plástico de um navio de guerra. Eu parei para conferir do que se tratava. O japonês colocou na água um dos seus navios que então começou a soltar fogos de artifício enquanto progredindo até o meio da lagoa. O japonês então puxava de volta os navios via uma cordinha amarrada nelas e repetia o processo, claramente satisfeito coma atenção.

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Parei para conversar com essa figura inusitada. Na verdade o marinheiro de laguinho não era japonês, mas um coreano, que vem viajando pela Europa com seus modelos de navios. Ele tinha acabado de chegar de Groenlândia, e planejava ficar aqui na Islândia por alguns dias. - “Volte aqui durante a noite, daí o espetáculo é ainda mais interessante. Estarei aqui toda noite!” - ele me contou animado.

O trabalho estava esperando por mim, e assim infelizmente tive que deixar pra trás o coreano que no final explicava, com ar de autoridade no assunto, a capacidade naval da Coréia do Norte em comparação com a sua nativa Coréia do Sul, enquanto desmontando um de seus modelos para mostrar os mecanismos internos.

Tá aí algo que não se vê todos os dias nas ruas de Reykjavík.
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Minhas férias - parte um

Estou de volta das férias! Foram três semanas bem aproveitadas. Encontrei com meu pai e família na Inglaterra, e passamos uma semana passeando por Londres e Paris, e depois mais dez dia na Islândia. Viajamos mais de 4,000 km de carro pelo oeste e sul do país.

As coisas andam bem quietas por aqui na Gelolândia. Os islandeses tiram férias no verão e normalmente só voltam lá pro meio de Agosto. O escritório aqui do trabalho ainda está vazio. Nesse ano, devido à kreppa ( “crise” ) pouca gente saiu do país e alternativas baratas aqui na Islândia mesmo foram as mais populares, e todos as áreas de acampamentos que vi estavam lotadas de barracas e trailers.

Do lado das notícias, a saga da crise econômica continua, com mais e mais sujeira sendo descoberta e publicada à cada dia. Ontem foi decretada a falência de um dos maiores magnatas da Islândia, Bjorgolfur Gudmundsson, com dívidas no total de 96 bilhões de coroas (US$768 milhões de dólares no câmbio atual) - não só a maior falência da história da Islândia como da Inglaterra também. Bjorgolfur era um dos principais acionistas do falido banco Landsbankinn, que deixou ao governo islandês uma dívida com a Inglaterra e Holanda de US$5 bilhões de dólares. Enquanto isso, o governo islandês na semana retrasada, apesar de protestos da população, fez um pedido formal de entrada à União Européia. As negociações com a UE devem levar ainda dois anos, e os islandeses tem ainda aprovar a entrada do países para a união em um plebiscito. Mas a vida continua com ou sem kreppa, e o prioridade nesse do momento para os habitantes da Gelolândia é aproveitar o ótimo tempo de verão!


Minhas férias, parte um - Snæfellsnes

Depois de um bom passeio por Reykjavík com a família, em que visitamos, entre outros lugares, o Museu 871 (museu subterrâneo sob o centro de Reykjavík com ruínas da uma casa de mais de mil anos atrás), o Saga Museum (com figuras de cera dos personagens principais das Sagas), o Museu Nacional, muitas lojas para aproveitarem a baixa cotação da krona, vários restaurantes, etc, viajamos para o norte. Ficamos numa casa de campo em Skorradalur e de lá viajamos por toda a península de Snæfellsnes.

Snæfellsnes é uma península no oeste da Islândia, com muitos lugares bonitos. Clique nas fotos para vê-las ampliadas.

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Uma das cidadezinhas mais bonitas que vi nessa viagem foi Stykkishólmur, no norte da península de Snæfellsnes, com apenas 1240 habitantes. A pequena cidade com seu porto é uma vista de encher os olhos.

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Também vimos casa tradicionais islandesas, feitas de terra e madeira, cobertas com um telhado de grama.

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Um grande viking...

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e outro lugar que me chamou a atenção pela beleza foi o porto de Arnarstapi...

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Clique aqui para ver mais fotos da viagem por Snæfellsnes

E fiquem de olha no blog para ver em breve um relato e fotos da segunda parte da minha viagem de férias, pelo sul da Islândia.
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