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verão é hora de trabalho duro para os adolescentes islandeses

Aqui na Islândia é tradicional que todos os adolescentes dos 11 aos 18 anos trabalhem no verão para a prefeitura da cidade onde moram. Num passeio por Reykjavík ou qualquer cidade islandesa durante o verão, você pode ver os adolescentes por toda parte cortando gramados, pintando cercas, plantando canteiros, recolhendo lixo das ruas. Ricos ou pobres, garotos e garotas, todos põem a mão na massa e trabalham duro durante as férias de verão. Todos os adultos que eu conheço na Islândia fizeram isso também em todos os verões quando eles eram adolescentes.

Uma coisa que eu achei especialmente legal é que as prefeituras mandam os adolescentes, além de cuidar das áreas públicas da cidade, também para as casas dos idosos aposentados onde eles cortam a grama e arrumam os jardins sem os aposentados terem que pagar nada. O pai da minha noiva é aposentado e na semana passada um grupo de meninos e meninas de uns quatorze anos apareceu por lá enviado pelo prefeitura e arrumaram muito bem o jardim, cortaram grama, podaram as plantas, sem nenhuma bagunça, tudo muito organizado e levado à sério. Achei uma coisa legal para os aposentados, mas também para os adolescentes para aprenderem o valor do trabalho e o respeito pelas áreas públicas e pelas outras pessoas desde cedo.
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os sapatos de Reykjavík estão em perigo!

Hoje eu tinha uma reunião no trabalho com dois colegas para discutir um projeto. Cheguei cedo e encontrei com um mas nada do outro aparecer. Depois de meia hora de espera veio a ligação no meu celular, e por essa desculpa eu não esperava: "Pedro, desculpa mas vou chegar atrasados porque roubaram meus sapatos!"

Eu tive que perguntar mais sobre esse mistério do roubo dos sapatos desse colega... como assim, alguém teria arrombado a casa dele só para roubar um par de sapatos?! Depois de algumas explicações dele a coisa ficou mais clara...

Acontece que, como eu já havia discutido antes aqui no blog, os islandeses não usam sapatos dentro de casa, e algumas famílias deixam seus sapatos fora de casa. No caso desse meu colega de trabalho, ele deixa e sempre deixou todos os sapatos dele do lado de fora da porta do apartamento, num shoe rack no corredor, e nessa manhã dois pares haviam desaparecido. Eu desejei boa sorte à ele nas investigações do crime e tivemos que re-agendar a reunião.

Cuidado, caros leitores, tragam os seus sapatos para dentro de casa, porque o ladrão de sapatos de Reykjavík está à solta!
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Dia nacional da Islândia

No dia 17 de Junho os islandeses comemoram a independência do país, que costumava a ser uma colônia da Dinamarca. Nesse dia todos vão ao centro das cidades assistir os eventos, muita gente com bandeiras e as crianças com bandeiras pintadas no rosto.

Nesse ano o meu trabalho me mandou pra Inglaterra bem na semana do dia nacional e eu não pude aproveitar a festa. Mas já tive a oportunidade de participar há alguns anos atrás, é uma ótima atmosfera e interessante de ver as ruas que normalmente são sempre vazias se encherem de gente.

Encontrei um audio slideshow com fotos do dia e uma narração interessante também, vale à pena assistir. Clique aqui.

Essa galeria de fotos aqui também é bacana, com fotos do dia nacional em 2005. Mostra até algumas fotos de mulheres vestidas com as roupas tradicionais da Islândia, que pouca gente tem, porque que são costuradas com fios de ouro e assim muito caras. Outra foto curiosa nessa galeria é a de uma mulher padre (na Islândia mulher pode padre também - como seria o nome em português?) com a roupa tradicional de padres que tem um enfeite no pescoço.

Eu sei que estou atrasado pra comentar da data, e eu nem planejava comentar já que eu não estava por aqui. Mas depois de ver o slideshow e a galeria de fotos, achei que seria legal compartilhar com os leitores do site. No ano que vem eu faço uma cobertura de primeira mão e coloco auqi no blog.
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Talarðu íslensku? - Questões linguísticas

Na semana passada eu terminei o nível 3 do curso de islandês. Aprender a língua aqui da Gelolândia não é, como diz o provérbio inglês, um passeio no parque, mas taria mais para um engatinhamento num campo minado e encoberto por nevoeiro pesado. A dificuldade de aprendizado do idioma islandês e lendária. As palavras se juntam para montar verdadeiras aberrações que desafiam a capacidade dos músculos da língua de se contrcerem, e o pior, regularidade é algo praticamente inexistente, o que força o estudante a olhar no dicionário para saber com certeza como cada nome é declinado ou cada verbo é conjugado. Quando você acha que entendeu como funcioa uma parte qualquer da gramática, por exemplo como construir os plurais de substantivos (sim, isso é complicado), logo vem a desanimadora compreensão de que agora você tem que aprender como essas regras mudam com cada caso de decinação, cada gênero e grau em suas múltiplas combinações.

Eu estudei um ano de islandês no University College London, quando morava na Inglaterra, antes de mudar pra cá. Mesmo com esses dois semestres em Londres de aulas duas vezes por semana, e agora morando na Islândia por quatro meses também com aulas duas vezes por semana, o meu islandês é suficiente apenas para entender vagamente o assunto de uma conversa. Eu imagino que eu ainda vá levar pelo menos mais um ano de aulas, morando aqui, para poder falar a língua com o mínimo de fluência. Na minha turma de islandês tinha gente que já mora por aqui há mais de dois anos, e não fala praticamente nada.

Não ajuda também que existe muito pouco material de qualidade para o estudante da língua e poucos professores treinados para ensinar islandês à estrangeiros. Ainda, as aulas são caras e acho que o governo deveria patrocinar pelo menos uma parte dos custos para ajudar os estrangeiros, que agora são 9% da população do país, a aprenderam a língua e assim se integrarem melhor na sociedade islandesa.


boiando...

É uma sensação estranha à qual eu não estava acostumado, quando todos à sua volta estão conversando numa língua que você não entende, e você só boiando. O que faz a coisa ficar ainda mais desconfortável é que todos aqui falam inglês fluente, e eu então não posso deixar de me perguntar por que então não falam falar inglês naquele momento para incluir o(s) estrangeiro(s) na conversa também.

Eu compreendo o conceito de que quanto mais islandês eu for forçado a tentar entender melhor é pro aprendizado da língua, mas a coisa na prática não é bem assim. Para começar a aprender só de se ouvir a língua é necessário um nível de entendimento o qual eu ainda não alcancei. Ainda, os islandeses muitas vezes parecem pensar que o islandês é uma língua fácil de aprender e que um estrangeiro que está por aqui à poucos meses já deveria estar não só falando quanto recitando as sagas no original nórdico antigo. Um exemplo que beira o cômico-trágico é que a carta que recebi do Departamento de Imigração avisando que meu Cartão de Residente já estava pronto veio toda em islandês! Esse documento tem que ser providenciado nos primeiros meses de moradia na Islândia, então como é que esperam que o estrangeiro tenha aprendido a língua naquele tempo para ler a carta. Eu não resisti, mesmo ja tendo alguem traduzido a carta pra mim e me avisado do que ela se tratava, fui ao guichê de atendimento e disse em inglês "Recebi essa carta aqui, não tenho a menor idéia do que se trata porque obviamente não tie tempo de aprender a língua ainda, como vocês devem saber!"... a moça sem graça não soube bem o que dizer e correu para pegar meu cartão no fichario no fundo do escritório.

No trabalho até que é tranquilo, os colegas sempre falam inglês comigo e até mesmo os clientes todos parecem não se importar de falar inglês também. Acho que na minha área de trabalho, em informática, todos ja estão acostumados de lidar com estrangeiros falando inglês já há muitos estrageiros nessa área rabalhando na Islânda. Só às vezes é que recebo emails em islandês dos colegas, e fico com vontade de responder em português pra ver se quem mandou se lembra de que eu ainda não compreendo esse código secreto que é o islandês! hehehe

A situação onde eu "boio" mais é nas reuniões sociais. Agora no verão é época de churrasco e festas, o pessoal se reúne para jogar conversa fora, tomar cerveja e comer petiscos e churrascos. Nessas situações, fico dependendo de alguém parar a conversa de vez em quando e me explicar qual foi o assunto falado nos últimos dez, quinze ou vinte minutos. De novo, não consig evitar de pensar, será que não dava pra falar inglês todo mundo então, sendo grupos de poucas pessoas onde todos são perfeitamente capazes de falar inglês fluente? Well, it is the way it is.

Talvez no verão do ano que vem eu já não tenha que boiar mais. Tomara!
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