verão é hora de trabalho
duro para os adolescentes islandeses
19/07/07 22:52 Filed in:
Costumes
Aqui na Islândia é tradicional que todos os
adolescentes dos 11 aos 18 anos trabalhem no verão para
a prefeitura da cidade onde moram. Num passeio por
Reykjavík ou qualquer cidade islandesa durante o verão,
você pode ver os adolescentes por toda parte cortando
gramados, pintando cercas, plantando canteiros,
recolhendo lixo das ruas. Ricos ou pobres, garotos e
garotas, todos põem a mão na massa e trabalham duro
durante as férias de verão. Todos os adultos que eu
conheço na Islândia fizeram isso também em todos os
verões quando eles eram adolescentes.
Uma coisa que eu achei especialmente legal é que as
prefeituras mandam os adolescentes, além de cuidar das
áreas públicas da cidade, também para as casas dos
idosos aposentados onde eles cortam a grama e arrumam
os jardins sem os aposentados terem que pagar nada. O
pai da minha noiva é aposentado e na semana passada um
grupo de meninos e meninas de uns quatorze anos
apareceu por lá enviado pelo prefeitura e arrumaram
muito bem o jardim, cortaram grama, podaram as plantas,
sem nenhuma bagunça, tudo muito organizado e levado à
sério. Achei uma coisa legal para os aposentados, mas
também para os adolescentes para aprenderem o valor do
trabalho e o respeito pelas áreas públicas e pelas
outras pessoas desde cedo.
os sapatos de Reykjavík
estão em perigo!
12/07/07 23:19 Filed in:
Dia-à-dia
Hoje eu tinha uma reunião no trabalho com dois colegas
para discutir um projeto. Cheguei cedo e encontrei com
um mas nada do outro aparecer. Depois de meia hora de
espera veio a ligação no meu celular, e por essa
desculpa eu não esperava: "Pedro, desculpa mas vou
chegar atrasados porque roubaram meus sapatos!"
Eu tive que perguntar mais sobre esse mistério do roubo
dos sapatos desse colega... como assim, alguém teria
arrombado a casa dele só para roubar um par de
sapatos?! Depois de algumas explicações dele a coisa
ficou mais clara...
Acontece que, como eu já havia discutido antes aqui no
blog, os islandeses não usam sapatos dentro de casa, e
algumas famílias deixam seus sapatos fora de casa. No
caso desse meu colega de trabalho, ele deixa e sempre
deixou todos os sapatos dele do lado de fora da porta
do apartamento, num shoe rack no corredor, e
nessa manhã dois pares haviam desaparecido. Eu desejei
boa sorte à ele nas investigações do crime e tivemos
que re-agendar a reunião.
Cuidado, caros leitores, tragam os seus sapatos para
dentro de casa, porque o ladrão de sapatos de Reykjavík
está à solta!
Islândia tem o Big Mac mais
caro do mundo
09/07/07 21:36 Filed in:
Dia-à-dia
O último número da revista britânica The
Economist traz os resultados da pesquisa do
chamado "Índice Big Mac" desse ano, que mostra o preço
do sanduiche do Mac Donalds em 120 países no mundo. No
topo da pesquisa está a Islândia, com um Big Mac por
aqui custando 123% mais do que nos EUA, ou seja mais do
dobro. Em comparação, nos países da União Européia que
usam o Euro um Big Mac é 22% mais caro que nos EUA, e
na China um Big Mac custa 58% menos do que nos EUA. A
revista concluí que essa é uma boa indicação de que o
custo de vida na Islândia está entre os maiores do
mundo, mesmo com os salários não sendo maiores do que
os da UE ou EUA.
Dia nacional da
Islândia
06/07/07 18:49 Filed in:
Eventos
No dia 17 de Junho os islandeses comemoram a
independência do país, que costumava a ser uma colônia
da Dinamarca. Nesse dia todos vão ao centro das cidades
assistir os eventos, muita gente com bandeiras e as
crianças com bandeiras pintadas no rosto.
Nesse ano o meu trabalho me mandou pra Inglaterra bem
na semana do dia nacional e eu não pude aproveitar a
festa. Mas já tive a oportunidade de participar há
alguns anos atrás, é uma ótima atmosfera e interessante
de ver as ruas que normalmente são sempre vazias se
encherem de gente.
Encontrei um audio slideshow com fotos do dia e uma
narração interessante também, vale à pena assistir.
Clique aqui.
Essa
galeria de fotos aqui também é
bacana, com fotos do dia nacional em 2005. Mostra
até algumas fotos de mulheres vestidas com as
roupas tradicionais da Islândia, que pouca
gente tem, porque que são costuradas com fios de
ouro e assim muito caras. Outra
foto curiosa nessa galeria é a de
uma mulher padre (na Islândia mulher pode padre
também - como seria o nome em português?) com a
roupa tradicional de padres que tem um enfeite no
pescoço.
Eu sei que estou atrasado pra comentar da data, e eu
nem planejava comentar já que eu não estava por aqui.
Mas depois de ver o slideshow e a galeria de fotos,
achei que seria legal compartilhar com os leitores do
site. No ano que vem eu faço uma cobertura de primeira
mão e coloco auqi no blog.
Talarðu íslensku? - Questões
linguísticas
05/07/07 21:33 Filed in:
Opiniões
Na semana passada eu terminei o nível 3 do curso de
islandês. Aprender a língua aqui da Gelolândia não é,
como diz o provérbio inglês, um passeio no parque, mas
taria mais para um engatinhamento num campo minado e
encoberto por nevoeiro pesado. A dificuldade de
aprendizado do idioma islandês e lendária. As palavras
se juntam para montar verdadeiras aberrações que
desafiam a capacidade dos músculos da língua de se
contrcerem, e o pior, regularidade é algo praticamente
inexistente, o que força o estudante a olhar no
dicionário para saber com certeza como cada nome é
declinado ou cada verbo é conjugado. Quando você acha
que entendeu como funcioa uma parte qualquer da
gramática, por exemplo como construir os plurais de
substantivos (sim, isso é complicado), logo vem a
desanimadora compreensão de que agora você tem que
aprender como essas regras mudam com cada caso de
decinação, cada gênero e grau em suas múltiplas
combinações.
Eu estudei um ano de islandês no University College
London, quando morava na Inglaterra, antes de mudar pra
cá. Mesmo com esses dois semestres em Londres de aulas
duas vezes por semana, e agora morando na Islândia por
quatro meses também com aulas duas vezes por semana, o
meu islandês é suficiente apenas para entender
vagamente o assunto de uma conversa. Eu imagino que eu
ainda vá levar pelo menos mais um ano de aulas, morando
aqui, para poder falar a língua com o mínimo de
fluência. Na minha turma de islandês tinha gente que já
mora por aqui há mais de dois anos, e não fala
praticamente nada.
Não ajuda também que existe muito pouco material de
qualidade para o estudante da língua e poucos
professores treinados para ensinar islandês à
estrangeiros. Ainda, as aulas são caras e acho que o
governo deveria patrocinar pelo menos uma parte dos
custos para ajudar os estrangeiros, que agora são 9% da
população do país, a aprenderam a língua e assim se
integrarem melhor na sociedade islandesa.
boiando...
É uma sensação estranha à qual eu não estava
acostumado, quando todos à sua volta estão conversando
numa língua que você não entende, e você só boiando. O
que faz a coisa ficar ainda mais desconfortável é que
todos aqui falam inglês fluente, e eu então não posso
deixar de me perguntar por que então não falam falar
inglês naquele momento para incluir o(s) estrangeiro(s)
na conversa também.
Eu compreendo o conceito de que quanto mais islandês eu
for forçado a tentar entender melhor é pro aprendizado
da língua, mas a coisa na prática não é bem assim. Para
começar a aprender só de se ouvir a língua é necessário
um nível de entendimento o qual eu ainda não alcancei.
Ainda, os islandeses muitas vezes parecem pensar que o
islandês é uma língua fácil de aprender e que um
estrangeiro que está por aqui à poucos meses já deveria
estar não só falando quanto recitando as sagas no
original nórdico antigo. Um exemplo que beira o
cômico-trágico é que a carta que recebi do Departamento
de Imigração avisando que meu Cartão de Residente já
estava pronto veio toda em islandês! Esse documento tem
que ser providenciado nos primeiros meses de moradia na
Islândia, então como é que esperam que o estrangeiro
tenha aprendido a língua naquele tempo para ler a
carta. Eu não resisti, mesmo ja tendo alguem traduzido
a carta pra mim e me avisado do que ela se tratava, fui
ao guichê de atendimento e disse em inglês "Recebi essa
carta aqui, não tenho a menor idéia do que se trata
porque obviamente não tie tempo de aprender a língua
ainda, como vocês devem saber!"... a moça sem graça não
soube bem o que dizer e correu para pegar meu cartão no
fichario no fundo do escritório.
No trabalho até que é tranquilo, os colegas sempre
falam inglês comigo e até mesmo os clientes todos
parecem não se importar de falar inglês também. Acho
que na minha área de trabalho, em informática, todos ja
estão acostumados de lidar com estrangeiros falando
inglês já há muitos estrageiros nessa área rabalhando
na Islânda. Só às vezes é que recebo emails em islandês
dos colegas, e fico com vontade de responder em
português pra ver se quem mandou se lembra de que eu
ainda não compreendo esse código secreto que é o
islandês! hehehe
A situação onde eu "boio" mais é nas reuniões sociais.
Agora no verão é época de churrasco e festas, o pessoal
se reúne para jogar conversa fora, tomar cerveja e
comer petiscos e churrascos. Nessas situações, fico
dependendo de alguém parar a conversa de vez em quando
e me explicar qual foi o assunto falado nos últimos
dez, quinze ou vinte minutos. De novo, não consig
evitar de pensar, será que não dava pra falar inglês
todo mundo então, sendo grupos de poucas pessoas onde
todos são perfeitamente capazes de falar inglês
fluente? Well, it is the way it is.
Talvez no verão do ano que vem eu já não tenha que
boiar mais. Tomara!