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Entrevista com TV Record

No próximo domingo, dia 3 de Agosto, será exibida na Record uma entrevista que dei sobre o folclore islandês e o crença na existência dos elfos.

Afinal, eu tenho um certificado de “expert” da Escola dos Elfos! Winking
- (veja post de 10/05/2008)

Eu encontrei com a equipe da Record algumas vezes durante a visita deles na Islândia no mês passado. O pessoal foi super legal, muito profissional, e genuínamente ineteressados na cultura islandesa.

merecord

Não percam a reportagem, será no programa Domingo Espectacular, que começa às 18:00.
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Dia mais quente dos últimos 17 anos

A sexta-feira passada foi o dia mais quente dos últimos 17 anos na capital islandesa. Os termômetros registraram a temperatura escaldante de 23 graus!

Várias empresas fecharam as portas e mandaram os empregados para casa por causa do calor. Sério mesmo.

As opiniões que eu mesmo ouvi dos islandeses estavam dividas entre animação com o aquecimento global e reclamações do calor intenso do dia.
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Discriminação no mercado de trabalho - parte 2

Estive discutindo com vários amigos, estrangeiros e islandeses, o assunto do post anterior. Alguns deles levantaram uma hipótese que é pelo menos interessante para explicar a desvantagem dos estrangeiros no mercado de trabalho islandês. Essa hipótese seria de que o problema não é exatamente discriminação em específico, em racismo, ou xenofobismo, mas ao invés disso o fato de que tudo na Islândia funciona na base de quem você conhece. Assim, segindo esse raciocínio, os estrangeros estariam em desantagem por não ter os contato que os islandeses tem, ou mesmo os laços familiares, já que todos s islandeses são aparentados em algum nível. É verdade que eu posso em imaginar que uma entrevista de trabalho aqui na Islândia, com um candidato islandês, comece com o ntrevistador e entrevistado definindo seu grau de parentesco e o parentesco com outras pessoas da empresa, e também definindo os conhecidos em comum, e imagino que isso deve mesmo fazer uma grande diferença na hora de escolher o candidato para uma determinada vaga.

Não sei se estou completamente convencido por essa hipótese. Acho mais provavel que a coisa seja uma mistura de ambos os fatores de discriminação e tabém essa atitude de preferir candidatos com ligações pessoais ao pessoal da empresa. De uma maneira ou de outra, qualquer que seja a razão, o fato permanece de que estrangeiros na Islândia tem estão em desvantagem e tem dificuldade em conseguir bons empregos.
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Discriminação no mercado de trabalho

Existem várias coisas positivas sobre morar na Islândia, disso não há dúvida. Mas nem tudo aqui nesse rochedo perdido no Atlântico Norte é um paraíso. Uma das coisas que mais me incomodam por aqui é discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho. Vou ser direto no assunto: salvo raras exceções, empresas islandesas vão sempre contratar um islandês ao invés de um estrangeiro mesmo que o estrangeiro seja melhor qualificado.

Ontem me encontrei com um amigo que eu já não via há alguns meses e discutimos esse assunto em vista das dificuldades que ele está passando no país. Esse amigo é espanhol, mora aqui na Islândia há quatro anos e fala islandês fluente. Ele é advogado formado em Barcelona e com um mestrado em Direito Ambiental pela Universidade da Islândia. Desde que ele concluiu o mestrado, há mais de um ano, ele só conseguiu emprego como pintor de paredes, entregador, e preparando comida em lanchonetes.

Ainda falando sobre esse amigo advogado espanhol, ele me contou a experiência mais recente dele com essa discriminação no mercado de trabalho, que realmente beira o absurdo. Há algumas semanas atrás, tendo visto nos jornais que o Ministério do Meio-Ambiente estava com uma vaga para um advogado especializado na área, ele mandou seu currículo e fez uma entrevista. Na semana seguinte ele recebeu uma carta dizendo que haviam decidido dar o emprego para outra pessoa, um islandês, que ainda está fazendo o seu bacharelado em direito e só vai formar no final do ano. Ou seja, podendo escolher entre alguém com um mestrado específico na área, eles ainda preferiram dar o emprego para alguém que nem se formou em direito ainda. Absurdo. Agora ele está pensando em mudar de volta para a Espanha com a namorada, islandesa, e filho nascido aqui.

Eu também já senti essa discriminação na pele, quando recentemente fui há duas entrevistas para empresas de informática em Reykjavík. Nas duas ocasiões, o entrevistador me disse que eu era o melhor qualificado de todos os candidatos. Ainda assim, não tive nenhuma oferta de emprego. Até mesmo em uma empresa que já tinha oferecido um emprego para um amigo meu islandês que desistiu de entrar para a empresa na última hora, eu não consegui uma oferta, mesmo sendo eu melhor qualificado que esse amigo na mesma área.

Esse tipo de discriminação é algo com que eu não estou acostumado. Morei sete anos no Reino Unido antes de mudar para a Islândia, e lá esse tipo de coisa não acontece. Na última empresa para qual eu trabalhei na Inglaterra antes de mudar pra cá, haviam 130 pessoas no total e dentre estas estrangeiros de 25 países diferentes. Deve ser, eu imagino, porque por lá já estão acostumados com estrangeiros, que ainda são um fenômeno recente aqui na Islândia.

Outra coisa que eu acredito evidencia essa discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho na Islândia é o fato de que mesmo o número de estrangeiros por aqui sendo alto e comparável ao resto da Europa, atualmente representando 9% da população, ver estrangeiros em cargos bem pagos em empresas é super raro. Eu trabalho atualmente numa grande empresa, a maior empresa de informática na Islândia, com mais de 400 empregados no país, e eu sou o único estrangeiro não-escandinavo na empresa. Onde estão então os mais de 25 mil estrageiros? A conclusão é que a grande maioria dos estrangeiros estão desempenhando as funções que os próprios islandeses não querem fazer, nos subempregos.

Eu espero que essa atitude mude com o tempo, conforme os islandeses se acostumem com o nível atual de imigração. Mas, mesmo que mude, infelizmente eu acho que ainda vai levar pelo menos uma ou duas décadas, ou talvez mais.
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