Primeiro mês de trabalho
29/03/07 23:04 Filed in:
MudançaHoje estou completando o meu primeiro mês de trabalho aqui em Reykjavík. Como todo início de trabalho, essas primeiras quatro semanas foram devagar em termos de trabalho mesmo e a maioria do tempo foi usado para treinamento. O pessoal do meu departamento, somos 15 no departamento de rede e telefonia, säo bem legais e tem sido pacientes com o fato de eu näo falar islandês ainda. Tem um outro estrangeiro no departamento, um dinamarquês que também mudou para a Islândia recentemente, então à cada email que chega, ficamos os dois com o dicionário na mão tentando decifrá-lo! De qualquer maneira, a parte da língua é algo que a empresa sabe que tem que lidar com isso, já que com o crescimento do setor de tecnologia no país e a falta de gente qualificada, a contratação de estrangeiros é inevitável.
Falando das minhas expectativas em relação ao trabalho, eu estou bem satisfeito. O horário de trabalho de 8 às 16 é uma excelente mudança da minha rotina anterior em Londres de chegar em casa lá pras oito da noite, e menos de 10 minutos de carros pra chegar ao trabalho é um paraíso comparando com as uma hora e meia em trens superlotados que eu vinha enfrentando na Inglaterra. O ambiente de trabalho em si é bem descontraído e agradável.
Em termos técnicos, trabalhar na minha área aqui na Islândia é diferente do que eu estou acostumado em alguns aspectos. Primeiro, tudo é muito menor. A maioria das redes dos clientes é bem pequena. Afinal, esse é um país com 280 mil habitantes. Existe uma atitude também de que se algo quebrar tem alguém perto para resolver a situação com rapidez, de novo pelo próprio tamanho da capital e pelas pequenas distâncias de deslocamento, enquanto na Inglaterra a maioria do meu trabalho sempre foi em preparar redes de computador para sobreviverem sozinhas em caso de falha de algum dos componentes da sua estrutura.
Um ponto interessante é a velocidade com a qual a economia na Islândia vem se expandindo. Empresas islandesas hoje controlam grandes mercados europeus e empregam no exterior um número de empregados muito maior do que na Islândia. Essa expansão é muito boa também para empresas que prestam serviços para as multi-nacionais. Meu chefe já me avisou que terei que fazer algumas viagens nos próximos meses, seguindo a expansão das grandes multi-nacionais islandesas e instalando sistemas que apoiam esta expansão.
Transporte Público em Reykjavík
28/03/07 20:32 Filed in:
OpiniõesAs capitais européias são famosas pelos seus sistemas de transporte público, desde os famosos sistemas de metrô de Londres, Moscou, Paris e Estocolmo até os eficientes sistemas de ônibus de Copanhagem e Edimburgo. Aqui na Islândia, no entanto, a realidade é bem diferente.
Não existe sistema ferroviário na Islândia e não há sistema de metrô em nenhuma cidade islandesa, o que nos deixa com o sistema de ônibus. Eu já ouvi de vários islandeses o seguinte comentário sobre o sistema de transporte público islandês: "ônibus aqui é só para crianças e velhos". E é verdade. O que me lembra de um outro fato curioso que eu reparei há alguns dias atrás. A janela da cantina do meu trabalho dá de frente para a garagem dos ônibus da prefeitura de Reykjavík, e eu estava reparando que o estacionamento da garagens estava cheio de carros e jipes. Nem mesmo os motoristas de ônibus usam os ônibus para ir pro trabalho.
A Islândia é o país do carro, com a maior proporção per-capita de uso de automóveis da Europa e provavelmente do mundo. Todo mundo dirige para o trabalho e para todo lado. Ninguém caminha na rua nem que seja para comprar pão na padaria do quarteirão vizinho. Ao ponto de que, sempre quando estou no carro com um colega de trabalho ou conhecido, toda vez que há um pedestre atravessando a rua, inevitavelmente se ouve um comentário de que ele é certamente um estrangeiro. Por aqui pedestre e estrangeiro são sinônimos. Ciclistas no trânsito então são certamente estrangeiros loucos. Eu imagino que essa aversão ao transporte público e à caminhadas por parte dos islandeses seja em grande parte por causa do clima. É inegável que nas frequentes nevascas e tempestades é bem melhor estar no quentinho do carro do que na rua. Também não ajuda que os ônibus são poucos e com poucas rotas pela cidade.
E quanto maior o carro melhor, alguns jipes até me deixam intrigado de como é que o motorista sobe nele sem uma escada, vou tentar tirar umas fotos e comentar especificamente sobre essas monstruosidades tão comuns no trânsito islandês.
Björk, celebridades, e o primeiro-ministro
25/03/07 23:35 Filed in:
OpiniõesDescobri que vai ter um show da Björk aqui em Reykjavík no mês que vem e estou super animado pra ir no show, que marca o lançamento do sexto disco dela, chamado Volta. Sou fã dessa cantora islandesa desde o primeiro disco solo e ainda da época da banda Sugarcubes da qual ela fazia parte.
Eu já fui à dois shows da Björk, um no Rio de Janeiro que foi em 1998 eu acho, e outro aqui em Reykjavík em 2001 num cinema com um público pequeno de apenas algumas centenas de passoas. Gostei muito desses dois shows, e agora estou muito animado para esse próximo.
Várias pessoas já me falaram que viram a Björk na rua, falando assim como se tivessem encontrado com o padeiro do bairro. Aqui na Islândia é um verdadeiro tabu abordar celebridades na rua, ou agir de qualquer maneira diferente ao encontrar alguém famoso. Seria interessante ver a Björk na rua algum dia. Eu não acho que eu falaria com ela não, é melhor manter a imagem dos ídolos na cabeça assim como figuras longínquas, eu acho. Já li por exemplo, um relato de um jornalista do jornal britânico The Guardian sobre uma entrevista que ele fez com o Lou Reed, que foi tão grosseiro com o jornalista que ele nunca mais conseguiu gostar da música dele novamente da mesma maneira.
Falando de encontrar celebridades na rua, eu já encontrei com o primeiro-ministro da Islândia uma vez, que estava fazendo as compras dele num supermercado. Ninguém parecia notar que era o governante do país que estava ali e não havia nenhuma segurança especial pra ele. Pelo que já me contaram, o presidente, primeiro-ministro e outros membros do alto-escalão do governo islandês dirigem seus próprios carros e viajam de aviões normais quando em viagens oficiais. Nada de motoristas ou aviões fretados.
Vento
24/03/07 23:26 Filed in:
OpiniõesO tempo não esteve muito bom nessa última semana, com muita neve e ventos fortes no país todo. Os jornais noticiaram que alguns carros foram jogados fora da estrada pelo vento, e o vento forte também virou um ônibus no sul da Islândia que estava cheio de crianças norueguesas numa excursão de escola. Ninguém se machucou, ainda bem. A força do vento aqui é algo impressionante mesmo.
Outro dia quando eu estava saindo do trabalho para visitar um cliente, eu e um companheiro de trabalho tivemos que enfrentar uma verdadeira tempestade de neve para tentar encontrar o carro da empresa no estacionamento. Quando finalmente entramos no carro, ele disse "bem-vindo à primavera islandesa!".
Boneco de neve
23/03/07 23:16 Filed in:
FotosAproveitando que andou nevando bastante aqui em Reykjavík nos últimos dias, no último fim de semana construímos o meu primeiro boneco de neve (snjökarl). Foi uma experiência bem legal, e até a minha noiva gostou de voltar aos tempos de infância dela.
Clique aqui para ver mais fotos do meu primeiro snjökarl Fotos de inverno
22/03/07 23:14 Filed in:
FotosO clima tem estado bem frio aqui em Reykjavík na última semana, e eu aproveitei pra tirar umas fotos das paisagens de inverno. Neve pra mim ainda é novidade, e quando neva eu ainda vou pra rua com a câmera como se fosse um turista japonês na disneylandia!
Bom, algumas das fotos ficaram bem legais e eu gostaria de compartilhar com vocês.
Clique aqui para ver mais fotos do inverno islandês Alimentando os patos, gansos e cisnes de Reykjavík
21/03/07 23:09 Filed in:
GeografiaNo centro de Reykjavík, na parte antiga da cidade, fica um pequeno lago chamado Tjörnin ("O Lago"). Nesse lago vivem patos gansos e cisnes, e um dos passatempos preferidos dos islandeses, principalmente daqueles com crianças pequena, é alimentar esses patos com padaços de pão.
Uma coisa que surpreende é como ele são confortáveis com a proximidade das pessoas. Quando você chega perto do lago, um grupo de patos, gansos e cisnes logo saem do lago e te cercam. Os gansos principalmente ficam te encarando e fazendo barulhos como que querendo te apressar para dar logo comida pra eles! Imagino que os islandeses sejam mesmo muito bonzinhos com esse pássaros, para eles serem tão acostumados com gente. Outra surpresa é o tamanho dos cisnes, que quando estão de pé na sua frente e com o pescoço estendido, ficam com a cabeça na altura do meu ombro. Foi interessante também ver os patos às vezes caminhando sobre o gelo e às vezes quebrando o gelo na frente deles e fazendo canais no gelo que os outros patos vem seguindo logo atrás.
Eu gostei de passar uma hora hoje alimentando os pássaros, só tenho que tomar mais cuidado da próxima vez com os gansos que são afobados demais e acabam mordendo o seu dedo se você bobear!
Clique aqui para ver mais fotos dos meus amigos de penas O Livro dos Islandeses
17/03/07 20:04 Filed in:
OpiniõesOs islandeses são muito interessados em genealogia. Até mesmo na literatura clássica islandesa, nas famosas Sagas medievais, boa parte dos livros era dedicada a estabelecer a árvore genealógica de cada um dos personagens. Essa mania continua nos dias de hoje.
Minha noiva, por exemplo, sabe sobre a árvore genealógica da família dela através de mais de mil anos até o século VIII. Um dos antepassados dela era um rei da Noruega na idade média chamado Haraldur Hárfagri ("Harald do Cabelo Bonito"), o que eu acho um nome engraçado para um viking. Não "o valente" ou "o forte", mas "o do cabelo bonito", fica parecendo que isso era o melhor que se podia falar à respeito dele! Bom, parece que o cabelo deve ter sido bonito mesmo, porque esse rei é famoso por ter tido filhos um grande número de mulheres. Um dos filhos dele era Eirikur Blóðexi ("Eirik do Machado Sangrento"), esse sim parece ter sido um viking destemido, mesmo que talvez não tivesse o cabelo bonito do pai.
Os islandeses sempre acharam muito importante manter um registro de todos os habitantes do país. Desde quando os primeiros colonizadores chegaram à Islândia por volta do ano 874, ele mantiveram um livro chamado Íslendingabók ("O Livro dos Islandeses"), que era sempre atualizado com os novos nascimentos por mais de um século e depois a igreja tomou conta dos registros. Esse primeiro livro de registros e os registros da igreja sobreviveram até hoje.
Agora no século XXI, o Livro dos Islandeses foi transferido para um banco de dados computadorizado e está disponível na internet para consultas. Nesse banco de dados estão os registros de mais de 730 mil pessoas que viveram na islândia desda a colonização desde o ano de 874. É possível inclusive entrar com os nomes de duas pessoas nesse banco de dados para ver qual é a conexão entre as famílias dessas duas pessoas. Na Islândia todos são parentes uns dos outros em algum ponto no passado.
Nem sempre a consulta à esse banco de dados revela uma linha de antepassados nobres ou cheia de guerreiros vikings conhecidos pela sua bravura. Uma conhecida por exemplo me contou que o banco de dados revelou que um dos antepassados dela era chamado Bjálfi. Esse nome quer dizer "idiota" em islandês. Um outro antepassado dele era Egill Skallagrímsson, esse sim um guerreiro viking famoso, que teve suas aventuras preservadas para a posteridade nos textos medievais das sagas islandesas. No entanto, Egill não é descrito esses textos antigos como o viking típico, que seria belo, honrado, generoso e forte. No caso de Egill ele é descrito como um violento alcóolatra (ironicamente a maior cervejaria islandesa tem o nome dele, Egill) e como sendo tão feio que nunca conseguiu se casar. Um idiota e um alcóolatra feioso não era o que ela esperava encontrar!
Poluição de inverno
16/03/07 16:17 Filed in:
GeografiaAqui na Islândia todos os carros tem que mudar para pneus apropriados para neve durante os meses de Novembro a Abril. Esses pneus tem pregos para que o carro não escorregue no gelo. O problema com isso é que os pregos levantam poeira do esfalto, que dá pra você ver em Reykjavík no horizonte durante os meses de inverno. Esse fenômeno da "poluição de inverno" é bem conhecido.
Bancos
15/03/07 20:16 Filed in:
MudançaEu finalmente recebi meu número de registro no sistema de assistência social, o "kennitala", que é usado aqui na Islândia como um número único de identificação para absolutamente tudo. Com meu kennitala em mãos, fui ontem abrir uma conta no banco.
O setor financeiro e bancário aqui na Islândia cresceu muito nos últimos anos e agora chega a ser responsável por mais de um terço da economia islandesa. Aluns dos bancos locais estão entre os maiores da Europa, com grandes investimentos no exterior, o que é surpreendente para um país de população tão pequena. Voltando ao assunto da minha conta no banco, primeiro eu tinha que escolher um banco. Acabei fazendo a escolha do preguiçoso, ou seja, fui no banco que tem a agência mais perto da minha casa.
As agências bancárias na Islândia tem sempre uma decoração bem moderna. Muito aço polido e madeira clara. O sistema de atendiento é típico islandês: você tem que pegar um ticket com um número, que e emitido por uma máquina de visual futurista, e esperar o seu número ser chamado. Mesmo se não tiver uma fila, você pega o paelzinho numeo e espera o número ser chamado.
Para abrir a conta foi relativamente simples, só precisou do passaporte e de paciência para responder um questionário de 4 páginas. Precisou de uma foto também, já que os cartões de banco aqui na Islândia sempre tem a foto da pessoa, e as lojas nem olham para a assinatura, mas só checam mesmo se a pessoa usando o cartão de débito ou crédito é a mesma da foto. Agora que tenho uma conta já posso pelo menos receber meu salário no fim do mês!
Eventos do fim de semana
14/03/07 00:28 Filed in:
Dia-à-diaNesse último fim de semana fui à dois eventos aqui em Reykjavík, uma feira de tecnologia e informática, e um mini-encontro de RPG.
A feira de tecnologia me surpreendeu pelo tamanho e pela boa organização. Passei algumas horas lá olhando os stands das dezenas de empresas que estavam lá mostrando os seus produtos e serviços. Tinha muita coisa interessante em termos de internet, computadores, videogames, etc. Inclusive tinha um stand da Apple com seus computadores da linha Macintosh e também um stand da Sony com vários Playstation3 disponíveis para serem jogados pelos visitantes. Li no jornal que 15 mil pessoas foram visitar esse evento durante o fim de semana, o que é o equivalente à 5% da população da Islândia.




O segundo evento que visitei nesse fim de semana foi bem menor em tamanho, mas de grande interesse pra mim. A loja de quadrinho, livros e DVDs chamada Nexus, de Reykjavík, organizou nesse fim de semana um encontro de jogadores de RPG, o jogo de mesa estilo pen-and-paper. O evento atraiu até um número razoável de jogadores e aproveitei para fazer alguns contatos. Eu jogo RPG há 15 anos e fiquei feliz de ver que existe aqui em Reykjavík uma comunidade de jogadores, e que assim vou poder dar continuidade à esse meu hobby!
A Nexus é uma loja bem legal, e parece que eles estão sempre organizando eventos interessantes, além de terem também um bom espaço dedicado para que os clientes usem para jogos de cartas e RPG.

Internet
12/03/07 00:34 Filed in:
Dia-à-diaFinalmente eu agora tenho conexão internet de banda larga em casa. Eu já não aguentava mais a conexão discada, haja paciência pra esparar cada página baixar!
Agora estou com uma conexão adsl de 12Mb/s. Essa velocidade é até bem rápida, mesmo que seja bem improvável que eu consiga essa velocidade toda de 12Mb/s quando conectando a sites fora da Islâdia, já que essa ilha perdida no meio do atlântico tem somente um único cabo marítimo que a conecta à internet, e essa conexão às vezes fica bem congestionada. No mesmo testes a velocidade real para o exteriror ficou em cerca de metade disso, mas mesmo assim ainda é bem rápido.
A Islândia é o pais com a maior concentração de usuários de internet de banda larga no mundo, com 27% da população conectando à internet por linhas digitais de pelo menos 1Mb/s. Como o país se modernizou bem recentemente, a infraestrutura é nova, com fira-ótica até todas as casas nas áreas metropolitanas.
Agora que o meu acesso à internet melhorou bastante, vou tentar colocar mais fotos no blog.
Tempo de Janela
10/03/07 03:24 Filed in:
GeografiaAcontece com freqüência por aqui na Islândia que você olha pela janela e vê um dia bonito, ensolarado e de céu aberto, mas daí quando você sai na rua quase é arrastado pela ventania. Os islandeses tem até uma expressão pra isso: Tempo de Janela (Glugga Veður).
O vento por aqui é mesmo impressionante, venta muito. E como quase não tem árvores no país, você fica sem ponto de referência quando olhando para fora da janela. Hoje mesmo o vento estava tão forte que o carro ficava balançando na rua. Não é raro de carro serem jogados fora da estrada pela vento. Já ouvi histórias por aqui de crianças terem de que se agarrar num poste para não serem levadas pelo vento, sério mesmo.
Um bom exemplo de "tempo de janela" foi outro dia nessa semana mesmo quando eu estava no escritório, e vi pela janela um sujeito lavando o carro no passeio. A água da mangueira que o cara tava segurando estava indo toda encima dele mesmo com o vento, e pros lados e pra cima, em todas as direções menos no carro. Hilário.
Então lembrem-se, quando vocês estiverem na Islândia, não confiem no dia bonito e ensolarada que vocês vêem pela janela, mas preparem-se para se segurar em algo quando saírem de casa!
Quem você conhece faz toda a diferença
09/03/07 22:24 Filed in:
OpiniõesUma coisa que me deixa um pouco frustrado aqui na Islândia é que ter a rede de conhecidos faz toda a diferença para quase tudo. Agora que eu estou navegando o mar de burocracia que um estrangeiro tem que enfrentar quando mudando pra cá, sempre ouço gente dizendo que o que eu precisava para que uma coisa ou outra se resolvesse mais rápido era conhecer alguém dentro do órgão ou empresa responsável pela pendência. Como o país é muito pequeno, todo mundo se conhece, e tem sempre um primo de uma amiga de um irmão de uma tia que pode apressar um documento em um órgão público ou um serviço de uma grande empresa qualquer, os islandeses estão sempre contando de estória assim. Pra mim que conheço pouca gente por aqui, fico às vezes frustrado de ter que ser o único que tem que esperar pelos prazos todos e que não consegue resolver pendências de maneira simples. Como eu trabalho para uma das maiores empresas da Islândia em alguns casos a uma ligação do departamento pessoal resolve algumas pendências, mas ainda assim o caminho das pedras é longo para alguém que ainda não construiu sua própria rede de influências no país.
Ah?! Por que o filme parou?
07/03/07 21:56 Filed in:
OpiniõesFui no cinema hoje assistir o filme 300, que é baseado no evento histórico em que 300 soldados de Esparta conseguiram segurar a invasão persa de 480 AC por vários dias, lutando contra um exército de mais de dois milhões de soldados persas. Essa era uma sessão especial de pré-estréia promovida pela maior loja de quadrinhos de Reykjavík. O filme é fantástico, no final todos apludiram de pé.
Ir no cinema na Islândia é uma experiência com seus pontos interessantes. Existem vários bons cinemas em Reykjavík, e os cinemas nos dois grandes shopping centres da capital são especialmente populares. Os islandeses sempre compram muita pipoca e copos enormes de refrigerante para devorar enquanto assistindo o filme - mesmo com o preço de 500 kr, o equivalente a R$16,50 só pela pipoca e refrigerante.
O mais diferente aqui é que sempre no meio do filme, geralmente logo no meio de um momento emocionante, a tela se apaga, as luzes se acendem e todos se levantam e saem da sala. Nesse intervalo os islandeses vão comprar mais pipoca e refrigerante. Com todos reabastecidos e muitos tendo voltado de um cigarrinho rápido no frio congelante fora do cinema, depois de quinze minutos todos voltam, sentam nos mesmos lugares, as luzes se apagam e o filme continua. Para os estrangeiros que não sabem dessa tradição do intervalo no meio do filme, é bem confuso de se entender o que está acontecendo.
Sorvete e carrinhos de supermercado
05/03/07 22:37 Filed in:
Dia-à-diaPara qualquer um que visite a Islândia, algo logo se torna claro: a paixão dos islandeses por sorvete e por carrinhos de supermercado.
Para quem nunca esteve nessa ilha perdida no meio do atlântico norte, pode até pensar que devido ao clima frio os islandeses não gostem muito de sorvete e que prefiram algo que os ajude a se esquentar. Nada poderia estar mais longe da verdade. Mesmo estando abaixo de zero pela maior parte do ano, os islandeses são loucos por sorvete. As lojas de sorvete estão por todos os lados, e não são só as muitas lojas dedicadas, mas também todas as lojas de conveniência, locadoras de DVD e até mesmo muitos posto de gasolina também vendem sorvete. A preferência nacional é pelo sorvete de baunilha na casquinha, desses que saem de uma máquina. Até mesmo no meio da tarde num dia de semana, no meio do inverno de -10 graus, por aqui as sorveterias estão sempre cheia. Na Terra do Gelo, todos amam sorvete. Vai entender!
Essa foto eu tirei no shopping centre Smáralind, de uma das várias sorveterias desse shopping mall...

A segunda paixão dos islandeses que é fácil de se ver mas difícil de se entender é com os carrinhos de supermercado. Em qualquer loja de tamanho razoável na Islândia se vê gente empurrando carrinhos de supermercado. É muito comum pessoas com carrinhos de supermercado em shopping centres, entrando de uma loja à outra com o carrinho. Na feira de livros que está acontecendo num restaurante/museu por aqui, estava cheia de gente com carrinhos de supermercado também.
Mais fotos que eu tirei em Smáralind, com os carrinhos...


IKEA
04/03/07 22:28 Filed in:
Dia-à-diaUm dos meus programas para o último fim de semana foi visitar a loja de móveis IKEA. Quem já morou na Europa, ainda mais especificamente em um dos países escandinavos, sabe que a IKEA para muitos é uma atração para se levar a família e passar o dia. Eu pessoalmente não gosto tanto da "experiência IKEA", mas eu estava curioso para visitar a loja nova que acabou de abrir aqui na Islândia.
A IKEA é originalmente sueca, mas hoje as lojas estão em todas as grandes cidades européias. O sucesso da empresa é baseado na idéia de que os clientes passeiam pela enorme loja admirando os móveis de design escandinavo e no final do passeio vão até um enorme galpão onde eles mesmos pegam caixas com as peças dos móveis, que são todos desmontados, pagam e levam pra casa satisfeitos. E depois passam os próximos dias quebrando a cabeça tentando montar o seu novo sofá ou estante. Todas as lojas tem ainda um restaurante de comida sueca, sempre com filas de clientes ávidos para comer almôndegas, e também uma loja de biscoitos e doces suecos.
O sucesso da IKEA é tão grande que se estima, essa estatística eu vi na BBC, que um terço dos europeus com menos de 25 anos foram concebidos em uma cama feita pela IKEA. Cada vez que uma nova loja abre é um evento cheio de histeria. A abertura da quarta loja em Londres no ano passado, por exemplo, atraiu tanta gente que várias pessoas foram hospitalizadas depois de serem pisoteadas quando as portas de abriram.
A IKEA já está na Islândia há muitos anos, mas recentemente a loja mudou de lugar e foi expandida. Com vocês, a foto que eu tirei do templo aos móveis suecos desmontados, filial de Reykjavík.

Primeiros dias de trabalho
02/03/07 21:25 Filed in:
MudançaMeu novo trabalho começou ontem, no dia primeiro de Março. Os dias de descanso que eu tive por aqui, quase uma semana, passaram rápido demais!
A empresa para a qual eu estou trabalhando é a maior empresa de infomática da Islândia, com mais de 300 empregados. O meu grupo, engenharia de rede e telefonia IP, tem quinze pessoas. O meu cargo é de Senior Network Engineer. Vou trabalhar com basicamente o que venho fazendo pelos últimos sete ou oito anos, basicamente redes de computadores e sistemas de telefonia digital sobre redes de dados.
O começo de trabalho em uma nova empresa sempre é um pouco estranho e um pouco sofrido. Sempre se tem tantas coisas para aprender, nomes para lembrar, novas maneiras de se trabalhar. Nesse meu caso aqui ainda é mais complicado porque tudo por aqui, é claro, é em islandês. Ainda, eu que já não sou lá muito bom de lembrar nomes das pessoas, fica ainda mais complicado porque os nomes dos colegas de trabalho aqui são completamente diferentes do que eu estou acostumado e com a pronúncia de enrolar a língua. Bom, aos poucos as coisas vão se encaixar, tenho certeza. Por enquanto, o jeito é à cada email eu recorrer ao dicionário e à boa vontade dos colegas dos quais eu ainda estou tentando lembrar o nome. E ainda estou aprendendo a achar as letras certas no teclado do notebook novo que recebi da empresa.
Uma coisa boa do trabalho aqui é o horário, de 8:00 às 16:00. E o deslocamento do trabalho é de no máximo dez minutos de carro, ao invés da uma hora e meia que eu vinha tolerado em Londres. Um dos principais motivos da minha mudança de Londres foi exatamente não ter tempo pra nada, chegando em casa todos os dias lá pras 20:00 ou até mais tarde. Agora será ótimo chegar em casa logo depois das 16:00, sentar e pensar no que fazer com tanto tempo de sobra!
A empresa tem um prédio só dela de quatro andares na região central de Reykjavík, logo na costa, de frente pro mar. A vista é lindíssima do mar da baia com as montanhas ao fundo com os picos cobertos de neve. No térreo do prédio tem uma loja grande de artigos de informática, e a boa notícia é que como empregado da empresa eu tenho um bom desconto na loja também!
Hoje cedo no trabalho o grupo fez uma festa de café da manhã de boas-vindas pra mim, com artigos de padaria variados e um bolo de cocolate. Os islandeses são obcecados com bolos, já me contaram. Foi bem legal o gesto e a comida estava boa também.
Até agora tudo está indo bem, e estou ansioso para começar logo a colocar as mãos na massa e começar a fazer algum trabalho de verdade.
Aurora Boreal
01/03/07 21:23 Filed in:
GeografiaQuando eu saí para passear com o cachorro hoje à noite tive a fantástica surpresa de ver a aurora boreal no céu sobre Kopavogur, uma fita de luz verde de um horizonte à outro. Belíssimo!
Corri de volta pra casa pra pegar a câmera e registrar o espetáculo das Luzes do Norte. Essas são as duas melhores fotos que tirei.

