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Oddsson volta a fazer comentários polêmicos

O ex- presidente do Banco Central islandês, e a pessoa que a maioria dos islandeses culpa pela crise econômica no país, voltou nesse último fim de semana a fazer comentários polêmicos, durante a convenção nacional do Partido da Independência.

davidoddsson

Davið Oddsson, que foi forçado a renunciar há algumas semanas atrás, criticou seu sucessor, o economista norueguês Svein Harald Øygard, dizendo que Øygard é um mentiroso ou que tem Mal de Alzheimer, isso porque ele havia dito que não se lembrava exatamente de quando ele foi pela primeira vez abordado para a posição no Banco Central. Oddsson ainda disse: "Eu pessoalmente espero que ele tenha Alzheimer, dessa maneira poderá se esquecer da situação ridícula em que esse governo inútil o colocou."

Num comentário ainda mais bizarro, Davið Oddsson se comparou à Jesus Cristo, dizendo: "Quando aqueles bastardos crucificaram o bom Cristo, eles crucificaram dois criminosos ao seu lado. Entretanto, quando o novo governo enforcou Davið, eles decidiram enforcar dois homens honestos." - se referindo aos dois colegas da diretoria do banco central que foram forçados à renunciar com ele em Fevereiro.

Oddsson, que foi primeiro ministro da Islândia por 12 anos como líder do Partido da Independência, ainda criticou o relatório publicado pelo próprio partido na semana passada que reconhecia os erros do partido no governo durante a privatização dos bancos nos anos 90, dizendo que o relatório "vale menos que o papel em que foi impresso".

Eu fico impressionado com a arrogância de Davið Oddsson, que parece não ter limites. Ele não só continua à negar qualquer culpa no colapso da economia, mas ainda se vê como um herói e mártir do país. Mais e mais ele parece uma tia velha e louca que os parentes tem que aturar na hora do jantar.

Também não estou completamente satisfeito com as ações do novo governo do país e da nova direção do banco central. A nacionalização do banco de investimentos Straumur Burdarás há duas semanas atrás, o quarto banco a ser nacionalizado desde o início da crise, parece ter ocorrido puramente por motivos políticos. Um governo que nacionaliza à força, declarando falidas, empresas que estão na verdade em boas condições financeiras, eu não diria que está fazendo a coisa certa. Apesar de eu considerar que o governo atual é bem melhor que o anterior, na minha opinião a guinada para a esquerda na Islândia no momento me parece forte demais.

As eleições serão no dia 25 de Abril, e tudo indica que o governo atual de coalizão dos Social Democrata e Esquerda-Verde vencerá nas urnas.
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Alþingi - o grande barraco nacional

Os islandeses se orgulham de ter o parlamento mais antigo do mundo em funcionamento contínuo.

O parlamento islandês, Alþingi, foi formado no ano 930 como uma assembléia que reunia uma vez por ano todos os goði (chefe-sacerdotes) do país durante o verão. Qualquer um podia comparecer, e centenas de pessoas viajavam até Þingvellir ("Planície do Parlamento") no sul da Islândia, alguns tendo que viajar duas semanas à cavalo para chegar lá.

thingvellir
(Þingvellir)

A Islândia foi colonizada por noruegueses, que traziam consigo mulheres que eles capturavam nas Ilhas Britânicas à caminho da Islândia. (Daí o ditado islandês de que as islandesas são bonitas porque foram escolhidas à dedo para serem trazidas ao país). Os noruegueses estavam fugindo da opressão e altos impostos do então rei da Noruega, Rei Harald (chamado Harald do Cabelo Embaraçado, em virtude da promessa de não pentear o cabelo até que conseguisse unificar todo a Noruega) . Chegando à Islândia, os colonizadores não queriam nada com um governo central e montaram a primeira república européia desde a queda do Império Romano. Um escritor alemão escreveu em 1075 que na Islândia "Não há rei, apenas a lei".

Não eram apenas questões governamentais que eram discutidas no parlamento medieval, mas todo tipo de negócio eram feitos nessa ocasião. Nessas duas semanas em Junho alianças era feitas ou desfeitas, amizades renovadas, casamentos arranjados, notícias circuladas, crimes julgados, e promessas feitas. Esta era uma oportunidade para a população dispersa do país se reunir e manter laços fortes.

O parlamento se reunia à céu aberto, e os participantes se instalavam em acomodações temporárias construídas no local.

À cada três anos alguém era eleito para a posição de Pronunciador das Leis, com o dever de anunciar, do topo da Rocha das Leis, todas as leis do país. Essa era uma posição de grande prestígio. Os chefes locais tinham que participar desse evento e podiam fazer perguntas sobre as leis. Somente no ano 1117 é que o código de leis foi escrito.

Era comum que batalhas curtas ocorressem durante o encontro do parlamento, quando um impasse legal não podia ser resolvido por meios pacíficos e por mediação dentro da lei.

Uma coisa interessante é que apesar desse órgão legislativo existir e ser muito bem organizado, não existia um órgão executivo. Ou seja, não existia uma organização para garantir a obediência das lei ou para punir quem não as cumprisse. Se alguém cometia um crime, vamos dizer um assasinato, e era julgado culpado pelos juízes reunidos no Alþingi, o que acontecia é que o criminoso era considerado um "fora da lei" e podia ser morto sem nenhuma conseqüência legal. Cabia à vítima, organizar uma caçada pelo criminoso fora-da-lei, ou oferecer uma recompensa pela cabeça dele.

Esse período de ouro da república islandesa durou até 1262, quando depois de anos de guerra civil a Islândia se submeteu ao Reino da Noruega, e o parlamento se tornou um órgão sobre controle do governo norueguês.

O Alþingi moderno foi estabelecido em 1843, quando a Islândia era ainda uma colônia da Dinamarca (o país havia passado das mãos da Noruega para a Dinamarca em 1380) . O prédio que é usado até hoje pelo parlamento foi inaugurado em 1881. A Islândia se tornou completamente independente em 17 de Junho de 1944.

althingi

É desse prédio que eu quero falar. Eu trabalho para uma firma de consultoria em informática que tem como um dos clientes o parlamento islandês. Na semana passada fui instalar um novo equipamento para a rede de computadores do parlamento, e esse equipamento devia ser instalado no sótão do prédio. Achei interessante que no sótão, as paredes estão nuas, com sua estrutura original à mostra - as paredes externas são de pedra, mas a estrutura interna é composta de várias placas de madeira claramente diferentes umas das outras. Um funcionário me explicou que quando o prédio foi construído em 1880-1881 o país era tão pobre que não tinha dinheiro para importar madeira (lembrem-se, não existem árvores por aqui!), e assim tiveram que usar para construir o prédio do parlamento todo tipo de madeira de caixotes que chegavam ao porto e madeira que chegava às praias levada pela maré vinda do Canadá. Um verdadeiro barraco improvisado!

Foi aí que pensei, mesmo com a crise atual, é impressionante o progresso deste país nos últimos cem anos, de uma das nações mais pobres do mundo para uma das mais desenvolvidas em apenas algumas gerações.
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O impacto da crise na Islândia

A crise financeira mundial afetou a Islândia mais que qualquer outro país no mundo. Para se ter uma idéia do tamanho do estrago, basta olhar a situação da bolsa de valores antes e depois da crise.


Índice geral da bolsa de valores islandesa - em baixa de -91.4%


Variação do índice nos últimos seis meses:

bolsa


A lista abaixo mostra todas as empresas islandesas que estavam na bolsa de valores islandesa em Setembro de 2008, e a situação atual de cada uma delas.

Alfesca - Aluminio. Em dificuldades. (ações em baixa de -51%)

Atorka Group - Grupo de investimentos. Em dificuldades. (ações em baixa de -88%)

Bakkavör - Produtos Alimentícios. Em dificuldades. (ações em baixa de -94%)

Century Aluminum Company - Em dificuldades. (ações em baixa de -92%)

Eimskipafélag Íslands - Transporte marítimo. Em grandes dificuldades. (ações em baixa de -76%)

Exista - Grupo de investimentos. Falido.

FL Group - Grupo de investimentos. Falido.

Glitnir banki - Banco. Falido.

Icelandair Group - Companhia aérea. Em dificuldades. Demissões em massa. (ações em baixa de -66%)

Kaupthing Bank - Banco. Falido.

Landsbanki - Banco. Falido.

Marel Food Systems - Equipamentos para indústria alimentícia. Indo bem. (ações em baixa de -50%)

Nýherji - Informática. Estável. Algumas demissões. (ações estáveis)

SPRON - Banco. Falido.

Straumur-Burðarás Fjárf.banki - Banco. Falido.

Teymi - Telecomunicações. Em dificuldades, removida da bolsa.

Össur - Proteses. Indo bem. Ações estáveis.


Os islandeses estão dizendo que, pelo menos, estando no fundo do poço significa que agora só é possível mesmo melhorar. Vamos torcer pra que isso seja verdade!
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Faliu hoje o último banco independente islandês

Em outubro passado, num espaço de apenas alguns dias, todos os três bancos comerciais islandeses faliram e foram subseqüentemente nacionalizados, com a nação islandesa assumindo mais de 50 bilhões de doláres, cinco vezes o PIB islandês, em dívidas dos bancos. Apenas um banco sobreviveu esse terremoto financeiro no país como a última instituição financeira independente da Islândia, o banco de investimentos Straumur-Burdarás. Isso é, até hoje.

Hoje pela manhã foi anunciado que o banco Straumur-Burdarás quebrou e foi nacionalizado. Parece que o que aconteceu foi que o banco havia pedido um empréstimo ao Banco Central de 18 milhões de euros e o pedido foi recusado, o que deixou o banco numa situação insustentável.

Eu sinceramente não entendo mais o que o governo aqui na Islândia está querendo fazer. Tendo recebido um empréstimo de mais de 2 bilhões de dólares do FMI, e mesmo com esse dinheiro disponível exatamente para reconstruir a economia, ainda recusar emprestar 35 milhões de euros para manter o último banco do país de pé - sinceramente eu não vejo sentido, me parece uma decisão estúpida. Afinal, todos os governos da Europa estão injetando dinheiro nos bancos no momento exatamente para evitar que eles quebrem.

O futuro do banco em si e dos seus mais de 500 empregados é incerto no momento.

Eu tinha achado que a Islândia já tinha chegado ao fundo do poço e que a situação agora só poderia melhorar. Eu estava obviamente enganado.

O site do banco hoje tem um anúncio sobre o ocorrido, que termina com palavras que poderiam ser usadas para a economia islandesa em geral: “As a result of this Straumur is closed. “ - “Como resultado disso, Straumur está fechado.”
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Dois anos de Islândia

Nessa semana são dois anos que eu mudei aqui para a Gelolândia. Antes disso eu morei no Reino Unido por sete anos - três na Escócia e quatro na Inglaterra. Refletindo agora sobre esses dois anos desde a mudança, eu estou satisfeito com a qualidade de vida em geral na Islândia.

Vou tentar relatar aqui alguns pontos positivos e negativos da minha experiência de morar na Islândia. Como a minha experiência anterior foi na Inglaterra, muitas das comparações são feitas com aquele país.


Pontos positivos

- Distâncias pequenas. Tudo na capital islandesa é muito perto, nunca se leva mais de 15 minutos para ir à qualquer lugar.

- Mais tempo livre. Os fatores de uma jornada de trabalho menor e distância menores combinam para proporcionar muito mais tempo livre. Isso pra mim se traduz, mais do que qualquer outra coisa, em qualidade de vida.

- Segurança. Apesar de arrombamentos de casa serem relativamente comuns, assaltos e violência em geral (fora brigas em bares) não existem por aqui. Me sinto mais seguro aqui do que em qualquer outro lugar do mundo.

- Qualidade de construção das casas e prédios, e de aquecimento, muito melhor do que na Inglaterra.

- Limpeza. Reykjavik é uma das cidades mais limpas que eu já vi. Fora da cidade, a natureza é impecavelmente limpa também.

- Sistema de saúde gratuito e de qualidade. As experiências de cada um variam, mas as minhas foram positivas.

- Os islandeses são, na minha experiência, educados, bem informados e amigáveis. Tenho vários amigos islandeses. Um pessoal muito legal, sempre muito animados, bons amigos mesmo.

- A vida noturna da capital é ótima, muito agitada. São vários os bares e boates.

- A praticamente inexistência de classes sociais. Claro que existe uma classe super-rica, mas toda a população tem um padrão de vida razoável.

- Natureza. Vinte minutos de carro e você está fora do meio urbanos e cercado por paiságens fantásticas. O país é cheio de lugares bonitos e interessantes para se conhecer.

- Cultura. O país tem uma história rica, ampla literartura, e muitos costumes únicos. Acho que mesmo se eu vier a morar por aqui por décadas, ainda vou estar descobrindo coisas novas sobre a cultura local.

- Dois aspectos fundamentais da personalidade dos islandeses que eu adimiro: o espírito aventureiro de sempre correr riscos e inovar, e a sentimento solidariedade e igualdade.


Pontos negativos

- Custo de vida extremamente alto.

- Pouquíssima variedade de produtos nas lojas.

- Custo de vida altíssimo. Já mencionei? Bom, merece ser mencionado de novo.

- Salários em média menores que os do Reino Unido.

- Mercado de trabalho menor. Para um profissional aqui, o mercado de trabalho em muitos setores se resume à duas ou três empresas.

- A língua Islandêsa. Ô língua complicada! Em média estrangeiros levam de três a quatro anos para aprender a língua. Conheço alguns que moram aqui há mais de dez e ainda não falam quase nada. Os materiais disponíveis para aprender, e os cursos das escolas de línguas deixam muita à desejar.

- A Crise. Com letra maiúscula. Nenhum país foi tão afetado pela crise atual quanto a Islândia.

- O vento. Antes de conhecer a Islândia você não conhece vento de verdade. Vento aqui com frequencia joga carros fora das estradas, vira ônibus, e já ouvi histórias de crianças tendo que se segurar em postes para não serem arrastadas.

- O clima em geral. Não estou reclamando do frio, já que eu até gosto de frio. São as frequentes mudanças no clima e a constanste ventania gelada e as nevascas que são um desafio à paciência de qualquer um. Deve chover ou nevar uns 300 dias por ano. Não tenho dúvida que muitos estrangeiros deixam o país por causa do clima.

- Em comparação com o resto da Europa, o acesso à internet aqui na Islândia é lento.

- Programação na televisão. Existem apenas dois canais abertos, que só transmitem durante à noite. Há não muito tempo atrás, só existia um e que não transmitia no verão. Um dia eu compro uma parabólica pra pegar TV britânica!

- Isolamento geográfico. Qualquer viagem internacional é cara, o que faz que os islandeses viajem muito menos que pessoas de outros países europeus.
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20 anos de cerveja!

Hoje na Islândia se comemora o aniversário de 20 anos da liberação da cerveja. Antes do dia primeiro de Março de 1989 cerveja era ilegal na Gelolândia, e o pessoal por aqui costumava a beber principalmente vodka e a bebida nacional islandesa chamada Brinivin, que recebe dos bêbados locais o carinhoso apelido de "morte negra".

Nos dias da ditadura anti-cerverja era também comum os islandeses misturarem cerveja não-alcoólica, a única variedade permitida, com vodka para tentar chegar à algo próximo à cerveja que os estrangeiros de terras mais liberais tinham acesso. Essa mistura era chamada “bjorliki”, ou “parecido com cerveja”.

Hoje em dia existem várias marcas de cerveja islandesas, sendo as principais: Víking, Thule, Egils, e Kaldi. Já experimentei as quatro e aprovei, são todas boas. Os islandeses concordam, já que 70% da cerveja consumida no país é produzida aqui mesmo.

Até hoje, no entanto, a venda de bebidas alcóolicas é feita somente por lojas do governo. São 46 “vínbúð” ( “Lojas de Vinho” ) espalhadas pelo país. Essas lojas só ficam abertas no horário comum de funcionamento do comércio, e não abrem durante à noite ou aos domingos, o que significa que você tem que planejar com antecedência as suas noitadas. Uma lata de cerveja de 500ml custa cerca de 250Kr, equivalente à R$5,20 no câmbio atual.

Hoje a maioria dos bares e pubs, que são licenciados pelo governo para vender bebidas alcóolicas contanto que não sejam removidas do estabelecimento, estão vendendo cervejas pela metade do preço para comemorar a data. O preço normal de um copo de meio litro (a “pint” inglesa) é de cerca de 800Kr, ou R$17,00, mas pode variar bastante entre bares.

Bom, deixa ir tomar uma cerveja para comemorar o dia!

beer

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