O Fundo Monetário Internacional anunciou hoje a aprovação de um pacote de ajuda para a Islândia. O governo vem esperando por semanas por essa decisão, que foi adiada várias vezes em função das disputas entre a Islândia e Inglaterra e Holanda sobre a restituição dos depósitos de clientes de bancos islandeses falidos naqueles países.
Primeiro Ministro Geir Haard e a Ministra de Relações Exteriores
Ingibjörg Sólrún Gísladóttir anunciando o empréstimo do FMIO empréstimo aprovado pelo FMI é de 2.1 bilhões de dólares. Desse total, 827 milhões estão disponíveis imediatamente, e o resto será disponibilizado em oito parcelas trimestrais de 155 milhões de dólares sujeitas à aprovação do desempenho do programa de reforma econômica governo. O empréstimo devera ser repago em 2012-2015.
Com o anúncio do FMI, outros países anunciaram mais empréstimos para a Islândia. Noruega, Dinamarca, Finlândia, Ilhas Faroes, e Polônia, juntos, ofereceram mais 3 bilhões de dólares à Islândia.
Foi anunciado também um acordo entre a Islândia e Inglaterra, Holanda e Alemanha, em que a Islândia concordou em restituir os depósitos de clientes estrangeiros nesses países que perderam seu dinheiro com a quebra dos bancos islandeses, até o máximo de 26 mil dólares por cliente. O total que o governo islandês tem que pagar para esse países é por volta de 4.3 bilhões de dólares. Como a Islândia não tem esse dinheiro, a Inglaterra, Holanda e Alemanha vão emprestar esses 4.3 bilhões para a Islândia que deverá ser usado para pagar as restituições - ou seja, efetivamente, os governos da Inglaterra, Holanda e Alemanha vão restituir o dinheiro aos clientes e o governo islandês vai assumir a mesma quantia como dívida para com aqueles países.
Somando todos esses empréstimos anunciados nos últimos dias, o governo islandês está recebendo quase 10 bilhões de dólares em empréstimos, o equivalente à mais de 30 mil dólares de dívida por habitante e há 110% do PIB do país previsto para 2009 - o que faz da Islândia um dos países mais endividados do mundo por cabeça da população.
Segundo o FMI, essa é a re-estruturação de um sistema bancário mais cara de todos os tempos, em termos de custo por habitante.
E como nós brasileiros sabemos muito bem, com empréstimos do FMI vem imposições de política econômica que muitas vezes são um remédio pior do que a doença.
O governo ainda vai tentar vender parte do patrimônio dos bancos falidos, mas ninguém sabe quanto dinheiro pode ser levantado dessa venda. Os novos bancos abertos pelo governo (Novo Glitnir, Novo Landsbanki, Novo Kaupthing) serão sem dúvida privatizados pelo governo em algum ponto no futuro, mas ainda vai demorar muitos anos para que esses novos bancos venham a valer alguma coisa.
A reação da imprensa em geral, e também do povo islandês em relação à esses empréstimos que foram aprovados hoje foi uma mistura de alívio e de preocupação. De um lado, alívio de finalmente algo estar acontecendo para mudar a situação atual e começar a reconstrução de economia. Por outro lado, há também muita preocupação de que pode ser que leve décadas para que esses empréstimos sejam pagos, e que enquanto isso os impostos, que já estão entre os mais altos do mundo, terão que ser aumentados para gerar o dinheiro para pagamento das dívidas. E ainda, há uma grande preocupação de que todos esses bilhões de dólares podem acabar indo pelo cano na tentativa de defender a desvalorização da krona.
No momento a cotação da krona no mercado islandês é definida por pequenos leilões de moeda feitos pelo banco central toda manhã - mas, efetivamente a cotação está fixa pelo governo. Fora da Islândia, a krona praticamente não tem valor, não é aceita pela maioria dos bancos internacionais e os que aceitam estipulam sua própria cotação muito menos favorável que a do banco central islandês. O governo islandês pretende re-introduzir a krona no mercado internacional e deixá-la flutuar livremente no início de Janeiro próximo - muita gente acredita que quando isso acontecer a krona vai despencar ainda mais e o governo vai acabar gastando bilhões de dólares tentando em vão segurar o valor da moeda.
O panorama econômico para a Islândia em 2009 será ruim, disso não há dúvida - já o quanto ruim vai depender do que acontecer quando a krona for re-introduzida no mercado livre internacional em Janeiro. De qualquer maneira, as previsões publicadas pelo governo para 2009 são: redução de 10% no PIB islandês, inflação de 23%, e desemprego que pode chegar à 10%. Eu diria que essas são previsões otimistas.