Existem três canais de televisão aqui na Islândia. Um canal estatal chamado Sjónvarpið ("A Televisão") que só funciona à noite, um comercial aberto chamado Skjár Einn ("Tela Um"), e mais um comercial por assinatura chamado Stöð 2 ("Canal 2").
Há poucas semanas atrás o Skjár Einn anunciou que em Novembro vai virar canal por assinatura como conseqüência da crise econômica.
O custo total de assinar os dois canais comerciais islandeses, Skjár Einn e Stöð 2, é agora quase 10,000 Kr. Isso é equivalente à R$140,00 reais só para dois canais.
Com um custo alto assim, não vou assinar nenhum desses canais. Vou continuar assinando só alguns canais estrangeiros, os seis ou sete canais que estão disponíveis para assinatura via transmissão aérea digital e que são em inglês: Discovery Channel, Discovery Civilization, National Geographic, BBC News, Sky News, e BBC Prime; já que estes juntos ainda custam bem menos pra assinar do que os dois canais islandeses. E também, com a internet é fácil baixar shows que eu costumava assistir nos canas islandeses.
Ontem estava conversando com um amigo brasileiro que me disse que ele estava investindo em ações no Brasil e se dando bem. Daí ele me perguntou como anda o mercado de ações aqui na Islândia no momento, se a bolsa já se recuperou da crise. Mandei pra ele o link pra ver o gráfico do desempenho da bolsa islandêsa, e ele ficou tão assustado que achei que deveria postar o gráfico aqui pros leitores do blog verem também.
O colapso da economia islandesa aconteceu na semana de 26 de Setembro de 2008, há pouco mais de um ano atrás. Até aquele dia, haviam 24 empresas na bolsa de valores islandesa. Hoje são apenas 6. Comparando o índice de valor da bolsa islandesa hoje com o índice do dia anterior ao colapso, a queda da bolsa foi de 84.94%.
Quanto à recuperação nesse ano, desde o início de 2009 a bolsa islandesa caiu 7.71%.
O caminho para a recuperação de economia islandêsa será sem dúvida longo e árduo. Vamos torcer para que as previsões de que a economia voltará a crescer em 2011 sejam corretas.
Desde quando o primeiro McDonalds abriu na Gelolânia em 1993, o país sempre foi famoso por ter o Big Mac mais caro do mundo. Agora, o país vai ficar conhecido como o único país da Europa Ocidental onde não é possível comprar um Big Mac.
A empresa que tem a franquia do McDonalds na Islândia, com três restaurantes em Reykjavík, anunciou hoje que devido à crise todos os McDonalds na Islândia vão fechar. Segundo a empresa, o custo da franquia e de todo o material que tem que ser importado dobrou com a queda da krona e assim se tornou impossível manter um McDonalds aberto na Islândia.
Os amantes de Big Macs só tem ate o fim do mês para dizer adeus, bless bless, aos hambúrgueres do McDonalds.
Hoje é o primeiro dia do inverno na Islândia, de acordo com o calendário tradicional. Até que o dia não está muito frio, são seis graus hoje, mas a primeira neve já foi há algumas semanas atrás.
Para celebrar o dia, os lojistas da rua Skolavordustigur no centro de Reykjavík ofereceram sopa de carne de ovelha à todos que visitavam as lojas. A carne para a sopa foi doada pela Associação de Criadores de Ovelha.
A sopa foi acompanhada de várias outras atividades como aulas de tricô gratuitas e música de tocadores de acordeão no local.
A associação pagã Ásatrúarfelagið também celebra nesse dia uma cerimônia de acordo com a antiga religião pagã, para marcar a ocasião.
Desde o colapso da economia há exatamente um ano atrás, tem se falado muito da necessidade da Islândia utilizar seus recursos naturais para reconstruir a economia. Um recurso natural abundante por aqui é energia elétrica renovável (geo-termica), que é extremamente barata. Uma maneira pela qual essa energia elétrica barata já é utilizada é na indústria de alumínio que utiliza muita energia - a Islândia é o maior exportador de alumínio da Europa.
Outra idéia que já vem circulando há algum tempo por aqui e que parece que vai se tornar realidade em breve, é a construção de super centros de processamento de dados no país para se aproveitar não só da energia barata, mas do clima frio. Grandes multinacionais usam centenas de milhares de servidores (especula-se que Google tenha mais de um milhão), computadores dedicados, que além de consumirem muita eletricidade, geram muito calor. O custo de manter servidores resfriados é tão alto quanto o custo da eletricidade que eles consumem em sua operação. Daí vem a idéia de hospedar esses servidores na Islândia, onde resfriá-los seria uma tarefa muito mais simples e barata, requerindo pouco mais do que a utilização do ar e água naturalmente gelados do país.
Outra vantagem que se menciona com frequencia seria a segurança. A Islândia é um dos lugares menos prováveis no mundo de ser atingido por um atentado terrorista, por exemplo.
Nos últimos anos, cabos de fibra-ótica tem sido instalados entre a Islândia e os EUA e Europa para fornecer conectividade à estes futuros super centros de rocessamentos de dados, e um desses centros já está sendo construído em Kaflavík e é bem grande, com 40,000 metros quadrados. Os jornais noticiaram recentemente que várias multinacionais de grande porte já assinaram contatratos para hospedar seus servidores aqui na terra do resfriamento fácil e barato, dentre elas Microsoft, Cisco, e grandes bancos de investimento.
Algumas previsões dizem que este setor que está nascendo agora pode vir se tornar em dez anos um dos maiores da economia islandesa.
Eu, como profissional da área (sou engenheiro de redes), espero que esse novo setor cresça muito mesmo e transforme a gelolândia numa economia high-tech!
Um ladrão amante de livros arrombou o escritório da editora Bjartur em Reykjavík na terça feira passada e roubou o texto ainda não publicado do último livro do escritor Dan Brown, chamado Lost Symbol. Dan Brown ficou famoso há alguns anos atrás pelo seu best-seller O Código Da Vinci.
Segundo o diretor da editora, o ladrão só levou duas coisas: a tradução em islandês do livro de Dan Brown que estava na mesa do editor, e mais um scanner de computador.
O incidente não deve atrasar a publicação do livro na Islândia, já que uma outra cópia se encontra com outro editor.
Será que o ladrão começou a ler o livro em inglês, perdeu a paciência com a língua estrangeira e em desespero resolveu roubar a tradução, porque não conseguia esperar até o lançamento?
Vi essa notícia recentemente e achei bem curiosa, sobre dois islandeses que caminham 450 km, da cidade de Ísafjörður (pop. 4,000) no norte da Islândia até a capital Reykjavík, em busca de sorvete.
A caminhada demorou dez dias, e eles dormiram numa barraca de acampamento durante a aviagem.
Chegando em Reykjavík, o dono da fábrica e sorvetes Emmessís ficou sabendo da jornada deles e os levou para um tour da fábrica com direito à amostras gratuitas dos diversos sabores. Eles devem ter achado que valeu a pena a camanhada!
Um deles contou à um jornal que: "Foi uma ótima vagem. Quando a mídia começou a reportar a nossa história, não precisamos mas abrir nossas carteiras. Por exemplo, quando chegamos à Borganes um restaurante abriu especialmente pra nós, e eles nos deram um café da manhã fabuloso de graça."
A parte mais maluca dessa história, ao meu ver, é que esses dois islandeses fizeram essa caminhada não durante o verão mas em setembro, quando a temperatura chega a cair abaixo de zero durante a noite e chove bastante durente o dia.
A paixão dos islandeses por sorverte realmente não tem limites!
Marcando exatamente um ano do pronuncamento dramático do Primeiro Ministro na televisão islandesa, no dia 6 de Outubro abre nos cinemas aqui na Islândia, nos países escandinavos e Alemenha, um documentário sobre a colapso financeiro da Islândia.
Eu coloquei legendas em português no trailer do documentário, especialmente pros leitores aqui do blog.
O nome do filme "Deus abençoe a Islândia" (Guð blessi Ísland) vem das palavras do Primeiro Ministro fechando o pronunciamento de um ano atrás. Na época, a escolha dessas palavras gerou uma grande polêmica, pela Islândia ser um país pouco religioso, e também pelo drama contido na expressão, como se tudo estivesse perdido.
Depois escrevo especialmente sobre a situação atual, um ano depois do colapso.