Nesse ano eu passei a virada de ano aqui na Islândia, em casa mesmo. O mais interessante do reveilon na Gelolândia é a tradição das família comprarem grandes quantidades de fogos de artifício para soltarem exatamente na virada, e o resultado é que o céu das cidades islandesas fica repleto de fogos coloridos em todas as direções que você olha.
Esse vídeo eu fiz da varanda do meu apartamento na cidade de Hafnarfjörður, que é um subúrbio da capital Reykjavík:
Hoje, dia 23 de dezembro, é tradicional na Islândia de se comer um peixe chamado “skata”, um tipo de arraia, que é servido apodrecido (ou fermentado. O fedor desse peixe apodrecido é inacreditável, é de se lacrimejar só de ficar no mesmo ambiente.
Hoje no trabalho um dos meus colegas passou perto da minha mesa eu eu senti o fedor do tal peixe. Quando perguntei, ele confirmou que tinha ido à um restaurante na hora do almoço para comer a tal “iguaria”, que tinha obviamente impregnado as roupas dele com o seu mau chuiro distinto.
Eu já comi bem pouco esse peixe algumas vezes, com um bloco de manteiga acompanhando pra ajudar a descer, mas eu não consigo comer, o cheiro é forte demais. Tem gente que até cozinha esse peixe no quintal, porque senão a casa fica com esse cheiro horrível por dias.
Outra tradição de hoje, o dia que os islandeses chamam de Þorláksmessa (“a Missa do Santo Thorlákur” - o santo padroeiro da Islândia), é terminar de comprar os presentes de natal nesse dia. As lojas ficam abertas hoje até às 11 da noite.
Desde que mudei aqui para a Gelolândia eu sempre visito os mercados de natal nessa época de fim do ano. Gosto de conferir os enfeites, especialmente os que incluem o Gato do Natal e as figura natalinas islandesas, e mais as comidas, artesanato, etc. Nesse ano tive a agradável surpresa de descobrir vários novos mercados de natal, fazendo desse fim de ano o de clima mais natalino até agora.
O mercado de natal que sempre visitei é o de Hafnarfjörður, um dos subúrbios da Grande Reykjavík, esse me parece ser o mais tradicional e mais movimentado dos que eu conheço. E como eu moro em Hafnarfjörður, é pertinho e vale à pena fazer algumas vezes a curta caminhada para conferir as barracas. Esse mercado tem bastante enfeites de natal, tem um palco com atrações freqüentes para crianças e também corais cantando músicas natalinas, e ainda uma barraca do convento de freiras polonesas onde eles vendem enfeites que são sempre populares com os islandeses.
Um dos mercados de natal novos nesse ano é o de Kopavogur, outro subúrbio da capital. Esse tinha mais roupas e acessórios, e nem tantos enfeites, mas ainda assim algumas coisas interessantes para se conferir.
E finalmente, outra novidade desse ano, é o mercado logo no centro de Reykjavík.
A Islândia tem tradições de natal bem diferentes, e realmente únicas mesmo entre os países nórdicos.
A tradição aqui não é de um só Papai Noel, mas treze Papai Noeis diferentes, que vem das montanhas um a um nos 13 dias antes do natal. Nos tempos a crença é que ele vinham apenas para pregar peças e roubar comida e utensílios das casas das pessoas. Hoje em dia ainda se acredita nessa parte de pregar peças, mas também existe a tradição de que eles deixam pequenos presentes para crianças que deixam os sapatos na janela. Quer dizer, as crianças comportada ganham presentes, e as mal-comportadas ganham uma batata. Ja perguntei à alguns amigos, que confirmaram terem ganhado batatas dentro do sapata na janela em algumas ocasiões quando crianças.
Então, para as crianças islandesas, o nata significa ganhar treze pequenos presentes nos treze dias antes do natal, esse que são dos Papai Noéis que vivem nas montanhas, e na véspera de natal mesmo elas ganham um presente que é dos pais.
Existem também outras lendas não tão boas assim para as crianças islandesas. Uma das mais aterrorizantes é a lenda da Grýla, que é uma monstra enorme (uma troll) que é a mãe dos treze Papai Noéis, e ela tem um apetite voraz por criancinhas mal-comportadas. Essa lenda é tão assustadora, que foi passada até uma lei em 1746 proibindo pais de usarem a lenda de Grýla para aterrorizar crianças.
Outro perigo natalino é o Gato do Natal. Ele é um gato monstruoso, do tamanho de uma casa, que ronda a Islândia na noite de véspera do natal e come as crianças que não tem roupa nova para vestir no natal. Por isso, até hoje, é tradição vestir algo novo no natal, nem que seja um par de meias. Eu acho muito bacana as decorações de natal aqui na Islândia que mostram o Gato do Natal, sempre bem assustador. Já ouvi dizer que a origem da lenda do gato vem do fato de que nos velhos tempos as crianças costumavam a tecer suas próprias roupas, e os pais então usavam a ameaça do gato para fazer as crianças trabalharem mais rápido para terminar as roupas, porque senão elas seriam comida pelo gato no solstício de inverno.
Nesse ano a prefeitura de Reykjavík organizou uma espécie de exibição misturada com caça ao tesouro que eu achei muito legal. Eles colocaram projetores em vários lugares do centro da cidade que projetam animações dos Papai Noéis, e da Grýla e do Gato do Natal, em prédios e casas em certos pontos do centro da cidade. fizeram um mapa gratuito mostrando as áreas das projeções, mas sem ser muito específico, para as pessoas terem que procurar cada projeção. Quem encontrar todas as sete criaturas e responder algumas perguntas sobre cada uma delas pode entrar num sorteio para um prêmio. Eu achei bem legal a idéia e me diverti bastante procurando cada uma das criaturas no centro de Reykjvík. Abaixo está um video que eu fiz das projeções das criaturas do natal islandês.
A música do video é um antigo poema sobre o Gato do Natal, nessa versão sendo cantado pela cantora islandesa Björk.
Um relatório foi publicado nessa semana passada mostrando que a Islândia e agora o segundo país na lista dos com maior índice de obesidade no mundo, perdendo apenas para os EUA.
Quando comentando sobre isso, os jornais locais estavam dizendo que há dez anos atrás era raro mulheres grávidas chegarem ao hospital para o parto pesando mais de 100 quilos, mas que isso hoje é uma ocorrência diária, e que algumas chegam a pesar até 180 quilos. E isso forçou o hospital a recentemente trocar todas as camas das salas de parto para camas capazes de agüentar até 190 quilos.
A razão desse nível de obesidade é difícil de explicar, mas eu acredito que seja uma combinação de um estilo de vida sedentário, em parte por causa do clima constantemente ruim para se exercitar e praticar esportes lá fora, e também por uma mentalidade de se consumir tudo que pode, de sempre preparar muita comida e terminar tudo que está no prato, essa mentalidade talvez ainda resultante do fato de que há apenas duas geração atrás, a Islândia era um dos países mais pobres de Europa e onde por vezes realmente se passava fome.
Uma coisa de que sinto falta desde que mudei aqui pra Gelolândia é ir à restaurantes com mais freqüência, como é mais comum para a classe média brasileira, e também na Inglaterra onde morei por sete anos antes de mudar pra cá. Aqui na Islândia as pessoas não tem o hábito de freqüentar restaurantes porque são sempre muito caros. Normalmente só e vai à restaurante quando é alguma ocasião para se comemorar.
Na semana passada fui com a minha noiva à um bom restaurante italiano no centro de Reykjavík considerado de preço médio. O jantar, com entradas simples e pratos de massa, sem tomar vinho, ficou em pouco mais de 10,000 Kr (cerca de R$150,00) para duas pessoas.
Acho que é por causa do alto custo de comida mesmo, que todas as empresas que eu já vi por aqui de porte médio pra grande tem uma cantina para os empregados almoçarem à preços mais amigáveis, porque se fosse para comer fora todo dia como se faz em outros países, o salário não ia dar pra nada!
Todo ano em Junho acontece o Festival Viking em Hafnarfjörður, um subúrbio de Reykjavík. Uma vila Viking é construída ao volta do hotel e restaurante viking que fica no porto da cidade, e por uma semana são organizados vários eventos como encenação de batalhas, casamentos pagãos (válidos legalmente), torneios de arco e flecha, e sempre há várias tendas vendendo todo tipo de artigo ligo à cultura da era Viking na Islândia.
Desde que eu mudei aqui pra Islândia há quatro anos atrás, eu sempre compareço ao festival. Acho bem legal ver o entusiasmo dos islandeses em comemorar essa parte da história deles e preservar a cultura. Tem sempre muito gente que comparece vestida com roupas típicas da era Viking (na Islândia, do ano 850 à 1050).
Nesse ano tinha uma demonstração interessante de um ferreiro construindo uma espada usando apenas materiais e técnicas daquela era. Tinha também um torneio de arremesso de machado.
Eu recomendo para todos que tiverem a oportunidade de estar aqui na Islândia durante o mês de Junho, de conferirem essa festival.
A manchete de capa do jornal islandês DV nesse último domingo me chamou a atenção como um bom exemplo da diferença em atitude em relação à religião e sexualidade no país, e também como um exemplo da falta de grandes notícias em um país pequeno.
A manchete em questão é: GIFTI SIG HREIN MEY (“SE CASOU VIRGEM”)
A mulher da capa do jornal, a que casou virgem, é filha do líder de uma igreja evangélica.
Aqui na Islândia praticamente ninguém se casa sem ter morado junto por alguns anos, e na grande maioria das vezes o casamento só acontece depois que o casal já teve alguns filhos. Casamento normalmente é visto como uma desculpa para se fazer uma boa viagem enquanto deixando os filhos com os avós. E uma grande porcentagem dos casais nunca se casam.
Já conversei à respeito dessas diferentes atitudes entre Islândia e Brasil com alguns amigos islandeses, e todos disseram que nunca ouviram falar em ninguém que só passou a morar junto depois do casamento, e acharam muito engraçado quando eu mencionei que no Brasil isso é comum.
Estive sem atualizar o blog por um longo tempo, devido à um período conturbado na minha vida pessoal e no trabalho. Mas agora estou de volta e vou atualizar o blog com freqüência!
Para agradecer à paciência dos leitores do blog, aqui vai uma foto do vinho brasileiro “Obrigado” que encontrei na loja de vinhos aqui na Islândia, e claro, tive que comprar:
Não estou com muitas esperanças quanto à qualidade desse vinho “Obrigado”, mas sabe como é, quando se mora fora do Brasil, ainda mais aqui pelas bandas do polo norte, quando se vê qualquer coisa relacionada à terrinha, é difícil não se ficar entusiasmado.
Falando em comprar vinhos, a situação da venda de bebidas alcóolicas aqui na Islândia é interessante. O governo islandês tem exclusividade na venda de bebidas alcóolicas aqui na Islândia, e assim só é possível comprar vinho, cerveja, etc, na rede de lojas do governo chamada Vínbúð ( “Loja de Vinhos” ). Essas lojas tem só abrem em horário comercial; assim se bater uma vontade de beber vinho em casa às 19:00 da sexta-feira, não tem jeito! Segundo o governo, esse controle todo, inclusive, cerveja aqui só começou a ser vendida em 1989, e os preços extremamente altos, são para evitar o consumo excessivo de bebidas alcóolicas. Um resultado disso, é que a produção caseira de cerveja e destilados é relativamente comum.
A Islândia está tomada pela febre do mundial de handball, que é o esporte mais popular do país. Ontem foi o jogo da Islândia contra a Noruega no compeonato. Para desespero da nação a faca Luzinha (Glæta), famosa por suas profecias esportivas, tinha previsto que a Noruega iria ganhar esse jogo.
Acabou que a Islândia ganhou o jogo com o placar final de 29 a 22. A nação comemorou, mas ficou também perplexa com a falha da previsão da vaca Luzinha. No entanto, logo uma explicação apareceu. Luzinha é de descendência norueguesa, logo, ela tiria apenas expressado sua torcida pela terra de seus ancestrais. Está explicado então, Luzinha é confiável em suas previsões, contanto que elas não envolvam a Noruega!
A atenção da mídia passou então para a foca Golli que reviu corretamente todos os jogos do campeonato até agora.
O campeonato mundial de handball começou nessa semana passada, e os islandeses estão extremamente entusiasmados com o evento, como se fosse mesmo copa do mundo de futebol no Brasil. É o único esporte em que o time nacional islandês é realmente bom, daí a febre pelo handball. Os islandeses tem complexo de ser um país pequeno e isolado, e assim qualquer coisa em que o país se destaque vira mania nacional.
No meu trabalho na quinta-feira passada, os funcionários todos foram liberados mais cedo para poderem assistir ao primeiro jogo da Islândia contra a Hungria, que a Islândia ganhou com um placar de 32 à 26.
Hoje teve o jogo contra o Brasil, que a Islândia ganhou com um placar final de 34 à 26.
Foi, então, exatamente como o vaca preveu. Que história é essa de vaca, você pergunta? Ah, boa pergunta!
Veja só, é uma crença islandesa de que as vacas são criaturas sábias. E uma certa vaca em especial, chamada Glæta ( “Luzinha” ), é bem conhecida pelo seu dom profético, já tendo previsto no passado o resultado de vários jogos de futebol na Islândia. Antes do jogo de hoje contra o Brasil, Glæta fez uso novamente de sua sabedoria de vaca e seus dons proféticos, tendo previsto que a Islândia iria ganhar contra o Brasil. E acertou!
A previsão é feita da seguinta maneira: a vaca Glæta é levada até uma área onde estão três bacias de comida, uma para cada país e uma representando empate. Daí os fazendeiros deixam Glæta usar seu dom e fazer a profecia, que ela expressa por meio da escolha de uma das bacias.
Se é que não faz sentido pra você, só pode ser porque você não tem mesmo a imensa sabedoria de uma vaca, claro.
Aqui vai um video do momento em que Glæta fez sua profecia sobre o resultado do jogo contra o Brasil:
E se é que você está pensando em consultar a vaca Glæta para saber os números do próximo sorteio da loteria, sinto desapontá-lo mas, como já me explicaram, Glæta se especializa em resultados de eventos esportivos!
Este vídeo foi exibido na virada do ano, na noite de 31 de Dezembro passada, como parte de um programa cômico que é tradicionalmente exibido nessa hora todo ano. Achei que seria interessante colocá-lo aqui no blog porque me parece que ele mostra bem o que está na mente do povo islandês no momento, e as esperanças dos islandeses para o ano de 2011.
Essa versão do video tem legendas em inglês, e eu escrevi também uma tradução para português, que se encontra abaixo do vídeo.
Reporter: "Bom, está uma loucura dentro do parlamento, vamos entrar"
Lider do partido de direita: "Esse governo de esquerda é completamente inadequado, alguém tem que tomar o controle, mas eu é que não vou fazer isso"
Primeira Ministra: "Eu não agüento mais isso!"
Parlamentar: "Mas porque é que eu não posso dar um emprego ao meu filho? Ele por acaso é pior que os filhos dos outros?"
Outro Parlamentar: "Eu não sou gordo!"
( Começa a música… )
Ei, ei, Cale a boca! Você acha que é normal vocês ficarem aqui discutindo besteiras no pódio só porque é isso que vocês estão acostumados a fazer? Algo está errado quando há um fogo queimando lá fora, e aqui dentro o que temos são parlamentares completamente incompetentes. Vocês não acham que seria melhor se parássemos de brigar uns com os outros? Enquanto isso, os recolheres de impostos, Loki (deus nórdico da covardia) e outros demônios estão decorando nossas crianças com algemas por causa de dívidas causadas por erros matemáticos antigos. Não queremos mais ouvir sobre cancelamentos de dívidas para os criminosos da elite. Esses abutres de costas sujas que fugiram e deixaram para trás as ruínas. Mas me desculpe, não haverá paz. Esse bolo está sendo dividido errado, inacreditavelmente errado. Mas nós fomos colocados em situações difíceis antes nessa rocha gelada e conseguimos superá-las e nos fortalecer. Nós nos adormecemos no portão, mas hoje estamos acordados.
Ano Novo! Vamos deixar pra trás o que é para ser deixado, e começar a mudar. Ano Novo! Vamos nos livrar dos piores, e ativar nosso melhor. Feliz Ano Novo!
Não podemos nos esquecer nessa situação volátil, que temos mais pessoas aqui ao vivo nessa rua do que em algum outro país. Alguns milhares de pessoas, como irmãs e irmãos. Vamos acender um novo fogo e reanimar os espíritos. Vamos tomar vantagem da nossa pequena população e dar as mãos. As coisas estão mal em outros países também, em Portugal, Grã-Bretanha, Irlanda e Grécia, e o sonho americano está à beira da morte. Mas é aqui que quero estar e carregar meus ossos. Há tanto que podemos fazer e devemos fazer. Esse índices econômicos não são um problema real, mas sim a geração que vai herdar toda essa bagagem.
O Futuro, ele espera, e o futuro não vai oferecer as mesmas oportunidades para fazermos tantos erros como fizemos, eu não acho. Vamos re-escrever a história e deixar para trás os ladrões. Vamos dançar nas ruas e celebrar uns com os outros.
Ano Novo! Derrube e jogue ao fogo, para o espírito islandês, Feliz o Ano Novo! Agora vamos celebrar o futuro, e intensificar nossos abraços. Feliz Ano Novo!
Ei, se levantem das suas cadeiras em suas roupas engomadas, jogue fora seus pensamentos negativos e fique vestido com suas calças, nos subúrbios e nos centros, nas festas de ano novo. Abraços suas tias e encontre os seus fogos de artifício, e os explora nos céus levando as suas esperanças. Nós vamos sair da nuvem de cinzas com nossa insistência e persistência. Com cooperação, coexistência, e co-qualquer-coisa.
Ano Novo! Diga adeus ao individualismo, e vamos trazer felicidade às gerações futuras Feliz Ano Novo! Vamos dar as mãos aos nossos inimigos e amigos Feliz Ano Novo!
Vamos brindar à Islândia, e à todas as incontáveis qualidades do país, porque apesar de tudo, eu quero ficar aqui com vocês para o resto da minha vida. Aqui! Feliz Ano Novo!
Cheguei de volta do Brasil na tarde do dia 31 de Dezembro, e resolvi ficar em casa mesmo para celebrar a chegada de 2011.
Aqui na Islândia a tradição é que cada família compra seus fogos de artifício e todas juntas os soltam exatamente na hora da virada do ano. O resultado é que o céu das cidades fica repleto de fogos em toas as direções. Um espetáculo e tanto.
Aqui está um video que eu da varanda do meu apartamento em Hafnarfjörður, logo a meia-noite:
No momento me encontro no aeroporto em Londres, esperando o vôo para o Brasil. Estou dessa vez viajando pelo seguinte roteiro: Islândia-Londres-Lisboa-Rio-BH. De porta à porta, contando com as esperas entre vôos, são dessa vez cerca de 42 horas. Ufa! Mas estou muito feliz de passar o natal com a família e amigos nesse ano.
Eu morei no Reino Unido por sete anos, quatro anos em Londres, antes de mudar para a Islândia, e hoje aproveitei o grande período de espera por aqui hoje para ir passear pela cidade durante à tarde. Depois de morar tantos anos nesse país, é interessante que ainda tenho a sensação de "chegar em casa" quando desembarcando no aeroporto em Londres. Mas, tenho que dizer, que estou satisfeito com minha decisão de mudar daqui pra Islândia. Uma das características mais marcantes da vida em Reykjavík é o espaço, o vazio, as casa e prédios são espaçados e baixos, não se vê muita gente pelas ruas, o ar puro, e o fato de que em 15 minutos você chega à qualquer lugar dento da área da capital - eu estava pensando nisso e já com saudades, enquanto espremido no metrô londrino hoje à tarde.
Bom, vou perder o natal islandês esse ano, e os 13 papai-noéis que descem das montanhas um por um nos 13 dias antes do natal. Mas pelo menos estarei à uma distância segura do Gato do Natal, o monstruoso gato do tamanho de uma casa, que segundo as lendas devora as crianças que não tem roupas novas no natal!
Os 13 papai-noéis moram com sua mãe, chamada Grýla, que é um troll feioso e que assim como seu gato de estimação, devora crianças na época do natal. Olha só eu mesmo dentro do caldeirão da monstra, do qual consegui escapar logo depois dessa foto ter sido tirada no shopping center Kringlan em Reykjavík na semana passada:
Outra tradição islandesa de natal é decorar o exterior das casas com luzes coloridas. Quando eu voltar pra casa, logo depois do natal, ou vou tirar uma fotos das casa e ruas e colocá-las aqui no blog pra vocês verem.
Um pouco de humor islandês! Este vídeo abaixo foi feito no ano passado por um grupo de amigos fazendo graça da situação aqui na Islândia e principalmente das consequências do colapso do sistema financeiro ocorrido no fim de 2008.
Para ajudar os leitores do blog que tem dificuldade com a língua inglesa, eu coloquei legenda em português no video. Assim ninguém perde nenhuma das piadas.
O video mostra que os islandeses pelo menos tem senso de humor para rir da própria desgraça! hehehe
Pra quem prefere o vídeo sem legenda em português, clique aqui para ver o original com legenda em inglês.
Na última quarta-feira quando fui à academia depois do trabalho, o lugar estava vazio. Achei estranho. Só quando cheguei em casa que a razão ficou clara: era noite da primeira eliminatória do Eurovision e eu tinha esquecido!
Se é que existe para os islandeses um evento equivalente à uma final de copa do mundo, seria a final do Eurovision Song Contest, que é uma competição anual de canções de países europeus que acontece desde 1956. Nesse ano são 39 países. A competição acontece à cada ano no país que ganhou no ano anterior, nesse ano é na Noruega. A audiência do Eurovision é estimada entre 100 milhões e 600 milhões de telespectadores em toda a Europa, e o ganhador é escolhido por votos da audiência por telefone. Na noite de quarta-feira passada foi a primeira eliminatória em Oslo, e a canção da Islândia, chamada "Je ne sais quoi" cantada por Hera Björk, foi uma das dez escolhidas da noite para participar da final no próximo Sábado onde 25 países disputarão o título nesse ano.
Os islandeses são obcecados com Eurovision. No dia das qualificatórias e principalmente da final, as ruas das cidades islandesas ficam desertas. Todo mundo tem uma festa pra ir onde amigos assistem junto ao Eurovision e torcem pela Islândia. Os jornais daqui só falam em Eurovision pelas últimas semanas e as rádios tocam músicas da competição desse ano sem parar. A maioria dos islandeses sabe quais músicas são de quais países nesse ano. É uma verdadeira mania nacional.
A Islândia nunca ganhou a competição, mas ficou em sugundo lugar duas vezes, incluindo no ano passado.
Aqui está o vídeo da apresentação de "Je ne sais quoi" por Hera Björk na semi-final. Assistam e comentem!
Vamos torcer pra Islândia! Áfram Ísland!!
Atualização: A Islândia ficou em décimo-nono lugar entre os 39 países que concorreram. A canção da Alemanha foi a vencedora.
Hoje é o primeiro dia do verão aqui na Islândia, que é celebrado com um feriado nacional. Eventos acontecem no país todo para comemorar este dia, que cai todo ano em uma quinta-feira entre os dias de 19 e 25 de Abril.
E é mesmo um dia bonito de sol hoje, com temperatura em torno de 8 graus, o que é calor pros padrões islandeses.
(Foto da praia artificial Nauthólsvík, em Reykjavík, com areia importada, e mar aquecido)
Até o ano 1700, a Islândia usava o antigo calendário nórdico, e nele o ano começava no primeiro dia de verão, o primeiro dia do antigo mês de harpa que começava no que corresponde hoje ao final do mês de Abril. Nesse calendário antigo haviam apenas duas estações do ano, o verão e o inverno, e as pessoas costumavam a contar sua idade não pelo número de anos decorridos desde o nascimento, mas pelo número de invernos que a pessoa já viveu.
Com a adoção do cristianismo na Islândia no ano 1000, e do calendário Gregoriano no ano 1700, o calendário antigo gradualmente caiu em desuso e este dia perdeu o significado como primeiro dia do ano, mas continuou sendo comemorado como o primeiro dia de verão.
De acordo com a tradição, se o inverno e verão "congelarem juntos", ou seja, se a temperatura cair abaixo de zero na noite entre o inverno e o verão, isso significa que o verão desse ano será um bom verão. Hoje foi confirmado que isso foi exatamente o que aconteceu na noite passada, portanto está confirmado, o verão de 2010 será um bom verão!
É tradicional também, neste dia, desejar à todos um “bom verão!” - “Gleðileg súmar!”
Recentemente vi essa notícia no jornal por aqui, e achei bem interessante. Um líder religioso da Ásatrúarfélagið (associação que honra os antigos deuses nórdicos), disse na semana passada que um encantamento feito no início da crise financeira parece estar surtindo efeito agora.
Em dezembro de 2008 os membros da Ásatrúarfélagið invocaram a proteção dos espíritos guardiões da Islândia, o touro, a águia, o dragão e o gigante - que aparecem no brasão de armas da Islândia; e também fizeram uma espécie maldição contra os inimigos da Islândia. Segundo o sacerdote Hilmar Örn Hilmarsson, a evidência do sucesso seria o recente colapso do governo holandês, e o iminente fim da \carreira política do primeiro ministro britânico Gordon Brown.
Holanda e Inglaterra estão numa disputa com a Islândia sobre o dinheiro que seus cidadão perderam ao investir em um findo de investimento de um banco irlandês chamado Icesave, que faliu. Já discuti Icesave em detalhes aqui no blog.
Ásatrúarfélagið revelou que parte do encantamento, que estou traduzindo abaixo.
Na cidade de Londres, o tolo mentiroso, espalha mentiras sobre nossa terra, Gordon Brown vai cair, com sua reputação em frangalhos
O líder Hilmar Örn Hilmarsson aponta ainda para o fato de que este inverno na Inglaterra tem sido especialmente rigoroso, o que ele acredita ser outro sinal.
Um repórter perguntou a razão porque o encantamento teria demorado tanto para surtir efeito, e Hilmar respondeu: "As pessoas acreditavam nos velhos tempos que a magia tem que contornar os lagos, então acredito que o oceano seja a causa do atraso."
É interessante ver como as antigas tradições e folclore ainda sobrevivem nessa remote ilha perdida no Atlântico Norte!
Aqui vai a foto da mesa da minha casa, com comidas típicas no fim de semana passado. Coloquei descrições nas fotos para identificar cada prato. Clique na imagem para ampliar.
Hoje é o primeiro dia do mês de Þorri, no antigo calendário islandês. Nesse mês é tradicional a celebração do Þorrablót, que significa "Sacrifício à Thor", e consiste em festas em que se come comidas tradicionais, como cabeça de ovelha (dize que a melhor parte é o olho) e principalmente peixe apodrecido.
Encontrei essa tirinha na internet que ilustra bem o amor dos nórdicos por peixe podre, e traduzi pra vocês curtirem aqui no blog...
Na semana passada, quando entrei no carro que minha noiva havia usado no dia anterior, vi um enorme pacote de papel higiênico no banco traseiro, com pelo menos um 50 rolos. Como já não era a primeira vez que passava por essa surpresa sanitária, eu sabia logo do que se tratava: a montanha de papel tinha certamente sido comprada de um filho ou filha do algum amigo ou parente.
O que acontece é que as escolas islandesas pedem aos alunos para arrecadar fundos para excursões por meio da venda de papel higiênico em grandes quantidades. As crianças vendem para os parentes, e os pais ajudam. É comum gente no trabalho, em qualquer escritório ou local de trabalho, te perguntando se você pode comprar um desses mega pacotes de 50 rolos para ajudar os filhos.
Já vi várias vezes também, crianças pela rua carregando uma montanha de papel higiênico nas costas, certamente indo entregar à algum parente que, para satisfazer a criança, agora tem um suprimento de papel higiênico que deve durar pra lá de um ano.
Saindo do assunto do papel higiênico, mas continuando com os pequenos vendedores, outra coisa também muito comum aqui na Gelolândia é ver crianças vendendo brinquedos, arranjados em um pano no chão, na porta de supermercados ou ruas movimentadas. Não é que elas precisem fazer isso, ou que a família esteja precisando de dinheiro, mas o dinheiro vai para alguma ação de caridade, geralmente na África. As crianças que arrecadam algum dinheiro para caridade tem sua foto publicada no jornal, e pelo que me falaram todas querem ver sua foto impressa no jornal e consideram que se livrar de um brinquedo velho é um bom preço à se pagar pelo seu dia de fama, e para se ajudar os mais pobres.
Dezembro chegou! As casas em Reykjavík estão decoradas com luzes coloridas, as ruas estão cobertas de neve, e as rádios só tocam músicas natalinas.
Os islandeses são super empolgados com o natal, e milhares de árvores são importadas da Noruega (e um número menor vem das áreas de reflorestamento na Islândia) todos os anos para decorarem as casa islandesas.
Antigamente, no entanto, na época de infância dos idosos de hoje, a situação era bem diferente. Qualquer idoso islandês diz, sacudindo o punho para mostrar a seriedade do depoimento, que a chamada crise de hoje não é nada comparada à vida dura na Islândia na época em que costumava ser o país mais pobre da Europa e um dos mais pobres do mundo. Essa foto abaixo é de uma árvore de natal dessa época, do início do século XX, quando ninguém tinha dinheiro para importar árvores e assim construíam pequenas "árvores" de madeira para o natal.
Ah, e na época dessa árvore de natal aí de cima, o natal era a única ocasião do ano em que se comia laranjas e maçãs (uma pra cada um!), que eram então frutas exóticas e caríssimas, importadas especialmente para as festividades natalinas.
Essa piada estava circulando no meu trabalho, onde os meus colegas concordaram, resignados, de que há nela um fundo de verdade.
-------
Três homens estavam trocando histórias de como convenceram suas mulheres à tomarem conta de todas as tarefas domésticas.
O primeiro, casado com uma mulher inglesa, disse que imediatamente quando se casou disse à esposa que ela sozinha iria limpar a casa todos os dias. Levou alguns dias, mas no terceiro dia ele chegou em casa e encontrou tudo limpo.
O segundo homem, casado com uma mulher americana, disse que assim que casado deu ordens à sua esposa para manter a casa limpa, a cozinha limpa, e para também cozinhar para todas as refeições. No primeiro dia, não viu nada sendo feito, mas no dia seguinte ele viu que já estava melhorando. No terceiro dia, a casa estava limpa, os pratos limpos, e havia um bom jantar na mesa.
O terceiro homem, casado com uma mulher islandesa, contou que disse à esposa que as tarefas delas incluíam limpar a casa, lavar os pratos, lavar as roupas, e cozinhar todas as refeições. No primeiro dia, disse ele, não viu nada. No segundo dia, também não viu nada. No terceiro dia, depois que o inchaço melhorou o suficiente para ele conseguir ver um pouco com o olho esquerdo, ele conseguiu fazer um sanduiche e lavar os pratos ele mesmo.
Hoje é o primeiro dia do inverno na Islândia, de acordo com o calendário tradicional. Até que o dia não está muito frio, são seis graus hoje, mas a primeira neve já foi há algumas semanas atrás.
Para celebrar o dia, os lojistas da rua Skolavordustigur no centro de Reykjavík ofereceram sopa de carne de ovelha à todos que visitavam as lojas. A carne para a sopa foi doada pela Associação de Criadores de Ovelha.
A sopa foi acompanhada de várias outras atividades como aulas de tricô gratuitas e música de tocadores de acordeão no local.
A associação pagã Ásatrúarfelagið também celebra nesse dia uma cerimônia de acordo com a antiga religião pagã, para marcar a ocasião.
Laufabrauð Fazer é laufabrauð, ou "pão-folha", é geralmente uma atividade feito em família no início de Dezembro. As pessoas se reúnem para cortar uma trama complicada nesse pão fino que é então frito na gordura. O laufabrauð é servido como um snack ou acompanhamento com qualquer evento ou refeição natalina.
Hangikjöt O nome significa literalmente "carne pendurada". Hangikjöt é uma carne de ovelha defumada, que é servida com batatas num molho branco doce e com repolho vermelho em conserva.
Igreja & sinos A celebração principal de Natal na Islândia começa às 18:00 do dia 24 de Dezembro. A cerimônia dos sinos da catedral luterana de Reykjavík é exibida em todas as estações de televisão e rádio no país. É então que os islandeses desejam feliz natal uns aos outros e sentam para comer a ceia.
Músicas de Natal Em dezembro todas as rádios da Islândia tocam músicas de Natal sem parar. O mais engraçado é que muitas músicas são estrangeiras que foram copiadas e com a letra substituída por outra letra com tema natalino. Eu já ouvi no rádio várias músicas brasileiras que receberam o "natalinizadas" aqui na Islândia.
Malt & Appelsin A bebida tradicional do natal islandês é feita com uma mistura de Malt (fermento de centeio) e Appelsin (um refrigerante tipo Fanta). É possível também comprar a bebida já misturada, mas todos dizem que é melhor misturar você mesmo de acordo com o seu gosto.
Os 13 Papai-Noéis A Islândia não tem apenas um Papai-Noel, mas sim 13. Eles são filhos de um casal de trolls que mora nas montanhas e que comem criancinhas. Eles vem à civilização um por um, nos 13 dias antes do Natal. Começando 13 noites antes do Natal, as crianças islandesas colocam um sapato na janela e o papai-noel do dia coloca um pequeno brinquedo no sapato. Crianças mau comportadas recebem uma batata ao invés de um brinquedo. O presente da noite do dia 24 as crianças recebem dos pais, os presentes dos papai-nóeis eles já receberam nos 13 dias antes do Natal.
Dançando em volta da árvore de Natal Essa é uma tradição que ainda é forte nas escolas em todo o país, mas que vem se tornando mais rara de se fazer em casa. Segundo a tradição, as pessoas se dão as mãos em volta da árvore e dançam em volta dela enquanto cantando músicas de Natal. Horas de divertimento.
O Gato do Natal Os trolls que são pais dos 13 papai-noéis também tem um gato negro gigante e monstruoso. Na noite de Natal o gato vem das montanhas e come as criancinhas que não estão vestindo roupas novas no Natal. É tradição, por causa dessa lenda, que todos devem ter alguma peça de roupa nova no Natal, mesmo entre os adultos.
Hoje tive o questionável prazer de experimentar um prato da tradicional da culinária islandesa: a cabeça de ovelha (Svið, em islandês).
Quando cheguei à mesa de jantar, não sabia se ria ou se só ficava com o queixo caído de surpresa em ver uma travessa com várias faces de ovelhas que tiveram suas cabeças cortadas no meio para remoção do cérebro, e assadas com pele e tudo. A recomendação que recebi dos islandeses presentes foi: "O olho é a melhor parte!". Ugh.
Em termos de gosto, até que não tava ruim, mas acho que não vou querer repetir por vontade própria. E não, eu não comi o olho. Já era desconfortável demais aquela face de ovelha no meu prato olhando pra mim, e daí comer logo o olho eu achei que seria um pouco demais.
Me contaram que o osso da mandíbula da ovelha era um brinquedo popular entre as crianças islandesas, que crescendo num país extremamente pobre e isolado, em geral tinham ossos de animais como seu único brinquedo, isso até poucas gerações atrás. Nos anos 40, a mandíbula de ovelha ainda era muito usada como um revólver de brinquedo entre os meninos brincando de faroeste. Hoje em dia, o mandíbula de ovelha foi substituída como brinquedo pelos videogames.
Voltando à comida. Logo quando eu achei que já tinha passado pelo pior, uma nova travessa chegou à mesa: gelatina de raspa de cabeça de ovelha.
Não é de se admirar que não existam restaurantes islandeses fora da Islândia!
A culinária islandesa tem ainda outros pratos que requerem um estômago ainda mais forte, depois conto mais aqui no blog.
Estive trabalhando em casa por alguns dias nessa semana. Uma coisa que me surpreendeu sobre passar o dia em casa na Islândia, é o que não há nada para assistir na televisão. Não é que não há nada de bom, mas não há nada mesmo, literalmente. Aqui na Islândia só existem dois canais de TV aberta, e os dois só começam a transmitir depois das cinco da tarde. Então, sem chance de almoçar em frente da televisão - só se for com ela desliga mesmo!
Eu costumava ter o pacote completo da TV à cabo, mas como era caro demais e metade dos canais eram em dinamarquês ou sueco, então decidi cancelar e ficar com o pacote mínimo da TV digital que inclui só os dois canais abertos. De certa forma foi bom, agora assisto menos televisão, mas de vez em quando ainda faz falta ter vários bons canais como eu tinha quando morava na Inglaterra.
Parece que a TV costumava a ser ainda mais restrita até alguns anos atrás. Pelo que ouvi falar, só existia um único canal que não transmitia nas quintas-feiras e não transmitia no verão inteiro, porque verão é tempo de ficar fora de casa.
Aqui na Islândia é tradicional que todos os adolescentes dos 11 aos 18 anos trabalhem no verão para a prefeitura da cidade onde moram. Num passeio por Reykjavík ou qualquer cidade islandesa durante o verão, você pode ver os adolescentes por toda parte cortando gramados, pintando cercas, plantando canteiros, recolhendo lixo das ruas. Ricos ou pobres, garotos e garotas, todos põem a mão na massa e trabalham duro durante as férias de verão. Todos os adultos que eu conheço na Islândia fizeram isso também em todos os verões quando eles eram adolescentes.
Uma coisa que eu achei especialmente legal é que as prefeituras mandam os adolescentes, além de cuidar das áreas públicas da cidade, também para as casas dos idosos aposentados onde eles cortam a grama e arrumam os jardins sem os aposentados terem que pagar nada. O pai da minha noiva é aposentado e na semana passada um grupo de meninos e meninas de uns quatorze anos apareceu por lá enviado pelo prefeitura e arrumaram muito bem o jardim, cortaram grama, podaram as plantas, sem nenhuma bagunça, tudo muito organizado e levado à sério. Achei uma coisa legal para os aposentados, mas também para os adolescentes para aprenderem o valor do trabalho e o respeito pelas áreas públicas e pelas outras pessoas desde cedo.
Hoje é um dia especial na Islândia, chamado de "Jónsmessa". Segundo o folclore islandês, hoje é o dia em cada ano em que as vacas falam com as pessoas. Dizem por aqui que as vacas islandesas são criaturas extremamente inteligentes e sábias, tanto que normalmente não perdem tempo falando com os humanos ignorantes. Somente nesse dia é que as vacas falam com as pessoas. Mas cuidado, as lendas dizem que aqueles que conversam com as vacas acabam enlouquecendo com a experiência de se ouvir tamanha sabedoria!
Outra coisa especial sobre o dia de hoje é que se acredita que nesse dia se deve rolar na grama nas primeiras horas do dia, totalmente pelado, porque o orvalho da manhã aqui na Islândia nesse dia tem efeitos curativos. Dizem também que nesse dia existem pedras especiais, "pedras dos desejos", que podem ser identificadas pelo seu brilho peculiar e que realizam desejos daqueles que as encontram. Ainda, nesse dia os elfos estão particularmente ativos, passeando pelos campos de lava.
Parece brincadeira, mas é sério. Pelo menos para os islandeses.
Bom, agora eu tenho que ir! Deixa eu ir aproveitar o dia, rolar na grama pelado e depois conversar com uma vaca...
Eu já havia mencionado antes duas paixões do povo islandês, sorvete e carrinhos de supermercado. Nas últimas semanas aqui na Islândia eu notei uma outra paixão islandesa, o churrasco.
Um passeio em Reykjavík olhando os prédios e você logo nota que praticamente todos os apartamentos tem uma churrasqueira na sacada. Isso é engraçado mesmo, olhando um prédio grande é quase como se fosse combinado como parte da decoração das sacadas, todas com churrasqueiras de metal num canto. Quem mora em casa e tem jardim certamente tem uma churrasqueira também. Ainda, as grandes lojas de departamentos sempre tem churrasqueiras perto da entrada para tentar os clientes com o mais novo modelo.
E para os islandeses churrasco não é só no verão. É comum usar a churrasqueira, seja na sacada do apartamento ou no jardim, mesmo no inverno com neve caindo.
Ainda não me acostumei com o hábito islandês de remover os sapatos quando entrando em casa. Quando se vai visitar alguém, eles tem que tirar os sapatos. Eu sempre esqueço, tenho que tentar lembrar. Acho que faz sentido, já que pela maior parte do ano a rua fica coberta de uma mistura de sujeira e gelo que gruda em tudo.
Todo mundo tem um sapato para usar só dentro de casa, que eu já percebi que muitas vezes são sandálias que se usaria fora de casa em outros países mas aqui é muito frio pra elas. Existe até um nome pra isso: "inniskór", ou "sapato de dentro [de casa]".
Agora que estou visitando apartamentos procurando um pra morar, aprendi a lição e só uso um sapato fácil de pôr e tirar nessas visitas. Cansa ter que ficar tirando e calçando o sapato várias vezes por dia quando se está visitando alguns apartamentos diferentes!
É interessante que nos hospitais e consultórios de dentista por aqui você tem que colocar toucas cobrindo as solas dos sapatos, para manter o chão limpo. Isso eu acho uma boa idéia.