No último fim de semana eu estive na Dinamarca à
trabalho. Eu já tinha visitado Copenhague
(
Kaupmannahöfn em islandês) algumas vezes
antes, mas essa foi minha primeira viagem à capital da
Dinamarca desde que mudei aqui para a Gelolândia.
Eu sei que este é um blog sobre a Islândia, e assim os
leitores devem estar se perguntando o porque de um
artigo sobre uma viagem à outro país. Mas, o que
acontece é que Copenhague é considerada a "segunda
capital da Islândia". Há mais islandeses morando na
capital da Dinamarca do que em qualquer outra cidade na
Islândia fora Reykjavík. Nesses dias que passei em
Copenhague por várias vezes escutei gente falando
islandês nas ruas. Existe um relacionamento especial
entre esses dois países, e eu diria que uma discussão
sobre a sociedade islandesa não estaria completa sem
uma menção à Dinamarca.
(Foto que eu tirei no porto de Nyhavn em Copenhague)
Em termo históricos, existe uma conexão direta entre os
dois países. Depois da guerra civil no século XIII, a
Noruega se apossou da Islândia, que até então tinha
sido uma democracia independente. Cerca de cem anos
depois os países escandinavos se uniram em um só país
chamado de a União Kalmar, com a capital em Copenhague.
A união durou cerca de 230 anos, e quando ela foi
desfeita, a Islândia ficou na mão da Dinamarca. A
Islândia continuou uma colônia dinamarquesa por mais
420 anos, até 1944 quando a Alemanha invadiu a
Dinamarca na Segunda Guerra Mundial e a Islândia então
declarou total independência do Reino da Dinamarca.
Sempre me intrigou o fato de que os islandeses adoram o
país do qual costumavam ser uma colônia. Na maioria dos
casos, como entre Brasil e Portugal, um certo desgosto
surge quando colônia e metrópole se separam.
Na mente dos islandeses, a Dinamarca é mais do que a
antiga metrópole. Os islandeses são maravilhados com a
Dinamarca, que é quase sempre o primeiro destino deles
quando vão ao exterior. Até duas gerações atrás, era
costume de se falar dinamarquês aos domingos, para
parecer mais chique mesmo. Famílias inteiras
"dinamarquesaram" seus nomes para parecem mais chiques
também, o que explica o sobrenome de estido dinamarquês
de alguns islandes como por exemplo é o caso do famoso
jogador de futebol Eiður Guðjohnsen. Até hoje tudo que
é dinamarquês é considerado de primeiríssima qualidade,
seja roupas, móveis ou comida - feitos, afinal, por
nossos irmãos, ou seja, praticamente por nós mesmos.
Para os islandeses, a Dinamarca é a "nave mãe".