Casa nova!
07/06/07 21:40
Estive um pouco sumido aqui do blog porque as últimas
duas semanas foram super corridas pra mim, primeiro com
uma viagem de quatro dias à Alemanha (para uma
convenção de jogos de RPG), e depois com finalmente
receber as chaves do meu novo apartamento! Isso mesmo,
depois de várias semanas de procura, encontrei um
apartamento pelo qual eu e minha noive nos apaixonamos.
A papelada do financiamento demorou um bocado para ser
resolvida porque também dependia do meu visto de
residência ser emitido, o que demorou um pouco, mas
agora somos os orgulhosos donos de um apartamento de
100 metros quadrados e dois quartos, em Hafnarfjorður,
que é uma cidade logo fora de Reykjavík e à 10 minutos
de carro do centro da capital.
O apartamento fica na "Rua dos Elfos", assim chamada
porque ela costumava a fazer uma curva em volta de uma
rochas onde se acreditava que elfos moram nelas. Toda
vez que se tentav a remover as rochas as máquinas
quebravam ou alguém se machucava, até que há alguns
anos atrás a prefeitura contratou um médium que se
comunicou com os elfos e negociou com eles para que as
rochas fossem movidas alguns metros. Hoje as tais
rochas ocupam meio quateirão na rua e tem sua própria
numeração como se fossem casas mesmo, acompanhando a
numeração das outras casas da rua.
Dois colega de
trabalho vieram no sábado passado, atraídos pela
promessa de cerveja, e me ajudaram a transportar a
maior parte das caixas com os nossos pertences
(cinqüenta e poucas) e mais o sofá (de couro marrom,
comprado em prestações à perder da vista), e geladeira
que os pais da minha noive deram pra nós. Como o
apartamento é no terceiro andar e o prédio não tem
elevador, foi um esforço e tanto carregar tudo isso
pelas escadas até o apartamento e a ajuda do pessoal do
trabalho foi muito bem vinda. Durante o fim de semana
também pintamos os quartos e a sala de branco, porque
estavam pintados de rosa e creme. Até que a pintura
ficou boa, principalmente comparando com a bagunça que
eu tinha feito com a tinta no meu apartamento antigo no
Brasil. Ainda falta pintar o hall de entrada e o
corredor, que ainda estão creme. A cama nós trouxemos
desmontada da Inglaterra, e esse foi o único móvel que
trouxemos, e mais a HDTV. No domingo passado fomos à
IKEA e compramos um móvel pra colocar a TV em cima, uma
bookcase, e um colchão pra cama. Ah, e também uma
mesinha e duas cadeiras pra varanda. O resto vai ter
que esperar as finanças se recuperarem. A conexão ADSL
com a internet de 12Mb/s, e o sistema de IPTV digital
deve ser ativado em breve.
Esto muito animado com o apartamento novo!
Nosso prédio. O apartamento fica no terceiro andar.
Canto da sala de estar
Vista da varanda
Procura por apartamentos em
Reykjavík
14/04/07 21:33
Nas últimas semanas estive procurando apartamentos para
morar na região metropolitana da Grande Reykjavík.
Novos prédios estäo sendo construídos para todo lado na
capital islandesa, e as opções são bem variadas. Uma
coisa que assusta, no entento, é o preço de imóveis,
que são bem mais caros que na maior parte da Europa. Um
apartamento de dois quartos, de tamanho razoável, em
Reykjavík ou imediações, custa na faixa de R$600,000
(isso mesmo, seiscentos mil reais). Se quiser vista pro
mar ou um prédio novo, daí o preço ainda é maior.
O sistema de financiamento para compra de imóveis aqui
também funciona de uma forma bem peculiar. Todo imóvel
tem o preço de compra e o preço do que é chamado "valor
de incêndio", que seria o valor que custaria para
reconstruir o imóveis caso ele seja completamente
destruído num incêndio. Os bancos só emprestam 90%
desse "valor de incêndio", o que deixa as coisas bem
mais complicadas. Isso é um problema porque os imóveis
de bairros bons e valorizados tem valor de compra muito
maior que o o valor de incêndio, o que significa que
para morar bem você só consegue financiar cerca de
metade do custo do imóvel, e tem que ter o resto em
dinheiro à vista. Os juros do financiamento também são
mais altos do que nos outros europeus e como a moeda
por aqui não é das mais estáveis, a inflação é
calculado em cima dos juros.
Bom, já visitei vários apartamentos e gostei de uns e
não de outros, como era de se esperar. A procura
continua pelo apartamento perfeito!
Primeiro mês de
trabalho
29/03/07 23:04
Hoje estou completando o meu primeiro mês de trabalho
aqui em Reykjavík. Como todo início de trabalho, essas
primeiras quatro semanas foram devagar em termos de
trabalho mesmo e a maioria do tempo foi usado para
treinamento. O pessoal do meu departamento, somos 15 no
departamento de rede e telefonia, säo bem legais e tem
sido pacientes com o fato de eu näo falar islandês
ainda. Tem um outro estrangeiro no departamento, um
dinamarquês que também mudou para a Islândia
recentemente, então à cada email que chega, ficamos os
dois com o dicionário na mão tentando decifrá-lo! De
qualquer maneira, a parte da língua é algo que a
empresa sabe que tem que lidar com isso, já que com o
crescimento do setor de tecnologia no país e a falta de
gente qualificada, a contratação de estrangeiros é
inevitável.
Falando das minhas expectativas em relação ao trabalho,
eu estou bem satisfeito. O horário de trabalho de 8 às
16 é uma excelente mudança da minha rotina anterior em
Londres de chegar em casa lá pras oito da noite, e
menos de 10 minutos de carros pra chegar ao trabalho é
um paraíso comparando com as uma hora e meia em trens
superlotados que eu vinha enfrentando na Inglaterra. O
ambiente de trabalho em si é bem descontraído e
agradável.
Em termos técnicos, trabalhar na minha área aqui na
Islândia é diferente do que eu estou acostumado em
alguns aspectos. Primeiro, tudo é muito menor. A
maioria das redes dos clientes é bem pequena. Afinal,
esse é um país com 280 mil habitantes. Existe uma
atitude também de que se algo quebrar tem alguém perto
para resolver a situação com rapidez, de novo pelo
próprio tamanho da capital e pelas pequenas distâncias
de deslocamento, enquanto na Inglaterra a maioria do
meu trabalho sempre foi em preparar redes de computador
para sobreviverem sozinhas em caso de falha de algum
dos componentes da sua estrutura.
Um ponto interessante é a velocidade com a qual a
economia na Islândia vem se expandindo. Empresas
islandesas hoje controlam grandes mercados europeus e
empregam no exterior um número de empregados muito
maior do que na Islândia. Essa expansão é muito boa
também para empresas que prestam serviços para as
multi-nacionais. Meu chefe já me avisou que terei que
fazer algumas viagens nos próximos meses, seguindo a
expansão das grandes multi-nacionais islandesas e
instalando sistemas que apoiam esta expansão.
Bancos
15/03/07 20:16
Eu finalmente recebi meu número de registro no sistema
de assistência social, o "kennitala", que é usado aqui
na Islândia como um número único de identificação para
absolutamente tudo. Com meu kennitala em mãos, fui
ontem abrir uma conta no banco.
O setor financeiro e bancário aqui na Islândia cresceu
muito nos últimos anos e agora chega a ser responsável
por mais de um terço da economia islandesa. Aluns dos
bancos locais estão entre os maiores da Europa, com
grandes investimentos no exterior, o que é
surpreendente para um país de população tão pequena.
Voltando ao assunto da minha conta no banco, primeiro
eu tinha que escolher um banco. Acabei fazendo a
escolha do preguiçoso, ou seja, fui no banco que tem a
agência mais perto da minha casa.
As agências bancárias na Islândia tem sempre uma
decoração bem moderna. Muito aço polido e madeira
clara. O sistema de atendiento é típico islandês: você
tem que pegar um ticket com um número, que e emitido
por uma máquina de visual futurista, e esperar o seu
número ser chamado. Mesmo se não tiver uma fila, você
pega o paelzinho numeo e espera o número ser chamado.
Para abrir a conta foi relativamente simples, só
precisou do passaporte e de paciência para responder um
questionário de 4 páginas. Precisou de uma foto também,
já que os cartões de banco aqui na Islândia sempre tem
a foto da pessoa, e as lojas nem olham para a
assinatura, mas só checam mesmo se a pessoa usando o
cartão de débito ou crédito é a mesma da foto. Agora
que tenho uma conta já posso pelo menos receber meu
salário no fim do mês!
Primeiros dias de
trabalho
02/03/07 21:25
Meu novo trabalho começou ontem, no dia primeiro de
Março. Os dias de descanso que eu tive por aqui, quase
uma semana, passaram rápido demais!
A empresa para a qual eu estou trabalhando é a maior
empresa de infomática da Islândia, com mais de 300
empregados. O meu grupo, engenharia de rede e telefonia
IP, tem quinze pessoas. O meu cargo é de Senior Network
Engineer. Vou trabalhar com basicamente o que venho
fazendo pelos últimos sete ou oito anos, basicamente
redes de computadores e sistemas de telefonia digital
sobre redes de dados.
O começo de trabalho em uma nova empresa sempre é um
pouco estranho e um pouco sofrido. Sempre se tem tantas
coisas para aprender, nomes para lembrar, novas
maneiras de se trabalhar. Nesse meu caso aqui ainda é
mais complicado porque tudo por aqui, é claro, é em
islandês. Ainda, eu que já não sou lá muito bom de
lembrar nomes das pessoas, fica ainda mais complicado
porque os nomes dos colegas de trabalho aqui são
completamente diferentes do que eu estou acostumado e
com a pronúncia de enrolar a língua. Bom, aos poucos as
coisas vão se encaixar, tenho certeza. Por enquanto, o
jeito é à cada email eu recorrer ao dicionário e à boa
vontade dos colegas dos quais eu ainda estou tentando
lembrar o nome. E ainda estou aprendendo a achar as
letras certas no teclado do notebook novo que recebi da
empresa.
Uma coisa boa do trabalho aqui é o horário, de 8:00 às
16:00. E o deslocamento do trabalho é de no máximo dez
minutos de carro, ao invés da uma hora e meia que eu
vinha tolerado em Londres. Um dos principais motivos da
minha mudança de Londres foi exatamente não ter tempo
pra nada, chegando em casa todos os dias lá pras 20:00
ou até mais tarde. Agora será ótimo chegar em casa logo
depois das 16:00, sentar e pensar no que fazer com
tanto tempo de sobra!
A empresa tem um prédio só dela de quatro andares na
região central de Reykjavík, logo na costa, de frente
pro mar. A vista é lindíssima do mar da baia com as
montanhas ao fundo com os picos cobertos de neve. No
térreo do prédio tem uma loja grande de artigos de
informática, e a boa notícia é que como empregado da
empresa eu tenho um bom desconto na loja também!
Hoje cedo no trabalho o grupo fez uma festa de café da
manhã de boas-vindas pra mim, com artigos de padaria
variados e um bolo de cocolate. Os islandeses são
obcecados com bolos, já me contaram. Foi bem legal o
gesto e a comida estava boa também.
Até agora tudo está indo bem, e estou ansioso para
começar logo a colocar as mãos na massa e começar a
fazer algum trabalho de verdade.
Burocracias Islandesas
26/02/07 20:26
Mudar de um país para outro sempre envolve uma boa
quantidade de burocracia. Hoje fui à Hagstofa Íslands
(National Registry) para me me registrar e conseguir um
kennitalla, que seria o equivalente do CPF brasileiro.
O interessante da Islândia é que o tal kennitalla é
usado para absolutamente tudo, desde abrir conta em
banco até pegar filme em locadora. Até mesmo um forum
na internet que eu tentei me registrar, sobre eventos
em Reykjavík, exigia que o usuário tivesse um
kennitalla. Sem kennitalla é impossível se fazer
qualquer coisa por aqui.
Pois bem, me deram um formulário que eu tenho que
preencher a primeira parte e depois o meu empregador
tem que preencher a segunda parte. Meu kennitalla vai
ter que esperar até eu começar o trabalho na
quinta-feira.
Mudança para a Islândia
23/02/07 20:25
A estória, ou mais apropriadamente, a saga, começa
aqui. Depois de morar sete anos no Reino Unido, estou
mudando de vez para a Islândia. Já morei por alguns
meses na Islândia em 2003 e já perdi a conta de quantas
vezes visitei o país passando duas ou três semanas de
cada vez. Mudar definitivamente, no entanto, é bem
diferente.
Quando a oficial da imigração me perguntou hoje na
chegada quanto tempo eu pretendia ficar no país e eu
respondi "Indefinitely" é que a ficha caiu mesmo. Tendo
despachado as minhas 58 caixas de pertences e móveis, e
depois de carregar dez malas e um violoncelo pelos
aeroportos em Londres e Keflavik, chegou a hora de
chamar a Islândia de meu novo lar.
A mudança de Londres para a Islândia nasceu da vontade
de ter uma melhor qualidade de vida do que na
Inglaterra, em termos de tempo livre principalmente.
Estou cansado da vida em Londres, do sair de casa cedo
e só voltar depois das oito da noite, dos trens
lotados, etc. Quando veio uma boa oferta de trabalho em
Reykjavík, a oportunidade pareceu perfeita e não pude
recusar.
Vou tentar manter esse blog como um registro das minhas
experiências construindo uma nova vida na Islândia.