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Casa nova!

Estive um pouco sumido aqui do blog porque as últimas duas semanas foram super corridas pra mim, primeiro com uma viagem de quatro dias à Alemanha (para uma convenção de jogos de RPG), e depois com finalmente receber as chaves do meu novo apartamento! Isso mesmo, depois de várias semanas de procura, encontrei um apartamento pelo qual eu e minha noive nos apaixonamos. A papelada do financiamento demorou um bocado para ser resolvida porque também dependia do meu visto de residência ser emitido, o que demorou um pouco, mas agora somos os orgulhosos donos de um apartamento de 100 metros quadrados e dois quartos, em Hafnarfjorður, que é uma cidade logo fora de Reykjavík e à 10 minutos de carro do centro da capital.

O apartamento fica na "Rua dos Elfos", assim chamada porque ela costumava a fazer uma curva em volta de uma rochas onde se acreditava que elfos moram nelas. Toda vez que se tentav a remover as rochas as máquinas quebravam ou alguém se machucava, até que há alguns anos atrás a prefeitura contratou um médium que se comunicou com os elfos e negociou com eles para que as rochas fossem movidas alguns metros. Hoje as tais rochas ocupam meio quateirão na rua e tem sua própria numeração como se fossem casas mesmo, acompanhando a numeração das outras casas da rua.

Dois colega de trabalho vieram no sábado passado, atraídos pela promessa de cerveja, e me ajudaram a transportar a maior parte das caixas com os nossos pertences (cinqüenta e poucas) e mais o sofá (de couro marrom, comprado em prestações à perder da vista), e geladeira que os pais da minha noive deram pra nós. Como o apartamento é no terceiro andar e o prédio não tem elevador, foi um esforço e tanto carregar tudo isso pelas escadas até o apartamento e a ajuda do pessoal do trabalho foi muito bem vinda. Durante o fim de semana também pintamos os quartos e a sala de branco, porque estavam pintados de rosa e creme. Até que a pintura ficou boa, principalmente comparando com a bagunça que eu tinha feito com a tinta no meu apartamento antigo no Brasil. Ainda falta pintar o hall de entrada e o corredor, que ainda estão creme. A cama nós trouxemos desmontada da Inglaterra, e esse foi o único móvel que trouxemos, e mais a HDTV. No domingo passado fomos à IKEA e compramos um móvel pra colocar a TV em cima, uma bookcase, e um colchão pra cama. Ah, e também uma mesinha e duas cadeiras pra varanda. O resto vai ter que esperar as finanças se recuperarem. A conexão ADSL com a internet de 12Mb/s, e o sistema de IPTV digital deve ser ativado em breve.

Esto muito animado com o apartamento novo!

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Nosso prédio. O apartamento fica no terceiro andar.

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Canto da sala de estar

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Vista da varanda
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Procura por apartamentos em Reykjavík

Nas últimas semanas estive procurando apartamentos para morar na região metropolitana da Grande Reykjavík. Novos prédios estäo sendo construídos para todo lado na capital islandesa, e as opções são bem variadas. Uma coisa que assusta, no entento, é o preço de imóveis, que são bem mais caros que na maior parte da Europa. Um apartamento de dois quartos, de tamanho razoável, em Reykjavík ou imediações, custa na faixa de R$600,000 (isso mesmo, seiscentos mil reais). Se quiser vista pro mar ou um prédio novo, daí o preço ainda é maior.

O sistema de financiamento para compra de imóveis aqui também funciona de uma forma bem peculiar. Todo imóvel tem o preço de compra e o preço do que é chamado "valor de incêndio", que seria o valor que custaria para reconstruir o imóveis caso ele seja completamente destruído num incêndio. Os bancos só emprestam 90% desse "valor de incêndio", o que deixa as coisas bem mais complicadas. Isso é um problema porque os imóveis de bairros bons e valorizados tem valor de compra muito maior que o o valor de incêndio, o que significa que para morar bem você só consegue financiar cerca de metade do custo do imóvel, e tem que ter o resto em dinheiro à vista. Os juros do financiamento também são mais altos do que nos outros europeus e como a moeda por aqui não é das mais estáveis, a inflação é calculado em cima dos juros.

Bom, já visitei vários apartamentos e gostei de uns e não de outros, como era de se esperar. A procura continua pelo apartamento perfeito!
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Primeiro mês de trabalho

Hoje estou completando o meu primeiro mês de trabalho aqui em Reykjavík. Como todo início de trabalho, essas primeiras quatro semanas foram devagar em termos de trabalho mesmo e a maioria do tempo foi usado para treinamento. O pessoal do meu departamento, somos 15 no departamento de rede e telefonia, säo bem legais e tem sido pacientes com o fato de eu näo falar islandês ainda. Tem um outro estrangeiro no departamento, um dinamarquês que também mudou para a Islândia recentemente, então à cada email que chega, ficamos os dois com o dicionário na mão tentando decifrá-lo! De qualquer maneira, a parte da língua é algo que a empresa sabe que tem que lidar com isso, já que com o crescimento do setor de tecnologia no país e a falta de gente qualificada, a contratação de estrangeiros é inevitável.

Falando das minhas expectativas em relação ao trabalho, eu estou bem satisfeito. O horário de trabalho de 8 às 16 é uma excelente mudança da minha rotina anterior em Londres de chegar em casa lá pras oito da noite, e menos de 10 minutos de carros pra chegar ao trabalho é um paraíso comparando com as uma hora e meia em trens superlotados que eu vinha enfrentando na Inglaterra. O ambiente de trabalho em si é bem descontraído e agradável.

Em termos técnicos, trabalhar na minha área aqui na Islândia é diferente do que eu estou acostumado em alguns aspectos. Primeiro, tudo é muito menor. A maioria das redes dos clientes é bem pequena. Afinal, esse é um país com 280 mil habitantes. Existe uma atitude também de que se algo quebrar tem alguém perto para resolver a situação com rapidez, de novo pelo próprio tamanho da capital e pelas pequenas distâncias de deslocamento, enquanto na Inglaterra a maioria do meu trabalho sempre foi em preparar redes de computador para sobreviverem sozinhas em caso de falha de algum dos componentes da sua estrutura.

Um ponto interessante é a velocidade com a qual a economia na Islândia vem se expandindo. Empresas islandesas hoje controlam grandes mercados europeus e empregam no exterior um número de empregados muito maior do que na Islândia. Essa expansão é muito boa também para empresas que prestam serviços para as multi-nacionais. Meu chefe já me avisou que terei que fazer algumas viagens nos próximos meses, seguindo a expansão das grandes multi-nacionais islandesas e instalando sistemas que apoiam esta expansão.
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Bancos

Eu finalmente recebi meu número de registro no sistema de assistência social, o "kennitala", que é usado aqui na Islândia como um número único de identificação para absolutamente tudo. Com meu kennitala em mãos, fui ontem abrir uma conta no banco.

O setor financeiro e bancário aqui na Islândia cresceu muito nos últimos anos e agora chega a ser responsável por mais de um terço da economia islandesa. Aluns dos bancos locais estão entre os maiores da Europa, com grandes investimentos no exterior, o que é surpreendente para um país de população tão pequena. Voltando ao assunto da minha conta no banco, primeiro eu tinha que escolher um banco. Acabei fazendo a escolha do preguiçoso, ou seja, fui no banco que tem a agência mais perto da minha casa.

As agências bancárias na Islândia tem sempre uma decoração bem moderna. Muito aço polido e madeira clara. O sistema de atendiento é típico islandês: você tem que pegar um ticket com um número, que e emitido por uma máquina de visual futurista, e esperar o seu número ser chamado. Mesmo se não tiver uma fila, você pega o paelzinho numeo e espera o número ser chamado.

Para abrir a conta foi relativamente simples, só precisou do passaporte e de paciência para responder um questionário de 4 páginas. Precisou de uma foto também, já que os cartões de banco aqui na Islândia sempre tem a foto da pessoa, e as lojas nem olham para a assinatura, mas só checam mesmo se a pessoa usando o cartão de débito ou crédito é a mesma da foto. Agora que tenho uma conta já posso pelo menos receber meu salário no fim do mês!
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Primeiros dias de trabalho

Meu novo trabalho começou ontem, no dia primeiro de Março. Os dias de descanso que eu tive por aqui, quase uma semana, passaram rápido demais!

A empresa para a qual eu estou trabalhando é a maior empresa de infomática da Islândia, com mais de 300 empregados. O meu grupo, engenharia de rede e telefonia IP, tem quinze pessoas. O meu cargo é de Senior Network Engineer. Vou trabalhar com basicamente o que venho fazendo pelos últimos sete ou oito anos, basicamente redes de computadores e sistemas de telefonia digital sobre redes de dados.

O começo de trabalho em uma nova empresa sempre é um pouco estranho e um pouco sofrido. Sempre se tem tantas coisas para aprender, nomes para lembrar, novas maneiras de se trabalhar. Nesse meu caso aqui ainda é mais complicado porque tudo por aqui, é claro, é em islandês. Ainda, eu que já não sou lá muito bom de lembrar nomes das pessoas, fica ainda mais complicado porque os nomes dos colegas de trabalho aqui são completamente diferentes do que eu estou acostumado e com a pronúncia de enrolar a língua. Bom, aos poucos as coisas vão se encaixar, tenho certeza. Por enquanto, o jeito é à cada email eu recorrer ao dicionário e à boa vontade dos colegas dos quais eu ainda estou tentando lembrar o nome. E ainda estou aprendendo a achar as letras certas no teclado do notebook novo que recebi da empresa.

Uma coisa boa do trabalho aqui é o horário, de 8:00 às 16:00. E o deslocamento do trabalho é de no máximo dez minutos de carro, ao invés da uma hora e meia que eu vinha tolerado em Londres. Um dos principais motivos da minha mudança de Londres foi exatamente não ter tempo pra nada, chegando em casa todos os dias lá pras 20:00 ou até mais tarde. Agora será ótimo chegar em casa logo depois das 16:00, sentar e pensar no que fazer com tanto tempo de sobra!

A empresa tem um prédio só dela de quatro andares na região central de Reykjavík, logo na costa, de frente pro mar. A vista é lindíssima do mar da baia com as montanhas ao fundo com os picos cobertos de neve. No térreo do prédio tem uma loja grande de artigos de informática, e a boa notícia é que como empregado da empresa eu tenho um bom desconto na loja também!

Hoje cedo no trabalho o grupo fez uma festa de café da manhã de boas-vindas pra mim, com artigos de padaria variados e um bolo de cocolate. Os islandeses são obcecados com bolos, já me contaram. Foi bem legal o gesto e a comida estava boa também.

Até agora tudo está indo bem, e estou ansioso para começar logo a colocar as mãos na massa e começar a fazer algum trabalho de verdade.
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Burocracias Islandesas

Mudar de um país para outro sempre envolve uma boa quantidade de burocracia. Hoje fui à Hagstofa Íslands (National Registry) para me me registrar e conseguir um kennitalla, que seria o equivalente do CPF brasileiro. O interessante da Islândia é que o tal kennitalla é usado para absolutamente tudo, desde abrir conta em banco até pegar filme em locadora. Até mesmo um forum na internet que eu tentei me registrar, sobre eventos em Reykjavík, exigia que o usuário tivesse um kennitalla. Sem kennitalla é impossível se fazer qualquer coisa por aqui.

Pois bem, me deram um formulário que eu tenho que preencher a primeira parte e depois o meu empregador tem que preencher a segunda parte. Meu kennitalla vai ter que esperar até eu começar o trabalho na quinta-feira.
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Mudança para a Islândia

A estória, ou mais apropriadamente, a saga, começa aqui. Depois de morar sete anos no Reino Unido, estou mudando de vez para a Islândia. Já morei por alguns meses na Islândia em 2003 e já perdi a conta de quantas vezes visitei o país passando duas ou três semanas de cada vez. Mudar definitivamente, no entanto, é bem diferente.

Quando a oficial da imigração me perguntou hoje na chegada quanto tempo eu pretendia ficar no país e eu respondi "Indefinitely" é que a ficha caiu mesmo. Tendo despachado as minhas 58 caixas de pertences e móveis, e depois de carregar dez malas e um violoncelo pelos aeroportos em Londres e Keflavik, chegou a hora de chamar a Islândia de meu novo lar.

A mudança de Londres para a Islândia nasceu da vontade de ter uma melhor qualidade de vida do que na Inglaterra, em termos de tempo livre principalmente. Estou cansado da vida em Londres, do sair de casa cedo e só voltar depois das oito da noite, dos trens lotados, etc. Quando veio uma boa oferta de trabalho em Reykjavík, a oportunidade pareceu perfeita e não pude recusar.

Vou tentar manter esse blog como um registro das minhas experiências construindo uma nova vida na Islândia.
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