O médico-cirurgião, escritor e criminoso brasileiro Hosmany Ramos está preso na Islândia desde Agosto de 2009, quando foi pego no aeroporto internacional em Keflavík fezendo escala da Noruega para o Canadá usando o passaporte do irmão.
Hosmany foi condenado no Brasil a 53 anos de prisão em 1981 por roubo de aviões, contrabando de carros, tráfico de drogas e assassinato. Em 1996 ele se aproveitou de um indulto para o dia das mães para fugir e cometer um sequestro, pelo qual foi condenado a mais 30 anos quando re-capturado. Em Janeiro de 2009, ele se aproveitou do indulto de natal para fugir do país, dizendo que fugia como protesto às más condições do presidio, e depois de passar por vários países europeus, acabou na Gelolândia.
Aqui na Islândia, ele ficou famoso por afirmar que os presídios islandeses são como hotéis de quatro estrelas. Ele tem uma certa razão, já que as celas por aqui são todas individuais para todos os presos, com computador e TV à cabo de tela plana. Os jornais vem reportando que ele ja fez vários amigos dentre os presos, e que ele estava aprendendo islandês. Recentemente o governo islandês recusou o pedido de asilo de Hosmany e vem negociando com o governo brasileiro a troca dele por dois islandeses presos no Brasil por tráfico de drogas. Logo antes do natal, Hosmany publicou um anúncio num jornal islandês dizendo que estava à procura de uma mulher que quisesse se casar com ele e assim se tornar uma "celebridade instantânea".
Chegamos então à bizarra notícia da última tentativa de fuga desse famoso criminoso. Ontem, quando sendo transportado da cadeia para um tribunal, Hosmany conseguiu se livrar de suas algemas, abrir a porta do carro e sair correndo. Quando os guardas o alcançaram, ele tentou esfaquear um guarda usando uma faca improsivaza que ele havia construido na cadeia. Apesar de todos esses esforços, ele foi re-capturado e levado de volta ao presídio onde agora esta em isolamento. Ele disse, como parece ser usual pra ele, que sua tentativa de fuga foi um protesto - dessa vez contra sua extradição ao Brasil.
Só me pergunto uma coisa... pra onde foi que ele achou que ia fugir numa ilha com tão pouca gente?!
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Presidente rejeita lei de repagamento do Icesave
05/01/10 23:48
Quem vem seguindo notícias sobre a Islândia nos jornais e pela internet muito provavelmente já ouviu falar em Icesave. Eu venho tentando evitar o assunto, mas já que o assunto vem se estendendo tanto, ao ponto de merecer mesmo a palavra islandesa "saga", então vamos lá.
A saga do Icesave começou com o colapso do sistema financeiro islandês em Outubro de 2008. Num espaço de duas semanas naquele mês, todos os três bancos comerciais islandeses, que juntos haviam crescido até alcançar 15 vezes o tamanho do PIB islandês, faliram. Um desses bancos, o Landsbanki, havia aberto anos antes um banco de investimentos na Inglaterra e Holanda chamado Icesave. Oferecendo juros bem acima do mercado, o Icesave em dois anos atraiu 5 bilhões de dólares de depósitos dos ingleses e holandeses.
Com a falência do Landsbanki e em conseqüência o fechamento do Icesave, os governos da Inglaterra e Holanda garantiram os depósitos de seus cidadãos no Icesave, mas insistem agora que a Islândia pague de volta os 5 bilhões de dólares. Essa é uma dívida equivalente à cerca de 16 mil dólares para cada cidadão islandês, e equivalente à quase metade do PIB islandês. Essa dívida, juntamente à divida ao FMI, representa um fardo financeiro sobre o país maior do que aquele sobre a Alemanha depois da Primeira Guerra mundial.
O pior é que o FMI afirma que o pagamento da dívida decorrente da falência do Icesave é necessariamente uma condição para qualquer ajuda financeira à Islândia.
Nesses 14 meses desde o colapso dos bancos, a discussão sobre essa dívida do Icesave tem dominado o cenário político islandês. na semana passada foi finalmente aprovado em parlamento um acordo de pagamento, prevendo pagamento de parcelas apenas quando o crescimento do PIB país exceder 2% em relação ao PIB de 2007, e com outras condições. O acordo foi enviado para o presidente, que precisa assinar todas as leis anel que elas tenham efeito. Vários impostos já foram aumentados e custos feitos em serviços públicos para financiar o pagamento dessa dívida.
O presidente, Ólafur Ragnar Grímsson, que ontem recebeu um abaixo assinado com 60 mil assinaturas, equivalente à 20% da população do país, pedindo que ele não aprovasse o acordo, surpreendeu o governo e a população em geral se recusando a assinar o acordo de pagamento. Com a recusa do presidente, a constituição islandesa define que a aprovação da lei irá à plebiscito.
"O dever do presidente é garantir que a vontade da nação seja respeitada." - disse o presidente islandês hoje, justificando sua decisão.
A reação da Inglaterra, Holanda e do mercado financeiro mundial foi extremamente negativa. Um ministro inglês chegou a dizer hoje que caso o plebiscito acabe em rejeição do acordo, que o resultado seria um isolamento total da Islândia do mercado financeiro global. As grandes agências de crédito internacionais reagiram à notícia rebaixando o status de crédito islandês e sua avaliação da economia do país para "junk" - o menor possível. As chances da Islândia entrar para a União Européia também parecem agora bem menores. Ainda assim, há muita gente na Islândia pensa que a nação não deve pagar pelos erros dos banqueiros.
Assim, o povo islandês deve votar logo num plebiscito onde terão que escolher entre duas opções ruins para seu país: uma enorme dívida, que significa maiores impostos e piores serviços públicos, ou isolamento do sistema financeiro mundial e bloqueio das linhas de crédito internacionais?
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De volta à Gelolândia!
30/12/09 19:13
Estou de volta na Islândia depois de passar três semanas de férias no Brasil. Passei o natal em Belo Horizonte com a família e amigos, e voltei para essa rocha perdida no Atlêntico Norte logo antes do fim do ano.
Como sempre, chegar à Belo Horizonte da maneira mais barata possível envolveu um roteiro um tanto cansativo de viagem. Quatro vôos: Islândia - Londres - Paris - Rio de Janeiro - Belo Horizonte, num total de 35 horas de viagem porta-à-porta. Mas sempre vale à pena por mais longa que seja a viagem, para ver a famíla e os amigos.
Tentei aproveitar de tudo durante essa viagem que eu não tenho acesso aqui na Islândia. Quando cheguei o Rio de Janeiro, ainda no aeroporto, a primeira coisa que fiz foi comer uma coxinha com Guaraná!
A mudança de temperatura foi, claro, drástica. Saí de Belho Horizonte onde estava por volta dos 35 graus, e cheguei aqui em Reykjavík encontrando uma temperatura de -7 e tudo coberto de neve. Mas é bom chegar em casa!
Bom, pra quem sentiu falta dos meus posts aqui no blog, pode deixar que agora vou postar com freqüência.
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Islândia tem a menor taxa de mortalidade infantil do mundo
09/11/09 16:01
O livro anual do Departamento de Estatísticas do governo islandês foi publicado hoje e revelou que a Islândia tem a menor taxa de mortalidade infantil do mundo, com apenas 1.5 mortes em mil nascimentos.
A pior taxa da Europa é a da Turquia, com 16.7 mortes em mil nascimentos.
A taxa de mortalidade infantil no Brasil é de 25.1 em mil nascimentos, segundo pesquisa do IBGE publicada em 2006.
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último dia do McDonalds na islândia
02/11/09 15:48
Li nos jornais que nessa última semana antes do McDonalds fechar, 100 mil pessoas compraram refeiçoes nos três McDonalds na região da capital - o equivalente à um terço da população do país!
O sábado passado foi o último dia do McDonalds na Islândia. Fui ao McDonalds em Kopavogur me despedir do Big Mac gelolandês.
Minhas fotos do sábado:
Fila de carros no dia mais movimentado da história do McDonalds na Islândia
Fila para fazer pedido
A placa na frente do caixa diz "Big Mac esgotado"
Cardápio do McDonalds islandês
Refeição. Repare que as caixas são em alemão e não em islandês.
Ronald McDonald de mãos vazias, e a geração que irá crescer sem conhecê-lo.
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um ano depois - bolsa de valores islandesa
29/10/09 15:43
Ontem estava conversando com um amigo brasileiro que me disse que ele estava investindo em ações no Brasil e se dando bem. Daí ele me perguntou como anda o mercado de ações aqui na Islândia no momento, se a bolsa já se recuperou da crise. Mandei pra ele o link pra ver o gráfico do desempenho da bolsa islandêsa, e ele ficou tão assustado que achei que deveria postar o gráfico aqui pros leitores do blog verem também.
O colapso da economia islandesa aconteceu na semana de 26 de Setembro de 2008, há pouco mais de um ano atrás. Até aquele dia, haviam 24 empresas na bolsa de valores islandesa. Hoje são apenas 6. Comparando o índice de valor da bolsa islandesa hoje com o índice do dia anterior ao colapso, a queda da bolsa foi de 84.94%.
Quanto à recuperação nesse ano, desde o início de 2009 a bolsa islandesa caiu 7.71%.
O caminho para a recuperação de economia islandêsa será sem dúvida longo e árduo. Vamos torcer para que as previsões de que a economia voltará a crescer em 2011 sejam corretas.
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bless bless McDonalds
26/10/09 20:01
Desde quando o primeiro McDonalds abriu na Gelolânia em 1993, o país sempre foi famoso por ter o Big Mac mais caro do mundo. Agora, o país vai ficar conhecido como o único país da Europa Ocidental onde não é possível comprar um Big Mac.
A empresa que tem a franquia do McDonalds na Islândia, com três restaurantes em Reykjavík, anunciou hoje que devido à crise todos os McDonalds na Islândia vão fechar. Segundo a empresa, o custo da franquia e de todo o material que tem que ser importado dobrou com a queda da krona e assim se tornou impossível manter um McDonalds aberto na Islândia.
Os amantes de Big Macs só tem ate o fim do mês para dizer adeus, bless bless, aos hambúrgueres do McDonalds.
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Primeiro dia de inverno
24/10/09 19:58
Hoje é o primeiro dia do inverno na Islândia, de acordo com o calendário tradicional. Até que o dia não está muito frio, são seis graus hoje, mas a primeira neve já foi há algumas semanas atrás.
Para celebrar o dia, os lojistas da rua Skolavordustigur no centro de Reykjavík ofereceram sopa de carne de ovelha à todos que visitavam as lojas. A carne para a sopa foi doada pela Associação de Criadores de Ovelha.
A sopa foi acompanhada de várias outras atividades como aulas de tricô gratuitas e música de tocadores de acordeão no local.
A associação pagã Ásatrúarfelagið também celebra nesse dia uma cerimônia de acordo com a antiga religião pagã, para marcar a ocasião.
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Islândia quer hospedar os servidores do mundo
17/10/09 02:00
Desde o colapso da economia há exatamente um ano atrás, tem se falado muito da necessidade da Islândia utilizar seus recursos naturais para reconstruir a economia. Um recurso natural abundante por aqui é energia elétrica renovável (geo-termica), que é extremamente barata. Uma maneira pela qual essa energia elétrica barata já é utilizada é na indústria de alumínio que utiliza muita energia - a Islândia é o maior exportador de alumínio da Europa.
Outra idéia que já vem circulando há algum tempo por aqui e que parece que vai se tornar realidade em breve, é a construção de super centros de processamento de dados no país para se aproveitar não só da energia barata, mas do clima frio. Grandes multinacionais usam centenas de milhares de servidores (especula-se que Google tenha mais de um milhão), computadores dedicados, que além de consumirem muita eletricidade, geram muito calor. O custo de manter servidores resfriados é tão alto quanto o custo da eletricidade que eles consumem em sua operação. Daí vem a idéia de hospedar esses servidores na Islândia, onde resfriá-los seria uma tarefa muito mais simples e barata, requerindo pouco mais do que a utilização do ar e água naturalmente gelados do país.
Outra vantagem que se menciona com frequencia seria a segurança. A Islândia é um dos lugares menos prováveis no mundo de ser atingido por um atentado terrorista, por exemplo.
Nos últimos anos, cabos de fibra-ótica tem sido instalados entre a Islândia e os EUA e Europa para fornecer conectividade à estes futuros super centros de rocessamentos de dados, e um desses centros já está sendo construído em Kaflavík e é bem grande, com 40,000 metros quadrados. Os jornais noticiaram recentemente que várias multinacionais de grande porte já assinaram contatratos para hospedar seus servidores aqui na terra do resfriamento fácil e barato, dentre elas Microsoft, Cisco, e grandes bancos de investimento.
Algumas previsões dizem que este setor que está nascendo agora pode vir se tornar em dez anos um dos maiores da economia islandesa.
Eu, como profissional da área (sou engenheiro de redes), espero que esse novo setor cresça muito mesmo e transforme a gelolândia numa economia high-tech!
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Roubada a tradução do último livro de Dan Brown para islandês
15/10/09 17:01
Um ladrão amante de livros arrombou o escritório da editora Bjartur em Reykjavík na terça feira passada e roubou o texto ainda não publicado do último livro do escritor Dan Brown, chamado Lost Symbol. Dan Brown ficou famoso há alguns anos atrás pelo seu best-seller O Código Da Vinci.
Segundo o diretor da editora, o ladrão só levou duas coisas: a tradução em islandês do livro de Dan Brown que estava na mesa do editor, e mais um scanner de computador.
O incidente não deve atrasar a publicação do livro na Islândia, já que uma outra cópia se encontra com outro editor.
Será que o ladrão começou a ler o livro em inglês, perdeu a paciência com a língua estrangeira e em desespero resolveu roubar a tradução, porque não conseguia esperar até o lançamento?
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Caminhando 450km para comprar sorvete
14/10/09 18:21
Vi essa notícia recentemente e achei bem curiosa, sobre dois islandeses que caminham 450 km, da cidade de Ísafjörður (pop. 4,000) no norte da Islândia até a capital Reykjavík, em busca de sorvete.
A caminhada demorou dez dias, e eles dormiram numa barraca de acampamento durante a aviagem.
Chegando em Reykjavík, o dono da fábrica e sorvetes Emmessís ficou sabendo da jornada deles e os levou para um tour da fábrica com direito à amostras gratuitas dos diversos sabores. Eles devem ter achado que valeu a pena a camanhada!
Um deles contou à um jornal que: "Foi uma ótima vagem. Quando a mídia começou a reportar a nossa história, não precisamos mas abrir nossas carteiras. Por exemplo, quando chegamos à Borganes um restaurante abriu especialmente pra nós, e eles nos deram um café da manhã fabuloso de graça."
A parte mais maluca dessa história, ao meu ver, é que esses dois islandeses fizeram essa caminhada não durante o verão mas em setembro, quando a temperatura chega a cair abaixo de zero durante a noite e chove bastante durente o dia.
A paixão dos islandeses por sorverte realmente não tem limites!
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Deus abençoe a Islândia
01/10/09 23:41
Marcando exatamente um ano do pronuncamento dramático do Primeiro Ministro na televisão islandesa, no dia 6 de Outubro abre nos cinemas aqui na Islândia, nos países escandinavos e Alemenha, um documentário sobre a colapso financeiro da Islândia.
Eu coloquei legendas em português no trailer do documentário, especialmente pros leitores aqui do blog.
O nome do filme "Deus abençoe a Islândia" (Guð blessi Ísland) vem das palavras do Primeiro Ministro fechando o pronunciamento de um ano atrás. Na época, a escolha dessas palavras gerou uma grande polêmica, pela Islândia ser um país pouco religioso, e também pelo drama contido na expressão, como se tudo estivesse perdido.
Depois escrevo especialmente sobre a situação atual, um ano depois do colapso.
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O primeiro manifestante da Islândia
28/09/09 20:51
Manifestações, que costumavam ser muito raras na Islândia, hoje em dia são comuns na praça em frente do parlamento em Reykjavík, e os islandeses se orgulham da sua "revolução das panelas" que derrubou o governo na em fevereiro passado depois de grandes manifestações. No entanto, um islandês em especial já protestava antes da grande maioria deixar suas fraldas pra trás para segurar uma placa contra o governo - Helgi Hóseasson, o primeiro manifestante da Islândia, morreu nesse mês, aos 89 anos de idade.
Helgi Hóseasson primeiro ficou famoso em 1962 quando tento se "des-batizar", mas descobriu que a Igreja Nacional, que é parte do governo, o Ministério da Justiça, se recusavam a atender tal reivindicação. Em 1972, ele jogou skýr (um produto lacticínio similar a iogurte) no bispo da Islândia, no presidente, e em vários membros do parlamento. Um documentário de 2003, chamado Mótmælandi Íslands ("O Manifestante da Islândia") sobre a vida dele foi bem recebido no país.
Ele era com frequência visto num cruzamento da capital, segurando placas com reivindicações, muitas vezes poéticas escritas de maneira poética, sobre o papel da igreja no estado, sobre o líderes políticos, e sobre a decisão do governo islandês de entrar na coalizão da guerra do Iraque.
Mais recentemente, Helgi se tornou um símbolo e inspiração para muita gente de convicção e determinação. Ele deve ter admirado o fato de que nesse último ano de sua vida, os islandeses em geral, depois de décadas de apatia, se tornaram um pouco como ele.
Um grupo está fazendo campanha para que um movimento seja construído em memória desse primeiro manifestante e já reuniu mais de 25,000 assinaturas, e espero que aconteça mesmo. Uma galeria de arte em Reykjavík comprou todos as placas logo antes da morte de Helgi, dizendo que são obras de arte e de valor histórico à nação.
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Emigração em massa
10/08/09 14:27
O departamento de ciências sociais da Universidade da Islândia divulgou um estudo nessa semana afirmando que a população islandesa pode cair em até 10 mil habitantes (cerca de 3% do total) nos próximos anos por causa de emigração como resultado da crise econômica.
Desde o inicio da crise econômica em Outubro passado, milhares de islandeses já deixaram o país, para procurar emprego e melhores oportunidades em países que não estão sofrendo tanto com a crise mundial, principalmente Noruega, Dinamarca e Ingaterra.
Eu pessoalmente conheço cinco islandeses que mudaram do país nos últimos meses, e olha que eu conheço pouca gente por aqui. A empresa onde eu trabalho, uma das maiores do país, já perdeu 4% dos empregados nesse ano, que decidiram se mudar com a família para outros países.
De certa maneira essa emigração em massa faz com que o nível de desemprego, que já chegou em 9%, não suba ainda mais. Mas, o pior efeito é o “brain drain”, ou seja muita gente bem qualificada deixando o país.
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Resultado das eleições
26/04/09 17:35
Não houve surpresas nas eleições de ontem. Como já se esperava, os partidos de esquerda ganharam o maior número de votos e consolidaram sua posição no governo. O partido que governava a Islândia pelos últimos vinte anos e que foi forçado a deixar o governo depois da "revolução das panelas" em janeiro, o Partido da Independência, foi o que perdeu o maior número de parlamentares.
O parlamento islandês é formado por 63 parlamentares. Nessa eleição foram eleitas 26 mulheres, constituindo 43% do total de parlamentares. Um bom número de novos candidatos foram eleitores, são 23 eleitos pela primeira vez. Oito parlamentares que buscavam a re-eleição não foram eleitos.
Votos brancos nessa eleição foram 6,226 ou 3,2%, e votos nulos foram 528 ou 0,3%, de um total de votos de 193,934.
De um total de 227,896 com direito de voto, 85,1% votaram ontem.
Resultados por partido político:
Partido S - Samfylkingin (Aliança Social Democrata) - Foi o grande vencedor dessa eleição, com 29% dos votos, representando um aumento de 3.2% desde a eleição passada e assim elegendo mais dois parlamentares. Este é o partido da atual Primeira Ministra Johanna Sigurdardottir, e o único partido que apoia a entrada da Islândia na União Européia.
Partido V - Vinstri Grænir (Movimento Esquerda Verde) - Este é o partido que forma a coalizão de governo atual com o Samfylkingin. Nessa eleição ganharam 20,7% dos votos, representando um aumento de 7% em relação à eleição passada e assim elegendo mais cinco parlamentares. Para continuar na coalizão de governo, pode ser que sejam forçados a apoiar a possível entrada da Islândia para a União Européia.
Partido D - Sjálfstæðisflokkurinn (Partido da Independência) - O partido de direita responsável pelo colapso da economia islandesa ainda conseguiu 23,0% dos votos, representando uma baixa de 12,8% em comparação à eleição anterior e assim perdendo nove parlamentares. Ainda assim, esse resultado me surpreendeu. É difícil de entender como um número tão grande de islandeses ainda acredita que o partido que faliu o país ainda é o mais indicado para governá-lo.
Partido B - Framsóknarflokkurinn (Partido Progressista) - Recebeu 14,1% dos votos, representando um aumento de 2,9% e assim elegendo mais dois parlamentares. Esse partido foi o que mais fez campanha, prometendo cortes em impostos.
Partido O - Borgarahreyfingin (Movimento Cívico) - Um bom resultado para este partido que foi formado apenas nove semanas antes das eleições. Ganhou 7,1% dos votos, assim elegendo quatro parlamentares. Imagino que muita gente cansada com os mesmo partidos de sempre deve ter voado neles com uma esperança de renovação na política. Ainda não está claro se vão se juntar à coalizão de governo ou ficar na oposição.
Partido F - Frjálslyndi flokkurinn (Partido Liberal) - Recebeu 2,1%, comparando com um resultado de 7,3% em relação à eleição passada, e perdeu todos os quatro parlamentares que tinha. Esse partido, que foi formado com uma plataforma de reforma no sistema de quotas de pesca, perdeu o foco nos último anos e foi esquecido pela grande maioria do eleitorado.
Partido P - Lýðræðishreyfingin (Movimento Democrático) - Participando de eleições pela primeira vez, recebeu apenas 0,6% dos votos, que imagino tenham vindo das famílias dos candidatos. Não elegeu nenhum parlamentar.
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Eleições
25/04/09 14:13
Hoje temos eleições parlamentares aqui na Islândia. Dentro do sistema parlamentarista islandês, os eleitores votam para um dos sete partidos políticos. O partido com mais membros eleitos para o parlamento monta o governo nacional, escolhendo o Primeiro Ministro.
As pesquisas de opinião indicam que pela primeira vez em mais de 20 anos os islandeses devem escolher um governo de esquerda. Os partidos Social Democrata e Esquerda-Verde, que formam atual governo de emergência, devem ganhar a maioria dos votos e se manter no poder.
Um coisa interessante é que aqui não se vota em indivíduos, mas sim nos partidos. A cédula eleitoral (que é de papel mesmo, nada eletrônico) tem os nomes dos partidos e a lista de nomes dos parlamentares em candidatura por cada partido. O eleitor deve marcar o nome do partido para o qual ele deseja votar, e tem também a opção de riscar da lista do partido algum candidato que ele não goste e que não deseja que seu voto seja contado à favor. Quando os votos são contados, cada partido precisa de um número mínimo de votos para ter seu primeiro candidato da lista eleito, depois mais uma determinada quantidade de votos para o segundo, terceiro e assim por diante.
O voto não é obrigatório, e a idade mínima para eleitores é de 18 anos. O número total de eleitores em potencial nesse ano é de 227.896, sendo 114.295 mulheres e 113.601 homens.
Outra coisa interessante é que os islandeses fazem "festas de eleição" - se reúnem na casa dos amigos ou familiares, para acompanharem juntos o programa de televisão com a contagem dos votos. E os mais velhos costumam se vestir bem, de terno e gravata, para ir votar.
Eu não tenha cidadania islandês e por isso não tenho direito de voto, mas vou acompanhar o processo e devo colocar mais notícias aqui em breve.
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Usina geotérmica islandesa em El-Salvador entra em funcionamento
03/04/09 11:21
A primeira usina geotérmica de projeto islandês e construída em solo estrangeiro começou a funcionar nessa semana em El Salvador.
Thór Gíslason, diretor da empresa islandesa Enex, responsável pelo projeto e construção da usina, explicou em entrevista para os jornais que este é um evento importante que demonstra a excelência da tecnologia islandesa de produção de energia geotérmica, e que aponta para um grande mercado futuro de exportação de conhecimento nesta área para países interessados em fontes renováveis de energia.
Esta usina em El Salvador produzirá 9.3 MW de eletricidade, e será operada em parceria pela empresa islandesa Enex e a fornecedora de energia local LaGeo.
Na Islândia, 26% da energia do país é produzida por cinco usinas geotérmicas, que utilizam a atividade vulcânica para produzir energia elétrica e aquecimento. Os outros 74% são produzidos por usinas hidroelétricas. Energia aqui na Islândia é muito barata, tanto que durante o inverno muitas das calçadas em em Reykjavík e Akureyri são aquecidas para serem mantidas livres de gelo. Essa abundância de energia barata também se reflete no fato de que o alumínio, que tem um processo de produção que necessita de muita eletricidade, é atualmente um dos principais produto de exportação de Islândia.
Para as casas na Islândia, o custo de energia elétrica e aquecimento é baixíssimo. Ainda, o fornecimento de água é gratuito, sendo que apenas àgua quente, aquecida nas usinas geotérmicas, é cobrada aos consumidores mas ainda assim por um preço extremamente baixo.
Eu espero ver no futuro próximo a abundância de energia barata na Islândia, e o conhecimento de ponta na produção de energia geotérmica, como sendo um dos pilares da recuperação da economia islandesa.
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Oddsson volta a fazer comentários polêmicos
30/03/09 18:08
O ex- presidente do Banco Central islandês, e a pessoa que a maioria dos islandeses culpa pela crise econômica no país, voltou nesse último fim de semana a fazer comentários polêmicos, durante a convenção nacional do Partido da Independência.
Davið Oddsson, que foi forçado a renunciar há algumas semanas atrás, criticou seu sucessor, o economista norueguês Svein Harald Øygard, dizendo que Øygard é um mentiroso ou que tem Mal de Alzheimer, isso porque ele havia dito que não se lembrava exatamente de quando ele foi pela primeira vez abordado para a posição no Banco Central. Oddsson ainda disse: "Eu pessoalmente espero que ele tenha Alzheimer, dessa maneira poderá se esquecer da situação ridícula em que esse governo inútil o colocou."
Num comentário ainda mais bizarro, Davið Oddsson se comparou à Jesus Cristo, dizendo: "Quando aqueles bastardos crucificaram o bom Cristo, eles crucificaram dois criminosos ao seu lado. Entretanto, quando o novo governo enforcou Davið, eles decidiram enforcar dois homens honestos." - se referindo aos dois colegas da diretoria do banco central que foram forçados à renunciar com ele em Fevereiro.
Oddsson, que foi primeiro ministro da Islândia por 12 anos como líder do Partido da Independência, ainda criticou o relatório publicado pelo próprio partido na semana passada que reconhecia os erros do partido no governo durante a privatização dos bancos nos anos 90, dizendo que o relatório "vale menos que o papel em que foi impresso".
Eu fico impressionado com a arrogância de Davið Oddsson, que parece não ter limites. Ele não só continua à negar qualquer culpa no colapso da economia, mas ainda se vê como um herói e mártir do país. Mais e mais ele parece uma tia velha e louca que os parentes tem que aturar na hora do jantar.
Também não estou completamente satisfeito com as ações do novo governo do país e da nova direção do banco central. A nacionalização do banco de investimentos Straumur Burdarás há duas semanas atrás, o quarto banco a ser nacionalizado desde o início da crise, parece ter ocorrido puramente por motivos políticos. Um governo que nacionaliza à força, declarando falidas, empresas que estão na verdade em boas condições financeiras, eu não diria que está fazendo a coisa certa. Apesar de eu considerar que o governo atual é bem melhor que o anterior, na minha opinião a guinada para a esquerda na Islândia no momento me parece forte demais.
As eleições serão no dia 25 de Abril, e tudo indica que o governo atual de coalizão dos Social Democrata e Esquerda-Verde vencerá nas urnas.
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O impacto da crise na Islândia
23/03/09 23:02
A crise financeira mundial afetou a Islândia mais que qualquer outro país no mundo. Para se ter uma idéia do tamanho do estrago, basta olhar a situação da bolsa de valores antes e depois da crise.
Índice geral da bolsa de valores islandesa - em baixa de -91.4%
Variação do índice nos últimos seis meses:
A lista abaixo mostra todas as empresas islandesas que estavam na bolsa de valores islandesa em Setembro de 2008, e a situação atual de cada uma delas.
Alfesca - Aluminio. Em dificuldades. (ações em baixa de -51%)
Atorka Group- Grupo de investimentos. Em dificuldades. (ações em baixa de -88%)
Bakkavör- Produtos Alimentícios. Em dificuldades. (ações em baixa de -94%)
Century Aluminum Company - Em dificuldades. (ações em baixa de -92%)
Eimskipafélag Íslands - Transporte marítimo. Em grandes dificuldades. (ações em baixa de -76%)
Exista - Grupo de investimentos. Falido.
FL Group - Grupo de investimentos. Falido.
Glitnir banki - Banco. Falido.
Icelandair Group - Companhia aérea. Em dificuldades. Demissões em massa. (ações em baixa de -66%)
Kaupthing Bank- Banco. Falido.
Landsbanki- Banco. Falido.
Marel Food Systems - Equipamentos para indústria alimentícia. Indo bem. (ações em baixa de -50%)
Nýherji- Informática. Estável. Algumas demissões. (ações estáveis)
SPRON - Banco. Falido.
Straumur-Burðarás Fjárf.banki- Banco. Falido.
Teymi- Telecomunicações. Em dificuldades, removida da bolsa.
Össur - Proteses. Indo bem. Ações estáveis.
Os islandeses estão dizendo que, pelo menos, estando no fundo do poço significa que agora só é possível mesmo melhorar. Vamos torcer pra que isso seja verdade!
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Faliu hoje o último banco independente islandês
09/03/09 12:40
Em outubro passado, num espaço de apenas alguns dias, todos os três bancos comerciais islandeses faliram e foram subseqüentemente nacionalizados, com a nação islandesa assumindo mais de 50 bilhões de doláres, cinco vezes o PIB islandês, em dívidas dos bancos. Apenas um banco sobreviveu esse terremoto financeiro no país como a última instituição financeira independente da Islândia, o banco de investimentos Straumur-Burdarás. Isso é, até hoje.
Hoje pela manhã foi anunciado que o banco Straumur-Burdarás quebrou e foi nacionalizado. Parece que o que aconteceu foi que o banco havia pedido um empréstimo ao Banco Central de 18 milhões de euros e o pedido foi recusado, o que deixou o banco numa situação insustentável.
Eu sinceramente não entendo mais o que o governo aqui na Islândia está querendo fazer. Tendo recebido um empréstimo de mais de 2 bilhões de dólares do FMI, e mesmo com esse dinheiro disponível exatamente para reconstruir a economia, ainda recusar emprestar 35 milhões de euros para manter o último banco do país de pé - sinceramente eu não vejo sentido, me parece uma decisão estúpida. Afinal, todos os governos da Europa estão injetando dinheiro nos bancos no momento exatamente para evitar que eles quebrem.
O futuro do banco em si e dos seus mais de 500 empregados é incerto no momento.
Eu tinha achado que a Islândia já tinha chegado ao fundo do poço e que a situação agora só poderia melhorar. Eu estava obviamente enganado.
O site do banco hoje tem um anúncio sobre o ocorrido, que termina com palavras que poderiam ser usadas para a economia islandesa em geral: “As a result of this Straumur is closed. “ - “Como resultado disso, Straumur está fechado.”
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20 anos de cerveja!
01/03/09 20:21
Hoje na Islândia se comemora o aniversário de 20 anos da liberação da cerveja. Antes do dia primeiro de Março de 1989 cerveja era ilegal na Gelolândia, e o pessoal por aqui costumava a beber principalmente vodka e a bebida nacional islandesa chamada Brinivin, que recebe dos bêbados locais o carinhoso apelido de "morte negra".
Nos dias da ditadura anti-cerverja era também comum os islandeses misturarem cerveja não-alcoólica, a única variedade permitida, com vodka para tentar chegar à algo próximo à cerveja que os estrangeiros de terras mais liberais tinham acesso. Essa mistura era chamada “bjorliki”, ou “parecido com cerveja”.
Hoje em dia existem várias marcas de cerveja islandesas, sendo as principais: Víking, Thule, Egils, e Kaldi. Já experimentei as quatro e aprovei, são todas boas. Os islandeses concordam, já que 70% da cerveja consumida no país é produzida aqui mesmo.
Até hoje, no entanto, a venda de bebidas alcóolicas é feita somente por lojas do governo. São 46 “vínbúð” ( “Lojas de Vinho” ) espalhadas pelo país. Essas lojas só ficam abertas no horário comum de funcionamento do comércio, e não abrem durante à noite ou aos domingos, o que significa que você tem que planejar com antecedência as suas noitadas. Uma lata de cerveja de 500ml custa cerca de 250Kr, equivalente à R$5,20 no câmbio atual.
Hoje a maioria dos bares e pubs, que são licenciados pelo governo para vender bebidas alcóolicas contanto que não sejam removidas do estabelecimento, estão vendendo cervejas pela metade do preço para comemorar a data. O preço normal de um copo de meio litro (a “pint” inglesa) é de cerca de 800Kr, ou R$17,00, mas pode variar bastante entre bares.
Bom, deixa ir tomar uma cerveja para comemorar o dia!
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Já vai tarde, Davið Oddsson!
27/02/09 19:07
Hoje o presidente do Banco Central islandês, e a figura mais odiada na Islândia atualmente, foi forçado a renunciar ao cargo.
Davið Oddson, formado em advocacia, depois de 12 anos como primeiro ministro da Islândia, assumiu o cargo de presidente do Banco Central em 2005. Várias publicações internacionais na Europa e EUA o apontaram recentemente como uma das 10 pessoas culpadas pela crise mundial atual.
Nos últimos dias ele tentou se defender numa entrevista na televisão dizendo que havia avisado o governo de que os bancos haviam crescido demais, mas que suas cartas foram ignoradas. Quando perguntado então se ele culpava o governo e assim o seu próprio partido, ele se recusou a responder. Ele tembém disse na televisão que as pesquisas de opinião que mostram 90% da população contra ele foram inventadas pelos donos do conglomerado islandês Baugur, seus arqui-inimigos. Essa tem sido a história da crise aqui na Islândia, uma onde ninguém assume nenhuma culpa de nada. Oddsson então, parece viver numa outra dimensão só dele, onde ele é o Rei da Islândia.
(dinheiro da Islândia imaginária, da cabeça do “Rei” Oddsson, mostrando a dita)
Na minha opinião, a incompetência e culpa de Davið Oddsson no colapso da economia islandesa são claras e irrefutáveis. Ele era o presidente da instituição, o Banco Central, que tem como principal função ser o "lender of last resort", ou a linha de crédito de emergência, para os bancos do país. Quando chegou o momento dessa instituição desempenhar essa sua função fundamental, ela fracassou completamente devido ao tamanho das reservas ser totalmente incompatível com o tamanho dos bancos. O que Oddsson deveria ter feito enquanto no cargo seria se assegurar que as reservas são adequadas para socorrer os bancos, e se isso não fosse possível, que o Banco Central limitasse então as licenças para a expansão dos bancos. E ainda se tudo isso fosse de alguma maneira impossível, ele deveria ter renunciado anos atrás para trazer à atenção da nação essa situação antes que o castelo de cartas desmoronasse. Também acredito que a recusa de Oddsson ao pedido de empréstimo do banco Glitnir em Outubro passado foi o evento que precipitou o colapso de todo o sistema financeiro. Se a situação com Glitnir tivesse sido tratada com mais cuidado, acredito que pelo menos o maior dos bancos islandeses, o Kaupthing, ainda estivesse de pé hoje.
Provando mais uma vez uma total falta de bom senso, na entrevista recente na televisão, Oddsson disse que a Islândia tinha reservas maiores que qualquer outro país de tamanho similar. Uma comparação obviamente ridícula, já que o tamanho do país em si é irrelevante, e o importante é o tamanho da economia e principalmente dos bancos.
Mesmo depois de uma carta da nova Primeira Ministra pedindo a sua renúncia, Davið Oddsson ainda se recusava a sair do cargo, como uma criança mimada que não largava o brinquedo. Foi necessário passar uma lei especialmente para dar poderes ao governo para demití-lo, e essa lei passou a valer hoje, forçando o “Rei” a renunciar. A lei agora exige pelo menos um diploma universitário em economia. (Aliás, a proposta original de lei exigia um mestrado em economia para o cargo de Presidente do Banco Central, mas um dos partidos insistiu que essa exigência estava estava pesada demais!)
A principal lição que podemos tirar dessa saga é que nunca é uma boa idéia colocar um político no cargo de presidente do Banco Central. Senão temos exatamente o que aconteceu, alguém que se preocupa mais com políticas econômicas que ajudam o seu partido e geram ganhos políticos, do que políticas sólidas que sustentam a economia em longo prazo.
O novo presidente do Banco Central que assume hoje o cargo é o norueguês Svein Harald Øygard, que tem um mestrado em economia e já foi ministro da economia norueguesa. O vice-presidente agora é Arnór Sighvatsson, que tem um PhD em economia. Finalmente alguém no comando do Banco Central que finalmente parece pelo menos entender alguma coisa de economia!
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Escolhida a música islandesa para o Eurovision 2009
17/02/09 13:55
No último sábado o público islandês escolheu a cantora Jóhanna Gudrún Jónsdóttir com a música "Is it True?" para representar a Islândia no festival Eurovision desse ano, que será na Rússia no mês de Maio.
O Eurovision é um festival de música em que 43 países europeus competem todo ano, à cada ano o festival acontece no país que ganhou no ano passado. Esse festival é um dos programas de televisão com maior audiência no mundo, estimada em 600 milhões de telespectadores.
Os islandeses são loucos pelo Eurovision. É uma verdadeira atmosfera de final de copa do mundo por aqui no dia da final do festival. As ruas ficam desertas, e todo mundo tem uma festa pra ir onde os amigos assistem juntos e torcem pela Islândia.
Ainda assim, a Islândia nunca ganhou a competição. "Mas ficamos uma vez em segundo lugar!" - qualquer islandês faria questão de mencionar para um estrangeiro. Todo ano os islandeses acham que nesse ano vão ganhar.
Aqui está o vídeo da música da Islândia que foi escolhida para concorrer nesse ano:
Eu pessoalmente não achei essa música nada de especial. Mas, vou ficar torcendo. Áfram Ísland!
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Protestos na frente do Banco Central
09/02/09 10:35
Hoje cedo, por volta das 7:00 horas na manhã gelada de Reykjavík, cerca de 100 manifestantes se ruiniram na frente do Banco Central islandês com o intuito de impedir a entrada do odiado presidente da instituição, Davið Oddsson no prédio. Esse Oddsson está mesmo testando a paciência do povo islandês, depois de ignorar até mesmo o pedido da Primeira Ministra para que ele renuncie.
Aqui estão algumas fotos do protesto hoje cedo, que seguiu a tradição de protesto pacífico, fazendo muito barulho. A queda do governo na semana retrasada já está sendo chamada de “A Revolução das Panelas”, e inclusive o museu nacional vem pedindo à população para doar ao museu as panelas usadas nesse movimento de importância histórica.
(Bandeira mostrando uma colher de pau e uma panela - da “Revolução das Panelas” )
E concordo com o Kyle no comentário dele no post anterior - queria ver o Davið Oddsson ser jogado no lago gelado no centro de Reykjavík, aproveitando o buraco no gelo feito pelos cavalos à poucos dias atrás! Boa idéia, Kyle!!
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Diretores do Banco Central se recusam a deixar cargo
08/02/09 22:22
A nova Primeira Ministra mandou no início dessa semana passada uma carta aos diretores do Banco Central islandês exigindo que eles renunciem - carta esta que foi prontamente ignorada por Davið Oddsson, presidente do Banco Central e os outros dois diretores do banco.
Como resultado, o governo agora está preparando uma lei que dará poderes à Primeira Ministra para dissolver à força o quadro de diretores do Banco Central.
Um professor de Ciência Política da Universidade da Islândia, comentando sobre a situação na Sexta-Feira passada, disse: "Em qualquer outro país, se o governo dissesse publicamente que desejava a renúncia dos diretores do Banco Central, eles deixariam o cargo imediatamente."
É mesmo muita cara de pau de Davið Oddsson, que além de ignorar o fato de que ele é hoje o homem mais odiado do país, ainda resolve ignorar exigências do governo. E mais, disse publicamente depois de receber a carta, que ele estava "sob ataque político digno de ditaduras do século passado".
A arrogância e a desconexão de Davið Oddsson com a realidade são impressionantes. Ele disse há algumas semanas atrás que se fosse forçado a abandonar o cargo de presidente do Banco Central ele voltaria à política, dizendo isso de boca cheia, como alguém que estaria fazendo um favor seu país. Espero que ele volte mesmo à política, para que ele seja forçado à encarar a realidade certa de uma quantidade desprezível de votos que não vão lhe possibilitar nem um cargo de substituto de parlamentar.
Enquanto isso, uma das maiores empresas islandesas, o Grupo Baugur, que emprega mais de 50 mil pessoas e tem mais de 3 mil lojas em vários países, aém de controlar todos os jornais e as maiores redes de super-mercados da Islândia, entrou em concordata e se encontra à beira da falência. E ainda, as investigações sobre irregularidades nos bancos falidos continuam e estão descobrindo podres quase todo dia. As consequencias da crise continuam.
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Stephen Colbert: It Could Be Worse - Iceland
04/02/09 15:48
Na segunda-feira passada o comediante americano Stephen Cobert lembrou de maneira bem-humorada os americanos, em seu show The Colbert Report, de que a crise na terra do Tio Sam pode estar ruim, mas poderia ser pior - é só olhar para a Islândia.
Nas palavras de Colbert: “Iceland is a frigid rock in the middle of nowhere that has gone bankrupt and gone gay.” - (“A Islândia é uma rocha gelada no meio do nada que faliu e virou gay.” )
Clique aqui para assistir o video, que é bem engraçado. (em inglês, sem legendas - sorry!)
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Cavalos caem no Tjörnin
04/02/09 10:59
Não sei de quem foi a idéia de um passeio à cavalo sobre o gelo que cobre a lagoa no centro de Reykjavík ontem, mas eu teria imaginado que não seria uma boa idéia...
Cavalos islandeses podem ser pequenos, mas eu não arriscaria andar com eles sobre o gelo na logoa Tjörnin, afinal ainda são bem pesados. Olha só a cara de coitado desse cavalo na última foto, devia estar se sentindo gelado!
Os cavalos sempre ocuparam um espaço importante na vida dos islandeses, e todos tem orgulho da raça de cavalos peludos e fortes da Gelolândia. Até a década de 40 eles eram o principal meio de transporte no país. Carne de cavalo também é muito popular nas mesas de jantar.
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Formado novo governo islandês
02/02/09 00:34
O novo governo islandês, formado por uma coalizão entre os partidos de esquerda Social Democrata e Esquerda-Verde, tomou posse hoje. Como esperado, Jóhanna Sigurðardóttir é a nova Primeira Ministra.
Essa é a primeira vez que o gabinete de dez ministros tem um número igual de homens e mulheres.
Aliás, essa é a primeira vez que me vem à cabeça o fato do quanto mais enxuto o governo islandês é em relação ao Brasileiro - são apenas dez ministros no governo islandês, e 23 ministros no governo brasileiro da última vez que contei.
Novo Ministro da Economia, Steingrimur Sigfusson, e nova Primeira Ministra.
Várias mudanças foram anunciadas hoje pelo novo governo. Vou enumerar as mais importantes abaixo.
Dois dos novos ministros não são membros do parlamento, o que também é a primeira vez que acontece na Islândia. Acho isso um grande passo na direção correta. Faz sentido dar um cargo de ministro para uma autoridade no assunto do que para um parlamentar qualquer apenas por razões políticas.
Foi anunciado que várias mudanças serão feitas na constituição islandesa para permitir plebiscitos no futuro, e para resguardar os recursos naturais do país.
A composição do governo do Banco Central deve mudar também. A organização atual com três presidentes deverá ser substituída por apenas um presidente que deverá ser escolhido por competência profissional e não mais por razões políticas. O novo governo quer se livrar da odiada figura de Davið Oddsson, um dos presidentes do Banco Central, mas existe o problema de que ele tem um contrato de trabalho de sete anos que não pode ser rescindido - vão investigar o que pode ser feito. Na minha opinião, deveriam mandá-lo embora e dizer pra ele que se ele quiser pode processar o governo por quebra de contrato mas também enfrentar a reação do povo.
Um novo quadro de diretores será formado para a Autoridade de Supervisão Financeira, responsável por supervisionar o funcionamento dos bancos do país, com alguns membros sendo estrangeiros reconhecidos por sua competência no campo da economia.
As eleições para um novo governo estão marcadas para dia 25 de Abril.
Um comitê que estuda os pros e contras da entrada para a União Européia deverá publicar seu relatório no dia 15 de Abril, dez dias antes das eleições.
Outro fato interessante sendo mencionado nos jornais hoje é que o novo Ministro da Economia, Steingrimur Sigfusson, vem mencionando que ele é à favor da Islândia abandonar a sua moeda, a coroa islandesa, e entrar num acordo para usar a coroa norueguesa como moeda corrente.
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Presidente escolhe nova coalizão para governar a Islândia
27/01/09 11:45
Depois de discussões hoje com os líderes de todos os partidos políticos islandeses, o presidente de Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson, pediu aos líderes dos partidos Social Democrata (Samfylkingin) e Esquerda-Verde (Vinstrihreyfingin-grænt) para formarem uma coalizão que governará a Islândia em caráter temporário até as próximas eleição ainda sem data marcada mas prometidas para Maio.
O cargo de Primeiro Ministro no novo governo deverá ser ocupado pela atual ministra do Bem-Estar Social, Jóhanna Sigurðardóttir, de 66 anos, do partido Social Democrata. Se ela for mesmo confirmada como Primeira Ministra, o que deve acontecer nos próximos dias, ela será a primeira mulher a ocupar o cargo na Islândia. Outro ponto mencionado pela mídia hoje, é que esta também seria a primeira vez que o cargo de governante de qualquer país do mundo é ocupado por alguém assumidamente gay.
Segundo pesquisas de opinião, ela é a ministra com o maior índice de aprovação, e assim deverá ser uma escolha que agradará a população.
Jóhanna Sigurðardóttir
O partido Social Democrata quer realizar um plebiscito para entrada na Islândia na União Européia, que o partido é à favor, já em Maio junto com as eleições para o novo governo. O partido Esquerda-Verde, que está no momento na frente nas pesquisas de opinião, se declarou contra a entrada na União Européia. Essa questão da União Européia e do Euro deve ser o ponto central de discussão na campanha eleitoral.
Enquanto isso, a situação econômica continua grave. O desemprego continua subindo, a inflação disparou, a krona despencou, cortes de salário se tornaram algo comum, e o país continua efetivamente sem uma moeda válida, já que a krona continua não sendo aceita por praticamente nenhum banco ou instituição internacional. Uma visita ao site do Banco Central Europeu, por exemplo, é suficiente para ilustrar essa situação bizarra de um país com uma moeda efetivamente fictícia - na tabela do BCE de cotação de moedas contra o euro, a krona está listada em último com seu valor atual em branco. Colegas de trabalho me contaram também que viram em casas de câmbio no exterior, que nos painéis que mostram as cotações das diversas moedas, o valor da krona fica agora coberto com fita isolante. A previsão é que a economia do país só volte a crescer em 2011.
Mas, a economia ainda se movimenta. Dentre as maiores empresas islandesas listadas na bolsa de valores da Islândia, nenhuma, fora os bancos, faliu ainda. E “ainda” é mesmo a palavra chave - todas as grandes empresas, sem exceção, vêm publicando relatórios de grandes prejuízos no último trimestre. Vamos torcer para que as coisas melhorem aqui na Gelolândia antes que a situação piore ainda mais. Pelo menos no meio político as mudanças positivas estão acontecendo.
Boa sorte à nova Primeira Ministra. Ela vai precisar!
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... e o governo caiu
26/01/09 13:33
O Primeiro Ministro islandês acabou de anunciar a dissolução imediata do governo e o fim da aliança dos dois partidos que formam o governo.
Ainda assim, não houve admissão de culpa nas palavras de Geir Haarde, o (agora ex-) Primeiro Ministro. Ele apenas disse que o partido que é parceiro do dele na aliança que governava o país, os Social Democratas, estavam tornando o governo impraticável. Essencialmente, ele não tomou nenhuma responsabilidade pelo seu governo ter devastado a economia do país, e ainda colocou a culpa no outro partido por dificultar a recuperação depois do colapso. Patético.
O Sr. Geir Haarde deveria dar uma olhada na edição de hoje do jornal britânico The Guardian, que lista o nome dele mesmo como uma das 25 pessoas culpadas pela crise econômica mundial. A lista está online também, clique aqui pra ver.
As eleições agora estão marcadas para 9 de Maio. A Islândia tem um sistema parlamentar de governo, o que significa que a população elege os membros do parlamento e o partido com mais membros eleitos escolhe o primeiro ministro, que governa o país.
O Partido da Independência (Sjálfstæðisflokkurinn), de Geir Haarde, já governava o país pelos últimos 12 anos. Posso afirmar com certeza que nas próximas eleições esse partido deve perder a maioria no parlamento e assim a chance de governar. Com a raiva que o povo islandês esta desse partido, ficarei surpreso se ele não se tornar um dos menores no futuro parlamento.
Ainda não foi decidido quem irá governar o país até as eleições de Maio. Negociações serão feitas hoje entre todos os partido políticos para tentar montar um governo de emergência temporário com membros de todos os partidos.
É inegável que o governo caiu como resultado da pressão popular em forma dos protestos, semanais nos últimos meses, e quase ininterruptos na última semana. Chegou-se ao ponto do governo realmente ter medo do povo. Os islandeses agora tem uma luz no fim do túnel, e deveriam se orgulhar de terem trazido à prática a famosa frase de Thomas Jefferson: “Quando o povo tem medo de seu governo, temos tirania; quando o governo tem medo de seu povo, temos liberdade.”
Mas não estamos esquecendo de você, Davíð Oddsson, presidente do Banco Central Islandês. Ainda queremos ver a sua cabeça rolar junto com as dos outros ministros, o que esperamos que aconteça assim que o novo governo de emergência for estabelecido.
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Ministro do Comércio renuncia
25/01/09 13:25
O Ministro do Comércio, Björgvin Sigurðsson, renunciou ao seu cargo hoje pela manhã. Em seu pronunciamento ele disse que tomava responsabilidades pelo colapso da economia islandesa, e que “a raiva e falta de confiança da população são intensos demais para que eu possa recuperar sua confiança.
Björgvin Sigurðsson anunciando sua renúncia
Como seu último ato no cargo, o ministro despediu o presidente da Fjármálaeftirlitið (Autoridade de Supervisão Financeira), o órgão do governo islandês, que opera sob o Ministério do Comércio, responsável por supervisionar o funcionamento e expansão dos bancos. Um dos principais fatores que causaram a crise financeira foi exatamente a falha deste órgão em desempenhar o seu papel limitando a expansão dos bancos de maneira sustentável - ao invés disso o que aconteceu foi um apoio incondicional à expansão dos bancos sem controle ou regulamentação, resultando nos bancos acumulando dívidas equivalentes à cinco vezes o PIB da Islândia e finalmente na falência de todos os bancos do país frente à crise de crédito internacional.
Finalmente alguém está tomando responsabilidade pelo colapso da economia do país, mesmo que apenas quatro meses mais tarde e somente após intensos protestos nos últimos dias. Entretanto, me pergunto se essa é uma manobra planejada pelo governo para tentar apaziguar os ânimos da população, que ontem, mesmo após o anúncio de eleições em Maio, fez o maior protesto dos últimos dois meses, com cinco mil manifestantes (1.6% da população do país) reunidos em frente ao parlamento.
Os islandeses ainda querem ver a renúncia do presidente do Banco Central e do Primeiro Ministro, sua admissão de culpa pela crise, e o anúncio oficial da data das eleições prometidas para Maio.
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primeiro ministro anuncia: eleições em Maio
23/01/09 23:47
Depois de três meses de protestos semanais no centro de Reykavík pedindo a renúncia do governo e novas eleições, e de confrontos violentos com a polícia nos últimos dias, hoje o Primeiro Ministro, Geir H. Haarde anunciou que por motivos de saúde ele vai se ausentar do cargo e que um novo líder do partido será eleito em na convenção do partido em Março, e que ele apóia eleições gerais em Maio. Ele também anunciou que não pretende se candidatar novamente à líder do partido.
Essa é uma mudança e tanto na posição do Primeiro Ministro, que até ontem vinha dizendo que o governo só aceitava eleições no final do ano ou mais tarde. Sem dúvida a atmosfera de "revolução" dos últimos dias colocou pressão no governo para anunciar eleições o quanto antes.
A surpresa do anúncio do Primeiro Ministro foi a revelação de seus problemas de saúde. Ele disse que foi diagnosticado na semana passada com câncer do esôfago, um tumor maligno que terá que ser retirado numa operação no exterior. Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, a atual Ministra da Educação, vai assumir temporariamente o cargo de Primeira Ministra, até o retorno de Geir H. Haarde depois do tratamento ou até as eleições gerais em Maio.
A foto abaixo é de Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, que por sinal está sendo investigada por corrupção em relação à um grande empréstimo feito por um dos bancos que faliu, ao marido da ministra, e que foi “perdoado e esquecido” pelo banco logo antes da falência.
A reação geral tem sido uma de choque quanto à situação grave de saúde do Primeiro Ministro. Entretanto, mesmo depois desse anúncio, os protestos no centro de Reykjavík continuam, já que a data para as eleições, agora prometidas para Maio, ainda não foi anunciada, e o homem mais odiado do país, o presidente do Banco Central, Davið Oddsson ainda continua no seu cargo.
Bom, desejo boa sorte ao Sr. Geir em sua recuperação. Mas, continuo sendo da opinião que ele deveria tomar responsabilidade pelos seus erros e renunciar. A situação vergonhosa de que ninguém toma responsabilidade pelo colapso da economia do país continua.
Uma coisa estranha é que a líder do segundo partido que forma a aliança do governo também está com câncer e vem recebendo tratamento. Essencialmente, os dois líderes dos dois partidos que governam a Islândia estão agora fora de trabalho por motivo de doença. Ah, e os dois primeiros ministros anteriores à este tiveram câncer também. Será que é hora de mandar benzer os prédios do governo islandês?
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Confrontos violentos nas ruas de Reykjavík
22/01/09 22:37
Os protestos que começaram na terça-feira ainda continuam, pedindo a renúncia do governo e eleições imediatas. Ontem à tarde parecia que finalmente as manifestações estavam surtindo efeito no meio político, quando, como eu mencionei no post de ontem, o principal setor regional de um dos partidos que forma a aliança que governa a Islândia decidiu recomendar à cúpula do partido que a aliança, e com ela inevitavelmente o governo que perderia sua maioria no parlamento, seja dissolvida. Com esse anúncio os manifestantes celebraram nas ruas, numa atmosfera quase que carnavalesca e a maioria decidiu ir pra casa. Uma minoria, na maioria jovens, resolveu ficar marcando a ua presença nas ruas do centro e em volta do parlamento.
Por volta da meia-noite de ontem, o confronto com a polícia começou. Parece que foram alguns adolescentes querendo aprontar confusão, francamente, uns idiotas, que começaram a jogar pedras no batalhão de choque da polícia. Em resposta, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar toda a multidão. É a primeira vez desde 1949 que gás lacrimogêneo é usado na Islândia.
Ontem eu critiquei a polícia e a reação desproporcional da força policial contra a população. Hoje no entanto, eu tenho que condenar essa minoria de manifestantes que jogou pedras nos policias. Protestos tem que ser pacíficos - violência nunca ajuda em nada. Sete policias foram feridos nos confrontos de ontem à noite.
Não posso deixar de pensar, também, que a escalada na violência tem a ver com a polícia usando seus cacetes e sprays de pimenta mais cedo no mesmo dia. Uma ação leva a uma reação. Um dos meus autores favoritos disse em um dos seus livros algo que me veio à cabeça nesses dias - a viabilidade da existência de uma força policial que confronta o povo depende dessa população continuar acreditando na mentira de que um pequeno grupo de oficiais pode conter toda o população civil imensamente mais numerosa; e quando a polícia começa a enfrentar o povo mais diretamente, arrisca-se destruir a crença nessa mentira.
Mas que fique claro, não acho que existe justificativa para atacar com pedeas a polícia ou quem quer que seja.
Só espero que o governo renuncie ou seja derrubado com manobras políticas antes que a situação piore e realmente saia completamente do controle.
Hoje o protesto continuou, mas com uma certa ressaca da noite de ontem. Uma multidão menor, de algumas centenas de manifestantes, se reuniu na frente do parlamento batendo panelas e fazendo muito barulho. Hoje a coisa tem sido pacífica - até agora, pelo menos.
Vale à pena lembrar a proporção dos números dos protestos dos últimos dias. Uma multidão de 3 mil manifestantes, em relação ao tamanho da população da Islândia, seria o equivalente à um protesto com 2 milhões de participantes no Brasil.
Um cartaz de um dos manifestantes hoje na praça em frente ao parlamento islandês me chamou a tenção pelas palavras simples mas tão verdadeiras, e feitas ainda mais irônicas pelo fato de estarem sendo usadas num protesto em frente ao parlamento mais antigo do mundo...
Tradução: “Quando a confiança se foi, TUDO se foi”.
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Protestos continuam
21/01/09 23:49
Os protestos agitados continuaram até as 4 da madrugada de hoje. Depois de uma pausa pela manhã, os manifestantes voltaram a se reunir na frente do parlamento no começo da tarde de hoje.
O parlamento anunciou que não se reuniria hoje, e nenhuma explicação foi divulgada para o cancelamento de sessão de hoje. Com esse cancelamento, o protesto com mais de mil pessoas mudou-se para frente do prédio do governo, onde trabalha o primeiro-ministro. No final da tarde, os manifestantes voltaram a se reunir novamente na praça em frente ao parlamento no centro de Reykajvík, onde duas mil pessoas ainda estão reunidas nessa momento, à meia-noite.
Essa foto é da noite de hoje:
A pressão exercida pelas manifestações populares parece estar finalmente surtindo algum efeito no meio político. Apesar do primeiro-ministro e seu partido ainda estarem ignorando as reivindicações dos manifestantes, dois outros partidos políticos hoje e ontem declararam que apóiam a dissolução do governo e novas eleições. Inclusive, o o congresso regional do partido Samfylkingin (Aliança Social Democrata), que é parte do governo atual, decidiu recomendar a dissolução da coalizão que governa o país.
Notícias estão circulando também de encontros secretos entre os dois maiores partidos de esquerda para formação de um novo governo depois da possível dissolução da aliança que governa o país atualmente.
Os próximos dias serão interessantes. Eu vou tentar cobrir os acontecimentos várias vezes por dia via twitter, que também aparece no blog aí no canto direito superior, e vou postar notícias mais completas sempre que puder.
Fotos do protesto de ontem
Essas são algumas fotos do protesto de ontem durante a abertura do parlamento. Das várias fotos que eu encontrei na internet, essas são as que melhor transmitem o clima da situação atual. Clique nas fotos para vê-las ampliadas.
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Protesto agitado na abertura do parlamento
20/01/09 23:07
O parlamento islandês reabriu hoje, de volta das férias de natal. Mais de 3 mil pessoas se reuniram no início da tarde para protestar contra o governo e pedir novas eleições imediatas. O protesto começou com os manifestantes fazendo muito barulho, batendo panelas, tambores e gritando slogans contra o governo atual, mas logo a situação se tornou tensa com vários confrontos com a polícia.
Eu tenho que dizer que a polícia aqui está se comportando de maneira vergonhosa. Hoje usaram sprays de pimenta indiscriminadamente contra a multidão, acertando manifestantes, repórteres e até crianças. Bateram em várias pessoas com seus cacetetes, e algemaram e prenderam 30 pessoas incluindo adolescentes e até um menino de 11 anos. Francamente, o que me parece é que a polícia aqui está cansada de não ter nada pra fazer, sem crimes violentos pra resolver, e agora acham que finalmente tem a chance de usar todo o seu equipamento que estava num armário juntando poeira por anos - daí eles vão à uma manifestação pacífica com seus coletes, capacetes e escudos de tropa de choque, com seus cacetetes e sprays de pimenta - devem estar se achando como os policiais de séries de TV. Muitos dos manifestantes hoje, já sabendo desse comportamento pepper-spray-trigger-happy da polícia, já estavam com óculos escuros e máscaras de ski, e alguns ate com máscaras de gás - mas até onde eu sei o povo resistiu pacificamente. Se algum leitor estava por lá em pessoa surante a tarde, por favor nos passe mais informações.
Outro fato na minha visão vergonhoso, foi que hoje enquanto os manifestantes protestavam contra o governo e a grave crise financeira e confrontavam a polícia, os parlamentarem dentro do prédio do parlamento não estavam ocupados com as questões vitais nesse momento de crise mas discutiam no parlamento assuntos como "o baixo número de mulheres no mercado financeiro islandês" e "a venda de bebidas alcoólicas em lojas não-estatais" - enquanto essas são questões que merecem ser discutidas em algum ponto, francamente, essa não é a hora! Podiam pelo menos colocar ao voto as reivindicações do povo, como eleições imediatas, renúncia da presidência do banco central, a questão da União Européia e do Euro, e as várias graves irregularidades que estão sendo descobertas nos últimos dias nos bancos que foram nacionalizados. Acordem, parlamentares!
Enquanto eu escrevo esse post, às 23:30, o protesto ainda está acontecendo, com milhares de pessoas, na noite gelada de Reykjavík à zero graus, em frente do parlamento. O povo está cansado de ser ignorado pelo governo.
Uma estação de rádio aqui na Islândia está fazendo no momento uma campanha para angariar doações de roupas de inverno, especialmente os tradicionais casacos de lã islandesa, para os idosos na Inglaterra.
Quando eu morava na Inglaterra eu fiquei sabendo desse problema por lá, que um grande número de idosos não tem dinheiro para pagar por aquecimento durante o inverno e muitos morrem de doenças causadas pelo frio. O número de mortes em 2008 causadas pelo frio na Inglaterra, de acordo com a BBC, foi de 30 mil, o que francamente, é um número absurdo de mortes causadas essencialmente por pobreza, por falta de dinheiro para pagar por aquecimento, num país dito de primeiro mundo. Nos países nórdicos, bem mais frios, isso não acontece.
A iniciativa, que insiste que os islandeses devem mostrar seu lado humanitário mesmo depois de terem sido tão mal-tratados pelos britânicos, tem um grupo no Facebook (claro!) chamado "Ull til UK" ("Lã para o Reino Unido").
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Desemprego continua a subir na Islândia
13/01/09 16:43
O jornal islandês Fréttablaðið publicou ontem uma matéria dizendo que a taxa de desemprego já chega à 6.5%, representando 10,700 pessoas desempregadas. A taxa de desemprego no mês passado era de 5.4%, e há um ano atrás era de apenas 0.9%.
O efeito da crise financeira no mercado de trabalho islandês tem mesmo sido bem sério, e a taxa de desemprego só não é maior por causa do grande número de trabalhadores islandeses e estrangeiros que deixaram o país nos últimos meses à procura de empregos no exterior. As estimativas são de que o desemprego possa chegar à 10% na Islândia no final de 2009.
Os líderes dos sindicatos, que são muito influentes na Islândia, tem criticado o governo por não estar fazendo o suficiente para resolver o problema do avanço do desemprego. O governo insiste que há iniciativas para auxiliar novas empresas inovadoras, mas os sindicatos insistem que é necessário investimento direto do governo para geração de empregos já que novas empresas são pequenas e geram poucos empregos.
Em resposta às críticas, a ministra do Bem-Estar Social Jóhanna Sigurdardóttir instituiu ontem um comitê para discutir propostas para geração de empregos.
Hoje em dia, a atitude geral aqui na Gelolândia é que se você tem um emprego, você já é um dos bem-afortunados e não pode reclamar.
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Manifestantes convidados para cafezinho com presidente
23/12/08 11:00
Em qualquer outro país, manifestantes com cartazes na frente da casa de um presidente ou primeiro-ministro podem esperar por conflito com seguranças ou mesmo serem arrastados do lugar por policiais. Na Inglaterra, por exemplo, é proibido qualquer manifestação num raio de dois quilômetros de prédios do governo, e a polícia lá não perdoa mesmo.
Já aqui na Islândia, quando um bando de manifestantes armaram ontem um protesto na frente da residência oficial do presidente, ele simplesmente abriu a porta e os convidou para tomar um café e conversar com ele.
Acho a cena acima bem curiosa. Repare que dois dos manifestantes estão usando capuz cobrindo seus rostos, mesmo quando sentados na sala de jantar da residência oficial do presidente. Me pergunto se isso era o que eles estavam esperando! É uma atitude louvável por parte do presidente, de sentar-se com os manifestantes e ouvir suas reclamações.
A residência oficial do presidente fica perto da capital, aqui está uma foto do lugar.
Islândia - O melhor lugar do mundo pra se viver (em 2006)
20/12/08 13:54
Pelo segundo ano consecutivo a Islândia ficou em primeiro lugar no relatório de Índice de Desenvolvimento Human, publicado todo ano pela Nações Unidas. Os países no relatório são classificados de acordo com fatores como expectativa de vida, acesso à educação, e renda per capita.
Os dados usados para o relatório desse ano são de 2006, e portanto não levam em consideração o colapso da economia islandesas nos últimos meses desse ano e a conseqüente queda de renda e padrão de vida dos islandeses.
Acho muito difícil que a Islândia consega continuar no primeiro lugar nos próximos anos.
Mesmo que a Islândia perca algumas posições nos relatórios de IDH dos próximos anos e acabe perdendo o primeiro lugar, o desevolvimento do país ainda é impressionante. Afinal, há cem anos atras a Islândia era o país mais pobre da Europa e o segundo mais pobre do mundo, apenas na frente do Congo. Até a independência completa do país em 1944, a Islândia ainda era o país mais pobre da Europa, e Reykajvík não passava de uma vila de pescadores.
Enfim, mesmo com o recente colapso econômico, os islandeses ainda tem muito do que se orgulhar nas conquistas de apenas poucas gerações.
Aqui vai uma seleção dos colocados do relatório de IDH publicado nesse ano:
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Número de estrangeiros na Islândia cai pela metade em seis meses
17/12/08 11:16
O Ministério do Trabalho islandês divulgou números interessantes nessa semana sobre o número de estrangeiros no mercado de trabalho islandês.
Atualmente há cerca de 10,000 estrangeiros trabalhando na Islândia. Há seis meses atrás esse número era o dobro, cerca de 20,000. Isso confirma o que já ouvi falar e li à respeito nos jornais muitas vezes, que os estrangeiros estão deixando a Islândia em massa devido à crise financeira por aqui. Ainda assim, metade dos estrangeiros deixando o país é um número maior do que eu imaginava.
Muitos estrangeiros foram demitidos, e acredito que seja de praxe na Islândia se demitir os estrangeiros primeiro e só depois os islandeses. Mas ainda, muitos que tinham vindo pra Islândia atraídos pelos salários altos, agora estão deixando o país por escolha própria, já que em muitos casos, com o colapso da moeda islandesa, os salários aqui já não são mais tão atraentes. Já ouvi de conhecidos poloneses, que já não vale mais à pena ficar por aqui por que pelo salário atual em krona, eles conseguem ganhar mais na Polônia.
Um outro motivo para essa queda tão grande no número de estrangeiros no mercado de trabalho é que o setor de construção civil, em que quase todos os trabalhadores eram estrangeiros, parou nos últimos meses - parou mesmo - e na grande maioria dos casos todos os trabalhadores foram demitidos. Reykjavík está cheia de guindastes abandonados, e canteiros de obra parados e muitas vezes sem máquinas porque estas foram vendidas para se tentar recuperar alguma parte do investimento.
A queda no número de estrangeiros na Islândia é ainda mais impressionante se compararmos o número atual com o número de estrangeiros no final de 2006, que era de cerca de 24,000.
Não só estrangeiros estão deixando a Islândia, mas os próprios islandeses também. Seria interessante saber o número exatato de islandeses que deixaram o país desde o início da crise. A única estatística nesse sentido que já fiquei sabendo foi sobre uma feira recente em Reykjavik de empregos na Noruega, que atraiu mais de 3,000 pessoas, ou 1% da população. Todo mundo aqui conhece alguém que está mudando para um dos países nórdicos ou para o Reino Unido em busca de trabalho. O possibilidade de um “brain-drain”, da perda de profissionais qualificados, é um risco grande para a Islândia no momento.
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Desemprego subindo na Islândia
15/12/08 21:00
A taxa de desemprego na Islândia continua a subir. A taxa oficial no país aumentou para 3.3% em Novembro, em comparação com a taxa de 1.9% porcento em Outubro.
Antes da crise a taxa de desemprego era de 1%. A previsão é de que chegue à 10% em meados de 2009.
No final de Outubro 6,350 pessoas estavam registradas como desempregadas, mas o Ministério do Trabalho anunciou que o número atual hoje é de 8,461 pessoas. O que significa que 250 pessoas estão perdendo o emprego à cada dia útil do mês.
Os estrangeiros representam 15% da população de desempregados, o que significa que o desemprego entre estrangeiros é maior do que entre islandeses.
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Petróleo em águas islandesas
01/12/08 23:36
Quando discutindo a crise econômica atual com amigos islandeses, frequentemente é mencionado o argumento de que a economia islândesa vai se recuperar com a ajuda de grandes reservas de petróleo que devem começar a ser exploradas no ano que vem em uma região chamada Dreki ("Dragão") no mar a 300 km ao nordeste da Islândia.
Essas reservas de petróleo e gás seriam, dizem os islandeses, ainda maiores que as do Mar do Norte que são compartilhadas pela Noruega e Reino Unido, e seriam suficientes para tornar a Islândia o maior exportador de petróleo da Europa.
Fiz uma pesquisa para confirmar os fatos, e realmente essas reservas de petróleo já são conhecidas há cerca de 20 anos, mas até recentemente se conserava que o custo de extração seria alto demais. Parace que agora, no entanto, o governo islandês acredita que a tecnologia de extração de petróleo em águas profundas avançou o suficiente para possibilitar a exploração dessas reservas. Um relatório do governo publicado recentemente sobre o assunto cita inclusive exploração de petróleo na costa brasileira à profundidades semelhantes.
Durante uma conferência em Agosto desse ano, o Ministro da Indústria Össur Skarphedinsson disse: "Nós temos grande esperança de encontrar petróleo na região de Dreki, já que pesquisa científica indica a possibilidade de grandes reservas naquela área. É claro para nós que a descoberta de petróleo e gás poderá ter um grande impacto positivo na economia islandesa."
E o ministro está certo. Com uma população tão pequena, apenas 300 mil habitantes, se as previsões do tamanho dessas reservas de petróleo estiverem mesmo corretas, a Islândia poderia mesmo se tornar um país extremamente rico nas próximas décadas.
A exploração das reservas começará em 2009, com empresas estrangeiras fazendo a extração sob licensa do governo islandês.
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Protestos atraindo mais e mais gente
25/11/08 22:45
No último sábado os islandeses novamente se reuniram em protesto na frente do prédio do parlamento islandês, no centro de Reykjavík. Dessa vez sete mil pessoas compareceram ao protesto, pedindo a renúncia do Primeiro Ministro, do presidente do banco central islandês e a convocação de eleições imediatamente. O primeiro protesto, que começou há sete semanas atrás, tinha apenas um grupo de dez pessoas, mas com a situação econômica no país de agravando, à cada semana o protesto tem crescido muito em tamanho.
Durante o protesto, um homem escalou a frente do prédio do parlamento e colou uma placa no balcão dizendo "Vendido por $2.1 bilhões" - em referência ao acordo da Islândia com o FMI na semana passada.
No final do protesto um grupo menor, de cerca de 400 pessoas seguiu para a principal delegacia de polícia de Reykjavík onde protestaram na porta contra a prisão de um membro do protesto na semana anterior e exigiram que ele fosse libertado. A polícia reagiu com spray de pimenta para dispersar a multidão.
O vídeo abaixo, de uma reportagem do canal ITV britânico, mostra cenas do protesto na praça em frente do parlamento e também na frente da delegacia de polícia, incluindo o momento em que a polícia usou o spray de pimenta na multidão.
Voto de Não-Confiança
Ontem foi votado no parlamento islandês uma resolução de não-confiança no governo, proposta pelo Partido Progressista, de oposição. A resolução pedia a dissolução do parlamento e novas eleições imediatas.
Como os partidos que formam o governo atual tem a maioria no parlamento, não foi surpresa que a proposta de não-confiança foi rejeitada pelo parlamento. Foram 42 votos contra e 18 votos à favor, depois de 5 horas de discussão.
O Primeiro Ministro, num ato na minha opinião um tanto patético, interrompeu o discurso da oposição e declarou o seu “voto de não-confiança na oposição”.
Ainda que esse voto tenha sido derrotado, acho que pelo menos foi um ato necessário por parte da oposição, e pra falar a verdade não sei porque esperaram tanto.
As próximas eleições serão em 2011, mas vários políticos, até mesmo ministros do governo atual, estão fazendo pressão para que eleições aconteçam nos próximos meses.
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FMI aprova empréstimo de $2.1 bilhões para a Islândia
20/11/08 00:10
O Fundo Monetário Internacional anunciou hoje a aprovação de um pacote de ajuda para a Islândia. O governo vem esperando por semanas por essa decisão, que foi adiada várias vezes em função das disputas entre a Islândia e Inglaterra e Holanda sobre a restituição dos depósitos de clientes de bancos islandeses falidos naqueles países.
Primeiro Ministro Geir Haard e a Ministra de Relações Exteriores Ingibjörg Sólrún Gísladóttir anunciando o empréstimo do FMI
O empréstimo aprovado pelo FMI é de 2.1 bilhões de dólares. Desse total, 827 milhões estão disponíveis imediatamente, e o resto será disponibilizado em oito parcelas trimestrais de 155 milhões de dólares sujeitas à aprovação do desempenho do programa de reforma econômica governo. O empréstimo devera ser repago em 2012-2015.
Com o anúncio do FMI, outros países anunciaram mais empréstimos para a Islândia. Noruega, Dinamarca, Finlândia, Ilhas Faroes, e Polônia, juntos, ofereceram mais 3 bilhões de dólares à Islândia.
Foi anunciado também um acordo entre a Islândia e Inglaterra, Holanda e Alemanha, em que a Islândia concordou em restituir os depósitos de clientes estrangeiros nesses países que perderam seu dinheiro com a quebra dos bancos islandeses, até o máximo de 26 mil dólares por cliente. O total que o governo islandês tem que pagar para esse países é por volta de 4.3 bilhões de dólares. Como a Islândia não tem esse dinheiro, a Inglaterra, Holanda e Alemanha vão emprestar esses 4.3 bilhões para a Islândia que deverá ser usado para pagar as restituições - ou seja, efetivamente, os governos da Inglaterra, Holanda e Alemanha vão restituir o dinheiro aos clientes e o governo islandês vai assumir a mesma quantia como dívida para com aqueles países.
Somando todos esses empréstimos anunciados nos últimos dias, o governo islandês está recebendo quase 10 bilhões de dólares em empréstimos, o equivalente à mais de 30 mil dólares de dívida por habitante e há 110% do PIB do país previsto para 2009 - o que faz da Islândia um dos países mais endividados do mundo por cabeça da população.
Segundo o FMI, essa é a re-estruturação de um sistema bancário mais cara de todos os tempos, em termos de custo por habitante.
E como nós brasileiros sabemos muito bem, com empréstimos do FMI vem imposições de política econômica que muitas vezes são um remédio pior do que a doença.
O governo ainda vai tentar vender parte do patrimônio dos bancos falidos, mas ninguém sabe quanto dinheiro pode ser levantado dessa venda. Os novos bancos abertos pelo governo (Novo Glitnir, Novo Landsbanki, Novo Kaupthing) serão sem dúvida privatizados pelo governo em algum ponto no futuro, mas ainda vai demorar muitos anos para que esses novos bancos venham a valer alguma coisa.
A reação da imprensa em geral, e também do povo islandês em relação à esses empréstimos que foram aprovados hoje foi uma mistura de alívio e de preocupação. De um lado, alívio de finalmente algo estar acontecendo para mudar a situação atual e começar a reconstrução de economia. Por outro lado, há também muita preocupação de que pode ser que leve décadas para que esses empréstimos sejam pagos, e que enquanto isso os impostos, que já estão entre os mais altos do mundo, terão que ser aumentados para gerar o dinheiro para pagamento das dívidas. E ainda, há uma grande preocupação de que todos esses bilhões de dólares podem acabar indo pelo cano na tentativa de defender a desvalorização da krona.
No momento a cotação da krona no mercado islandês é definida por pequenos leilões de moeda feitos pelo banco central toda manhã - mas, efetivamente a cotação está fixa pelo governo. Fora da Islândia, a krona praticamente não tem valor, não é aceita pela maioria dos bancos internacionais e os que aceitam estipulam sua própria cotação muito menos favorável que a do banco central islandês. O governo islandês pretende re-introduzir a krona no mercado internacional e deixá-la flutuar livremente no início de Janeiro próximo - muita gente acredita que quando isso acontecer a krona vai despencar ainda mais e o governo vai acabar gastando bilhões de dólares tentando em vão segurar o valor da moeda.
O panorama econômico para a Islândia em 2009 será ruim, disso não há dúvida - já o quanto ruim vai depender do que acontecer quando a krona for re-introduzida no mercado livre internacional em Janeiro. De qualquer maneira, as previsões publicadas pelo governo para 2009 são: redução de 10% no PIB islandês, inflação de 23%, e desemprego que pode chegar à 10%. Eu diria que essas são previsões otimistas.
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Protesto pontual
17/11/08 01:27
Nesse último sábado, pela quarta vez desde que a crise econômica começou aqui na Islândia, os islandeses se juntaram em protesto na frente do prédio do parlamento, para pedir a renúncia do primeiro ministro e do diretor do banco central. Os protestos tem se tornado cada vez maiores, o primeiro, há quatro semanas atrás teve 2 mil participantes, o desse último fim de semana teve mais de 5 mil pessoas enchendo a praça na frente do parlamento, empunhando placas e gritando suas reivindicações.
Eu compareci à esse último protesto, que na melhor tradição de organização e pontualidade islandesa, tinha hora pra começar hora pra terminar. Foi programado para as 15:00, até as 16:00.
Haviam muitas famílias, pais com crianças e muita gente com placas. Haviam também várias bandeiras da União Européia, reforçando a reivindicação de que é hora da Islândia entrar para a União Européia e adotar o euro, o que ainda é, mesmo nesse tempo de crise, um assunto polêmico entre os islandeses. Pelo menos, agora sob pressão, o governo anuncou na semana passada que fará um estudo sobre a possibilidade da Islândia se juntar à União Européia, e o impacto que isso teria no setor de pesca, que é o principal setor econômico na Islândia, e que perderia sua exclusividade sobre as águas territoriais islandesas no caso do país se juntar à União Européia.
O que todos concordam mesmo, é que o governo atual é incompetente, não soube evitar essa crise, e na verdade piorou muito as coisas com vários erros desde que a crise começou. Os islandeses querem ver mudança no governo, e não querem esperar a próxima eleição, que será apenas em 2011.
Tinha também no protesto muita gente agitada, jogando ovos e tomates no prédio do parlamento. O prédio do parlamento, que deve ser o menor da Europa, estava coberto de manchas de ovos e tomates, e cercado se sujeira e posters e placas no final do protesto. Eu só vi menos e dez policias observando de longe a multidão de cinco mil pessoas, com cara de assustados, esperando o protesto terminar para chamarem a equipe de limpeza.
Pelo menos os fazenderios que produzem ovos devem estar se dando bem no momento - a demanda nunca deve ter sido tão grande quanto agora!
Acho bom os islandeses se manifestarem, mostrarem ao governo que o povo está insatisfeito. Por enquanto o governo está ignorando a voz do povo. Nenhum dos ministros, nem mesmo o presidente do banco central, o homem mais odiado da Islândia, ofereceram sua renúncia. Mas, com os protestos se tornando cada vez maiores, vai ficando difícil de se fingir que está tudo bem.
O protesto foi intenso, mas como planejado, às 16:00 tudo terminou e a multidão se dispersou ordeiramente.
No próximo sábado e conto mais sobre o próximo protesto.
Forbes: Islândia tem o melhor sistema de saúde do mundo
12/11/08 13:06
A Islândia está em primeiro lugar na lista de sistemas de saúde pública no mundo, publicada pela revista de negócios americana Forbes. A pesquisa da revista investigou os sistemas de saúde de vários países e a saúde em geral das populações, usando dados das Nações Unidas e da World Health Organization.
As áreas em que a Islândia brilha são, segundo a revista, a alta expectativa de vida para homens e mulheres, a erradicação de tuberculose no país, a melhor taxa de sobrevivência do mundo ao câncer do seio, e a baixíssima taxa de mortalidade infantil que é a menor do mundo. O artigo da revista também diz que a Islândia tem o maior número de médicos e de enfermeiras per-capita do mundo.
Logo abaixo da Islândia na lista ficaram Suécia, Finlândia, Alemanha, Dinamarca e Canadá. O Brasil não aparece na lista.
O sistema de saúde na Islândia é completamente público, todos os hospitais são públicos. Consultas à médicos não são completamente gratuitas, mas existe um teto de quanto é que cada pessoa pode pagar por ano, que é até baixo, e acima disso o governo paga todos os custos. Qualquer procedimento médico que exija que o paciente passe a noite no hospital é completamente coberto pelo governo - o que eu já ouvi falar que gera alguns problemas, com enfermeiras e médicos às vezes deixando gente passar a noite no hospital quando não é necessário, só para não precisarem pagar pelo tratamento ou cirurgia.
Foto do prédio principal do Hospital Nacional
A minha experiência pessoal com o sistema de saúde islandês tem sido muito positiva. Não tenho do que reclamar, especialmente comparado ao terrível sistema de saúde da Inglaterra, onde morei por sete anos antes de mudar pra cá. Aqui na Islândia eu visitei médicos algumas vezes e fiz uma pequena cirurgia no ano passado para corrigir um desvio de septo no nariz. Tudo foi sempre muito profissional, sem esperas longas, e só paguei uma pequena parte do custo das consultas e cirurgia, com o governo pagando o resto.
Todas as vezes que visitei um médico, reparei na preocupação em checar minha documentação para ter certeza de que eu tenho direito a tratamento financiado pelo governo, isso é porque somente depois de seis meses morando legalmente na Islândia com visto de residência, e pagando impostos, é que um estrangeiro passa a ter acesso ao sistema público de saúde. Antes desses seis meses, o estrangeiro tem que pagar por todos os custos sem exceção. Eu entendo que com uma população tão pequena, o governo tenha mesmo que tomar cuidado para não ser inundado com "turistas” do sistema de saúde.
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Navios cargueiros saindo do país cheios
12/11/08 00:36
As duas transportadoras marítimas islandesas, Samskip e Eimskip divulgaram nos últimos dias o fato de que seus navios estão saindo da Islândia nas últimas semanas completamente cheios e voltando praticamente vazios, o que é uma inversão do que aconteceu nos últimos anos.
Com a queda da krona os principais produtos de exportação da Islândia, peixes e alumínio, ficam mais baratos e portanto mais fáceis de serem exportados.
As transportadoras também revelaram o fato de que um grande volume de equipamentos usados de construção, como tratores, guindastes, etc, estão sendo exportados. O motivo seria que com as obras paradas por causa da crise, as construtoras estão vendendo os equipamentos para conseguir gerar capital. Nos últimos anos houve uma explosão de construção de prédios na região da capital, e eu imagino que a maioria desses prédios novos devem estar vazios. Ainda, existem obras inacabadas, e agora paradas, por todos os lados em Reykjavík.
Algumas concercionárias também estão exportando carros usados, já que muita gente que tinha comprado carros com empréstimos em moeda extrangeira agora já não conseguem mais pagar as prestações e querem se livrar de seus carros. Parece que nunca houve tanto carro usado à venda no país, e por aqui ninguém está comprando.
E o motivo dos navios cargueiros voltarem vazios é fácil de se explicar. A proibição de remessa de dinheiro para o exterior que não seja para comida ou remédios ainda continua, e também a krona ainda não foi regularizada no mercado internacional.
Minhas desculpas aos leitoras que estão cansados de ler apenas sobre a crise. Vou tentar postar outros assuntos também, mas não se fala de mais nada por aqui na Gelolândia no momento.
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Protestos se tornam mais agitados
10/11/08 00:48
No sábado passado houve um novo protesto na frente do prédio do parlamento islandês, como já vem acontecendo todo sábado nas últimas três semanas. Dessa vez o público estava mais agitado, houve um empurra-empurra com a polícia e um homem foi preso - deve ser a primeira prisão por protesto na história do país, que não tem tradição de manifestações públicas.
O povo está mesmo ficando mais impaciente e agitado por aqui. Nesse protesto havia gente jogando ovos e pedras no prédio do parlamento. A polícia declarou que a situação estava tensa e que não faltou muito para que a situação saísse mesmo de controle.
Um homem chegou a subir no telhado do prédio do parlamento e trocar a bandeira do país por uma bandeira com o símbolo da rede de supermercados islandesa Bônus, como um ato de protesto ao fato de que o governo parece ter se vendido às grandes empresas.
Segundo as autoridades, o número de pessoas no protesto desse último sábado foi de 4 mil pessoas, o que representa mais de 3% da população da capital. O protesto tem hora marcada, todo sábado às 15:00.
Acho bom mesmo os islandeses acordarem e colocarem pressão nos políticos.
Enquanto isso, uma pesquisa divulgada nesse último fim de semana mostrou que um terço dos islandeses dizem estar considerando se emigrarem para outros países por causa da crise.
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Falências, demissões e cortes de salário
05/11/08 13:26
As conseqüências do colapso do sistema financeiro e falência dos bancos islandeses na economia em geral estão começando a aparecer. E existe uma atmosfera no momento de que ainda vai piorar antes de melhorar.
Duas grandes falências ocorreram nessas últimas duas semanas. A primeira foi a companhia aérea Sterling Airlies que operava na Escadinávia e pertencia a um grupo de investimento islandês. A companhia tinha 27 avião, e operava rotas para 39 cidades no norte da Europa. O grupo islandês de investimentos, FL Group, que era dono da Sterling decidiu declarar falência à companhia aérea depois das perdas que sofreu com a quebra dos bancos.
Outra vítima a crise foi a maior rede de eletro-eletrônicos da Islândia, a BT, que fechou suas sete lojas na sexta-feira passada.
Apenas no mês de Outubro mais de 3 mil pessoas perderam seus empregos, o equivalente à 2% da população economicamente ativa da Islândia. A maioria das demissões foram no setor financeiro e de construção civil, mas praticamente todos os setores da economia estão demitindo no momento.
Eu encontrei ontem com dois amigos que trabalhavam no setor de informática para um dos bancos que faliram, e agora estão desempregados. Os dois me disseram que estão considerando sair do país e ir trabalhar em outro país europeu, nos EUA ou no Oriente-Médio, pela razão de que nenhuma nenhuma empresa islandesa está contratando, pelo contrario, todas estão demitindo. Acho que muita gente vai acabar se mudando da Islândia nos próximos meses e anos, não só estrangeiros mas islandeses também.
A grande maioria das empresas estão cortando salários, e forçando parte dos empregados a trabalhar meio-horário por metade do salário.
O pior pra todo mundo eu acho que é a incerteza. Ninguém sabe se amanhã ainda terá um emprego - já ouvi gente falando que checa na internet de manhã pra ver se a empresa faliu antes de ir pro trabalho.
A krona continua sem valor no mercado internacional, as remessas de dinheiro para o exterior ainda estão limitadas pelo governo à apenas importações de comida e remédios, e os preços vem subindo bastante.
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Islândia é o melhor lugar do mundo para liberdade de imprensa
03/11/08 21:57
Na semana passada foi publicado o relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras sobre a situação global da liberdade de imprensa. O relatório coloca a Islândia, junto com Luxemburgo e Noruega no topo da tabela que julga vários fatores como liberdade de expressão, tratamento de jornalistas e independência dos meios de imprensa.
O Brasil ficou em na posição de número 82 no relatório, dentre os 173 países analisados. Veja aqui a lista completa.
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Vizinhos nórdicos vem à ajuda da Islândia
30/10/08 13:19
Num encontro de emergência na Finlândia, ao qual compareceu também o primeiro-ministro islandês, os países nórdicos concordaram em oferecer ajuda à Islândia de forma coordenada.
Como condição à essa ajuda, o empréstimo de 2 bilhões de dólares do FMI para a Islândia tem que ser aprovado, o que se espera deva acontecer no dia 10 de Novembro.
No final do encontro, Geir Haarde, primeiro ministro da Islândia, disse:
"Somos extremamente gratos ao apoio recebido durante o encontro em Helsinki. O apoio do grupo nórdico de países representa uma ajuda importante à Islândia. Nós sobreviveremos à crise e dela emergiremos como uma nação ainda mais forte. A Islândia está contando com a ajuda de seus vizinhos nórdicos para restaurar a economia islandesa depois da quebra dos bancos. A solidariedade expressada pelos países nórdicos é de extrema importância para nós. Também temos esperança que esse diálogo será um passa à frente para fortalecer a cooperação e aliança entre os países nórdicos frente à crise financeira que ameaça desestabilizar tantos países."
Haarde também declarou que a Islândia precisa, além dos 2 bilhões de dólares negociados com o FMI, de mais 4 bilhões de dólares para estabilizar a economia.
Pequenos vizinhos oferecem ajuda
Enquanto os primeiros ministros dos países nórdicos estavam reunidos nessa última semana em Helsinki, a Islândia recebeu ofertas de ajuda inesperadas de dois vizinhos: as Ilhas Faroes e a Groenlândia.
As Ilhas Faroe, um grupo de ilhas entre a Grã-Bretanha e a Islândia que são uma província autônoma do Reino da Dinamarca, tem uma cultura e língua muita parecidas com a islandesa. As ilhas tem apenas 48 mil habitantes. O parlamento foroês ofereceu nessa semana um empréstimo de 50 milhões de dólares à Islândia.
A Groenlândia, outra província autônoma do Reino da Dinamarca, apesar de ter um grande território tem uma população pequena de apenas 57 mil habitantes. O parlamento groenlandês declarou que a Islândia é "um amigo precisando muito de ajuda", e disse que apesar da Groenlândia estar enfrentando seus próprios problemas de orçamento doméstico, que seria possível fazer cortes necessários para possibilitar um empréstimo à Islândia igual ao oferecido pelas Ilhas Faroe, de 50 milhões de dólares.
A reação aqui na Islândia às ofertas de ajuda das Ilhas Faroe e da Groenlândia foi ambivalente. De um lado os islandeses estão gratos pela ajuda dos seus pequenos vizinhos e tocados pelo gesto, mas ao mesmo tempo se sentem humilhados pelo fato de as províncias dinamarquesas que são ainda tão menores que a própria Islândia agora se encontrarem em posição tão melhor ao ponto de poderem oferecer dinheiro ao antigo Tigre Ártico.
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Islandeses sendo maltratados no exterior
26/10/08 21:23
Nos últimos dias ouvi várias histórias de islandeses sendo maltratados no exterior, por causa da falência dos bancos islandeses que fez com que muita gente em vários países perdessem dinheiro.
Em Glasgow, no Reino Unido, um casal foi expulso de uma loja de roupas quando disseram que eram islandeses,
Em Londres, um homem islandês levou um cuspe na cara e muitos insultos quando casualmente revelou sua nacionalidade.
Na Dinamarca, uma mulher islandesa foi recusada a venda de um plano de telefonia celular, e o motivo alegado foi “não servimos islandeses aqui”.
E várias outras histórias. Praticamente todo mundo aqui tem uma pra contar de conhecidos no exterior.
É claro que os islandeses não tem culpa das ações dos bancos e dos governantes, e é muita ignorância culpar todo o povo de um país por perdas no mercado financeiro.
Carros arranhados
Algo similar está acontecendo dentro da Islândia contra os que são percebidos como ricos, ou como algo que veio a ser considerado pior que o próprio diabo, “banqueiros”. Ouvi dizer que muita gente que tem carros grandes e caros está encontrando seus carros arranhados e amassados, por islandeses que assumem que os dono dos carrões devem ser banqueiros, e logo responsáveis pela grave situação em que o país se encontra.
Uma história que eu ouvi foi de um senhor que havia acabado de estacionar seu carro, quando uma mulher veio correndo com um carrinho de supermercado e acertou o carro em cheio com o carrinho, amassando a porta do carro. A mulher gritava ofensas ao “banqueiro”, que na verdade não tinha nada a ver com bancos mas sim era um médico, e que tinha provavelmente ele mesmo perdido dinheiro na crise também.
Ao meu ver, esse tipo de atitude é ridícula, e mostra tanta ignorância quanto os maus tratos dos islandeses no exterior. Ainda pior - já que nesse momento de crise é necessário união e não ataques e ignorância.
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Protesto pede renúncia do primeiro-ministro
26/10/08 21:13
Aconteceu ontem um protesto em frente do parlamento em Reykjavík, pedindo a renúncia do primeiro-ministro Geir Haarde e do presidente do banco central Davið Oddsson, e a convocação imediata de eleições para formação de um novo governo. Segundo os organizadores, cerca de 2 mil pessoas compareceram ao protesto.
Os manifestantes também pediam que a Islândia entre para a União Européia, o que o governo atual é contra.
Eu não sabia do protesto nesse fim de semana, mas parece que vai haver protesto todo fim de semana nas próximas semanas. Vou tentar comparecer ao próximo.
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"Não somos terroristas, Sr. Brown"
23/10/08 09:31
A crise financeira atual na Islândia tem causado vários problemas dentro do país, isso é certo, mas há ainda uma vítima da crise que pode não ser tão óbvia para aqueles que observam de fora: o relacionamento amistoso entre a Islândia e a Inglaterra.
Os islandeses não vão esquecer tão cedo as ações do governo britânico nas últimas semanas, principalmente o uso de leis anti-terrorismo para bloquear o patrimônio dos bancos islandeses na Inglaterra, mesmo alguns bancos que não tinham nem relação nenhuma com o fundo de investimento Icesave que o governo britânico disse estar protegendo com suas ações. O tal bloqueio causou a falência e subseqüente nacionalização do maior banco islandês e o único banco que havia sobrado de pé depois da falência dos outros dois.
Na semana passada, o governo islandês fez uma declaração formal de protesto à OTAN e à União Européia contra o governo britânico.
Há também uma frustração muito grande na Islândia quanto à atitude atual do governo britânico, que está tentando forçar o governo islandês a assumir como divida do governo os 4 bilhões de libras (cerca de 6,5 bilhões de dólares) que os cientes britânicos tinham na filial britânica do falido banco islandês Landsbanki. Isso seria o equivalente de cada pessoa na Islândia tomar uma dívida de 20 mil dólares.
Enfim, os islandeses estão se sentindo como o menino baixinho e fraco no playground, que está sendo empurrado e intimidado pelo vizinho grande, forte, e maldoso.
Como uma reação à esta crise de relacionamento entre os dois países, e especialmente ao uso de leis anti-terrorismo na Inglaterra para o boqueio de bens dos bancos islandeses, surgiu o site InDefense,is (em islandês e inglês) que tem várias fotos de islandeses passando para o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, a mensagem de que não são terroristas. O site também tem uma petição que, no momento, já foi assinada por mais de 24 mil pessoas - um número considerável quando comparado à população islandesa de 300 mil.
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O dia-à-dia da crise
21/10/08 01:13
O colapso da economia islandesa começou há três semanas atrás, E nesse tempo recorde a economia do "Tigre Ártico" foi reduzida à ruínas. Os três bancos comerciais islandeses faliram e foram nacionalizados e a moeda islandesa perdeu tanto valor que é praticamente impossível usá-la no mercado internacional. Mas, e quanto ao dia-à-dia atual, como estão as coisas? É essa pergunta que vou tentar responder aqui.
Apesar do colapso da economia, para a maioria dos islandeses ainda não se sente muita diferença no dia-à-dia, só mesmo a alta nos preços não só de produtos importados mas dos essenciais também. O preço do litro de leite, por exemplo subiu 11% na semana passada.
É claro que a coisa é diferente para os centenas de trabalhadores que perderam seus empregos nas últimas semanas e que enfrentam sérias dificuldades em conseguir um novo emprego num mercado onde ninguém está contratando. Só um dos bancos, Landsbanki, sob administração do governo, demitiu um terço dos seus empregados, 500 pessoas. Um conhecido meu que estava trabalhando num escritório do banco na Espanha encontrou simplesmente a porta fechada na semana passada, com um aviso de que os islandeses deveriam pagar sua passagem de volta à Islândia com dinheiro do próprio bolso.
Incerteza
A palavra que melhor define a situação atual seria "incerteza". O clima geral é de que ninguém sabe ao certo o que vai acontecer nos próximos meses, mas todos sabem ainda veremos várias empresas fechando as portas e muita gente sendo demitida. Tudo o que se fala no momento é sobre a crise e as opiniões de cada um sobre quais empresas vão falir e quais vão conseguir sobreviver a crise.
Nos últimos dias os jornais tem especulado bastante sobre a situação da maior empresa islandesa, a Actavis, um dos maiores fabricantes de medicamentos genéricos do mundo, com mais de 11 mil empregados em 40 países, e arrecadação anual de 1.7 bilhões de euros. Ficou claro nessa semana que a Actavis tem uma dívida de 4 bilhões de euros com o Deutsche Bank, o que desencadeou os boatos de que a empresa poderia ser vendida, além do fato de que o dono da Actavis era dono de 45% de um dos bancos falidos. O boatos continuam.
Outro gigante da economia islandesa que anda no momento na corda bamba é Baugur, uma empresa que é dona de um império que inclui metade do setor de varejo da Inglaterra. O dono do Baugur é o bilionário Jón Ásgeir, o inimigo jurado do presidente do banco central islandês, e que costumava a ser dono de um terço de um dos bancos falidos. Nas palavras de Jón, a venda forçada e subseqüente nacionalização do banco Glitnir pelo governo islandês foi "o maior assalto à banco da história".
Frustração
Além do clima de incerteza, ha também muita frustração, podemos chamar até de raiva, no momento. Os alvos principias dessa frustração são: o banco central islandês e seu presidente Davið Oddsson (por não ter prevenido essa bagunça com limites no volume de investimentos e dívidas dos bancos), o governo britânico (por ter congelado o patrimônio dos bancos islandeses e assim causado a falência do maior banco islandês), e por último os bilionários islandeses que tem que leva parte da culpa por construírem seus impérios financeiros tão precariamente.
Durate o fim de semana houve uma manifestação em Reykjavík pedindo a renúncia de Davið Oddsson, presidente do banco central. Essa manifestação não parece ter sido muito grande, apenas algumas centenas de pessoas pelo que eu li. Ainda assim, protestos de rua não são parte da tradição islandesa, o que mostra o nível de frustração do povo. Eu prevejo protestos maiores e mais freqüentes no futuro.
Quanto vale a krona?
A situação da moeda islandesa, a krona, é verdadeiramente bizarra no momento. O dólar no início do ano valia 60 kronur, chegou a valer 128 na semana passada, e no momento está em 112. Pelo menos essa e a cotação oficial. A verdade, no entanto, é que a krona está praticamente sem valor nenhum no mercado internacional e que para os islandeses está praticamente impossível comprar moeda estrangeira.
Dentro da Islândia, o governo só permite no momento a compra de moeda estrangeira, pela cotação que o governo define diariamente, apenas para aqueles que estão com passagem aérea na mão.
O mais grave para empresas islandesas é que remessas de dinheiro para o exterior estão proibidas no momento, com exceção das remessas destinadas à compra de alimentos ou medicamentos. Com essas restrições muitas empresas islandesas estão encontrando sérias dificuldade - vamos lembrar mais uma vez que praticamente tudo nesse país é importado. A empresa onde eu trabalho, por exemplo, só está conseguindo importar equipamentos de informática para seus clientes quando pagando por eles com dinheiro da filial da empresa na Dinamarca.
Envio de dinheiro para a Islândia também está praticamente impossível, simplesmente porque os bancos estrangeiros não confiam no banco central islandês. A maioria dos bancos estrangeiros no momento se recusa a enviar dinheiro para a Islândia, citando o problema de que o câmbio é indefinido e de que não confiam de que o dinheiro vá mesmo chegar nas mãos do destinatário.
A cotação da krona no exterior no momento é incerta. A maioria dos bancos se recusa a trabalhar com kronas, e os que aceitam a moeda islandesa estipulam sua própria cotação. Já ouvi dizer, por exemplo, que um banco suíço está usando a cotação de 400 kronur para 1 euro, enquanto a cotação oficial do governo islandês é de 150 kronur para 1 euro.
O banco central, que acabou nas últimas semanas com as pequenas reservas que tinha, precisa e dinheiro para usar no controle do valor da Krona. Parece que um empréstimo do FMI de 6 bilhões de euros vai sair em breve.
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Entrevista no Estadão
09/10/08 23:47
Conversei com um jornalista do jornal Estado de São Paulo hoje sobre a grave situação da economia islandesa. A reportagem deve ser publicada no caderno de economia do Estadão amanhã, dia 10 de Outubro.
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mais um dia, mais um banco cai
09/10/08 22:28
O maior banco islandês, Kaupthing, foi nacionalizado hoje para evitar sua completa falência. Essa é a terceira nacionalização de bancos na última semana, e completa a total quebra do sistema financeira na Islândia - agora todos os bancos islandeses foram nacionalizados à beira da falência, não sobrou nenhum. Até algumas semanas atrás os bancos islandeses tinham mais de 140 bilhões de dólares em patrimônio, que representava nove vezes o PIB da Islândia, e hoje eles não valem nada, as ações valem zero.
A situação com o dinheiro de clientes ingleses nos bancos islandeses está virando uma novela de acusações e ameaças entre os dois países. Os britânicos tinham mais oito bilhões de dólares em bancos islandeses, que o governo islandês já anunciou que não pretende devolver já que não tem nenhum dinheiro em caixa. Nas palavras do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, hoje: "Esta é uma situação extraordinária, onde um país, efetivamente, deu calote em outro." - Ele estava tentando justificar o uso, instituído hoje pelo governo britânico, de legislação anti-terrorismo para confiscar o patrimônio de bancos islandeses no Reino Unido.
O governo islandês parou hoje o mercado de câmbio e a bolsa de valores, que só vão reabrir na semana que vem. A cotação da coroa islandesa é incerta no momento, e ninguém quer ficar com coroas na mão. Cada empresa de cartão de crédito no momento está usando cotações diferentes que acham que seja a certa. Dirigi pelo centro de Reykjavík hoje e vi muita gente nas agências bancárias, algumas até com filas do lado de fora - imagino que seja gente retirando seu dinheiro para colocar embaixo do colchão, ainda mesmo que o governo tenha garantido que os depósitos dos islandeses estão seguros.
Foi também anunciada hoje a primeira onda de demissões dessa crise. O segundo maior banco islandês, Landsbanki, está sendo re-estruturado pelo governo e um terço da força de trabalho será cortada, o que significa que 500 empregados serão despedidos.
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"Poderia ser pior, você poderia estar na Islândia"
09/10/08 01:00
Esse foi o título do artigo publicado hoje no jornal britânico Guardian, e dá uma boa idéia da gravidade da situação da economia da Islândia no momento. A situação econômica na Inglaterra e na Europa em geral vai mal, mas aqui na Islândia está muito pior.
Nas últimas duas semanas, dois dos três maiores bancos islandeses foram nacionalizados para evitar a total falência, e seus acionistas perderam todo o dinheiro que tinham investido em ações dos bancos. O único banco islandês que sobrou de pé, o Kaupthing, recebeu um grande empréstimo do governo, mas mesmo assim a situação do banco é incerta.
Plano de resgate
Na última segunda-feira o governo islandês, em sua imensa sabedoria, anunciou que não era necessário nenhum pacote de resgate da economia, que tudo estava bem. Poucas horas depois, a moeda islandesa caiu mais 14% e mais um banco faliu. Na terça-feira, tendo então acordado para a gravidade da situação o governo anunciou um pacote de medidas para tentar estabilizar a economia.
O ponto central do pacote de resgate se concentra em dar poder ao governo de tomar controle de qualquer instituição financeira à qualquer momento. Outro ponto importante é que o patrimônio dos bancos e instituições financeiras, que se encontra 90% no exterior deve ser repatriado, assim como os gordos fundos de aposentadoria controlados pelos sindicatos, numa tentativa de se fortalecer a moeda islandesa.
A krona que ninguém quer
O dólar chegou a subir 110% nos últimos meses e a situações ficou tão feia que várias empresas estão tendo dificuldade em fazer remessas de dinheiro ao exterior porque ninguém quer comprar krona, e as reservar de moeda estrangeira no país secaram.
Primeiro Ministro precisando de guarda-costas
Saiu a notícia hoje de que o primeiro ministro islandês agora está andando com guarda-costas, depois de ter sido agredido numa academia de ginástica. Essa é a primeira vez na historia da Islândia em que um político anda com guarda-costas. Não me surpreende que alguém tenha agredido o primeiro ministro, afinal muita gente perdeu dinheiro nessa crise e há muita raiva no momento contra o governo.
Nessa semana vi várias vezes uma cena que me lembrou da minha infância. Toda vez que o primeiro ministro faz um pronunciamento na televisão, e foram vários nos últimos dias, todo mundo se reúne em volta de televisão, como costumávamos a fazer no Brasil.
Calote nos britânicos
O segundo maior banco da Islândia, que foi nacionalizado no início da semana, tem um banco na Inglaterra que foi fechado nessa semana. O banco tinha mais de 5 bilhões de dólares em depósitos de clientes ingleses. A mensagem do governo islandês, que tomou o banco é: não temos dinheiro para restituir os depósitos, o banco simplesmente faliu e o dinheiro foi perdido. O governo britânico parece que vai garantir esses depósitos, e disse hoje em tom nada amigável que vai "entrar na justiça" contra o governo islandês.
Bom, a situação por enquanto é caótica e incerta no país, que enfrenta agora um total colapso da economia. Espero que quando a tempestade passar, que o nível de vida aqui na Gelolândia no final das contas não tenha sido afetado demais pela crise.
Em resposta ao leitores que perguntaram sobre a minha situação pessoal frente à essa crise, primeiro obrigado pela preocupação. A empresa onde eu trabalho não tinha investimentos nos bancos e por isso não foi tão afetada pela crise, apesar de que vários dos clientes faliram e isso tem um impacto negativo. O meu emprego, e da minha noiva que trabalha num banco, por enquanto estão seguros; mas como para os islandeses também, à cada dia não se sabe se no final do dia ainda teremos um emprego. Temos que viver um dia de cada vez e torcer para que essa crise passe logo.
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Crise na Terra do Gelo
02/10/08 22:40
Estou na capital americana no momento, fazendo um curso pro trabalho, e por aqui tudo o que se ouve falar é sobre a crise econômica no mercado financeiro que já derrubou vários bancos americanos nas últimas semanas. O que está me preocupando, no entanto, é a crise na Islândia que vem piorando à cada dia.
Krona continua caindo
A krona atingiu hoje o menor valor dos últimos 16 anos, tendo desvalorizado 22% só nessa última semana, e mas de 70% desde o início do ano. O dolar chegou a 110 kronas hoje, sendo que no inicio do ano estava em 70 kronas.
O índice de inflação dos últimos 12 meses chegou a 14.5% nesse mês, a maior inflação dos últimos 18 anos.
Ouvi dizer que o real também perdeu um pouco do valor recentemente, mas não acredito que tenha perdido tanto quanto a moeda islandesa, 70% nos últimos 10 meses. Também, exsite uma grande diferença quanto ao impacto da desvalorização da moeda entre a Islândia e o Brasil: na Islândia absolutamente tudo que não é peixe ou laticínio é importado, o que significa que qualquer variação na moeda se traduz imediatamente em inflação.
Ainda, o que faz o problema ser ainda maior é que cerca de um terço dos financiamentos de imóveis na Islândia são em moeda estrangeira, como são 70% dos empréstimos das empresas islandesas. Grande parte dos financiamento de carros é em moeda estrangeira também. Agora muita gente está numa situação de não conseguir mais pagar o financiamento da sua casa, pagamentos que em menos de um ano quase dobraram.
Um banco americano hoje apontou a krona islandesa como uma das moedas menos estáveis do mundo, melho apenas do que as moedas do Zimbabwe e Turquemenistão.
Parece que a maior causa para a queda da krona é a falta de confiança do mercado internacional no sistema financeiro islandês. O banco central islandês simplesmente não tem dinhero suficiente para socorrer todos os bancos do país.
E falando em bancos...
Bancos em apuros
Há poucos dias atrás o governo islandês gastou dois bilhões de dólares (que havia pegado emprestado para tentar conter a queda da krona) comprando 75% das ações do terceiro maior banco da Islândia, chamado Glitnir, para evitar o colapso do banco. Hoje, o maior banco da Islândia, o Landsbanki, vendeu todas as operações estrangeiras para levantar fundos para se manter em funcionamento.
E mesmo daqui de longe já fiquei sabendo de boatos de várias das maiores empresas islandesas estarem à beira da falência.
Os jornais no momento mencionam com alarde qualquer encontro entre diretores de bancos e o governo. Na noite passada, por exemplo, de acordo com os jornais, o diretor de outro grande banco islandês chamado Kaupthing se encontrou com o primeiro ministro às 10 das noite.
Governo Nacional de emergência?
A situação da economia islandesa está tão ruim que hoje o presidente do banco central islandês sugeriu que o governo atual seja dissolvido e que um "governo nacional" seja formado com participação de todos os partidos presentes no parlamento islandês, para tentar conter a crise financeira. A última vez que um governo nacional de emergência foi instituído foi em 1939.
Acabou a festa
Acho que vai ser uma adaptação difícil para os islandeses que se acostumaram com o milagre econômico dos últimos cinco anos, e que se endividaram para manter um nível de vida que agora pode ser que não mais consigam manter. Sempre fiquei impressionado com todos os carros novos e enormes na Islândia por exemplo, muitos que custam mais de cem mil dólares. Vejo com mais frequência carros de luxo em Reykjavík do que aqui em Washington onde estou passando essa semana. Toyota Land Cruiser é carro para carpinteiro na Islândia, quem quer parecer rico compra porsches, BMW e Hummers. Aliás, o número de Hummers em Reykjavík beira o absurdo.
Essa festa de carros novos caríssimos todo ano e atíssimo nível de vida, tudo por meio de financiamentos crédito fácil e barato acabou. Vai ser uma adaptação difícil pra muita gente.
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Krona em queda livre
16/09/08 22:47
A moeda islandesa tem sofrido tremenda desvalorização em 2008, perdendo mais de 50% do seu valor em relação ao dolar. Pra mim pessoalmente, o câmbio é um problema sério já que eu viajo bastante e minhas kronas estão valendo cada vez menos dólares, libras ou euros.
Esse gráfico abaixo mostra a cotação do dólar contra a krona desde o início do ano.
Pelo menos a queda da moeda islandesa é boa notícia para quem planeja visitar a Islândia em breve, já que tudo por aqui ficou em mais barato para quem traz moeda estrangeira.
Quanto à situação econômica em geral, a coisa por aqui anda feia, e os economistas estão dizendo que a atual crise econômica deve durar até 2010. Estou torcendo para que a recuperação seja mais rápida!
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Arrombamentos e roubos em alta na capital
01/09/08 00:25
A corporação de polícia de Reykjavík anunciou nessa semana que o número de arrombamentos de casas na capital foi de 202 nesse último mês de Julho, um número mais alto que o mesmo mês no ano passado que teve 161 arrombamentos.
O número de roubos em geral também subiu, em Julho de 2007 foram 351 casos reportados à polícia na região de capital, enquanto em Julho desse ano foram 464 roubos.
Os números são pequenos quando comparados com outras cidades do mundo ou da Europa. Londres por exemplo teve 7,4 mil arrombamentos de casas nesse último mês de Julho (1 para cada 993 habitantes, enquanto em Reykjavík foram 1 para cada 588 habitantes). Ainda assim, os números mostram que, mesmo morando na Islândia, é melhor se certificar de que a porta está trancada!
Alguém sabe os números equivalentes das grandes cidades brasileiras, como comparam?
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Islândia conquista a prata no handball
24/08/08 10:13
A final do handball contra a França foi um jogo difícil para o time da Gelolândia, e terminou 28 à 23 para a França. O grande astro do jogo foi sem dúvida o goleiro francês, que defendeu 22 arremessos ao gol dos jogadores islandeses.
Ainda que a Islândia tenha perdido na final, a medalha de prata é uma grande conquista para o país. Essa é a primeira medalha de prata que a Islândia ganha em 52 anos, e apenas a segunda medalha de prata para a Islândia de todos os tempos em olimpíadas.
Parabéns pela medalha de prata, Islândia!
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Islândia rumo à gloria olímpica no handball
22/08/08 23:08
Hoje foi o jogo da semi-final de handball nas olimpíadas, Islândia contra Espanha. A atmosfera hoje estava como no Brasil quando é final de copa do mundo. No meu trabalho montaram dois telões a cantina, para os empregados assistirem o jogo. Olhando pela janela, nenhum único carro passava pela normalmente movimentada avenida que acompanha a orla da capital. Segundo o canal estatal de televisão que exibiu o jogo, a audiência foi de 100%, ou seja todos os aparelhos de televisão ligados no país estavam sintonizados no jogo.
A Islândia abriu o jogo com uma goleada de 5 a 0 na Espanha, e manteve a liderança durante todo o jogo até o placar final de 36 a 30 para a Islândia. A vitória significa que a Islândia agora vai lutar pela conquista de sua primeira medalha de ouro na história do país em olimpíadas, e mesmo se só ficar na medalha de prata, será apenas a segunda medalha de prata do país. O jogo da final será no domingo às 7:45 da manhã no horário aqui da Islândia, e às 4:45 no horário do Brasil.
Um colega de trabalho me disse logo após a vitória da Islândia no jogo de hoje: "Você é de um país grande que está acostumado a vencer em esportes. Você não pode imaginar a importância que tem para nós islandeses, de uma nação de apenas 300 mil habitantes, ganhar uma medalha nas olimpíadas!"
(Presidente e primeira dama celebrando a vitória da Islândia na semi-final)
Mesmo com toda a emoção óbvia nas faces de cada um dos islandeses assistindo o jogo, não pude deixar de notar a diferença em termos de torcida entre os islandeses e os brasileiros. Não ouve entre os islandeses nenhum grito de incentivo ao time ou a barulheira que sempre acontece no Brasil em jogos da seleção nacional. Com cada ponto marcado do time de loiros de camisa vermelha, a torcida reunida em volta do telão apenas aplaudia educadamente. No final do jogo, com a vitória da Islândia marcando a maior conquista esportiva do país em todos os tempos, ainda assim, as cerca de 50 pessoas reunidas se contentaram em aplaudir vigorosamente, sentados. Abraços emocionados entre os colegas de trabalho, nem pensar.
(No meu trabalho, olha só a festa animada da torcida durante o jogo) Estarei torcendo pela Islândia no domingo de manhã, colado na frente de televisão! E mesmo que seja contrário aos hábitos da torcida gelolandesa, e para o provável espanto do vizinhos, vou berrar e torcer como um brasileiro em final de copa do mundo.
ÁFRAM ÍSLAAAAAAAAND!!!
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Islândia, um país em plena crise econômica
18/08/08 23:44
Já comentei aqui várias vezes antes sobre a crise econômica atual na Islândia, mas ainda não tinha explicado a situação com detalhes.
A Islândia passa atualmente pela maior crise econômica dos últimos 30 anos. Os sinais da crise são claros para qualquer um caminhando pelas ruas da capital. Algumas lojas fecharam as portas, e o mais evidente, os vários canteiros de obra espalhados por Reykjavík estão desertos, as obras paradas com o fim do crédito fácil que os bancos vinham oferecendo. As empresas islandesas pararam de contratar, e muitas começaram a demitir.
Falando em bancos, os bancos islandêses, que representam mais de 50% da atividade econômica do país, tiveram nesses últimos 12 meses as maiores perdas de todos os tempos. Até agora nenhum banco fechou, mas existe muita especulação na mídia de que os maiores bancos estão considerando mudar sua base da Islândia para outro país europeu com uma economia mais estável.
A moeda islandesa, a Krona, caiu 56% em valor em relação ao Euro desde o início do ano. Num país em que tudo é importado, o resultado foi uma alta forte nos preços. A inflação dos últimos 12 meses foi de 13%. Em comparação, a inflação da Eurozone (área dos países que usam o Euro) foi de 4% no mesmo período.
Com a moeda islandesa despencando em valor, a situação ficou complicado para muita gente aqui na Islândia que financiou a compra de sua casa com hipotecas em Euros, o que foi muito comum de se fazer nos últimos anos. Muita gente agora se encontra com uma hipoteca muito maior do que o valor do imóvel.
Nesse último fim se semana, um amigo que trabalha para a maior empresa de transporte marítimo da Islândia me contou que ele tem enviado muitos carros novos de volta para seus países de origem, porque as concercionárias na Islândia estão com muita dificuldade em vender carros e passaram à devolvê-los aos fabricantes. Esse me parece mais um sinal claro da crise econômica.
O governo, na minha opinião e na opinião da maioria dos islandeses com quem já conversei à respeito da crise atual, tem sido péssimo no controle da economia do país. Não houve nenhuma reação ou plano econômico do governo até agora. Nem mesmo uma discussão franca e aberta sobre o Euro.
Na minha opinião, e na opinião de 65% dos islandes, pelo que vi em uma pesquisa recente, a Islândia deveria se juntar à União Européia e adotar o Euro. O país é pequeno demais para controlar uma moeda independente, e as flutuações extremas da Krona atrapalham a economia. Bem, o governo atual é contra a UE e o Euro, então não é uma opção até pelo menos em 2011 quando haverá novas eleições.
Tenho confiança de que a economia da Islândia vai se recuperar, mas parece que isso só irá acontecer lá pela segunda metade de 2009.
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Reportagem da Record sobre a Islândia - Parte 3
18/08/08 23:43
A Record exibiu no último domingo a terceira e última parte da reportagem sobre a Islândia. Aqui está o vídeo dessa última parte.
Agora que as três partes já foram exibidas, tenho que dizer que gostei muito da reportagem. Parabéns à Record e todos envolvidos diretamente com esse projeto pelo excelente resultado.
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Reportagem da Record sobre a Islândia - Parte 2
12/08/08 22:55
No último domingo a Rede Record exibiu a segunda parte da reportagem sobre a Islândia... que inclue a minha entrevista sobre os elfos!
Aqui está o video da segunda parte. A qualidade está resoável, considerando que o video feito com uma webcam filmando a TV.
Gostei das duas partes da reportagem até agora. Essa parte mostra alguns brasileiros morando na Islândia, e a culinária islandesa.
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Perguntas & Respostas
11/08/08 18:46
Eu recebo muitas perguntas dos leitores do blog através de comentários aqui no site, ou diretamente por email ou ainda scraps no Orkut. É sempre ótimo receber comentários e perguntas, pelo fico sabendo que tem gente lendo o blog!
Uma coisa que percebi é que muitas das perguntas se repetem. Decidi então colocar uma página de Perguntas & Respostas aqui no site. Coloquei nesta página algumas das perguntas mais frequentes que já recebi.
(o mesmo link também está no canto direito do site)
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Reportagem da Record sobre a Islândia - Parte 1
06/08/08 23:53
Parece que a segunda parte da reportagem do Domingo Espetacular da Rede Record, com a minha entrevista sobre os elfos, não passou no último fim de semana. Imagino que tenha sido uma mudança de última hora na programação, e que deve passar no próximo domingo.
Eu recebi um video da primeira parte da reportagem que passou há algumas semanas atrás, e estou colocando aqui para todo mundo que não teve a oportunidade de ver quando passou. A qualidade desse video poderia ser melhor, é verdade, mas está boa o suficiente para assistir.
Gostei dessa primeira parte da reportagem, mostraram muita coisa interessante e com bons comentários exclarecedores sobre atrações turísticas e costumes islandeses.
A única coisa que achei que ficou ruim foi terem mostrado cenas do filme do Asterix quando mencionavam os vikings, porque afinal o Asterix era um celta na França por volta do ano 50 AC, cerca de mil anos antes dos vikings. Mas, essa é a minha formação de historiador falando, e talvez eu esteja sendo crítico demais.
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Entrevista com TV Record
31/07/08 20:37
No próximo domingo, dia 3 de Agosto, será exibida na Record uma entrevista que dei sobre o folclore islandês e o crença na existência dos elfos.
Afinal, eu tenho um certificado de “expert” da Escola dos Elfos! - (veja post de 10/05/2008)
Eu encontrei com a equipe da Record algumas vezes durante a visita deles na Islândia no mês passado. O pessoal foi super legal, muito profissional, e genuínamente ineteressados na cultura islandesa.
Não percam a reportagem, será no programa Domingo Espectacular, que começa às 18:00.
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Segundo urso polar morto na islandia em duas semanas
17/06/08 22:29
Ontem um novo urso polar foi avistado na mesma área do outro urso de duas semanas atrás.
Dessa vez o homem mais rico da Islândia e um dos 500 mais ricos do mundo, Bjorgolfur Thor Bjorgolfsson, ofereceu pagar por todos os custos do urso ser transportado de volta para a Groenlandia. Um especialista do zoológico de Copenhagen veio para a Islândia com uma jaula especial e com uma arma de dardos tranquilizantes. Parecia que desa vez a história teria um final feliz, mas infelizmente não foi o caso.
Hoje, que é feriado de comemoração da independência da Islândia (depois escrevo sobre isso), eu estava dirigindo de volta para Reykjavík da casa de campo onde passei o fim de semana prologado, quando o rádio deu a notícia de que o urso polar tinha sido morto. Parece que a história oficial até agora foi de que quando o tal especialista vindo da Dinamarca estava se aproximando, o urso saiu correndo em direção ao mar, e daí os policiais islandeses o mataram à tiros. Eu me pergunto se a preocupação era talvez de que o urso poderia matar peixes, o que seria um absurdo, não?
Mais uma vez, o governo se mostra despreparado e confuso. É hora de que uma política de ação seja estabelecida e que o equipamento necessário seja distribuído à autoridades locais. Essa situação me lembra da bagunça que o governo está fazendo com a economia, que no moment vai de mau à pior e o governo só finge que ão vê (outro assunto para outro update no blog).
Esse acontecimento de hoje me fez refletir quanto ao fato da Islândia não ser uma nação de amantes do animais. Permita-me elaborar. Cachorros são proibidos no centro de Reykjavík, gatos e cachorros não podem ser mantidos em apartamentos, e mesmo quando se morando em uma casa existe um verdadeiro labirinto burocrático para conseguir uma permissão para ter um cachorro. Baleias, são caçadas mesmo quando a caça não faz muito sentido economicamente. E ursos, claro, apesar de existir uma lei os protegendo, são sempre mortos à bala - até hoje nenhum desses animais ameaçados de extinção sobreviveu depois de chegar à Islândia.
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O Triste Fim do Urso Polar na Islândia
03/06/08 19:23
Hoje um urso polar foi avistado numa região desabitada aqui na Islândia. Ursos polares não são animais nativos da Islândia, na verdade a Islândia não tem nenhum animal nativo, sendo uma ilha vulcânica que nunca fez parte de nenhum continente. O único animal que os colonizadores encontraram quando chegaram na Islândia foi a raposa do ártico, que veio da Groenlândia. O que acontece quanto aos ursos polares é que alguns chegam à Islândia em blocos de gelo que flutuam da Groenlândia. Dizem que eles chegam aqui com muita fome depois de possivelmente semanas no mar, e são assim perigosos.
Voltando ao urso que foi avistado hoje, esse parece que já estava aqui ha um tempo nessa região desabitada, já que estamos no verão e não há blocos de gelo no mar entre a Islândia e a Groenlândia, o chamado Estreito da Dinamarca, no momento. Infelizmente pro urso polar, ele foi avistado hoje.
O que aconteceu, pelo que estão falando no noticiário, é que quando a notícia que que havia um urso nessa região começou a circular, pessoas que moravam nessa região apareceram por lá para tirar fotos. Com os curiosos chegando perto do urso, a polícia local resolveu que a situação estava perigosa e mataram o urso.
Eu acho, francamente, um absurdo que o urso tenha sido morto. O que deveria ter sido feito, que é exatamente o que algumas pessoas estão argumentando no rádio e na TV, seria atirar no urso com uma arma de dardos tranquilizantes. Parece que a desculpa da autoridade local no momento é de que ele não tinham uma arma para disparar tais dardos. Mas, poderiam , é claro, ter colocado o tranquilizante num pedaço de carne e deixado a carne pro urso comer. Me entristeceu esse história de que um animal ameaçado de extinção tenha sido morto quando ele poderia ter sido colocado pra dormir e devolvido para a Groenlândia de avião. É assim que o Canadá lida com ursos polares que chegam perto das cidades, eles são colocados pra dormir e levados de avião para o norte e então soltos.
Na verdade existe uma lei aqui na Islândia dizendo que ursos polares não devem ser mortos à menos que ameacem o público. Mas ate hoje todo os ursos que chegaram até aqu foram mortos.
Aliás, isso que aconteceu hoje me parece típico do governo e das autoridades na Islândia - apesar de ser uma situação que todos sabem que vai acontecer de novo e de novo, as autoridades não fazem ou dizem nada, não existe uma política definida de atuação, a lei que existe é ignorada, enfim, uma bagunça.
Será que é tão difícil organizar para que cada cidade de com mas de mil habitantes na costa oeste da Islândia tenha uma arma de dardos tranquilizantes pronta para o caso de ursos polares aparecerem na região?
O último urso polar que tinha vindo pra Islândia antes desse foi em 1993. Os especialistas no assunto estão dizendo que a estimativa é de que 500 ursos tenham vindo ao país desde a colonização no ano 874.
Espero que o próximo urso polar à ter a má sorte de chegar aqui na Islândia tenha um final feliz que esse de hoje não teve. Ele seria o primeiro.
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2007 em Números
02/02/08 13:09
312,872 - População da Islândia.
1.8% - Aumento da população da Islândia.
2,200,000 - Número de passageiros viajando pelo Aeroporto Internacional Leifur Eiríksson.
13.65% - Aumento na utilização do sistema de transporte público.
29 - Número de fatalidades no trânsito.
360,000,000,000 - Quantia em transações financeiras no mercado de imóveis (Krona).
4,000,000 - Número de caixas de pizza usadas na Islândia no ano. Se empilhadas, a pilha teria 240 km de altura.
9786 - Número de estudantes na Universidade da Islândia.
5.5 - Temperatura média em graus centígrados de Reykjavík. Apenas 0.5 graus a menos que o ano mais quente de todos os tempos.
11% - Aumento no preço de imóveis em Reykjavík.
830,000 - Número de mensagens de texto enviadas pelos usuários de apenas uma das redes de telefonia celular na noite de ano novo. Um aumento de 30% em relação ao ano passado.
22,603 - Novos carros registrados. 517 menos que no ano passado.
5.9 % - 12 meses de inflação na Islândia.
1809 - Número de navios na Islândia.
4000 - Número de nomes de domínio da internet registrados. O número total de nomes de domínio islandeses é agora 20,000.
2 - Número de vendedores de sorvete que foram forçados a fechar em Reykjavík por serem reprovados em inspeções sanitárias.
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Operation Deserter Storm
29/01/08 20:00
A América está em pânico com a decisão da Islândia de retirar a sua tropa do Iraque. Espera aí, "a tropa"??!! Isso mesmo, a Islândia, país membro da coalisão da guerra no Iraque tinha um único soldado no Iraque - uma loira.
O programa americano The Daily Show, da Comedy Network, veio à Islândia para tentar convencer a sargento islandesa à voltar para o Iraque, enquanto fazendo muita graça com a cara dos islandeses.
Os vídeos estão em inglês. Bring them on, Magnus!
Primeira parte:
Segunda parte:
O vídeo tem até uma lição de culinária e do valor da liberdade...
- (pescador) - O melhor aqui na Islândia é o tubarão apodrecido, que você desenterra do chão, urina nele e depois come.
- (reporter) - Ah, como seria se os terroristas viessem aqui e acabassem com a sua liberdade de comer tubarão apodrecido e mijado?
- (pescador) - Seria terrível!
A parte em que o reporter faz graça com o sotaque dos islandeses também perfeita.
Muito engraçado, vale à pena assistir enquanto os vídeos ainda estão disponíveis!
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Os incríveis preço flutuantes
17/12/07 18:33
O escândalo do momento aqui na Islândia tem a ver com os dois principais supermercados de preços acessíveis, Bónus e Krónan. A acusação da imprensa é que esses dois estariam fixando preços entre si. Parece que Bónus, que garante ao seus consumidores que eles sempre tem os menores preços, na verdade mantém todos os seus preço exatamente 1 Krona mais baratos que o seu competidor.
Ambos os supermercados também foram acusados de alterar os preços quando fiscais de pesquisa de preços do governo aparecem nos supermecados. Os dois supermercados tem displays digitais para cada produto mostrando o preço, e o valor que pode ser alterado direto de um controle central. O que um jornal descobriu é que os supermercados conhecem quem são os fiscais do governo, e quando os vêem chegando, todos os preços são abaixados com o pressionar de um tecla. Assim que os fiscais saem do prédio, todos os preços sobem de novo. Dessa forma, os supermercados controlam o que as pesquisas de preço dizem à respeito de quais são os supermercados mais baratos.
Ainda, parece que os preços variam várias vezes ao dia, com muitas vezes os clientes pagando mais no caixa do que o preço que viram na prateleira, que já mudou desde que o produto foi colocado no carrinho. Durante a noite e durante os fins de semana, quando os supermercados ficam cheios, os preços sobem de 10 à 15%.
As acusações dessas práticas de formação de cartel de preços foram feitas por empregados dos próprios supermercados, mas ainda não é claro se haverá uma investigação oficial do governo, porque os empregados não querem se identificar. Num mercado de trabalho tão pequeno como o da Islândia, se você estraga sua reputação com uma grande empresa, pode ser que você descubra que nenhuma outra empresa quer te contratar. Um pequeno número de empresas na Islândia controla o setor de varejo no país.
Agora toda vez que vou no supermercado, fico torcendo pros pesquisadores de preços estarem visitando na mesma hora, pros preços baixarem! hehehe
Ainda falando-se de preços em supermercados, pesquisas recentes mostram que os preços aqui na Islândia são em média 63% mais altos do que nos países vizinhos como na Dinamarca e Inglaterra. O custo de vida por aqui é mesmo de se assustar.
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Oficial: Islândia é o melhor lugar do mundo para se viver
02/12/07 00:15
Segundo a versão de 2007 do relatório de Índice de Desenvolvimento Humano, que é publicado todo ano pela Nações Unidas, a Islândia é o melhor país do mundo para se viver. A Noruega vinha sendo o número um já há seis anos, mas esse ano perdeu seu trono para a Islândia e agora passou para segundo lugar. Os países no relatório são classificados de acordo com fatores como expectativa de vida, acesso à educação, e renda per capita. Os islandeses estão orgulhosos de estarem no topo da lista dos melhor países para se viver, todo mundo aqui estava comentando à respeito nos últimos dias.
O Brasil ficou em 70o lugar. Outras posições que eu achei interessantes foram: EUA 12, Dinamarca 14, Reino unido 16. A lista completa está aqui.
Acho impressionante a velocidade de desenvolvimento não só econômico mas também social deste país. A Islândia era o segundo país mais pobre do mundo, apenas na frente do Congo, há cem anos atrás. Até a independência completa do país em 1944, a Islândia ainda era o país mais pobre da Europa e Reykajvík não passava de uma vila de pescadores. A conquista do primeiro lugar na lista dos países mais desenvolvidos mostra o quanto foi conquistado pelos islandeses nesse curto espaço de tempo.
Outro índice interessante que foi publicado em Setembro passado pela New Economics Foundation e Friends of the Earth, dizia que Islândia é o país mais feliz da Europa. Nessa pesquisa a Islândia foi elogiada pela utilização de fontes limpas de energia e por investir mais em programas de saúde da população do que qualquer outro país europeu.
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Corrupção e abusos de poder
01/10/07 01:02
Li hoje uma notícia de que o Brasil está em 72o lugar dentre os países com menos íncide de corrupção. A Islândia ficou em terceiro lugar nesse ano, atrás da Dinamarca e Finlândia que empataram no primeiro lugar, e Nova Zelândia e Cingapura que empataram no segundo lugar. No ano passado a Islândia havia ficado em primeiro lugar em transparência.
Eu me pergunto o que fez a Islândia parder a liderança como o país menos corrupto no mundo, mas tenho minhas suspeitas da razão. Antes e discutir essas suspeitas, vamos dar uma olhada na história recente de currupção na Gelolândia.
O primeiro caso de corrupção de que me lembro no país ocorreu há alguns anos atrás, com um deputado que era o lider de um comitê encarregado de administrar obras de restauração do Teatro Nacional. Acontece que este deputado roubou da obra algumas placas de ardósia, que foram usadas então para fazer um caminho de pedras na casa do deputado na cidade de Keflavík. Quando esse desvio de dinheiro público foi revelado, foi um enorme escândalo. O deputado perdeu seu cargo, foi mandado pra cadeia por três anos e sua vida pública está com certeza finada já que niguém jamais votaria de novo nesse ladrão de verbas públicas (verbas estas em forma de algumas placas de ardósia).
O segundo caso de currupção de que me lembro foi no ano passado quando se descobriu que uma ministra estava usando selo de correio pagos pelo governo para mandar cartões de natal para seus familiares. Frente à descoberta dessa roubo de dinheiro público (na forma de alguns selos de correio), a ministra foi forçada a se demitir do cargo.
Voltando agora à razão à qual eu desconfio seja a causa da Islândia não estar mais em primeiro lugar na lista de países menos corruptos. O último caso de corrupção e uso indevido de poder, aconteceu no início desse ano. Um jornal descobriu que uma garota da Guatemala recebeu cidadania islandesa depois de apenas um ano morando no país, quando o requerimento legal é de sete anos. E mais, ela recebeu a cidadania por decreto do direto do Parlamento, embora ela fosse uma simples estudante. Segundo o jornal, não poderia ser apenas uma coincidência de que a moça era namorada do filho de uma ministra do governo. Um grande escândalo se seguiu, mas para a insatisfação da população a ministra não se demitiu do cargo, dizendo que não havia nenhuma prova concreta de que ela teria abusado de seu poder. Todos os islandeses com os quais eu conversei à respeito desse escândalo se mostraram furiosos com a situação e principalmente o fato de que a ministra não se demitiu. Logo depois desse escândalo houve eleições, e pelo menos a tal ministra não foi re-eleita para o Parlamento e assim perdeu o cargo, e o partido dele também pagou cara, tendo perdido um grande número de deputados eleitos.
É difícil dizer que com certeza que este último caso tenha sido a razão da Islândia ter sido rebaixada no ranking de transparência, mas é bem possível que esta tenha sido uma influência, devido ao tamnho do escândalo na época e o nível de indignação da população.
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Discovery channel queria filmar arqueologia de mentira, encontra arqueologia de verdade
17/08/07 20:20
Os jornais estão noticiando que uma equipe da Discover Channel esteve aqui na Islândia recentemente para filmar um programa onde um personagem estilo Indiana Jones encontra tesouros arqueológicos fictícios, só que quando começaram a escavar para colocar o tal tesouro de mentira, acabaram encontrando um túmulo verdadeiro da época da colonização da Islândia no século IX. Esse pessoal deve ter ficado confuso!
A Islândia tem uma história rica de bem documentada nos 1100 anos do país. Um detalhe que eu acho interessante é que muitos lugares de imensa importância na história nacional, como ruínas de casa de figuras nacionais importantes, na maioria das vezes existe apenas uma plaquinha ou muitas vezes nem isso. Em outros lugares como nos EUA, lugares equivalentes teriam um parque de diversão temático com barraquinhas para se comprar camisetas e todo tipo de sourvenir!
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Russos invadem espaço aéreo islandês
17/08/07 20:11
A principal notícia nos jornais de hoje é de que ontem vários aviões bombardeiros russos invadiram o espaço aéreo islandês, rodeando a ilha sem aviso prévio ao governo islandês. Como a Islândia não tem exército próprio e nenhuma base militar ativa em seu território, aviões-caça das forças armadas da Noruega e Grã-Bretanha tiveram que decolar de seus respectivos países e vir proteger seu a Islândia, escoltando os aviões russos de volta até o espaço aéreo russo.
O interessante é que quando as autoridades islandesas reclamaram com a Russia, a resposta do governo russo foi "Sobrevoamos a Islândia mesmo, e faremos de novo quando bem quisermos. Não precisa reclamar, nossos aviões não usam a mesma altitude dos aviões de passageiros islandeses." Parece que a Russia quer mesmo reafirmar-se como uma potência a ser respeitada e temida.