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Opiniões

Discriminação no mercado de trabalho - parte 2

Estive discutindo com vários amigos, estrangeiros e islandeses, o assunto do post anterior. Alguns deles levantaram uma hipótese que é pelo menos interessante para explicar a desvantagem dos estrangeiros no mercado de trabalho islandês. Essa hipótese seria de que o problema não é exatamente discriminação em específico, em racismo, ou xenofobismo, mas ao invés disso o fato de que tudo na Islândia funciona na base de quem você conhece. Assim, segindo esse raciocínio, os estrangeros estariam em desantagem por não ter os contato que os islandeses tem, ou mesmo os laços familiares, já que todos s islandeses são aparentados em algum nível. É verdade que eu posso em imaginar que uma entrevista de trabalho aqui na Islândia, com um candidato islandês, comece com o ntrevistador e entrevistado definindo seu grau de parentesco e o parentesco com outras pessoas da empresa, e também definindo os conhecidos em comum, e imagino que isso deve mesmo fazer uma grande diferença na hora de escolher o candidato para uma determinada vaga.

Não sei se estou completamente convencido por essa hipótese. Acho mais provavel que a coisa seja uma mistura de ambos os fatores de discriminação e tabém essa atitude de preferir candidatos com ligações pessoais ao pessoal da empresa. De uma maneira ou de outra, qualquer que seja a razão, o fato permanece de que estrangeiros na Islândia tem estão em desvantagem e tem dificuldade em conseguir bons empregos.
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Discriminação no mercado de trabalho

Existem várias coisas positivas sobre morar na Islândia, disso não há dúvida. Mas nem tudo aqui nesse rochedo perdido no Atlântico Norte é um paraíso. Uma das coisas que mais me incomodam por aqui é discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho. Vou ser direto no assunto: salvo raras exceções, empresas islandesas vão sempre contratar um islandês ao invés de um estrangeiro mesmo que o estrangeiro seja melhor qualificado.

Ontem me encontrei com um amigo que eu já não via há alguns meses e discutimos esse assunto em vista das dificuldades que ele está passando no país. Esse amigo é espanhol, mora aqui na Islândia há quatro anos e fala islandês fluente. Ele é advogado formado em Barcelona e com um mestrado em Direito Ambiental pela Universidade da Islândia. Desde que ele concluiu o mestrado, há mais de um ano, ele só conseguiu emprego como pintor de paredes, entregador, e preparando comida em lanchonetes.

Ainda falando sobre esse amigo advogado espanhol, ele me contou a experiência mais recente dele com essa discriminação no mercado de trabalho, que realmente beira o absurdo. Há algumas semanas atrás, tendo visto nos jornais que o Ministério do Meio-Ambiente estava com uma vaga para um advogado especializado na área, ele mandou seu currículo e fez uma entrevista. Na semana seguinte ele recebeu uma carta dizendo que haviam decidido dar o emprego para outra pessoa, um islandês, que ainda está fazendo o seu bacharelado em direito e só vai formar no final do ano. Ou seja, podendo escolher entre alguém com um mestrado específico na área, eles ainda preferiram dar o emprego para alguém que nem se formou em direito ainda. Absurdo. Agora ele está pensando em mudar de volta para a Espanha com a namorada, islandesa, e filho nascido aqui.

Eu também já senti essa discriminação na pele, quando recentemente fui há duas entrevistas para empresas de informática em Reykjavík. Nas duas ocasiões, o entrevistador me disse que eu era o melhor qualificado de todos os candidatos. Ainda assim, não tive nenhuma oferta de emprego. Até mesmo em uma empresa que já tinha oferecido um emprego para um amigo meu islandês que desistiu de entrar para a empresa na última hora, eu não consegui uma oferta, mesmo sendo eu melhor qualificado que esse amigo na mesma área.

Esse tipo de discriminação é algo com que eu não estou acostumado. Morei sete anos no Reino Unido antes de mudar para a Islândia, e lá esse tipo de coisa não acontece. Na última empresa para qual eu trabalhei na Inglaterra antes de mudar pra cá, haviam 130 pessoas no total e dentre estas estrangeiros de 25 países diferentes. Deve ser, eu imagino, porque por lá já estão acostumados com estrangeiros, que ainda são um fenômeno recente aqui na Islândia.

Outra coisa que eu acredito evidencia essa discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho na Islândia é o fato de que mesmo o número de estrangeiros por aqui sendo alto e comparável ao resto da Europa, atualmente representando 9% da população, ver estrangeiros em cargos bem pagos em empresas é super raro. Eu trabalho atualmente numa grande empresa, a maior empresa de informática na Islândia, com mais de 400 empregados no país, e eu sou o único estrangeiro não-escandinavo na empresa. Onde estão então os mais de 25 mil estrageiros? A conclusão é que a grande maioria dos estrangeiros estão desempenhando as funções que os próprios islandeses não querem fazer, nos subempregos.

Eu espero que essa atitude mude com o tempo, conforme os islandeses se acostumem com o nível atual de imigração. Mas, mesmo que mude, infelizmente eu acho que ainda vai levar pelo menos uma ou duas décadas, ou talvez mais.
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Outra paixão islandesa: acampar

Eu já falei aqui de algumas paixões dos islandeses, como sorvete, churraco e carrinhos de supermercado. Agora no final do verão, com todo mundo voltando de férias, todos tem a mesma história pra contar, dos dias que passaram em uma barraca em algum lugar da ilha.

O último país que eu imaginaria o povo ser louco com acampamento seria aqui na Islândia, por óbvios motivos meteorológicos. Mas parece que o pessoal por aqui anima mesmo. Todos os meus colegas de trabalho, sem exceção, acamparam nesse verão com a família ou amigos, e todos tem a mesma história pra contar de como estava gelado e como o vento sacudia a barraca incessantemente. Uma das histórias que ouvi mencionava o fato de que o vento estava tão forte numa das noites que os pinos de ferro que seguravam a barraca no chão se quebraram e a barraca inteira foi levada pelo vento sem nunca mais ser encontrada, enquanto o pessoal que estava dentro, berrando para serem escutados na ventania, teve que correr para dentro dos carros para se protegerem da súbita nevasca de verão.

À princípio eu até achei a idéia interessante, de se acampar em um campo de lava remoto, algum lugar bem bonito e isolado. Mas, não é bem assim. Pra começar, é proibido na Islândia dirigir fora das estradas, já que levar o carro off-road pode destruir vegetação rasteira que nesse clima levaria décadas para se recuperar. Parece que os islandeses na grande maioria das vezes acampam em áreas designadas para acampamento, onde dezenas de barracas se aglomeram em torno de um prédio onde ficam banheiros e algumas vezes geradores de eletricidade também, o que eu não chamaria exatamente de isolamento ou de contato íntimo com a natureza.

Eu sempre quis fazer uma viagem de carro em volta da Islândia, pela Estrada Número Um que contorna a ilha. Talvez no ano que vem eu faça tal viagem e anime de acampar no caminho, já que em algumas partes mais remotas do país é difícil arranjar acomodação. Vou tentar já ir me acostumando com a idéia de noites gélidas e uma barraca balançando com o vento extremo que sopra incessantemente nessas latitudes glaciais.
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De volta da Bulgária, reflexões sobre a islândia

Depois de cinco dias trabalhando na Bulgária, estou de volta na Islândia. Eu fui à serviço para uma empresa farmacêutica islandesa que emprega mais de três mil pessoas na Bulgária, fui instalar um novo sistema de Telefonia por IP para o novo escritório deles na capital Sofia. Acabou que não vi muito de Sofia, já que quase não tive tempo fora do trabalho. Só deu mesmo pra passear um pouco na área em volta do hotel durante à noite quando eu voltava do trabalho e saía à procura de algo pra comer pro jantar. A cidade me pareceu bonita, muito arborizada, cheia de grandes e imponentes prédios do período comunista que devem ser interessantes de se visitar.

É impressionante o tamanho da economia islandesa quando você pensa que o país só tem 300 mil habitantes. Essa empresa mesmo para qual eu fui trabalhar nesses dias na Bulgária, tem treze mil empregados no total em mais de 30 países. No Reino Unido, empresas islandesas praticamente controlam o mercado de comida no país e compraram também várias das maiores lojas de roupas britânicas, e a maior loja de brinquedos. Na Dinamarca e Noruega, vários bancos locais foram recentemente comprados por bancos islandeses, assim como algumas companhias aéreas e pelo menos um jornal de grande circulação. Isso um país que tem uma população igual à cidade brasileira de Blumenau (SC) ou ainda de Uberaba (MG).

Nesse fim de semana eu também fui forçado à refletir sobre o isolamento geográfico aqui da Gelolândia. A viagem para Sofia foi uma das mais indiretas que eu já fiz. Eu viajei de Reykjavik para Gothenburg na Suécia, depois para Copenhagem na Dinamarca, daí para Munich na Alemanha e de lá finalmente para Sofia. Os motivos desse número de conexões foram o pequeno número de vôos que saem da Islândia pela manhã e o fato de que a companhia aérea islandesa Icelandair só faz conexão com vôos operados pela companhia escandinava SAS e suas parceiras. Depois de morar em Londres por muitos anos, eu estava acostumado a ter pegar vôos diretos pra qualquer lugar do mundo à qualquer hora do dia, e essa maratona de quatro conexões e 14 horas de viagem dentro da Europa realmente me fez refletir sobre o isolamento geográfico desse rochedo perdido no mar Atlântico Norte.
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Talarðu íslensku? - Questões linguísticas

Na semana passada eu terminei o nível 3 do curso de islandês. Aprender a língua aqui da Gelolândia não é, como diz o provérbio inglês, um passeio no parque, mas taria mais para um engatinhamento num campo minado e encoberto por nevoeiro pesado. A dificuldade de aprendizado do idioma islandês e lendária. As palavras se juntam para montar verdadeiras aberrações que desafiam a capacidade dos músculos da língua de se contrcerem, e o pior, regularidade é algo praticamente inexistente, o que força o estudante a olhar no dicionário para saber com certeza como cada nome é declinado ou cada verbo é conjugado. Quando você acha que entendeu como funcioa uma parte qualquer da gramática, por exemplo como construir os plurais de substantivos (sim, isso é complicado), logo vem a desanimadora compreensão de que agora você tem que aprender como essas regras mudam com cada caso de decinação, cada gênero e grau em suas múltiplas combinações.

Eu estudei um ano de islandês no University College London, quando morava na Inglaterra, antes de mudar pra cá. Mesmo com esses dois semestres em Londres de aulas duas vezes por semana, e agora morando na Islândia por quatro meses também com aulas duas vezes por semana, o meu islandês é suficiente apenas para entender vagamente o assunto de uma conversa. Eu imagino que eu ainda vá levar pelo menos mais um ano de aulas, morando aqui, para poder falar a língua com o mínimo de fluência. Na minha turma de islandês tinha gente que já mora por aqui há mais de dois anos, e não fala praticamente nada.

Não ajuda também que existe muito pouco material de qualidade para o estudante da língua e poucos professores treinados para ensinar islandês à estrangeiros. Ainda, as aulas são caras e acho que o governo deveria patrocinar pelo menos uma parte dos custos para ajudar os estrangeiros, que agora são 9% da população do país, a aprenderam a língua e assim se integrarem melhor na sociedade islandesa.


boiando...

É uma sensação estranha à qual eu não estava acostumado, quando todos à sua volta estão conversando numa língua que você não entende, e você só boiando. O que faz a coisa ficar ainda mais desconfortável é que todos aqui falam inglês fluente, e eu então não posso deixar de me perguntar por que então não falam falar inglês naquele momento para incluir o(s) estrangeiro(s) na conversa também.

Eu compreendo o conceito de que quanto mais islandês eu for forçado a tentar entender melhor é pro aprendizado da língua, mas a coisa na prática não é bem assim. Para começar a aprender só de se ouvir a língua é necessário um nível de entendimento o qual eu ainda não alcancei. Ainda, os islandeses muitas vezes parecem pensar que o islandês é uma língua fácil de aprender e que um estrangeiro que está por aqui à poucos meses já deveria estar não só falando quanto recitando as sagas no original nórdico antigo. Um exemplo que beira o cômico-trágico é que a carta que recebi do Departamento de Imigração avisando que meu Cartão de Residente já estava pronto veio toda em islandês! Esse documento tem que ser providenciado nos primeiros meses de moradia na Islândia, então como é que esperam que o estrangeiro tenha aprendido a língua naquele tempo para ler a carta. Eu não resisti, mesmo ja tendo alguem traduzido a carta pra mim e me avisado do que ela se tratava, fui ao guichê de atendimento e disse em inglês "Recebi essa carta aqui, não tenho a menor idéia do que se trata porque obviamente não tie tempo de aprender a língua ainda, como vocês devem saber!"... a moça sem graça não soube bem o que dizer e correu para pegar meu cartão no fichario no fundo do escritório.

No trabalho até que é tranquilo, os colegas sempre falam inglês comigo e até mesmo os clientes todos parecem não se importar de falar inglês também. Acho que na minha área de trabalho, em informática, todos ja estão acostumados de lidar com estrangeiros falando inglês já há muitos estrageiros nessa área rabalhando na Islânda. Só às vezes é que recebo emails em islandês dos colegas, e fico com vontade de responder em português pra ver se quem mandou se lembra de que eu ainda não compreendo esse código secreto que é o islandês! hehehe

A situação onde eu "boio" mais é nas reuniões sociais. Agora no verão é época de churrasco e festas, o pessoal se reúne para jogar conversa fora, tomar cerveja e comer petiscos e churrascos. Nessas situações, fico dependendo de alguém parar a conversa de vez em quando e me explicar qual foi o assunto falado nos últimos dez, quinze ou vinte minutos. De novo, não consig evitar de pensar, será que não dava pra falar inglês todo mundo então, sendo grupos de poucas pessoas onde todos são perfeitamente capazes de falar inglês fluente? Well, it is the way it is.

Talvez no verão do ano que vem eu já não tenha que boiar mais. Tomara!
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Morar na Islândia melhora as suas viagens

Nessa semana eu estou em outra ilha do Atlântico Norte, na Inglaterra. Eu e mais dois colegas de trabalho da Islândia estamos em uma cidade perto de Londres fazendo um curso pro trabalho.

Todo dia depois do curso, tem sempre uma rodada de cerveja com os colegas. Entre uma cerveja e outra, um dos meus colegas de trabalho, um islandês, disse algo que eu achei interessante. Ele disse:

"Morar na Islândia faz com que suas viagens sejam muito melhores. Isso porque pra quem mora na Islândia, qualquer outro lugar pra onde você viaje, tudo é barato e o tempo é sempre bom, em comparação com o que temos em casa."

Eu ainda não tinha pensado nisso, mas ele tem razão. Pra quem mora, vamos dizer, na Flórida, Califórnia, ou mesmo no Brasil, quando viajando para o exterior, tudo parece caro e o tempo é sempre pior do que em casa. Já na Islândia, que é provavelmente o país com o custo de vida mais alto do mundo e muito provavelmente com o pior clima do mundo, é exatamente o contrário.

Esse mesmo colega então contou que há algumas semanas atrás tinha ido acampar no norte da Islândia, mas o vento estava tão forte que quebrou os pinos de ferro que fixavam a barraca no chão, e a barraca que custou uma verdadeira fortuna acabou sendo perdida no vento. Ele e os amigos tiveram que então encontrar abrigo no meio da nevasca, sem visibilidade nenhuma e tendo que berrar para serem escutados na ventania, isso no verão. Essa estória pareceu ilustrar o ponto que ele tinha feito sobre viagens para os habitantes da Gelolândia.

A Inglaterra, para os europeus é um país caro e chuvoso. Para os islandeses, é uma ilha tropical onde tudo é baratíssimo!
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Diferenças de design nos imóveis

Uma coisa tem me chamado a atenção nas visitas que tenho feito à procura de um apartamento pra morar aqui em Reykjavík é que o design dos imóveis por aqui é diferente do que estou acostumado no Brasil.

No Brasil sempre se entra numa casa pela sala de estar. Aqui na Islândia nunca é assim, mas sempre se entra por um pequeno hall de entrada que dá acesso aos quartos, cozinha e sala em separado, sem nunca ter que passar por ambiente para chegar ao outro.
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Transporte Público em Reykjavík

As capitais européias são famosas pelos seus sistemas de transporte público, desde os famosos sistemas de metrô de Londres, Moscou, Paris e Estocolmo até os eficientes sistemas de ônibus de Copanhagem e Edimburgo. Aqui na Islândia, no entanto, a realidade é bem diferente.

Não existe sistema ferroviário na Islândia e não há sistema de metrô em nenhuma cidade islandesa, o que nos deixa com o sistema de ônibus. Eu já ouvi de vários islandeses o seguinte comentário sobre o sistema de transporte público islandês: "ônibus aqui é só para crianças e velhos". E é verdade. O que me lembra de um outro fato curioso que eu reparei há alguns dias atrás. A janela da cantina do meu trabalho dá de frente para a garagem dos ônibus da prefeitura de Reykjavík, e eu estava reparando que o estacionamento da garagens estava cheio de carros e jipes. Nem mesmo os motoristas de ônibus usam os ônibus para ir pro trabalho.

A Islândia é o país do carro, com a maior proporção per-capita de uso de automóveis da Europa e provavelmente do mundo. Todo mundo dirige para o trabalho e para todo lado. Ninguém caminha na rua nem que seja para comprar pão na padaria do quarteirão vizinho. Ao ponto de que, sempre quando estou no carro com um colega de trabalho ou conhecido, toda vez que há um pedestre atravessando a rua, inevitavelmente se ouve um comentário de que ele é certamente um estrangeiro. Por aqui pedestre e estrangeiro são sinônimos. Ciclistas no trânsito então são certamente estrangeiros loucos. Eu imagino que essa aversão ao transporte público e à caminhadas por parte dos islandeses seja em grande parte por causa do clima. É inegável que nas frequentes nevascas e tempestades é bem melhor estar no quentinho do carro do que na rua. Também não ajuda que os ônibus são poucos e com poucas rotas pela cidade.

E quanto maior o carro melhor, alguns jipes até me deixam intrigado de como é que o motorista sobe nele sem uma escada, vou tentar tirar umas fotos e comentar especificamente sobre essas monstruosidades tão comuns no trânsito islandês.
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O Livro dos Islandeses

Os islandeses são muito interessados em genealogia. Até mesmo na literatura clássica islandesa, nas famosas Sagas medievais, boa parte dos livros era dedicada a estabelecer a árvore genealógica de cada um dos personagens. Essa mania continua nos dias de hoje.

Minha noiva, por exemplo, sabe sobre a árvore genealógica da família dela através de mais de mil anos até o século VIII. Um dos antepassados dela era um rei da Noruega na idade média chamado Haraldur Hárfagri ("Harald do Cabelo Bonito"), o que eu acho um nome engraçado para um viking. Não "o valente" ou "o forte", mas "o do cabelo bonito", fica parecendo que isso era o melhor que se podia falar à respeito dele! Bom, parece que o cabelo deve ter sido bonito mesmo, porque esse rei é famoso por ter tido filhos um grande número de mulheres. Um dos filhos dele era Eirikur Blóðexi ("Eirik do Machado Sangrento"), esse sim parece ter sido um viking destemido, mesmo que talvez não tivesse o cabelo bonito do pai.

Os islandeses sempre acharam muito importante manter um registro de todos os habitantes do país. Desde quando os primeiros colonizadores chegaram à Islândia por volta do ano 874, ele mantiveram um livro chamado Íslendingabók ("O Livro dos Islandeses"), que era sempre atualizado com os novos nascimentos por mais de um século e depois a igreja tomou conta dos registros. Esse primeiro livro de registros e os registros da igreja sobreviveram até hoje.

Agora no século XXI, o Livro dos Islandeses foi transferido para um banco de dados computadorizado e está disponível na internet para consultas. Nesse banco de dados estão os registros de mais de 730 mil pessoas que viveram na islândia desda a colonização desde o ano de 874. É possível inclusive entrar com os nomes de duas pessoas nesse banco de dados para ver qual é a conexão entre as famílias dessas duas pessoas. Na Islândia todos são parentes uns dos outros em algum ponto no passado.

Nem sempre a consulta à esse banco de dados revela uma linha de antepassados nobres ou cheia de guerreiros vikings conhecidos pela sua bravura. Uma conhecida por exemplo me contou que o banco de dados revelou que um dos antepassados dela era chamado Bjálfi. Esse nome quer dizer "idiota" em islandês. Um outro antepassado dele era Egill Skallagrímsson, esse sim um guerreiro viking famoso, que teve suas aventuras preservadas para a posteridade nos textos medievais das sagas islandesas. No entanto, Egill não é descrito esses textos antigos como o viking típico, que seria belo, honrado, generoso e forte. No caso de Egill ele é descrito como um violento alcóolatra (ironicamente a maior cervejaria islandesa tem o nome dele, Egill) e como sendo tão feio que nunca conseguiu se casar. Um idiota e um alcóolatra feioso não era o que ela esperava encontrar!
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Clima de inverno

Eu já estive em Reykjavík quando o clima estava horrível, quando mal se podia caminha pela rua por causa do vento. Esses últimos dias, no entanto, tem sido ótimos. Desde que cheguei o sol tem brilhado no céu e o vento resolveu soprar em outras bandas longe da capital. Mesmo com o frio de -6 graus, os dias tem sido lindos. Obrigado pela boa recepção, Islândia.
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O grande canteiro de obras de Reykjavík

É impressionante quantos guindastes se vê em Reykjavík hoje em dia, erguendo prédios e mais prédios. É o progresso, alguns diriam. Reykjavík é mesmo uma cidade que muda muito rapidamente. Qualquer islandês pode te contar que a capital era completamente diferente durante a sua infância, e não são só os velhos que dizem isso, os jovens de mais de 20 anos de idade também compartilham dessa nostalgia. Acho que uma coisa que facilita essa mudança acelerada na cidade é que a ausência de prédio verdadeiramente antigos como outras capitais européias tem. Tudo em Reykjavík é novo e recente, e poucos dos prédios são protegidos como patrimônios históricos. Nesse sentido, Reykjavík se assemelha mais à uma pequena cidade americana do que à uma capital européia. Esse é o charme da Islândia também ideologicamente falando, esse é o lugar onde o espírito capitalista e criativo dos americanos se encontra com a preocupação européia com o lado social, fazendo uma mistura única.

Ainda falando sobre a velocidade de desenvolvimento e crescimento da capital islandesa, o que é mesmo impressionante é pensar que Reykjavík era nada mais que um grupo de fazendas há apenas 100 anos atrás. Eu estou curioso para ver com os meus próprios olhos as mudanças pelas quais Reykjavík vai passar no futuro.
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