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Opiniões

Televisão fica mais cara

Existem três canais de televisão aqui na Islândia. Um canal estatal chamado Sjónvarpið ("A Televisão") que só funciona à noite, um comercial aberto chamado Skjár Einn ("Tela Um"), e mais um comercial por assinatura chamado Stöð 2 ("Canal 2").

Há poucas semanas atrás o Skjár Einn anunciou que em Novembro vai virar canal por assinatura como conseqüência da crise econômica.

O custo total de assinar os dois canais comerciais islandeses, Skjár Einn e Stöð 2, é agora quase 10,000 Kr. Isso é equivalente à R$140,00 reais só para dois canais.

Com um custo alto assim, não vou assinar nenhum desses canais. Vou continuar assinando só alguns canais estrangeiros, os seis ou sete canais que estão disponíveis para assinatura via transmissão aérea digital e que são em inglês: Discovery Channel, Discovery Civilization, National Geographic, BBC News, Sky News, e BBC Prime; já que estes juntos ainda custam bem menos pra assinar do que os dois canais islandeses. E também, com a internet é fácil baixar shows que eu costumava assistir nos canas islandeses.
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um ano depois - bolsa de valores islandesa

Ontem estava conversando com um amigo brasileiro que me disse que ele estava investindo em ações no Brasil e se dando bem. Daí ele me perguntou como anda o mercado de ações aqui na Islândia no momento, se a bolsa já se recuperou da crise. Mandei pra ele o link pra ver o gráfico do desempenho da bolsa islandêsa, e ele ficou tão assustado que achei que deveria postar o gráfico aqui pros leitores do blog verem também.

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O colapso da economia islandesa aconteceu na semana de 26 de Setembro de 2008, há pouco mais de um ano atrás. Até aquele dia, haviam 24 empresas na bolsa de valores islandesa. Hoje são apenas 6. Comparando o índice de valor da bolsa islandesa hoje com o índice do dia anterior ao colapso, a queda da bolsa foi de 84.94%.

Quanto à recuperação nesse ano, desde o início de 2009 a bolsa islandesa caiu 7.71%.

O caminho para a recuperação de economia islandêsa será sem dúvida longo e árduo. Vamos torcer para que as previsões de que a economia voltará a crescer em 2011 sejam corretas.
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Islândia quer hospedar os servidores do mundo

Desde o colapso da economia há exatamente um ano atrás, tem se falado muito da necessidade da Islândia utilizar seus recursos naturais para reconstruir a economia. Um recurso natural abundante por aqui é energia elétrica renovável (geo-termica), que é extremamente barata. Uma maneira pela qual essa energia elétrica barata já é utilizada é na indústria de alumínio que utiliza muita energia - a Islândia é o maior exportador de alumínio da Europa.

Outra idéia que já vem circulando há algum tempo por aqui e que parece que vai se tornar realidade em breve, é a construção de super centros de processamento de dados no país para se aproveitar não só da energia barata, mas do clima frio. Grandes multinacionais usam centenas de milhares de servidores (especula-se que Google tenha mais de um milhão), computadores dedicados, que além de consumirem muita eletricidade, geram muito calor. O custo de manter servidores resfriados é tão alto quanto o custo da eletricidade que eles consumem em sua operação. Daí vem a idéia de hospedar esses servidores na Islândia, onde resfriá-los seria uma tarefa muito mais simples e barata, requerindo pouco mais do que a utilização do ar e água naturalmente gelados do país.

Outra vantagem que se menciona com frequencia seria a segurança. A Islândia é um dos lugares menos prováveis no mundo de ser atingido por um atentado terrorista, por exemplo.

Nos últimos anos, cabos de fibra-ótica tem sido instalados entre a Islândia e os EUA e Europa para fornecer conectividade à estes futuros super centros de rocessamentos de dados, e um desses centros já está sendo construído em Kaflavík e é bem grande, com 40,000 metros quadrados. Os jornais noticiaram recentemente que várias multinacionais de grande porte já assinaram contatratos para hospedar seus servidores aqui na terra do resfriamento fácil e barato, dentre elas Microsoft, Cisco, e grandes bancos de investimento.

Algumas previsões dizem que este setor que está nascendo agora pode vir se tornar em dez anos um dos maiores da economia islandesa.

Eu, como profissional da área (sou engenheiro de redes), espero que esse novo setor cresça muito mesmo e transforme a gelolândia numa economia high-tech!
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trânsito

Uma das coisas que chama a atenção de qualquer visitante à Islândia é o fato de que s carros sempre para para pedestres atravessarem a rua. Esse é um ponto positivo do trânsito na Islândia.

O ponto negativo só é óbvio para aqueles que dirigem por aqui: os islandeses, no geral dirigem muito mau. A expressão inglesa “driving like a maniac” seria bem adequada. Os motoristas por aqui estão sempre acima do limite de velocidade, raramente dão seta para mudar de pista, e ficam grudados na traseira do carro da frente. Ainda, manobras proibidas e de algo risco são comuns de se ver pelas ruas.

É interessante que, mesmo com esse comportamento extremo ao volante, eu nunca ouvi falar de um caso de “road rage” por aqui, que são comum em outros país onde motoristas descem do carro e se atacam fisicamente. Acho que por aqui existe um entendimento de que as manobras malucas e comportamento de perigo ao volante são a norma, o que todo mundo faz, e assim ninguém leva pro lado pessoal.

Eu não posso comparar com o Brasil, já que estou fora do país por quase dez anos e nunca dirigi por lá. Mas comparados aos motorista britânicos, pelo menos, os islandeses são maus motoristas.

Aproveitando o assunto, outra coisa que me chateia no trânsito por aqui é não só o excesso de rotatórias em alguns bairros mas o fato de que as rotatórias sempre são elevadas no centro, o que impede que se consiga ver o trânsito do outro lado e em conseqüência se tem que diminuir a velocidade, o que é exatamente o que a rotatória deveria existir para evitar. Quando comentando disso com um amigo islandês, a resposta que obtive foi de que as rotatórias são elevadas por que senão todo mundo passaria por cima ao invés de seguir o contorno. Talvez essa seja a causa geral dos problemas no trânsito da Gelolândia, uma atitude de ser “o dono da rua”.

De qualquer maneira, no geral o trânsito por aqui é tranqüilo desde que se acostume com essa atitude ruim dos outros motoristas. Engarrafamentos são muito raros, e normalmente só ocorrem quando o clima está muito ruim, tem muita neve na rua, etc. O melhor é que, na capital, normalmente não se leva mais de 15 minutos pra chegar à qualquer lugar de carro.
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Estradas

A primeira vez que visitei a Islândia foi em 1996. Eu nem suspeitava que onze anos depois acabaria mudando para essa rocha perdida no Atlântico Norte!

Naquela primeira visita eu percorri a região sudoeste do país, conferindo as principais atrações turísticas. O interessante é que as memórias que ficaram na minha cabeça não foram apenas do geyser, da cachoeira Gullfoss e do vale de Þingivellir e outros lugares bonitos e interessantes, mas também das estradas.

Especialmente, me lembro de ficar confuso e curioso à respeito das varas amarelas à cada tantos metros pelo lado da estrada, em alguns lugares chegando a ter um metro de altura. Foi então que me explicaram que o propósito das tais varas é de marcar a localização da estrada de maneira que ela ainda seja visível quando coberta de neve no inverno.

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Também, nunca me canso de admirar a paisagem única da Islândia.

Clique aqui para ver mais fotos das estradas islandesas
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Almoçando com os parlamentares

No próximo sábado teremos eleições gerais aqui na Gelolândia, que foram marcadas como uma medida de emergência depois que o governo caiu em Fevereiro passado.

Como já era de se esperar, a campanha eleitoral de todos os partidos tem se concentrado na questão de como resolver a crise econômica atual e o alto nível de desemprego no país. Cada partido tem um plano diferente, mas no geral ninguém parece ter um plano sólido e muita gente está se sentindo desiludida com o processo político. As pesquisas estão demonstrando que o governo atual de esquerda deve ser re-eleito. Vou comentar mais à respeito das eleições e sobre as propostas dos partidos no sábado.

Uma coisa que eu achei interessante sobre a maneira em que a campanha eleitoral é conduzida aqui na Islândia é que os próprios candidatos tomam um papel muito mais direto no contato com os eleitores do que em outros países.

Em cada dia dessa última semana, durante o almoço no meu trabalho, um membro do parlamento e candidato à re-eleição veio à cantina da empresa para discutir com os funcionários a plataforma do seu partido. E foi sempre, todos os dias, debate mesmo, com muitas perguntas e debate.

Ainda, no fim de semana passado, quando fui ao supermercado havia um senhor de terno distribuindo panfletos e apertando a mão do público entrando e saindo do supermercado. Fiquei surpreso em saber que ele era um dos ministros que estava no governo até poucas semanas atrás.

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Usina geotérmica islandesa em El-Salvador entra em funcionamento

A primeira usina geotérmica de projeto islandês e construída em solo estrangeiro começou a funcionar nessa semana em El Salvador.

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Thór Gíslason, diretor da empresa islandesa Enex, responsável pelo projeto e construção da usina, explicou em entrevista para os jornais que este é um evento importante que demonstra a excelência da tecnologia islandesa de produção de energia geotérmica, e que aponta para um grande mercado futuro de exportação de conhecimento nesta área para países interessados em fontes renováveis de energia.

Esta usina em El Salvador produzirá 9.3 MW de eletricidade, e será operada em parceria pela empresa islandesa Enex e a fornecedora de energia local LaGeo.

Na Islândia, 26% da energia do país é produzida por cinco usinas geotérmicas, que utilizam a atividade vulcânica para produzir energia elétrica e aquecimento. Os outros 74% são produzidos por usinas hidroelétricas. Energia aqui na Islândia é muito barata, tanto que durante o inverno muitas das calçadas em em Reykjavík e Akureyri são aquecidas para serem mantidas livres de gelo. Essa abundância de energia barata também se reflete no fato de que o alumínio, que tem um processo de produção que necessita de muita eletricidade, é atualmente um dos principais produto de exportação de Islândia.

Para as casas na Islândia, o custo de energia elétrica e aquecimento é baixíssimo. Ainda, o fornecimento de água é gratuito, sendo que apenas àgua quente, aquecida nas usinas geotérmicas, é cobrada aos consumidores mas ainda assim por um preço extremamente baixo.

Eu espero ver no futuro próximo a abundância de energia barata na Islândia, e o conhecimento de ponta na produção de energia geotérmica, como sendo um dos pilares da recuperação da economia islandesa.
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Oddsson volta a fazer comentários polêmicos

O ex- presidente do Banco Central islandês, e a pessoa que a maioria dos islandeses culpa pela crise econômica no país, voltou nesse último fim de semana a fazer comentários polêmicos, durante a convenção nacional do Partido da Independência.

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Davið Oddsson, que foi forçado a renunciar há algumas semanas atrás, criticou seu sucessor, o economista norueguês Svein Harald Øygard, dizendo que Øygard é um mentiroso ou que tem Mal de Alzheimer, isso porque ele havia dito que não se lembrava exatamente de quando ele foi pela primeira vez abordado para a posição no Banco Central. Oddsson ainda disse: "Eu pessoalmente espero que ele tenha Alzheimer, dessa maneira poderá se esquecer da situação ridícula em que esse governo inútil o colocou."

Num comentário ainda mais bizarro, Davið Oddsson se comparou à Jesus Cristo, dizendo: "Quando aqueles bastardos crucificaram o bom Cristo, eles crucificaram dois criminosos ao seu lado. Entretanto, quando o novo governo enforcou Davið, eles decidiram enforcar dois homens honestos." - se referindo aos dois colegas da diretoria do banco central que foram forçados à renunciar com ele em Fevereiro.

Oddsson, que foi primeiro ministro da Islândia por 12 anos como líder do Partido da Independência, ainda criticou o relatório publicado pelo próprio partido na semana passada que reconhecia os erros do partido no governo durante a privatização dos bancos nos anos 90, dizendo que o relatório "vale menos que o papel em que foi impresso".

Eu fico impressionado com a arrogância de Davið Oddsson, que parece não ter limites. Ele não só continua à negar qualquer culpa no colapso da economia, mas ainda se vê como um herói e mártir do país. Mais e mais ele parece uma tia velha e louca que os parentes tem que aturar na hora do jantar.

Também não estou completamente satisfeito com as ações do novo governo do país e da nova direção do banco central. A nacionalização do banco de investimentos Straumur Burdarás há duas semanas atrás, o quarto banco a ser nacionalizado desde o início da crise, parece ter ocorrido puramente por motivos políticos. Um governo que nacionaliza à força, declarando falidas, empresas que estão na verdade em boas condições financeiras, eu não diria que está fazendo a coisa certa. Apesar de eu considerar que o governo atual é bem melhor que o anterior, na minha opinião a guinada para a esquerda na Islândia no momento me parece forte demais.

As eleições serão no dia 25 de Abril, e tudo indica que o governo atual de coalizão dos Social Democrata e Esquerda-Verde vencerá nas urnas.
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O impacto da crise na Islândia

A crise financeira mundial afetou a Islândia mais que qualquer outro país no mundo. Para se ter uma idéia do tamanho do estrago, basta olhar a situação da bolsa de valores antes e depois da crise.


Índice geral da bolsa de valores islandesa - em baixa de -91.4%


Variação do índice nos últimos seis meses:

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A lista abaixo mostra todas as empresas islandesas que estavam na bolsa de valores islandesa em Setembro de 2008, e a situação atual de cada uma delas.

Alfesca - Aluminio. Em dificuldades. (ações em baixa de -51%)

Atorka Group - Grupo de investimentos. Em dificuldades. (ações em baixa de -88%)

Bakkavör - Produtos Alimentícios. Em dificuldades. (ações em baixa de -94%)

Century Aluminum Company - Em dificuldades. (ações em baixa de -92%)

Eimskipafélag Íslands - Transporte marítimo. Em grandes dificuldades. (ações em baixa de -76%)

Exista - Grupo de investimentos. Falido.

FL Group - Grupo de investimentos. Falido.

Glitnir banki - Banco. Falido.

Icelandair Group - Companhia aérea. Em dificuldades. Demissões em massa. (ações em baixa de -66%)

Kaupthing Bank - Banco. Falido.

Landsbanki - Banco. Falido.

Marel Food Systems - Equipamentos para indústria alimentícia. Indo bem. (ações em baixa de -50%)

Nýherji - Informática. Estável. Algumas demissões. (ações estáveis)

SPRON - Banco. Falido.

Straumur-Burðarás Fjárf.banki - Banco. Falido.

Teymi - Telecomunicações. Em dificuldades, removida da bolsa.

Össur - Proteses. Indo bem. Ações estáveis.


Os islandeses estão dizendo que, pelo menos, estando no fundo do poço significa que agora só é possível mesmo melhorar. Vamos torcer pra que isso seja verdade!
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Faliu hoje o último banco independente islandês

Em outubro passado, num espaço de apenas alguns dias, todos os três bancos comerciais islandeses faliram e foram subseqüentemente nacionalizados, com a nação islandesa assumindo mais de 50 bilhões de doláres, cinco vezes o PIB islandês, em dívidas dos bancos. Apenas um banco sobreviveu esse terremoto financeiro no país como a última instituição financeira independente da Islândia, o banco de investimentos Straumur-Burdarás. Isso é, até hoje.

Hoje pela manhã foi anunciado que o banco Straumur-Burdarás quebrou e foi nacionalizado. Parece que o que aconteceu foi que o banco havia pedido um empréstimo ao Banco Central de 18 milhões de euros e o pedido foi recusado, o que deixou o banco numa situação insustentável.

Eu sinceramente não entendo mais o que o governo aqui na Islândia está querendo fazer. Tendo recebido um empréstimo de mais de 2 bilhões de dólares do FMI, e mesmo com esse dinheiro disponível exatamente para reconstruir a economia, ainda recusar emprestar 35 milhões de euros para manter o último banco do país de pé - sinceramente eu não vejo sentido, me parece uma decisão estúpida. Afinal, todos os governos da Europa estão injetando dinheiro nos bancos no momento exatamente para evitar que eles quebrem.

O futuro do banco em si e dos seus mais de 500 empregados é incerto no momento.

Eu tinha achado que a Islândia já tinha chegado ao fundo do poço e que a situação agora só poderia melhorar. Eu estava obviamente enganado.

O site do banco hoje tem um anúncio sobre o ocorrido, que termina com palavras que poderiam ser usadas para a economia islandesa em geral: “As a result of this Straumur is closed. “ - “Como resultado disso, Straumur está fechado.”
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Dois anos de Islândia

Nessa semana são dois anos que eu mudei aqui para a Gelolândia. Antes disso eu morei no Reino Unido por sete anos - três na Escócia e quatro na Inglaterra. Refletindo agora sobre esses dois anos desde a mudança, eu estou satisfeito com a qualidade de vida em geral na Islândia.

Vou tentar relatar aqui alguns pontos positivos e negativos da minha experiência de morar na Islândia. Como a minha experiência anterior foi na Inglaterra, muitas das comparações são feitas com aquele país.


Pontos positivos

- Distâncias pequenas. Tudo na capital islandesa é muito perto, nunca se leva mais de 15 minutos para ir à qualquer lugar.

- Mais tempo livre. Os fatores de uma jornada de trabalho menor e distância menores combinam para proporcionar muito mais tempo livre. Isso pra mim se traduz, mais do que qualquer outra coisa, em qualidade de vida.

- Segurança. Apesar de arrombamentos de casa serem relativamente comuns, assaltos e violência em geral (fora brigas em bares) não existem por aqui. Me sinto mais seguro aqui do que em qualquer outro lugar do mundo.

- Qualidade de construção das casas e prédios, e de aquecimento, muito melhor do que na Inglaterra.

- Limpeza. Reykjavik é uma das cidades mais limpas que eu já vi. Fora da cidade, a natureza é impecavelmente limpa também.

- Sistema de saúde gratuito e de qualidade. As experiências de cada um variam, mas as minhas foram positivas.

- Os islandeses são, na minha experiência, educados, bem informados e amigáveis. Tenho vários amigos islandeses. Um pessoal muito legal, sempre muito animados, bons amigos mesmo.

- A vida noturna da capital é ótima, muito agitada. São vários os bares e boates.

- A praticamente inexistência de classes sociais. Claro que existe uma classe super-rica, mas toda a população tem um padrão de vida razoável.

- Natureza. Vinte minutos de carro e você está fora do meio urbanos e cercado por paiságens fantásticas. O país é cheio de lugares bonitos e interessantes para se conhecer.

- Cultura. O país tem uma história rica, ampla literartura, e muitos costumes únicos. Acho que mesmo se eu vier a morar por aqui por décadas, ainda vou estar descobrindo coisas novas sobre a cultura local.

- Dois aspectos fundamentais da personalidade dos islandeses que eu adimiro: o espírito aventureiro de sempre correr riscos e inovar, e a sentimento solidariedade e igualdade.


Pontos negativos

- Custo de vida extremamente alto.

- Pouquíssima variedade de produtos nas lojas.

- Custo de vida altíssimo. Já mencionei? Bom, merece ser mencionado de novo.

- Salários em média menores que os do Reino Unido.

- Mercado de trabalho menor. Para um profissional aqui, o mercado de trabalho em muitos setores se resume à duas ou três empresas.

- A língua Islandêsa. Ô língua complicada! Em média estrangeiros levam de três a quatro anos para aprender a língua. Conheço alguns que moram aqui há mais de dez e ainda não falam quase nada. Os materiais disponíveis para aprender, e os cursos das escolas de línguas deixam muita à desejar.

- A Crise. Com letra maiúscula. Nenhum país foi tão afetado pela crise atual quanto a Islândia.

- O vento. Antes de conhecer a Islândia você não conhece vento de verdade. Vento aqui com frequencia joga carros fora das estradas, vira ônibus, e já ouvi histórias de crianças tendo que se segurar em postes para não serem arrastadas.

- O clima em geral. Não estou reclamando do frio, já que eu até gosto de frio. São as frequentes mudanças no clima e a constanste ventania gelada e as nevascas que são um desafio à paciência de qualquer um. Deve chover ou nevar uns 300 dias por ano. Não tenho dúvida que muitos estrangeiros deixam o país por causa do clima.

- Em comparação com o resto da Europa, o acesso à internet aqui na Islândia é lento.

- Programação na televisão. Existem apenas dois canais abertos, que só transmitem durante à noite. Há não muito tempo atrás, só existia um e que não transmitia no verão. Um dia eu compro uma parabólica pra pegar TV britânica!

- Isolamento geográfico. Qualquer viagem internacional é cara, o que faz que os islandeses viajem muito menos que pessoas de outros países europeus.
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Já vai tarde, Davið Oddsson!

Hoje o presidente do Banco Central islandês, e a figura mais odiada na Islândia atualmente, foi forçado a renunciar ao cargo.

Davið Oddson, formado em advocacia, depois de 12 anos como primeiro ministro da Islândia, assumiu o cargo de presidente do Banco Central em 2005. Várias publicações internacionais na Europa e EUA o apontaram recentemente como uma das 10 pessoas culpadas pela crise mundial atual.

Nos últimos dias ele tentou se defender numa entrevista na televisão dizendo que havia avisado o governo de que os bancos haviam crescido demais, mas que suas cartas foram ignoradas. Quando perguntado então se ele culpava o governo e assim o seu próprio partido, ele se recusou a responder. Ele tembém disse na televisão que as pesquisas de opinião que mostram 90% da população contra ele foram inventadas pelos donos do conglomerado islandês Baugur, seus arqui-inimigos. Essa tem sido a história da crise aqui na Islândia, uma onde ninguém assume nenhuma culpa de nada. Oddsson então, parece viver numa outra dimensão só dele, onde ele é o Rei da Islândia.

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(dinheiro da Islândia imaginária, da cabeça do “Rei” Oddsson, mostrando a dita)


Na minha opinião, a incompetência e culpa de Davið Oddsson no colapso da economia islandesa são claras e irrefutáveis. Ele era o presidente da instituição, o Banco Central, que tem como principal função ser o "lender of last resort", ou a linha de crédito de emergência, para os bancos do país. Quando chegou o momento dessa instituição desempenhar essa sua função fundamental, ela fracassou completamente devido ao tamanho das reservas ser totalmente incompatível com o tamanho dos bancos. O que Oddsson deveria ter feito enquanto no cargo seria se assegurar que as reservas são adequadas para socorrer os bancos, e se isso não fosse possível, que o Banco Central limitasse então as licenças para a expansão dos bancos. E ainda se tudo isso fosse de alguma maneira impossível, ele deveria ter renunciado anos atrás para trazer à atenção da nação essa situação antes que o castelo de cartas desmoronasse. Também acredito que a recusa de Oddsson ao pedido de empréstimo do banco Glitnir em Outubro passado foi o evento que precipitou o colapso de todo o sistema financeiro. Se a situação com Glitnir tivesse sido tratada com mais cuidado, acredito que pelo menos o maior dos bancos islandeses, o Kaupthing, ainda estivesse de pé hoje.

Provando mais uma vez uma total falta de bom senso, na entrevista recente na televisão, Oddsson disse que a Islândia tinha reservas maiores que qualquer outro país de tamanho similar. Uma comparação obviamente ridícula, já que o tamanho do país em si é irrelevante, e o importante é o tamanho da economia e principalmente dos bancos.

Mesmo depois de uma carta da nova Primeira Ministra pedindo a sua renúncia, Davið Oddsson ainda se recusava a sair do cargo, como uma criança mimada que não largava o brinquedo. Foi necessário passar uma lei especialmente para dar poderes ao governo para demití-lo, e essa lei passou a valer hoje, forçando o “Rei” a renunciar. A lei agora exige pelo menos um diploma universitário em economia. (Aliás, a proposta original de lei exigia um mestrado em economia para o cargo de Presidente do Banco Central, mas um dos partidos insistiu que essa exigência estava estava pesada demais!)

A principal lição que podemos tirar dessa saga é que nunca é uma boa idéia colocar um político no cargo de presidente do Banco Central. Senão temos exatamente o que aconteceu, alguém que se preocupa mais com políticas econômicas que ajudam o seu partido e geram ganhos políticos, do que políticas sólidas que sustentam a economia em longo prazo.

O novo presidente do Banco Central que assume hoje o cargo é o norueguês Svein Harald Øygard, que tem um mestrado em economia e já foi ministro da economia norueguesa. O vice-presidente agora é Arnór Sighvatsson, que tem um PhD em economia. Finalmente alguém no comando do Banco Central que finalmente parece pelo menos entender alguma coisa de economia!
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Escolhida a música islandesa para o Eurovision 2009

No último sábado o público islandês escolheu a cantora Jóhanna Gudrún Jónsdóttir com a música "Is it True?" para representar a Islândia no festival Eurovision desse ano, que será na Rússia no mês de Maio.

O Eurovision é um festival de música em que 43 países europeus competem todo ano, à cada ano o festival acontece no país que ganhou no ano passado. Esse festival é um dos programas de televisão com maior audiência no mundo, estimada em 600 milhões de telespectadores.

Os islandeses são loucos pelo Eurovision. É uma verdadeira atmosfera de final de copa do mundo por aqui no dia da final do festival. As ruas ficam desertas, e todo mundo tem uma festa pra ir onde os amigos assistem juntos e torcem pela Islândia.

Ainda assim, a Islândia nunca ganhou a competição. "Mas ficamos uma vez em segundo lugar!" - qualquer islandês faria questão de mencionar para um estrangeiro. Todo ano os islandeses acham que nesse ano vão ganhar.

Aqui está o vídeo da música da Islândia que foi escolhida para concorrer nesse ano:



Eu pessoalmente não achei essa música nada de especial. Mas, vou ficar torcendo. Áfram Ísland!
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Os bairros-fantasma da capital islandesa

Desde quando mudei aqui para a Gelolândia há cerca de dois anos atrás, reparei, e comentei várias vezes aqui no blog, o imenso número de novos prédios de apartamentos sendo construídos. Reykjavík parecia um grande canteiro de obras com guindastes em todas em direções no horizonte. Não só prédios novos, mas bairros inteiros sendo construídos. Freqüentemente, quando dirigindo próximo aos inúmeros canteiros de obra eu me perguntava - "Quem é que vai morar em todos esses novos apartamentos?"

Hoje, esses novos bairros, com seus prédios inacabados e abandonados desde Outubro passado, verdadeiros bairros-fantasma, são monumentos à crise que devastou a economia da Islândia nos últimos meses.

Com as linhas de crédito baratas já não mais disponíveis, as construtoras tiveram que parar as obras por completo, despedir praticamente toda a força de trabalho, e vender seus tratores e guindastes só para conseguir evitar a falência. A procura por imóveis também praticamente já não existe mais, depois do grande êxodo de islandeses que deixaram o país para procurar empregos nos outros países nórdicos e na Inglaterra. Grande parte da esperada demanda pelos novos apartamentos seria o até então crescente número de estrangeiros no país, mas a realidade agora é que metade dos estrangeiros que moravam na Islândia deixaram o país nos últimos meses.

A companhia elétrica Orkuveita Reykjavíkur, revelou hoje que havia investido o equivalente a 23 milhões de dólares na infra-estrutura de eletricidade, encanamento de água e esgoto para esses novos bairros. Com ninguém, ou quase ninguém morando neles, esse é um prejuízo e tanto.

As prefeituras também estão com dificuldade em manter serviços para bairros em que apenas poucos apartamentos estão ocupados, além das perdas na verba que foi investida em planejamento urbano mas que não resultaram na esperada arrecadação de impostos.

Dentre os bairros-fantasma na região da capital estão Helgafellsland in Mosfellsbær, Vatnsendahlíd em Kópavogur, Úlfarsárdalur em Reykjavík, Vellir em Hafnarfjörður, e Urridaholt em Garðabær.

No final de dezembro, meu departamento na empresa onde eu trabalho mudou de prédio, de Reykjavík para o subúrbio de Kópavogur. Esse novo prédio, que foi terminado logo antes da crise, está cercado por prédios inacabados e desde de Outubro abandonados, sem trabalhadores ou máquinas de construção.

Será interessante ver o que acontece com esses bairros-fantasma no futuro, quando a situação melhorar.

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Update: algumas fotos dos prédios inacabados e abandonados logo perto de onde eu trabalho em Kopavógur...

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... nem sinal de trabalhadores ou máquinas, desde o colapso da economia em Outubro.
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Diretores do Banco Central se recusam a deixar cargo

A nova Primeira Ministra mandou no início dessa semana passada uma carta aos diretores do Banco Central islandês exigindo que eles renunciem - carta esta que foi prontamente ignorada por Davið Oddsson, presidente do Banco Central e os outros dois diretores do banco.

Como resultado, o governo agora está preparando uma lei que dará poderes à Primeira Ministra para dissolver à força o quadro de diretores do Banco Central.

Um professor de Ciência Política da Universidade da Islândia, comentando sobre a situação na Sexta-Feira passada, disse: "Em qualquer outro país, se o governo dissesse publicamente que desejava a renúncia dos diretores do Banco Central, eles deixariam o cargo imediatamente."

É mesmo muita cara de pau de Davið Oddsson, que além de ignorar o fato de que ele é hoje o homem mais odiado do país, ainda resolve ignorar exigências do governo. E mais, disse publicamente depois de receber a carta, que ele estava "sob ataque político digno de ditaduras do século passado".

A arrogância e a desconexão de Davið Oddsson com a realidade são impressionantes. Ele disse há algumas semanas atrás que se fosse forçado a abandonar o cargo de presidente do Banco Central ele voltaria à política, dizendo isso de boca cheia, como alguém que estaria fazendo um favor seu país. Espero que ele volte mesmo à política, para que ele seja forçado à encarar a realidade certa de uma quantidade desprezível de votos que não vão lhe possibilitar nem um cargo de substituto de parlamentar.

Enquanto isso, uma das maiores empresas islandesas, o Grupo Baugur, que emprega mais de 50 mil pessoas e tem mais de 3 mil lojas em vários países, aém de controlar todos os jornais e as maiores redes de super-mercados da Islândia, entrou em concordata e se encontra à beira da falência. E ainda, as investigações sobre irregularidades nos bancos falidos continuam e estão descobrindo podres quase todo dia. As consequencias da crise continuam.
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... e o governo caiu

O Primeiro Ministro islandês acabou de anunciar a dissolução imediata do governo e o fim da aliança dos dois partidos que formam o governo.

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Ainda assim, não houve admissão de culpa nas palavras de Geir Haarde, o (agora ex-) Primeiro Ministro. Ele apenas disse que o partido que é parceiro do dele na aliança que governava o país, os Social Democratas, estavam tornando o governo impraticável. Essencialmente, ele não tomou nenhuma responsabilidade pelo seu governo ter devastado a economia do país, e ainda colocou a culpa no outro partido por dificultar a recuperação depois do colapso. Patético.

O Sr. Geir Haarde deveria dar uma olhada na edição de hoje do jornal britânico The Guardian, que lista o nome dele mesmo como uma das 25 pessoas culpadas pela crise econômica mundial. A lista está online também, clique aqui pra ver.

As eleições agora estão marcadas para 9 de Maio. A Islândia tem um sistema parlamentar de governo, o que significa que a população elege os membros do parlamento e o partido com mais membros eleitos escolhe o primeiro ministro, que governa o país.

O Partido da Independência (Sjálfstæðisflokkurinn), de Geir Haarde, já governava o país pelos últimos 12 anos. Posso afirmar com certeza que nas próximas eleições esse partido deve perder a maioria no parlamento e assim a chance de governar. Com a raiva que o povo islandês esta desse partido, ficarei surpreso se ele não se tornar um dos menores no futuro parlamento.

Ainda não foi decidido quem irá governar o país até as eleições de Maio. Negociações serão feitas hoje entre todos os partido políticos para tentar montar um governo de emergência temporário com membros de todos os partidos.

É inegável que o governo caiu como resultado da pressão popular em forma dos protestos, semanais nos últimos meses, e quase ininterruptos na última semana. Chegou-se ao ponto do governo realmente ter medo do povo. Os islandeses agora tem uma luz no fim do túnel, e deveriam se orgulhar de terem trazido à prática a famosa frase de Thomas Jefferson: “Quando o povo tem medo de seu governo, temos tirania; quando o governo tem medo de seu povo, temos liberdade.”

Mas não estamos esquecendo de você, Davíð Oddsson, presidente do Banco Central Islandês. Ainda queremos ver a sua cabeça rolar junto com as dos outros ministros, o que esperamos que aconteça assim que o novo governo de emergência for estabelecido.
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Ministro do Comércio renuncia

O Ministro do Comércio, Björgvin Sigurðsson, renunciou ao seu cargo hoje pela manhã. Em seu pronunciamento ele disse que tomava responsabilidades pelo colapso da economia islandesa, e que “a raiva e falta de confiança da população são intensos demais para que eu possa recuperar sua confiança.

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Björgvin Sigurðsson anunciando sua renúncia

Como seu último ato no cargo, o ministro despediu o presidente da Fjármálaeftirlitið (Autoridade de Supervisão Financeira), o órgão do governo islandês, que opera sob o Ministério do Comércio, responsável por supervisionar o funcionamento e expansão dos bancos. Um dos principais fatores que causaram a crise financeira foi exatamente a falha deste órgão em desempenhar o seu papel limitando a expansão dos bancos de maneira sustentável - ao invés disso o que aconteceu foi um apoio incondicional à expansão dos bancos sem controle ou regulamentação, resultando nos bancos acumulando dívidas equivalentes à cinco vezes o PIB da Islândia e finalmente na falência de todos os bancos do país frente à crise de crédito internacional.

Finalmente alguém está tomando responsabilidade pelo colapso da economia do país, mesmo que apenas quatro meses mais tarde e somente após intensos protestos nos últimos dias. Entretanto, me pergunto se essa é uma manobra planejada pelo governo para tentar apaziguar os ânimos da população, que ontem, mesmo após o anúncio de eleições em Maio, fez o maior protesto dos últimos dois meses, com cinco mil manifestantes (1.6% da população do país) reunidos em frente ao parlamento.

Os islandeses ainda querem ver a renúncia do presidente do Banco Central e do Primeiro Ministro, sua admissão de culpa pela crise, e o anúncio oficial da data das eleições prometidas para Maio.
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primeiro ministro anuncia: eleições em Maio

Depois de três meses de protestos semanais no centro de Reykavík pedindo a renúncia do governo e novas eleições, e de confrontos violentos com a polícia nos últimos dias, hoje o Primeiro Ministro, Geir H. Haarde anunciou que por motivos de saúde ele vai se ausentar do cargo e que um novo líder do partido será eleito em na convenção do partido em Março, e que ele apóia eleições gerais em Maio. Ele também anunciou que não pretende se candidatar novamente à líder do partido.

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Essa é uma mudança e tanto na posição do Primeiro Ministro, que até ontem vinha dizendo que o governo só aceitava eleições no final do ano ou mais tarde. Sem dúvida a atmosfera de "revolução" dos últimos dias colocou pressão no governo para anunciar eleições o quanto antes.

A surpresa do anúncio do Primeiro Ministro foi a revelação de seus problemas de saúde. Ele disse que foi diagnosticado na semana passada com câncer do esôfago, um tumor maligno que terá que ser retirado numa operação no exterior. Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, a atual Ministra da Educação, vai assumir temporariamente o cargo de Primeira Ministra, até o retorno de Geir H. Haarde depois do tratamento ou até as eleições gerais em Maio.

A foto abaixo é de Þorgerður Katrín Gunnarsdóttir, que por sinal está sendo investigada por corrupção em relação à um grande empréstimo feito por um dos bancos que faliu, ao marido da ministra, e que foi “perdoado e esquecido” pelo banco logo antes da falência.

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A reação geral tem sido uma de choque quanto à situação grave de saúde do Primeiro Ministro. Entretanto, mesmo depois desse anúncio, os protestos no centro de Reykjavík continuam, já que a data para as eleições, agora prometidas para Maio, ainda não foi anunciada, e o homem mais odiado do país, o presidente do Banco Central, Davið Oddsson ainda continua no seu cargo.

Bom, desejo boa sorte ao Sr. Geir em sua recuperação. Mas, continuo sendo da opinião que ele deveria tomar responsabilidade pelos seus erros e renunciar. A situação vergonhosa de que ninguém toma responsabilidade pelo colapso da economia do país continua.

Uma coisa estranha é que a líder do segundo partido que forma a aliança do governo também está com câncer e vem recebendo tratamento. Essencialmente, os dois líderes dos dois partidos que governam a Islândia estão agora fora de trabalho por motivo de doença. Ah, e os dois primeiros ministros anteriores à este tiveram câncer também. Será que é hora de mandar benzer os prédios do governo islandês?
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Confrontos violentos nas ruas de Reykjavík

Os protestos que começaram na terça-feira ainda continuam, pedindo a renúncia do governo e eleições imediatas. Ontem à tarde parecia que finalmente as manifestações estavam surtindo efeito no meio político, quando, como eu mencionei no post de ontem, o principal setor regional de um dos partidos que forma a aliança que governa a Islândia decidiu recomendar à cúpula do partido que a aliança, e com ela inevitavelmente o governo que perderia sua maioria no parlamento, seja dissolvida. Com esse anúncio os manifestantes celebraram nas ruas, numa atmosfera quase que carnavalesca e a maioria decidiu ir pra casa. Uma minoria, na maioria jovens, resolveu ficar marcando a ua presença nas ruas do centro e em volta do parlamento.

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Por volta da meia-noite de ontem, o confronto com a polícia começou. Parece que foram alguns adolescentes querendo aprontar confusão, francamente, uns idiotas, que começaram a jogar pedras no batalhão de choque da polícia. Em resposta, a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar toda a multidão. É a primeira vez desde 1949 que gás lacrimogêneo é usado na Islândia.

Ontem eu critiquei a polícia e a reação desproporcional da força policial contra a população. Hoje no entanto, eu tenho que condenar essa minoria de manifestantes que jogou pedras nos policias. Protestos tem que ser pacíficos - violência nunca ajuda em nada. Sete policias foram feridos nos confrontos de ontem à noite.

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Não posso deixar de pensar, também, que a escalada na violência tem a ver com a polícia usando seus cacetes e sprays de pimenta mais cedo no mesmo dia. Uma ação leva a uma reação. Um dos meus autores favoritos disse em um dos seus livros algo que me veio à cabeça nesses dias - a viabilidade da existência de uma força policial que confronta o povo depende dessa população continuar acreditando na mentira de que um pequeno grupo de oficiais pode conter toda o população civil imensamente mais numerosa; e quando a polícia começa a enfrentar o povo mais diretamente, arrisca-se destruir a crença nessa mentira.

Mas que fique claro, não acho que existe justificativa para atacar com pedeas a polícia ou quem quer que seja.

Só espero que o governo renuncie ou seja derrubado com manobras políticas antes que a situação piore e realmente saia completamente do controle.

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Hoje o protesto continuou, mas com uma certa ressaca da noite de ontem. Uma multidão menor, de algumas centenas de manifestantes, se reuniu na frente do parlamento batendo panelas e fazendo muito barulho. Hoje a coisa tem sido pacífica - até agora, pelo menos.

Vale à pena lembrar a proporção dos números dos protestos dos últimos dias. Uma multidão de 3 mil manifestantes, em relação ao tamanho da população da Islândia, seria o equivalente à um protesto com 2 milhões de participantes no Brasil.

Um cartaz de um dos manifestantes hoje na praça em frente ao parlamento islandês me chamou a tenção pelas palavras simples mas tão verdadeiras, e feitas ainda mais irônicas pelo fato de estarem sendo usadas num protesto em frente ao parlamento mais antigo do mundo...

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Tradução: “Quando a confiança se foi, TUDO se foi”.

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Protestos continuam

Os protestos agitados continuaram até as 4 da madrugada de hoje. Depois de uma pausa pela manhã, os manifestantes voltaram a se reunir na frente do parlamento no começo da tarde de hoje.

O parlamento anunciou que não se reuniria hoje, e nenhuma explicação foi divulgada para o cancelamento de sessão de hoje. Com esse cancelamento, o protesto com mais de mil pessoas mudou-se para frente do prédio do governo, onde trabalha o primeiro-ministro. No final da tarde, os manifestantes voltaram a se reunir novamente na praça em frente ao parlamento no centro de Reykajvík, onde duas mil pessoas ainda estão reunidas nessa momento, à meia-noite.

Essa foto é da noite de hoje:
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A pressão exercida pelas manifestações populares parece estar finalmente surtindo algum efeito no meio político. Apesar do primeiro-ministro e seu partido ainda estarem ignorando as reivindicações dos manifestantes, dois outros partidos políticos hoje e ontem declararam que apóiam a dissolução do governo e novas eleições. Inclusive, o o congresso regional do partido Samfylkingin (Aliança Social Democrata), que é parte do governo atual, decidiu recomendar a dissolução da coalizão que governa o país.

Notícias estão circulando também de encontros secretos entre os dois maiores partidos de esquerda para formação de um novo governo depois da possível dissolução da aliança que governa o país atualmente.

Os próximos dias serão interessantes. Eu vou tentar cobrir os acontecimentos várias vezes por dia via twitter, que também aparece no blog aí no canto direito superior, e vou postar notícias mais completas sempre que puder.


Fotos do protesto de ontem

Essas são algumas fotos do protesto de ontem durante a abertura do parlamento. Das várias fotos que eu encontrei na internet, essas são as que melhor transmitem o clima da situação atual. Clique nas fotos para vê-las ampliadas.

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Protesto agitado na abertura do parlamento

O parlamento islandês reabriu hoje, de volta das férias de natal. Mais de 3 mil pessoas se reuniram no início da tarde para protestar contra o governo e pedir novas eleições imediatas. O protesto começou com os manifestantes fazendo muito barulho, batendo panelas, tambores e gritando slogans contra o governo atual, mas logo a situação se tornou tensa com vários confrontos com a polícia.

Eu tenho que dizer que a polícia aqui está se comportando de maneira vergonhosa. Hoje usaram sprays de pimenta indiscriminadamente contra a multidão, acertando manifestantes, repórteres e até crianças. Bateram em várias pessoas com seus cacetetes, e algemaram e prenderam 30 pessoas incluindo adolescentes e até um menino de 11 anos. Francamente, o que me parece é que a polícia aqui está cansada de não ter nada pra fazer, sem crimes violentos pra resolver, e agora acham que finalmente tem a chance de usar todo o seu equipamento que estava num armário juntando poeira por anos - daí eles vão à uma manifestação pacífica com seus coletes, capacetes e escudos de tropa de choque, com seus cacetetes e sprays de pimenta - devem estar se achando como os policiais de séries de TV. Muitos dos manifestantes hoje, já sabendo desse comportamento pepper-spray-trigger-happy da polícia, já estavam com óculos escuros e máscaras de ski, e alguns ate com máscaras de gás - mas até onde eu sei o povo resistiu pacificamente. Se algum leitor estava por lá em pessoa surante a tarde, por favor nos passe mais informações.

Outro fato na minha visão vergonhoso, foi que hoje enquanto os manifestantes protestavam contra o governo e a grave crise financeira e confrontavam a polícia, os parlamentarem dentro do prédio do parlamento não estavam ocupados com as questões vitais nesse momento de crise mas discutiam no parlamento assuntos como "o baixo número de mulheres no mercado financeiro islandês" e "a venda de bebidas alcoólicas em lojas não-estatais" - enquanto essas são questões que merecem ser discutidas em algum ponto, francamente, essa não é a hora! Podiam pelo menos colocar ao voto as reivindicações do povo, como eleições imediatas, renúncia da presidência do banco central, a questão da União Européia e do Euro, e as várias graves irregularidades que estão sendo descobertas nos últimos dias nos bancos que foram nacionalizados. Acordem, parlamentares!



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Enquanto eu escrevo esse post, às 23:30, o protesto ainda está acontecendo, com milhares de pessoas, na noite gelada de Reykjavík à zero graus, em frente do parlamento. O povo está cansado de ser ignorado pelo governo.

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Clique aqui para ver o cobertura televisiva do protesto durante a noite
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Lã para o Reino Unido

Uma estação de rádio aqui na Islândia está fazendo no momento uma campanha para angariar doações de roupas de inverno, especialmente os tradicionais casacos de lã islandesa, para os idosos na Inglaterra.

Quando eu morava na Inglaterra eu fiquei sabendo desse problema por lá, que um grande número de idosos não tem dinheiro para pagar por aquecimento durante o inverno e muitos morrem de doenças causadas pelo frio. O número de mortes em 2008 causadas pelo frio na Inglaterra, de acordo com a BBC, foi de 30 mil, o que francamente, é um número absurdo de mortes causadas essencialmente por pobreza, por falta de dinheiro para pagar por aquecimento, num país dito de primeiro mundo. Nos países nórdicos, bem mais frios, isso não acontece.

A iniciativa, que insiste que os islandeses devem mostrar seu lado humanitário mesmo depois de terem sido tão mal-tratados pelos britânicos, tem um grupo no Facebook (claro!) chamado "Ull til UK" ("Lã para o Reino Unido").
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Desemprego continua a subir na Islândia

O jornal islandês Fréttablaðið publicou ontem uma matéria dizendo que a taxa de desemprego já chega à 6.5%, representando 10,700 pessoas desempregadas. A taxa de desemprego no mês passado era de 5.4%, e há um ano atrás era de apenas 0.9%.

O efeito da crise financeira no mercado de trabalho islandês tem mesmo sido bem sério, e a taxa de desemprego só não é maior por causa do grande número de trabalhadores islandeses e estrangeiros que deixaram o país nos últimos meses à procura de empregos no exterior. As estimativas são de que o desemprego possa chegar à 10% na Islândia no final de 2009.

Os líderes dos sindicatos, que são muito influentes na Islândia, tem criticado o governo por não estar fazendo o suficiente para resolver o problema do avanço do desemprego. O governo insiste que há iniciativas para auxiliar novas empresas inovadoras, mas os sindicatos insistem que é necessário investimento direto do governo para geração de empregos já que novas empresas são pequenas e geram poucos empregos.

Em resposta às críticas, a ministra do Bem-Estar Social Jóhanna Sigurdardóttir instituiu ontem um comitê para discutir propostas para geração de empregos.

Hoje em dia, a atitude geral aqui na Gelolândia é que se você tem um emprego, você já é um dos bem-afortunados e não pode reclamar.
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Nação Facebook

Enquanto o Brasil é o país do Orkut, a Islândia é o país do Facebook. A grande popularidade do Facebook por essas bandas é algo que eu já venho notando faz tempo. Não só todos os meus amigos islandeses usam Facebook, mas também todos o meus colegas de trabalho também, incluindo até mesmo os diretores da empresa onde eu trabalho.

É comum aqui na Islândia, quando alguém está planejando uma festa, ao invés de mandar emails para os amigos ou telefonar, usar o Facebook para mandar convites e discutir aspectos da festa. E ainda, qualquer reunião com amigos sempre inclui alguém mencionando uma novidade sobre a vida de um amigo em comum, novidade essa descoberta via Facebook.

A Islândia é um país de extremos - maior número per-capital no mundo de celulares, carros, computadores, etc, e parece que o maior número usuário de sites sociais também. Nessa semana foram publicados números de uma pesquisa mostrando que metade da população da Islândia está no Facebook, e ainda mais impressionante, que 96% dos islandeses na faixa dos 20 aos 29 anos de idade usam o Facebook.

Para quem tiver interessado em saber quais redes sociais são populares em quais países, clique aqui.
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Islândia - O melhor lugar do mundo pra se viver (em 2006)

Pelo segundo ano consecutivo a Islândia ficou em primeiro lugar no relatório de Índice de Desenvolvimento Human, publicado todo ano pela Nações Unidas. Os países no relatório são classificados de acordo com fatores como expectativa de vida, acesso à educação, e renda per capita.

Os dados usados para o relatório desse ano são de 2006, e portanto não levam em consideração o colapso da economia islandesas nos últimos meses desse ano e a conseqüente queda de renda e padrão de vida dos islandeses.

Acho muito difícil que a Islândia consega continuar no primeiro lugar nos próximos anos.

Mesmo que a Islândia perca algumas posições nos relatórios de IDH dos próximos anos e acabe perdendo o primeiro lugar, o desevolvimento do país ainda é impressionante. Afinal, há cem anos atras a Islândia era o país mais pobre da Europa e o segundo mais pobre do mundo, apenas na frente do Congo. Até a independência completa do país em 1944, a Islândia ainda era o país mais pobre da Europa, e Reykajvík não passava de uma vila de pescadores.

Enfim, mesmo com o recente colapso econômico, os islandeses ainda tem muito do que se orgulhar nas conquistas de apenas poucas gerações.

Aqui vai uma seleção dos colocados do relatório de IDH publicado nesse ano:

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Imagens do inverno

Nesse inverno não tem nevado tanto na capital, mas nos últimos dois ou dias nevou bastante. A vista é uma velha conhecido dos leitores mais antigos desse blog, é a vista da varanda do meu apartamento em Hafnarfjörður.

Algumas fotos não estão muito nítidas porque tirei por trás do vidro das janelas. Aliás, falando nisso, uma coisa que logo me chamou a atenção na Islâdia quando visitei o país pelas primeiras vezes é o fato de que as janelas não abrem completamente, como estamos acostumados no Brasil. O vidro das janelas é normalmente fixo, e somente uma janelinha menor, o canto da janela maior, é possível abrir, e ainda assim só uma greta. Também, com a ventania que faz por aqui, imagino que se fosse possível abrir duas janelas completamente em pontos distintos da casa, que muita coisa sairia voando pela janela!

Ainda vou fazer uma passeio por Reykjavík tirando fotos das decorações de natal e vou então colocar as fotos aqui. Por enquanto ainda não tem muita gente que não colocou as luzes nas casa ainda, então tenho que esperar um pouco mais para fazer essas fotos.

No inverno nunca fica completamente claro como num dia de verão, mas pode-se dizer que amanhece em torno das onze da manhã e anoitece por volta das três da tarde. Mesmo depois de um ano e meio morando aqui na Islândia eu ainda acho estranho sair de casa de manhã para trabalhar enquanto ainda está escuro, e voltar pra casa ainda no escuro. Como minha mesa no escritório não fica perto de nenhuma janela, a impressão que dá é de uma noite contínua.


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(clique para ver esse panorama em tamanho maior)


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E o ponto chato do inverno... tirando a neve do carro pela manhã...

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Clique aqui para ver todas as fotos

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Petróleo em águas islandesas

Quando discutindo a crise econômica atual com amigos islandeses, frequentemente é mencionado o argumento de que a economia islândesa vai se recuperar com a ajuda de grandes reservas de petróleo que devem começar a ser exploradas no ano que vem em uma região chamada Dreki ("Dragão") no mar a 300 km ao nordeste da Islândia.

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Essas reservas de petróleo e gás seriam, dizem os islandeses, ainda maiores que as do Mar do Norte que são compartilhadas pela Noruega e Reino Unido, e seriam suficientes para tornar a Islândia o maior exportador de petróleo da Europa.

Fiz uma pesquisa para confirmar os fatos, e realmente essas reservas de petróleo já são conhecidas há cerca de 20 anos, mas até recentemente se conserava que o custo de extração seria alto demais. Parace que agora, no entanto, o governo islandês acredita que a tecnologia de extração de petróleo em águas profundas avançou o suficiente para possibilitar a exploração dessas reservas. Um relatório do governo publicado recentemente sobre o assunto cita inclusive exploração de petróleo na costa brasileira à profundidades semelhantes.

Durante uma conferência em Agosto desse ano, o Ministro da Indústria Össur Skarphedinsson disse: "Nós temos grande esperança de encontrar petróleo na região de Dreki, já que pesquisa científica indica a possibilidade de grandes reservas naquela área. É claro para nós que a descoberta de petróleo e gás poderá ter um grande impacto positivo na economia islandesa."

E o ministro está certo. Com uma população tão pequena, apenas 300 mil habitantes, se as previsões do tamanho dessas reservas de petróleo estiverem mesmo corretas, a Islândia poderia mesmo se tornar um país extremamente rico nas próximas décadas.

A exploração das reservas começará em 2009, com empresas estrangeiras fazendo a extração sob licensa do governo islandês.
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FMI aprova empréstimo de $2.1 bilhões para a Islândia

O Fundo Monetário Internacional anunciou hoje a aprovação de um pacote de ajuda para a Islândia. O governo vem esperando por semanas por essa decisão, que foi adiada várias vezes em função das disputas entre a Islândia e Inglaterra e Holanda sobre a restituição dos depósitos de clientes de bancos islandeses falidos naqueles países.

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Primeiro Ministro Geir Haard e a Ministra de Relações Exteriores
Ingibjörg Sólrún Gísladóttir anunciando o empréstimo do FMI


O empréstimo aprovado pelo FMI é de 2.1 bilhões de dólares. Desse total, 827 milhões estão disponíveis imediatamente, e o resto será disponibilizado em oito parcelas trimestrais de 155 milhões de dólares sujeitas à aprovação do desempenho do programa de reforma econômica governo. O empréstimo devera ser repago em 2012-2015.

Com o anúncio do FMI, outros países anunciaram mais empréstimos para a Islândia. Noruega, Dinamarca, Finlândia, Ilhas Faroes, e Polônia, juntos, ofereceram mais 3 bilhões de dólares à Islândia.

Foi anunciado também um acordo entre a Islândia e Inglaterra, Holanda e Alemanha, em que a Islândia concordou em restituir os depósitos de clientes estrangeiros nesses países que perderam seu dinheiro com a quebra dos bancos islandeses, até o máximo de 26 mil dólares por cliente. O total que o governo islandês tem que pagar para esse países é por volta de 4.3 bilhões de dólares. Como a Islândia não tem esse dinheiro, a Inglaterra, Holanda e Alemanha vão emprestar esses 4.3 bilhões para a Islândia que deverá ser usado para pagar as restituições - ou seja, efetivamente, os governos da Inglaterra, Holanda e Alemanha vão restituir o dinheiro aos clientes e o governo islandês vai assumir a mesma quantia como dívida para com aqueles países.

Somando todos esses empréstimos anunciados nos últimos dias, o governo islandês está recebendo quase 10 bilhões de dólares em empréstimos, o equivalente à mais de 30 mil dólares de dívida por habitante e há 110% do PIB do país previsto para 2009 - o que faz da Islândia um dos países mais endividados do mundo por cabeça da população.

Segundo o FMI, essa é a re-estruturação de um sistema bancário mais cara de todos os tempos, em termos de custo por habitante.

E como nós brasileiros sabemos muito bem, com empréstimos do FMI vem imposições de política econômica que muitas vezes são um remédio pior do que a doença.

O governo ainda vai tentar vender parte do patrimônio dos bancos falidos, mas ninguém sabe quanto dinheiro pode ser levantado dessa venda. Os novos bancos abertos pelo governo (Novo Glitnir, Novo Landsbanki, Novo Kaupthing) serão sem dúvida privatizados pelo governo em algum ponto no futuro, mas ainda vai demorar muitos anos para que esses novos bancos venham a valer alguma coisa.

A reação da imprensa em geral, e também do povo islandês em relação à esses empréstimos que foram aprovados hoje foi uma mistura de alívio e de preocupação. De um lado, alívio de finalmente algo estar acontecendo para mudar a situação atual e começar a reconstrução de economia. Por outro lado, há também muita preocupação de que pode ser que leve décadas para que esses empréstimos sejam pagos, e que enquanto isso os impostos, que já estão entre os mais altos do mundo, terão que ser aumentados para gerar o dinheiro para pagamento das dívidas. E ainda, há uma grande preocupação de que todos esses bilhões de dólares podem acabar indo pelo cano na tentativa de defender a desvalorização da krona.

No momento a cotação da krona no mercado islandês é definida por pequenos leilões de moeda feitos pelo banco central toda manhã - mas, efetivamente a cotação está fixa pelo governo. Fora da Islândia, a krona praticamente não tem valor, não é aceita pela maioria dos bancos internacionais e os que aceitam estipulam sua própria cotação muito menos favorável que a do banco central islandês. O governo islandês pretende re-introduzir a krona no mercado internacional e deixá-la flutuar livremente no início de Janeiro próximo - muita gente acredita que quando isso acontecer a krona vai despencar ainda mais e o governo vai acabar gastando bilhões de dólares tentando em vão segurar o valor da moeda.

O panorama econômico para a Islândia em 2009 será ruim, disso não há dúvida - já o quanto ruim vai depender do que acontecer quando a krona for re-introduzida no mercado livre internacional em Janeiro. De qualquer maneira, as previsões publicadas pelo governo para 2009 são: redução de 10% no PIB islandês, inflação de 23%, e desemprego que pode chegar à 10%. Eu diria que essas são previsões otimistas.
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Forbes: Islândia tem o melhor sistema de saúde do mundo

A Islândia está em primeiro lugar na lista de sistemas de saúde pública no mundo, publicada pela revista de negócios americana Forbes. A pesquisa da revista investigou os sistemas de saúde de vários países e a saúde em geral das populações, usando dados das Nações Unidas e da World Health Organization.

As áreas em que a Islândia brilha são, segundo a revista, a alta expectativa de vida para homens e mulheres, a erradicação de tuberculose no país, a melhor taxa de sobrevivência do mundo ao câncer do seio, e a baixíssima taxa de mortalidade infantil que é a menor do mundo. O artigo da revista também diz que a Islândia tem o maior número de médicos e de enfermeiras per-capita do mundo.

Logo abaixo da Islândia na lista ficaram Suécia, Finlândia, Alemanha, Dinamarca e Canadá. O Brasil não aparece na lista.

O sistema de saúde na Islândia é completamente público, todos os hospitais são públicos. Consultas à médicos não são completamente gratuitas, mas existe um teto de quanto é que cada pessoa pode pagar por ano, que é até baixo, e acima disso o governo paga todos os custos. Qualquer procedimento médico que exija que o paciente passe a noite no hospital é completamente coberto pelo governo - o que eu já ouvi falar que gera alguns problemas, com enfermeiras e médicos às vezes deixando gente passar a noite no hospital quando não é necessário, só para não precisarem pagar pelo tratamento ou cirurgia.

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Foto do prédio principal do Hospital Nacional

A minha experiência pessoal com o sistema de saúde islandês tem sido muito positiva. Não tenho do que reclamar, especialmente comparado ao terrível sistema de saúde da Inglaterra, onde morei por sete anos antes de mudar pra cá. Aqui na Islândia eu visitei médicos algumas vezes e fiz uma pequena cirurgia no ano passado para corrigir um desvio de septo no nariz. Tudo foi sempre muito profissional, sem esperas longas, e só paguei uma pequena parte do custo das consultas e cirurgia, com o governo pagando o resto.

Todas as vezes que visitei um médico, reparei na preocupação em checar minha documentação para ter certeza de que eu tenho direito a tratamento financiado pelo governo, isso é porque somente depois de seis meses morando legalmente na Islândia com visto de residência, e pagando impostos, é que um estrangeiro passa a ter acesso ao sistema público de saúde. Antes desses seis meses, o estrangeiro tem que pagar por todos os custos sem exceção. Eu entendo que com uma população tão pequena, o governo tenha mesmo que tomar cuidado para não ser inundado com "turistas” do sistema de saúde.
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Análise: crise econômica na Islândia

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Eu não sou economista, mas já que também não o são nem o ministro da economia islandês (um veterinário) e nem o presidente do banco central islandês (um advogado), vou seguir em frente e fazer minha análise da crise atual e, na minha opinião, dos erros que resultaram na ruína da economia islandesa.


O pano de fundo

A atual crise financeira mundial começou, como todos sabem, nos EUA com as chamadas sub-prime mortgages, hipotecas de imóveis de alto risco que eram re-empacotadas como produto de investimento e revendidas para o mercado mundial. Quando ficou claro que esse grande volume de "dívidas tóxicas" não tinha nenhuma chance de ser pago pelos devedores originais, o pânico se espalhou e vários bancos americanos que envestiram pesado nesse tipo de investimento caíram. Com isso, bancos no mundo todo passaram a re-avaliar suas linhas e crédito para outros bancos, em caso de risco de falência dos bancos devedores, e essas linhas de crédito entre bancos começaram a secar. Esse é o pano de fundo para a crise islandesa.

Vamos dar uma olhada rápida agora no panorama do mercado financeiro islandês há um mês atrás. Os três bancos comerciais islandeses, sendo estes, Glitnr, Landsbanki e Kaupthing, representavam mais de 60% da economia do país, e juntos tinham em patrimônio de $150 bilhões de dólares, nove vezes, isso mesmo, nove vezes o PIB da Islândia. E até um mês atrás os três bancos estavam bem, não tinham investimentos em sub-primes americanos ou "dívidas tóxicas" e estavam os três dando lucro e crescedo. O que foi que aconteceu de errado com eles então? Ah, essa é uma história de pânico, erros e despreparo.


O primeiro grande erro do governo

A crise islandesa começou há duas semanas atrás. Com a crise nos EUA, as linhas de crédito entre bancos ficaram mais restritas, e foi então que o terceiro maior banco islandês, Glitnir, começou a ter problemas para financiar suas operações. Glitnir então pediu um empréstimo para o banco central islandês. Foi aí que o governo islandês cometeu o primeiro grande erro. Ao invés de dar ao Glitnir o empréstimo que o banco pediu, o banco central islandês decidiu nacionalizar o Glitnir, declarando todas as ações do banco de valor zero e tomando 100% do banco em poder do governo.

A nacionalização forçada do Glitnir é unanimemente considerada pelos islandeses hoje como um tremendo erro de enorme conseqüências. E tem mais, os islandeses acreditam que Glitnir foi nacionalizado como uma vingança pessoal do diretor do banco central islandês, Davíð Oddsson, contra seu inimigo jurado, o multi-bilionário islandês Jón Ásgeir Jóhannesson, que era grande acionista do banco. Parece que, por causa de uma vingança pessoal, Oddsson desencadeou um processo que ia terminar na ruína econômica do país.

O setor financeiro da Islândia, e a economia islandesa de forma geral, é um verdadeiro castelo de cartas. A nacionalização do Glitnir significou que muitas empresas e bancos perderam muito dinheiro, e passaram a ficar numa situação delicada.

No mercado financeiro internacional, com a notícia da nacionalização do Glitnir, a atenção dos bancos e investidores se voltou para a Islândia. Os investidores internacionais se assustaram com o fato dos bancos serem tão maiores do que o resto da economia islandesa, concluindo que assim seria impossível para o governo islandês socorrer qualquer outro banco que venha a falir - a conclusão foi de que qualquer dinheiro em bancos islandeses estaria correndo extremo risco. O resultado foi que as linhas de crédito se fecharam, e nenhum bancos mais emprestava dinheiro para bancos islandeses. Assim, apenas quatro dias depois, tendo levado um enorme prejuízo com a queda do Glitnir e agora sem acesso à crédito para financiar seu funcionamento, essa foi a vez do segundo maior banco islandês, o Landsbanki, chegar à beira da falência e também ser nacionalizado.

No espaço de uma semana, dois do três gigantes da economia islandesa caíram, mas ainda havia esperança de que o maior banco islandês e um dos maiores bancos da Europa, Kaupthing, ainda sobreviveria.


O segundo grande erro do governo e a retaliação (anti-?)terrorista britânica

Foi agora que o governo fez islandês fez seu segundo grande erro. Landsbanki era dono de um banco na Inglaterra chamado Icesave, que tinha mais de $5 bilhões de dólares em depósitos de clientes britânicos. Ao invés de negociar com cautela a situação desses clientes britânicos, o primeiro-ministro islandês declarou numa bravata que simplesmente o dinheiro havia sumido, e que os clientes britânicos não veriam nem um centavo de seus depósitos. O governo do Reino Unido retaliou congelando todo o patrimônio de todos os bancos islandeses no Reino Unido, incluindo o patrimônio do banco Kaupthing que ainda estava de pé e não tinha nada a ver com o banco Icesave de propriedade do falido Landsbanki.

Esse bloqueio do patrimônio dos bancos islandeses foi um absurdo por si só, em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown, que vinha precisando de uma melhora de popularidade, se utilizou da lei anti-terrorismo inglesa (isso mesmo!) para fazer o tal congelamento.

Sem acesso ao seu patrimônio de mais de $10 bilhões de dólares no Reino Unido, na forma do banco Kaupthing Edge que operava em Londres, a sorte do banco Kaupthing estava fadada, e o banco foi nacionalizado, falido, dois dias depois do congelamento (anti-?)terrorista de seu patrimônio pelo governo britânico.


Conclusão

Essa é a história de como um país chamado por muitos de "Tigre Ártico" teve sua economia arrasada em questão de duas semanas. Os três grandes bancos se foram, os ingleses ainda querem seu dinheiro de volta, várias empresas da real economia islandesa correm agora o risco de quebrar porque tinham investimentos nos bancos falidos, o dólar subiu 110% contra a krona, e a Islândia anda por esses dias de chapéu na mão pedindo dinheiro para qualquer um que possa emprestar.

Para fechar essa minha análise, eu tenho que dizer que mesmo com o terrível estado atual da economia da Islândia, na minha opinião os fundamentos da economia que ainda são sólidos. A Islândia tem uma população de altíssimo nível de educação e com um forte espírito empresarial, o país tem grande riqueza energética, e ainda tem a riqueza dos mares que foi a base da incrível ascensão desse país que ainda há 100 anos atrás era um dos mais pobres do mundo e chegou a ser um dos mais ricos. Os próximos anos serão de recessão econômica, com certeza, mas a Islândia vai se recuperar, disso eu não tenho dúvida.

Repetindo a mensagem da faixa que vi hoje numa das rodovias de acesso à Reykjavík, colocada ali recentemente, com certeza com o intuito de animar os ânimos dos islandeses deprimidos com a crise atual - Áfram Ísland - Pra frente Islândia!
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Estaria o Santo Graal escondido na Islândia?

Um grupo de cientistas e arqueólogos sob a liderança do pesquisador italiano Giancarlo Gianazza estiveram na Islândia recentemente procurado por nada mais nada menos que o Santo Graal. Obviamente, eles não leram o Código Da Vince que prova que a santa relíquia está na França e prova também que tem gente pra acreditar em tudo por mais absurdo que sejam as teorias.

Segundo o pesquisador italiano, existem pistas nos poemas de Dante que indicam as coordenadas geográficas exatas da Islândia e descrevem a área do Jardim do Eden que corresponde precisamente ao vale de Kjölur na Islândia. Impressionante, principalmente quando levando em consideração que o poema foi escrito 200 anos antes da invenção do primeiro método para se medir longitude.

Outra pista estaria escondida na pintura A Última Ceia de Leonardo Da Vince, que segund Gianazza, contém o mapa de uma região das terras altas da Islândia. Da Vince teria, claro, usado Google Earth para obter uma visão aérea detalhada da área.


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Evidentemente, existem outras áreas no mundo que tem formações geológicas com formato de V, mas eu suponho que se a idéia para esconder o Graal era de levá-lo o mais longe possível da civilização, as terras altas da Islândia batem praticamente qualquer outra opção!

Outro argumento apresentado pela equipe que procura pela relíquia é de que textos islandeses antigos mencionam que um grupo de "oitenta homens do leste" teriam vindo à Islândia acompanhando o Snorri Sturluson, o grande escritor, poeta e político islandês no ano de 1217. O imaginativo pesquisador italiano acredita que estes oitenta homens eram Cavaleiros Templários e que Snorri teria os auxiliado a encontrar um bom local para esconder seu tesouro.

As autoridades islandesas deram permissão para as escavações que aconteceram durante as últimas três semanas na região de Kjölur, entre as geleiras Langjökull e Hofsjökull. Para a surpresa de todos (menos de Dan Brown), a equipe não encontrou o Santo Graal.

Ainda assim, o pronunciamento oficial dos cientistas da equipe foi de que eles ainda tem certeza de que o Graal está na Islândia, e que os dados e evidências que coletaram durante as escavações recentes justificam novas escavações no ano que vem.

Seria mesmo uma descoberta fantástica caso o Santo Graal fosse encontrado na Islândia, mas será que os elfos já não o encontraram primeiro?
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Discriminação no mercado de trabalho - parte 2

Estive discutindo com vários amigos, estrangeiros e islandeses, o assunto do post anterior. Alguns deles levantaram uma hipótese que é pelo menos interessante para explicar a desvantagem dos estrangeiros no mercado de trabalho islandês. Essa hipótese seria de que o problema não é exatamente discriminação em específico, em racismo, ou xenofobismo, mas ao invés disso o fato de que tudo na Islândia funciona na base de quem você conhece. Assim, segindo esse raciocínio, os estrangeros estariam em desantagem por não ter os contato que os islandeses tem, ou mesmo os laços familiares, já que todos s islandeses são aparentados em algum nível. É verdade que eu posso em imaginar que uma entrevista de trabalho aqui na Islândia, com um candidato islandês, comece com o ntrevistador e entrevistado definindo seu grau de parentesco e o parentesco com outras pessoas da empresa, e também definindo os conhecidos em comum, e imagino que isso deve mesmo fazer uma grande diferença na hora de escolher o candidato para uma determinada vaga.

Não sei se estou completamente convencido por essa hipótese. Acho mais provavel que a coisa seja uma mistura de ambos os fatores de discriminação e tabém essa atitude de preferir candidatos com ligações pessoais ao pessoal da empresa. De uma maneira ou de outra, qualquer que seja a razão, o fato permanece de que estrangeiros na Islândia tem estão em desvantagem e tem dificuldade em conseguir bons empregos.
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Discriminação no mercado de trabalho

Existem várias coisas positivas sobre morar na Islândia, disso não há dúvida. Mas nem tudo aqui nesse rochedo perdido no Atlântico Norte é um paraíso. Uma das coisas que mais me incomodam por aqui é discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho. Vou ser direto no assunto: salvo raras exceções, empresas islandesas vão sempre contratar um islandês ao invés de um estrangeiro mesmo que o estrangeiro seja melhor qualificado.

Ontem me encontrei com um amigo que eu já não via há alguns meses e discutimos esse assunto em vista das dificuldades que ele está passando no país. Esse amigo é espanhol, mora aqui na Islândia há quatro anos e fala islandês fluente. Ele é advogado formado em Barcelona e com um mestrado em Direito Ambiental pela Universidade da Islândia. Desde que ele concluiu o mestrado, há mais de um ano, ele só conseguiu emprego como pintor de paredes, entregador, e preparando comida em lanchonetes.

Ainda falando sobre esse amigo advogado espanhol, ele me contou a experiência mais recente dele com essa discriminação no mercado de trabalho, que realmente beira o absurdo. Há algumas semanas atrás, tendo visto nos jornais que o Ministério do Meio-Ambiente estava com uma vaga para um advogado especializado na área, ele mandou seu currículo e fez uma entrevista. Na semana seguinte ele recebeu uma carta dizendo que haviam decidido dar o emprego para outra pessoa, um islandês, que ainda está fazendo o seu bacharelado em direito e só vai formar no final do ano. Ou seja, podendo escolher entre alguém com um mestrado específico na área, eles ainda preferiram dar o emprego para alguém que nem se formou em direito ainda. Absurdo. Agora ele está pensando em mudar de volta para a Espanha com a namorada, islandesa, e filho nascido aqui.

Eu também já senti essa discriminação na pele, quando recentemente fui há duas entrevistas para empresas de informática em Reykjavík. Nas duas ocasiões, o entrevistador me disse que eu era o melhor qualificado de todos os candidatos. Ainda assim, não tive nenhuma oferta de emprego. Até mesmo em uma empresa que já tinha oferecido um emprego para um amigo meu islandês que desistiu de entrar para a empresa na última hora, eu não consegui uma oferta, mesmo sendo eu melhor qualificado que esse amigo na mesma área.

Esse tipo de discriminação é algo com que eu não estou acostumado. Morei sete anos no Reino Unido antes de mudar para a Islândia, e lá esse tipo de coisa não acontece. Na última empresa para qual eu trabalhei na Inglaterra antes de mudar pra cá, haviam 130 pessoas no total e dentre estas estrangeiros de 25 países diferentes. Deve ser, eu imagino, porque por lá já estão acostumados com estrangeiros, que ainda são um fenômeno recente aqui na Islândia.

Outra coisa que eu acredito evidencia essa discriminação contra estrangeiros no mercado de trabalho na Islândia é o fato de que mesmo o número de estrangeiros por aqui sendo alto e comparável ao resto da Europa, atualmente representando 9% da população, ver estrangeiros em cargos bem pagos em empresas é super raro. Eu trabalho atualmente numa grande empresa, a maior empresa de informática na Islândia, com mais de 400 empregados no país, e eu sou o único estrangeiro não-escandinavo na empresa. Onde estão então os mais de 25 mil estrageiros? A conclusão é que a grande maioria dos estrangeiros estão desempenhando as funções que os próprios islandeses não querem fazer, nos subempregos.

Eu espero que essa atitude mude com o tempo, conforme os islandeses se acostumem com o nível atual de imigração. Mas, mesmo que mude, infelizmente eu acho que ainda vai levar pelo menos uma ou duas décadas, ou talvez mais.
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Outra paixão islandesa: acampar

Eu já falei aqui de algumas paixões dos islandeses, como sorvete, churraco e carrinhos de supermercado. Agora no final do verão, com todo mundo voltando de férias, todos tem a mesma história pra contar, dos dias que passaram em uma barraca em algum lugar da ilha.

O último país que eu imaginaria o povo ser louco com acampamento seria aqui na Islândia, por óbvios motivos meteorológicos. Mas parece que o pessoal por aqui anima mesmo. Todos os meus colegas de trabalho, sem exceção, acamparam nesse verão com a família ou amigos, e todos tem a mesma história pra contar de como estava gelado e como o vento sacudia a barraca incessantemente. Uma das histórias que ouvi mencionava o fato de que o vento estava tão forte numa das noites que os pinos de ferro que seguravam a barraca no chão se quebraram e a barraca inteira foi levada pelo vento sem nunca mais ser encontrada, enquanto o pessoal que estava dentro, berrando para serem escutados na ventania, teve que correr para dentro dos carros para se protegerem da súbita nevasca de verão.

À princípio eu até achei a idéia interessante, de se acampar em um campo de lava remoto, algum lugar bem bonito e isolado. Mas, não é bem assim. Pra começar, é proibido na Islândia dirigir fora das estradas, já que levar o carro off-road pode destruir vegetação rasteira que nesse clima levaria décadas para se recuperar. Parece que os islandeses na grande maioria das vezes acampam em áreas designadas para acampamento, onde dezenas de barracas se aglomeram em torno de um prédio onde ficam banheiros e algumas vezes geradores de eletricidade também, o que eu não chamaria exatamente de isolamento ou de contato íntimo com a natureza.

Eu sempre quis fazer uma viagem de carro em volta da Islândia, pela Estrada Número Um que contorna a ilha. Talvez no ano que vem eu faça tal viagem e anime de acampar no caminho, já que em algumas partes mais remotas do país é difícil arranjar acomodação. Vou tentar já ir me acostumando com a idéia de noites gélidas e uma barraca balançando com o vento extremo que sopra incessantemente nessas latitudes glaciais.
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De volta da Bulgária, reflexões sobre a islândia

Depois de cinco dias trabalhando na Bulgária, estou de volta na Islândia. Eu fui à serviço para uma empresa farmacêutica islandesa que emprega mais de três mil pessoas na Bulgária, fui instalar um novo sistema de Telefonia por IP para o novo escritório deles na capital Sofia. Acabou que não vi muito de Sofia, já que quase não tive tempo fora do trabalho. Só deu mesmo pra passear um pouco na área em volta do hotel durante à noite quando eu voltava do trabalho e saía à procura de algo pra comer pro jantar. A cidade me pareceu bonita, muito arborizada, cheia de grandes e imponentes prédios do período comunista que devem ser interessantes de se visitar.

É impressionante o tamanho da economia islandesa quando você pensa que o país só tem 300 mil habitantes. Essa empresa mesmo para qual eu fui trabalhar nesses dias na Bulgária, tem treze mil empregados no total em mais de 30 países. No Reino Unido, empresas islandesas praticamente controlam o mercado de comida no país e compraram também várias das maiores lojas de roupas britânicas, e a maior loja de brinquedos. Na Dinamarca e Noruega, vários bancos locais foram recentemente comprados por bancos islandeses, assim como algumas companhias aéreas e pelo menos um jornal de grande circulação. Isso um país que tem uma população igual à cidade brasileira de Blumenau (SC) ou ainda de Uberaba (MG).

Nesse fim de semana eu também fui forçado à refletir sobre o isolamento geográfico aqui da Gelolândia. A viagem para Sofia foi uma das mais indiretas que eu já fiz. Eu viajei de Reykjavik para Gothenburg na Suécia, depois para Copenhagem na Dinamarca, daí para Munich na Alemanha e de lá finalmente para Sofia. Os motivos desse número de conexões foram o pequeno número de vôos que saem da Islândia pela manhã e o fato de que a companhia aérea islandesa Icelandair só faz conexão com vôos operados pela companhia escandinava SAS e suas parceiras. Depois de morar em Londres por muitos anos, eu estava acostumado a ter pegar vôos diretos pra qualquer lugar do mundo à qualquer hora do dia, e essa maratona de quatro conexões e 14 horas de viagem dentro da Europa realmente me fez refletir sobre o isolamento geográfico desse rochedo perdido no mar Atlântico Norte.
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Talarðu íslensku? - Questões linguísticas

Na semana passada eu terminei o nível 3 do curso de islandês. Aprender a língua aqui da Gelolândia não é, como diz o provérbio inglês, um passeio no parque, mas taria mais para um engatinhamento num campo minado e encoberto por nevoeiro pesado. A dificuldade de aprendizado do idioma islandês e lendária. As palavras se juntam para montar verdadeiras aberrações que desafiam a capacidade dos músculos da língua de se contrcerem, e o pior, regularidade é algo praticamente inexistente, o que força o estudante a olhar no dicionário para saber com certeza como cada nome é declinado ou cada verbo é conjugado. Quando você acha que entendeu como funcioa uma parte qualquer da gramática, por exemplo como construir os plurais de substantivos (sim, isso é complicado), logo vem a desanimadora compreensão de que agora você tem que aprender como essas regras mudam com cada caso de decinação, cada gênero e grau em suas múltiplas combinações.

Eu estudei um ano de islandês no University College London, quando morava na Inglaterra, antes de mudar pra cá. Mesmo com esses dois semestres em Londres de aulas duas vezes por semana, e agora morando na Islândia por quatro meses também com aulas duas vezes por semana, o meu islandês é suficiente apenas para entender vagamente o assunto de uma conversa. Eu imagino que eu ainda vá levar pelo menos mais um ano de aulas, morando aqui, para poder falar a língua com o mínimo de fluência. Na minha turma de islandês tinha gente que já mora por aqui há mais de dois anos, e não fala praticamente nada.

Não ajuda também que existe muito pouco material de qualidade para o estudante da língua e poucos professores treinados para ensinar islandês à estrangeiros. Ainda, as aulas são caras e acho que o governo deveria patrocinar pelo menos uma parte dos custos para ajudar os estrangeiros, que agora são 9% da população do país, a aprenderam a língua e assim se integrarem melhor na sociedade islandesa.


boiando...

É uma sensação estranha à qual eu não estava acostumado, quando todos à sua volta estão conversando numa língua que você não entende, e você só boiando. O que faz a coisa ficar ainda mais desconfortável é que todos aqui falam inglês fluente, e eu então não posso deixar de me perguntar por que então não falam falar inglês naquele momento para incluir o(s) estrangeiro(s) na conversa também.

Eu compreendo o conceito de que quanto mais islandês eu for forçado a tentar entender melhor é pro aprendizado da língua, mas a coisa na prática não é bem assim. Para começar a aprender só de se ouvir a língua é necessário um nível de entendimento o qual eu ainda não alcancei. Ainda, os islandeses muitas vezes parecem pensar que o islandês é uma língua fácil de aprender e que um estrangeiro que está por aqui à poucos meses já deveria estar não só falando quanto recitando as sagas no original nórdico antigo. Um exemplo que beira o cômico-trágico é que a carta que recebi do Departamento de Imigração avisando que meu Cartão de Residente já estava pronto veio toda em islandês! Esse documento tem que ser providenciado nos primeiros meses de moradia na Islândia, então como é que esperam que o estrangeiro tenha aprendido a língua naquele tempo para ler a carta. Eu não resisti, mesmo ja tendo alguem traduzido a carta pra mim e me avisado do que ela se tratava, fui ao guichê de atendimento e disse em inglês "Recebi essa carta aqui, não tenho a menor idéia do que se trata porque obviamente não tie tempo de aprender a língua ainda, como vocês devem saber!"... a moça sem graça não soube bem o que dizer e correu para pegar meu cartão no fichario no fundo do escritório.

No trabalho até que é tranquilo, os colegas sempre falam inglês comigo e até mesmo os clientes todos parecem não se importar de falar inglês também. Acho que na minha área de trabalho, em informática, todos ja estão acostumados de lidar com estrangeiros falando inglês já há muitos estrageiros nessa área rabalhando na Islânda. Só às vezes é que recebo emails em islandês dos colegas, e fico com vontade de responder em português pra ver se quem mandou se lembra de que eu ainda não compreendo esse código secreto que é o islandês! hehehe

A situação onde eu "boio" mais é nas reuniões sociais. Agora no verão é época de churrasco e festas, o pessoal se reúne para jogar conversa fora, tomar cerveja e comer petiscos e churrascos. Nessas situações, fico dependendo de alguém parar a conversa de vez em quando e me explicar qual foi o assunto falado nos últimos dez, quinze ou vinte minutos. De novo, não consig evitar de pensar, será que não dava pra falar inglês todo mundo então, sendo grupos de poucas pessoas onde todos são perfeitamente capazes de falar inglês fluente? Well, it is the way it is.

Talvez no verão do ano que vem eu já não tenha que boiar mais. Tomara!
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Morar na Islândia melhora as suas viagens

Nessa semana eu estou em outra ilha do Atlântico Norte, na Inglaterra. Eu e mais dois colegas de trabalho da Islândia estamos em uma cidade perto de Londres fazendo um curso pro trabalho.

Todo dia depois do curso, tem sempre uma rodada de cerveja com os colegas. Entre uma cerveja e outra, um dos meus colegas de trabalho, um islandês, disse algo que eu achei interessante. Ele disse:

"Morar na Islândia faz com que suas viagens sejam muito melhores. Isso porque pra quem mora na Islândia, qualquer outro lugar pra onde você viaje, tudo é barato e o tempo é sempre bom, em comparação com o que temos em casa."

Eu ainda não tinha pensado nisso, mas ele tem razão. Pra quem mora, vamos dizer, na Flórida, Califórnia, ou mesmo no Brasil, quando viajando para o exterior, tudo parece caro e o tempo é sempre pior do que em casa. Já na Islândia, que é provavelmente o país com o custo de vida mais alto do mundo e muito provavelmente com o pior clima do mundo, é exatamente o contrário.

Esse mesmo colega então contou que há algumas semanas atrás tinha ido acampar no norte da Islândia, mas o vento estava tão forte que quebrou os pinos de ferro que fixavam a barraca no chão, e a barraca que custou uma verdadeira fortuna acabou sendo perdida no vento. Ele e os amigos tiveram que então encontrar abrigo no meio da nevasca, sem visibilidade nenhuma e tendo que berrar para serem escutados na ventania, isso no verão. Essa estória pareceu ilustrar o ponto que ele tinha feito sobre viagens para os habitantes da Gelolândia.

A Inglaterra, para os europeus é um país caro e chuvoso. Para os islandeses, é uma ilha tropical onde tudo é baratíssimo!
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Diferenças de design nos imóveis

Uma coisa tem me chamado a atenção nas visitas que tenho feito à procura de um apartamento pra morar aqui em Reykjavík é que o design dos imóveis por aqui é diferente do que estou acostumado no Brasil.

No Brasil sempre se entra numa casa pela sala de estar. Aqui na Islândia nunca é assim, mas sempre se entra por um pequeno hall de entrada que dá acesso aos quartos, cozinha e sala em separado, sem nunca ter que passar por ambiente para chegar ao outro.
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Transporte Público em Reykjavík

As capitais européias são famosas pelos seus sistemas de transporte público, desde os famosos sistemas de metrô de Londres, Moscou, Paris e Estocolmo até os eficientes sistemas de ônibus de Copanhagem e Edimburgo. Aqui na Islândia, no entanto, a realidade é bem diferente.

Não existe sistema ferroviário na Islândia e não há sistema de metrô em nenhuma cidade islandesa, o que nos deixa com o sistema de ônibus. Eu já ouvi de vários islandeses o seguinte comentário sobre o sistema de transporte público islandês: "ônibus aqui é só para crianças e velhos". E é verdade. O que me lembra de um outro fato curioso que eu reparei há alguns dias atrás. A janela da cantina do meu trabalho dá de frente para a garagem dos ônibus da prefeitura de Reykjavík, e eu estava reparando que o estacionamento da garagens estava cheio de carros e jipes. Nem mesmo os motoristas de ônibus usam os ônibus para ir pro trabalho.

A Islândia é o país do carro, com a maior proporção per-capita de uso de automóveis da Europa e provavelmente do mundo. Todo mundo dirige para o trabalho e para todo lado. Ninguém caminha na rua nem que seja para comprar pão na padaria do quarteirão vizinho. Ao ponto de que, sempre quando estou no carro com um colega de trabalho ou conhecido, toda vez que há um pedestre atravessando a rua, inevitavelmente se ouve um comentário de que ele é certamente um estrangeiro. Por aqui pedestre e estrangeiro são sinônimos. Ciclistas no trânsito então são certamente estrangeiros loucos. Eu imagino que essa aversão ao transporte público e à caminhadas por parte dos islandeses seja em grande parte por causa do clima. É inegável que nas frequentes nevascas e tempestades é bem melhor estar no quentinho do carro do que na rua. Também não ajuda que os ônibus são poucos e com poucas rotas pela cidade.

E quanto maior o carro melhor, alguns jipes até me deixam intrigado de como é que o motorista sobe nele sem uma escada, vou tentar tirar umas fotos e comentar especificamente sobre essas monstruosidades tão comuns no trânsito islandês.
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Björk, celebridades, e o primeiro-ministro

Descobri que vai ter um show da Björk aqui em Reykjavík no mês que vem e estou super animado pra ir no show, que marca o lançamento do sexto disco dela, chamado Volta. Sou fã dessa cantora islandesa desde o primeiro disco solo e ainda da época da banda Sugarcubes da qual ela fazia parte.

Eu já fui à dois shows da Björk, um no Rio de Janeiro que foi em 1998 eu acho, e outro aqui em Reykjavík em 2001 num cinema com um público pequeno de apenas algumas centenas de passoas. Gostei muito desses dois shows, e agora estou muito animado para esse próximo.

Várias pessoas já me falaram que viram a Björk na rua, falando assim como se tivessem encontrado com o padeiro do bairro. Aqui na Islândia é um verdadeiro tabu abordar celebridades na rua, ou agir de qualquer maneira diferente ao encontrar alguém famoso. Seria interessante ver a Björk na rua algum dia. Eu não acho que eu falaria com ela não, é melhor manter a imagem dos ídolos na cabeça assim como figuras longínquas, eu acho. Já li por exemplo, um relato de um jornalista do jornal britânico The Guardian sobre uma entrevista que ele fez com o Lou Reed, que foi tão grosseiro com o jornalista que ele nunca mais conseguiu gostar da música dele novamente da mesma maneira.

Falando de encontrar celebridades na rua, eu já encontrei com o primeiro-ministro da Islândia uma vez, que estava fazendo as compras dele num supermercado. Ninguém parecia notar que era o governante do país que estava ali e não havia nenhuma segurança especial pra ele. Pelo que já me contaram, o presidente, primeiro-ministro e outros membros do alto-escalão do governo islandês dirigem seus próprios carros e viajam de aviões normais quando em viagens oficiais. Nada de motoristas ou aviões fretados.
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Vento

O tempo não esteve muito bom nessa última semana, com muita neve e ventos fortes no país todo. Os jornais noticiaram que alguns carros foram jogados fora da estrada pelo vento, e o vento forte também virou um ônibus no sul da Islândia que estava cheio de crianças norueguesas numa excursão de escola. Ninguém se machucou, ainda bem. A força do vento aqui é algo impressionante mesmo.

Outro dia quando eu estava saindo do trabalho para visitar um cliente, eu e um companheiro de trabalho tivemos que enfrentar uma verdadeira tempestade de neve para tentar encontrar o carro da empresa no estacionamento. Quando finalmente entramos no carro, ele disse "bem-vindo à primavera islandesa!".
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O Livro dos Islandeses

Os islandeses são muito interessados em genealogia. Até mesmo na literatura clássica islandesa, nas famosas Sagas medievais, boa parte dos livros era dedicada a estabelecer a árvore genealógica de cada um dos personagens. Essa mania continua nos dias de hoje.

Minha noiva, por exemplo, sabe sobre a árvore genealógica da família dela através de mais de mil anos até o século VIII. Um dos antepassados dela era um rei da Noruega na idade média chamado Haraldur Hárfagri ("Harald do Cabelo Bonito"), o que eu acho um nome engraçado para um viking. Não "o valente" ou "o forte", mas "o do cabelo bonito", fica parecendo que isso era o melhor que se podia falar à respeito dele! Bom, parece que o cabelo deve ter sido bonito mesmo, porque esse rei é famoso por ter tido filhos um grande número de mulheres. Um dos filhos dele era Eirikur Blóðexi ("Eirik do Machado Sangrento"), esse sim parece ter sido um viking destemido, mesmo que talvez não tivesse o cabelo bonito do pai.

Os islandeses sempre acharam muito importante manter um registro de todos os habitantes do país. Desde quando os primeiros colonizadores chegaram à Islândia por volta do ano 874, ele mantiveram um livro chamado Íslendingabók ("O Livro dos Islandeses"), que era sempre atualizado com os novos nascimentos por mais de um século e depois a igreja tomou conta dos registros. Esse primeiro livro de registros e os registros da igreja sobreviveram até hoje.

Agora no século XXI, o Livro dos Islandeses foi transferido para um banco de dados computadorizado e está disponível na internet para consultas. Nesse banco de dados estão os registros de mais de 730 mil pessoas que viveram na islândia desda a colonização desde o ano de 874. É possível inclusive entrar com os nomes de duas pessoas nesse banco de dados para ver qual é a conexão entre as famílias dessas duas pessoas. Na Islândia todos são parentes uns dos outros em algum ponto no passado.

Nem sempre a consulta à esse banco de dados revela uma linha de antepassados nobres ou cheia de guerreiros vikings conhecidos pela sua bravura. Uma conhecida por exemplo me contou que o banco de dados revelou que um dos antepassados dela era chamado Bjálfi. Esse nome quer dizer "idiota" em islandês. Um outro antepassado dele era Egill Skallagrímsson, esse sim um guerreiro viking famoso, que teve suas aventuras preservadas para a posteridade nos textos medievais das sagas islandesas. No entanto, Egill não é descrito esses textos antigos como o viking típico, que seria belo, honrado, generoso e forte. No caso de Egill ele é descrito como um violento alcóolatra (ironicamente a maior cervejaria islandesa tem o nome dele, Egill) e como sendo tão feio que nunca conseguiu se casar. Um idiota e um alcóolatra feioso não era o que ela esperava encontrar!
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Quem você conhece faz toda a diferença

Uma coisa que me deixa um pouco frustrado aqui na Islândia é que ter a rede de conhecidos faz toda a diferença para quase tudo. Agora que eu estou navegando o mar de burocracia que um estrangeiro tem que enfrentar quando mudando pra cá, sempre ouço gente dizendo que o que eu precisava para que uma coisa ou outra se resolvesse mais rápido era conhecer alguém dentro do órgão ou empresa responsável pela pendência. Como o país é muito pequeno, todo mundo se conhece, e tem sempre um primo de uma amiga de um irmão de uma tia que pode apressar um documento em um órgão público ou um serviço de uma grande empresa qualquer, os islandeses estão sempre contando de estória assim. Pra mim que conheço pouca gente por aqui, fico às vezes frustrado de ter que ser o único que tem que esperar pelos prazos todos e que não consegue resolver pendências de maneira simples. Como eu trabalho para uma das maiores empresas da Islândia em alguns casos a uma ligação do departamento pessoal resolve algumas pendências, mas ainda assim o caminho das pedras é longo para alguém que ainda não construiu sua própria rede de influências no país.
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Ah?! Por que o filme parou?

Fui no cinema hoje assistir o filme 300, que é baseado no evento histórico em que 300 soldados de Esparta conseguiram segurar a invasão persa de 480 AC por vários dias, lutando contra um exército de mais de dois milhões de soldados persas. Essa era uma sessão especial de pré-estréia promovida pela maior loja de quadrinhos de Reykjavík. O filme é fantástico, no final todos apludiram de pé.

Ir no cinema na Islândia é uma experiência com seus pontos interessantes. Existem vários bons cinemas em Reykjavík, e os cinemas nos dois grandes shopping centres da capital são especialmente populares. Os islandeses sempre compram muita pipoca e copos enormes de refrigerante para devorar enquanto assistindo o filme - mesmo com o preço de 500 kr, o equivalente a R$16,50 só pela pipoca e refrigerante.

O mais diferente aqui é que sempre no meio do filme, geralmente logo no meio de um momento emocionante, a tela se apaga, as luzes se acendem e todos se levantam e saem da sala. Nesse intervalo os islandeses vão comprar mais pipoca e refrigerante. Com todos reabastecidos e muitos tendo voltado de um cigarrinho rápido no frio congelante fora do cinema, depois de quinze minutos todos voltam, sentam nos mesmos lugares, as luzes se apagam e o filme continua. Para os estrangeiros que não sabem dessa tradição do intervalo no meio do filme, é bem confuso de se entender o que está acontecendo.
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Clima de inverno

Eu já estive em Reykjavík quando o clima estava horrível, quando mal se podia caminha pela rua por causa do vento. Esses últimos dias, no entanto, tem sido ótimos. Desde que cheguei o sol tem brilhado no céu e o vento resolveu soprar em outras bandas longe da capital. Mesmo com o frio de -6 graus, os dias tem sido lindos. Obrigado pela boa recepção, Islândia.
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O grande canteiro de obras de Reykjavík

É impressionante quantos guindastes se vê em Reykjavík hoje em dia, erguendo prédios e mais prédios. É o progresso, alguns diriam. Reykjavík é mesmo uma cidade que muda muito rapidamente. Qualquer islandês pode te contar que a capital era completamente diferente durante a sua infância, e não são só os velhos que dizem isso, os jovens de mais de 20 anos de idade também compartilham dessa nostalgia. Acho que uma coisa que facilita essa mudança acelerada na cidade é que a ausência de prédio verdadeiramente antigos como outras capitais européias tem. Tudo em Reykjavík é novo e recente, e poucos dos prédios são protegidos como patrimônios históricos. Nesse sentido, Reykjavík se assemelha mais à uma pequena cidade americana do que à uma capital européia. Esse é o charme da Islândia também ideologicamente falando, esse é o lugar onde o espírito capitalista e criativo dos americanos se encontra com a preocupação européia com o lado social, fazendo uma mistura única.

Ainda falando sobre a velocidade de desenvolvimento e crescimento da capital islandesa, o que é mesmo impressionante é pensar que Reykjavík era nada mais que um grupo de fazendas há apenas 100 anos atrás. Eu estou curioso para ver com os meus próprios olhos as mudanças pelas quais Reykjavík vai passar no futuro.
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