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Opiniões

Dia da Língua Islandesa, e desabafo

Hoje é o "Dagur íslenskrar tungu", em que os islandeses celebram a sua língua, todo ano no 16 de Novembro, dia do aniversário de nascimento de Jónas Hallgrímsson, um dos grandes poetas islandeses.

Os islandeses tem enorme orgulho da sua língua, que mudou muito pouco nos mais de mil anos desde a colonização do país, tanto que uma pessoa islandesa pode ler hoje sem dificuldade um texto escrito na era Viking.

Esse orgulho se reflete num esforço para preservar a língua, com por exemplo, um departamento do governo que inventa novas palavras para novas coisas, para que assim não seja necessário importar palavras estrangeiras. Computador, por exemplo, é "tölva" em islandês, uma mistura de "tala" (número) e "völva" (vidente).

Mesmo com esse esforço para proteger a língua islandesa, a língua oficial com menos falantes do mundo, eu tenho notado nos últimos anos alguns termos estranhos usados no dia-à-dia pelos islandêses, importados do inglês, como "adda" (adicionar alguém no Facebook), "blogg" (escrever num blog), gemsi (telefone celular), etc.

Aproveitando o tema desse dia, vou fazer um desabafo aqui. A língua islandesa se tornou pra mim algo tão frustrante, que vejo como um dos piores aspectos de se morar na Islândia, e que em alguns dias me faz questionar minha decisão de mudar pra cá. Prontofalei. Sério, entes de mudar pra Islândia eu achava que eu era bom em línguas, mas desde então venho questionando essa opinião sobre minha aptidão linguística. Eu já fiz um ano de aulas de islandês em Londres antes de mudar, e dois anos de aulas de islandês na maior escola de línguas aqui, concluindo todo o curso lá, depois fiz o Diploma em Islandês na Universidade da Islândia, e agora estou fazendo o primeiro ano do curso de bacharelado em Islandês Para Estrangeiros na Universidade. Foram cinco anos de cursos. E ainda assim, não falo com nenhum nível de fluência. Eu consigo entender o assunto geral de uma conversa, mas é isso. Frustrante.

Já ouvi dizer várias vezes que em média um estrangeiro morando na Islândia leva três anos para aprender a língua. Com meus quatro-anos-e-meio por aqui, estou claramente do lado errado dessa média. Já conheci gente que mora aqui a mais de dez anos e não fala quase nada. E já conheci também, claro, gente que aprendeu a língua em um ano. Varia com a aptidão e o esforço.

Se aprender islandés fosse um problema de sobrevivência mesmo, acredito que seria diferente. Mas como todos os islandeses falam inglês muito bem, fica fácil de sobreviver só com inglês. Mas ainda assim, claro, o resultado é um certo isolamento, já que assim não se acompanha bem as conversas ou reuniões no trabalho, não dá pra assistir televisão (se bem que julgando pela qualidade dos programas nacionais, isso pode ser uma vantagem), ou ler jornais e acompanhar as notícias.

A maior dificuldade que eu vejo com o aprendizado dessa língua, que é sem dúvida uma das mais complicadas em existência, é que o material de aprendizado é péssimo. Existe muito pouco material, e o que existe é bem defasado em termos de técnica de ensino. O livro que estou usando nas aulas na universidade, por exemplo, foi escrito há vinte anos atrás, e já era provavelmente antiquado já naquela época. Não existe um guia de conjugação de verbos mais comuns, ou um guia de declinações mais usadas, ou nada desse tipo que é comum se ver para outras línguas. E quando você está tentando aprender uma língua em que todos os nomes, pronomes e advérbios tem casos de declinação que variam com número, gênero e grau, e sem nenhum tipo de regularidade, qualquer material que ajudasse seria bem vindo.

Já me aconselharam várias vezes de instituir dias em casa em que só se fala islandês. Mas é complicado. O resultado pra mim desses dias, geralmente, é um silêncio, já que eu evito falar qualquer coisa porque não sei bem como dizer, e minha noiva fica quieta por preguiça de falar e não ser entendida e ter que ficar explicando! hahahaha

E Deus abençoe o Google Translate! Logo quando mudei pra cá, não havia suporte à língua islandesa no Google Translate, e não havia nenhum dicionário de islandês online. Então quando recebendo um email em islandês no trabalho eu tinha que pegar um dicionário e tentar entender palavra por palavra, o que é bem difícil em um texto com muitas palavras declinadas em formas diferentes do que se encontra no dicionário. Hoje a situação já é bem fácil, com Google Translate funcionando razoavelmente bem para traduzir islandês, e assim posso copiar e colar emails inteiros no abençoado site de tradução do Google.

Bom, feliz Dia da língua Islandesa. E para os que estão planejando entrar na empreitada de aprender islandês, deixo aqui mais uma vez a melhor descrição dessa empreitada que já ouvi dizer: "Aprender islandês é como fazer tatuagem na bunda. É um processo longo e doloroso, e você raramente tem a chance de mostrar o resultado."

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Aprendendo islandês

A língua islandesa é famosa por ser uma das mais difíceis de se aprender. Dizem que na média estrangeiros morando por aqui demoram cerca de três anos para chegar num nível básico de conversação.



Claro, a velocidade de aprendizado varia de pessoa para pessoa, e eu conheço gente que aprendeu em um ano, e gente que mora aqui há dez anos, já fez vários cursos e ainda assim não fala praticamente nada.

No meu caso, depois de três anos morando aqui na Gelolândia, eu ainda não falo islandês fluente. Eu consigo entender o assunto geral de uma conversa, e o básico de um email, mas o dia-à-dia pra mim no trabalho e com os amigos é sempre em inglês. Isso mesmo depois de terminar o curso completo de islandês (cinco níveis) na única escola de línguas que tem tal curso na capital.

Parte da dificuldade vem do fato de que existem pouquíssimos livros publicado para o aprendizado da língua. Não existe, por exemplo, um livro com as declinações dos verbos mais comuns, e o único dicionário escrito para estrangeiros aprendendo à língua, e que contém informação fundamental sobre os casos de declinação de casa verbo, custa o equivalente à R$135,00. O material que existe também em geral é um tanto antiquado e deixa à desejar quanto à didática.

É fácil se acomodar com o fato de que os islandeses todos falam bem inglês. Se eu não falasse inglês bem, tenho certeza que teria aprendido islandês bem mais rápido, afinal daí seria uma questão de sobrevivência.

Bem, nessa semana eu terminei o primeiro trimestre de aulas do curso de Diploma Prático em Islandês para Estrangeiros, na Universidade da Islândia. Estou gostando muito do curso, bem mais que os que eu já tinha feito anteriormente, e tenho esperanças de que dessa vez eu chego lá.

O que faz a língua ser complicada é o fato de que ela é muito irregular, e completamente declinada. A língua ser declinada significa que as palavras mudam de acordo com o sentido da frase e o verbo sendo utilizado. Veja só como a palavra "hestur" ("cavalo") muda de acordo com o que você está querendo dizer:

  • hér er hestur ( “aqui está o cavalo” ) [nominativo]
  • ég tala um hest ( “estou falando sobre um cavalo” ) [acusativo]
  • ég féll af hesti ( “eu caí de um cavalo” ) [dativo]
  • Þetta er saga hests ( “está é a história de um cavalo” ) [genitivo]

… e isso não é tudo. Esses casos de declinação ainda mudam para a mesma palavra de acordo com o número (singular ou plural) e grau (indefinido ou definido) e a combinação destes, variam com o gênero (masculino, feminino ou neutro) e não há maneira de saber como são cada um dos casos de declinação sem aprender cada palavra individualmente. Ah, e não são apenas nomes que declinam, adjetivos também, e alguns numerais. E verbos também mudam a conjuação para cada pessoa do singular e plural.

Palavras em islandês podem ser formadas de combinações de outras palavra também, algumas vezes ficando enormes e assustadoras, como "Hæstaréttarmálaflutningsmaður", que significa "advogado do supremo tribunal", e já vi outras ainda bem mais longas.

Voltando ao curso da Universidade da Islândia, a minha experiência em geral com a universidade tem sido bem positiva. Tive que enviar os meus documentos todos do meu curso universitário que eu havia feito no Brasil, traduzidos para o inglês por tradutor juramentado, preencher um longo formulário, mas foi tranqüilo. A universidade em si é (praticamente) gratuita, você só faz um pagamento único de 45,000 Kr (cerca de R$680,00) por semestre. A carga horária do curso que eu estou fazendo é de seis horas de aula por semana e mais um monte de atividades trabalhos feitos via internet. Aliás, fiquei impressionado com esse lado da universidade, tudo é organizado via um site de intranet muito bem feito.

São cerca de 100 alunos fazendo o curso na universidade nesse ano, divididos em cinco grupos. A maioria dos alunos são estudantes estrangeiros fazendo mestrado ou parte de seu bacharelado aqui na Islândia em algum outro curso, e fazendo o curso de islandês como complemento, e que acabaram de chegar no país. Mas uma boa parte dos alunos são, como eu, gente que mora aqui já há alguns anos e está cursando na universidade apenas este curso.

Estou animado com o curso até agora. Depois de concluídos os dois semestres do curso, pretendo continuar na universidade, fazendo o bacharelo em Islandês para estrangeiros, ou um outro curso na minha área de interessa, caso o meu islandês já permita.

Mais informações sobre o curso no site da Universidade da Islândia.
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De volta ao verão islandês

Já tem um bom tempo desde o minha última atualização aqui do blog. Estive ocupado nessas últimas semanas aproveitando o curto verão islandês - você tem que parar tudo e aproveitar antes que acabe, porque passa rápido - e também estive viajando participando de um evento na Alemanha.

Agora estou de volta na Gelolândia, e de volta ao trabalho. É impressionante como o país para mesmo no verão, principalmente durante o mês de Julho. Nada acontece no trabalho, já que todo mundo, inclusive os clientes, estão de férias. Parece até época de carnaval no Brasil! O usual nos últimos anos pré- colapso de economia era dos islandeses irem passar suas férias de verão na Espanha ou outra parte ensolarada da Europa, mas hoje em dia na Kreppalandia (kreppa = "crise") a grande maioria dos islandeses está passando as férias acampando aqui na Islândia mesmo. Sempre achei meio loucura acampar por aqui, já que mesmo no verão ainda venta muito e é possível até nevar. Me lembro de uma história que um colega de trabalho me contou, de quando foi acampar no ano passado em Agosto, mas ventou tanto que todos tiveram que sair correndo da barraca que foi então levada pelo vento e nunca mais encontrada.

Antes de eu viajar para a Alemanha, duas semanas atrás, havia um grande escândalo político. Voltei, e o escândalo continua. Dois escândalos na verdade. O primeiro e o maior se trata de venda de uma companhia elétrica chamada HS Orka, pela prefeitura de Reykjanesbær, para uma empresa canadense chamada Magma. A coisa toda cheira à corrupção. Veja só, é proibido por lei na Islândia que empresas de fora da EEA (Área Econômica Européia) comprem fontes de energia natural no país. Para passar por essa lei, a tal empresa canadense abriu uma empresa de fachada na Suécia. E pior, a compra da companhia elétrica está sendo feita com 70% do preço sendo pago por meio de um empréstimo concedido pela própria prefeitura de Reykjanesbær, e empréstimo este segurado apenas nas ações da própria companhia elétrica. Ou seja, se a companhia quebrar, a empresa canadense não precisa pagar nada. Qual é o sentido então, onde está o investimento? É essa a questão que se está perguntando por aqui - com ninou;em menos que a diva islandesa Björk Guðmundsdóttir na liderança do protesto contra essa venda. E quando Björk se pronuncia, ela abe se fazer ouvir. O governo ondeou à beira da implosão por conta desse escândalo nos últimos dias, com um dos partidos da coalizão de governo, o Esquerda-Verde ameaçando deixar o governo se a venda for concluída. Um comitê foi convocado para analisar a situação, e tipicamente para a Islândia, ninguém no comitê tem nenhuma experiência legal e a líder é uma professora de artes! Vamos ver no que dá.

O segundo escândalo é quanto aos empréstimos em moeda estrangeira que foram feitos nos anos anteriores ao colapso da economia em 2008. Muita gente pegou dinheiro emprestado dos bancos em moeda estrangeira, e quando a trona desabou em valor em 2008, o valor dos empréstimo dobraram. Recentemente um juiz decretou que esses empréstimo foram todos ilegais. A parte política do escândalo é que parece que o Ministro da Economia Gylfi Magnússon já sabia há mais de um ano que esses empréstimos eram ilegais, e não só não fez nada à respeito mas ainda mentiu para o parlamento à respeito. A cereja no topo desse bolo de absurdos é que um dos bancos islandeses ameaçou agora processar o governo, olha só, por não tê-lo impedido de quebrar a lei quando emprestando dinheiro em moeda estrangeira! É como se eu estacionasse em lugar não premido, e depois processasse o governo por não me impedir em cometer essa contravenção!

Bom, e isso aí por enquanto… tenho que correr pra varanda pra aproveitar os últimos raios de sol do verão!
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Televisão fica mais cara

Existem três canais de televisão aqui na Islândia. Um canal estatal chamado Sjónvarpið ("A Televisão") que só funciona à noite, um comercial aberto chamado Skjár Einn ("Tela Um"), e mais um comercial por assinatura chamado Stöð 2 ("Canal 2").

Há poucas semanas atrás o Skjár Einn anunciou que em Novembro vai virar canal por assinatura como conseqüência da crise econômica.

O custo total de assinar os dois canais comerciais islandeses, Skjár Einn e Stöð 2, é agora quase 10,000 Kr. Isso é equivalente à R$140,00 reais só para dois canais.

Com um custo alto assim, não vou assinar nenhum desses canais. Vou continuar assinando só alguns canais estrangeiros, os seis ou sete canais que estão disponíveis para assinatura via transmissão aérea digital e que são em inglês: Discovery Channel, Discovery Civilization, National Geographic, BBC News, Sky News, e BBC Prime; já que estes juntos ainda custam bem menos pra assinar do que os dois canais islandeses. E também, com a internet é fácil baixar shows que eu costumava assistir nos canas islandeses.
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um ano depois - bolsa de valores islandesa

Ontem estava conversando com um amigo brasileiro que me disse que ele estava investindo em ações no Brasil e se dando bem. Daí ele me perguntou como anda o mercado de ações aqui na Islândia no momento, se a bolsa já se recuperou da crise. Mandei pra ele o link pra ver o gráfico do desempenho da bolsa islandêsa, e ele ficou tão assustado que achei que deveria postar o gráfico aqui pros leitores do blog verem também.



O colapso da economia islandesa aconteceu na semana de 26 de Setembro de 2008, há pouco mais de um ano atrás. Até aquele dia, haviam 24 empresas na bolsa de valores islandesa. Hoje são apenas 6. Comparando o índice de valor da bolsa islandesa hoje com o índice do dia anterior ao colapso, a queda da bolsa foi de 84.94%.

Quanto à recuperação nesse ano, desde o início de 2009 a bolsa islandesa caiu 7.71%.

O caminho para a recuperação de economia islandêsa será sem dúvida longo e árduo. Vamos torcer para que as previsões de que a economia voltará a crescer em 2011 sejam corretas.
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Islândia quer hospedar os servidores do mundo

Desde o colapso da economia há exatamente um ano atrás, tem se falado muito da necessidade da Islândia utilizar seus recursos naturais para reconstruir a economia. Um recurso natural abundante por aqui é energia elétrica renovável (geo-termica), que é extremamente barata. Uma maneira pela qual essa energia elétrica barata já é utilizada é na indústria de alumínio que utiliza muita energia - a Islândia é o maior exportador de alumínio da Europa.

Outra idéia que já vem circulando há algum tempo por aqui e que parece que vai se tornar realidade em breve, é a construção de super centros de processamento de dados no país para se aproveitar não só da energia barata, mas do clima frio. Grandes multinacionais usam centenas de milhares de servidores (especula-se que Google tenha mais de um milhão), computadores dedicados, que além de consumirem muita eletricidade, geram muito calor. O custo de manter servidores resfriados é tão alto quanto o custo da eletricidade que eles consumem em sua operação. Daí vem a idéia de hospedar esses servidores na Islândia, onde resfriá-los seria uma tarefa muito mais simples e barata, requerindo pouco mais do que a utilização do ar e água naturalmente gelados do país.

Outra vantagem que se menciona com frequencia seria a segurança. A Islândia é um dos lugares menos prováveis no mundo de ser atingido por um atentado terrorista, por exemplo.

Nos últimos anos, cabos de fibra-ótica tem sido instalados entre a Islândia e os EUA e Europa para fornecer conectividade à estes futuros super centros de rocessamentos de dados, e um desses centros já está sendo construído em Kaflavík e é bem grande, com 40,000 metros quadrados. Os jornais noticiaram recentemente que várias multinacionais de grande porte já assinaram contatratos para hospedar seus servidores aqui na terra do resfriamento fácil e barato, dentre elas Microsoft, Cisco, e grandes bancos de investimento.

Algumas previsões dizem que este setor que está nascendo agora pode vir se tornar em dez anos um dos maiores da economia islandesa.

Eu, como profissional da área (sou engenheiro de redes), espero que esse novo setor cresça muito mesmo e transforme a gelolândia numa economia high-tech!
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trânsito

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Estradas

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Almoçando com os parlamentares

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Usina geotérmica islandesa em El-Salvador entra em funcionamento

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Oddsson volta a fazer comentários polêmicos

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O impacto da crise na Islândia

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Faliu hoje o último banco independente islandês

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Dois anos de Islândia

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Já vai tarde, Davið Oddsson!

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Escolhida a música islandesa para o Eurovision 2009

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Os bairros-fantasma da capital islandesa

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Diretores do Banco Central se recusam a deixar cargo

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... e o governo caiu

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Ministro do Comércio renuncia

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primeiro ministro anuncia: eleições em Maio

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Confrontos violentos nas ruas de Reykjavík

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Protestos continuam

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Protesto agitado na abertura do parlamento

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Lã para o Reino Unido

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Desemprego continua a subir na Islândia

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Nação Facebook

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Islândia - O melhor lugar do mundo pra se viver (em 2006)

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Imagens do inverno

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Petróleo em águas islandesas

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FMI aprova empréstimo de $2.1 bilhões para a Islândia

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Forbes: Islândia tem o melhor sistema de saúde do mundo

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Análise: crise econômica na Islândia

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Estaria o Santo Graal escondido na Islândia?

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Discriminação no mercado de trabalho - parte 2

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Discriminação no mercado de trabalho

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Outra paixão islandesa: acampar

Eu já falei aqui de algumas paixões dos islandeses, como sorvete, churraco e carrinhos de supermercado. Agora no final do verão, com todo mundo voltando de férias, todos tem a mesma história pra contar, dos dias que passaram em uma barraca em algum lugar da ilha.

O último país que eu imaginaria o povo ser louco com acampamento seria aqui na Islândia, por óbvios motivos meteorológicos. Mas parece que o pessoal por aqui anima mesmo. Todos os meus colegas de trabalho, sem exceção, acamparam nesse verão com a família ou amigos, e todos tem a mesma história pra contar de como estava gelado e como o vento sacudia a barraca incessantemente. Uma das histórias que ouvi mencionava o fato de que o vento estava tão forte numa das noites que os pinos de ferro que seguravam a barraca no chão se quebraram e a barraca inteira foi levada pelo vento sem nunca mais ser encontrada, enquanto o pessoal que estava dentro, berrando para serem escutados na ventania, teve que correr para dentro dos carros para se protegerem da súbita nevasca de verão.

À princípio eu até achei a idéia interessante, de se acampar em um campo de lava remoto, algum lugar bem bonito e isolado. Mas, não é bem assim. Pra começar, é proibido na Islândia dirigir fora das estradas, já que levar o carro off-road pode destruir vegetação rasteira que nesse clima levaria décadas para se recuperar. Parece que os islandeses na grande maioria das vezes acampam em áreas designadas para acampamento, onde dezenas de barracas se aglomeram em torno de um prédio onde ficam banheiros e algumas vezes geradores de eletricidade também, o que eu não chamaria exatamente de isolamento ou de contato íntimo com a natureza.

Eu sempre quis fazer uma viagem de carro em volta da Islândia, pela Estrada Número Um que contorna a ilha. Talvez no ano que vem eu faça tal viagem e anime de acampar no caminho, já que em algumas partes mais remotas do país é difícil arranjar acomodação. Vou tentar já ir me acostumando com a idéia de noites gélidas e uma barraca balançando com o vento extremo que sopra incessantemente nessas latitudes glaciais.
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De volta da Bulgária, reflexões sobre a islândia

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Talarðu íslensku? - Questões linguísticas

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Morar na Islândia melhora as suas viagens

Nessa semana eu estou em outra ilha do Atlântico Norte, na Inglaterra. Eu e mais dois colegas de trabalho da Islândia estamos em uma cidade perto de Londres fazendo um curso pro trabalho.

Todo dia depois do curso, tem sempre uma rodada de cerveja com os colegas. Entre uma cerveja e outra, um dos meus colegas de trabalho, um islandês, disse algo que eu achei interessante. Ele disse:

"Morar na Islândia faz com que suas viagens sejam muito melhores. Isso porque pra quem mora na Islândia, qualquer outro lugar pra onde você viaje, tudo é barato e o tempo é sempre bom, em comparação com o que temos em casa."

Eu ainda não tinha pensado nisso, mas ele tem razão. Pra quem mora, vamos dizer, na Flórida, Califórnia, ou mesmo no Brasil, quando viajando para o exterior, tudo parece caro e o tempo é sempre pior do que em casa. Já na Islândia, que é provavelmente o país com o custo de vida mais alto do mundo e muito provavelmente com o pior clima do mundo, é exatamente o contrário.

Esse mesmo colega então contou que há algumas semanas atrás tinha ido acampar no norte da Islândia, mas o vento estava tão forte que quebrou os pinos de ferro que fixavam a barraca no chão, e a barraca que custou uma verdadeira fortuna acabou sendo perdida no vento. Ele e os amigos tiveram que então encontrar abrigo no meio da nevasca, sem visibilidade nenhuma e tendo que berrar para serem escutados na ventania, isso no verão. Essa estória pareceu ilustrar o ponto que ele tinha feito sobre viagens para os habitantes da Gelolândia.

A Inglaterra, para os europeus é um país caro e chuvoso. Para os islandeses, é uma ilha tropical onde tudo é baratíssimo!
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Diferenças de design nos imóveis

Uma coisa tem me chamado a atenção nas visitas que tenho feito à procura de um apartamento pra morar aqui em Reykjavík é que o design dos imóveis por aqui é diferente do que estou acostumado no Brasil.

No Brasil sempre se entra numa casa pela sala de estar. Aqui na Islândia nunca é assim, mas sempre se entra por um pequeno hall de entrada que dá acesso aos quartos, cozinha e sala em separado, sem nunca ter que passar por ambiente para chegar ao outro.
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Transporte Público em Reykjavík

As capitais européias são famosas pelos seus sistemas de transporte público, desde os famosos sistemas de metrô de Londres, Moscou, Paris e Estocolmo até os eficientes sistemas de ônibus de Copanhagem e Edimburgo. Aqui na Islândia, no entanto, a realidade é bem diferente.

Não existe sistema ferroviário na Islândia e não há sistema de metrô em nenhuma cidade islandesa, o que nos deixa com o sistema de ônibus. Eu já ouvi de vários islandeses o seguinte comentário sobre o sistema de transporte público islandês: "ônibus aqui é só para crianças e velhos". E é verdade. O que me lembra de um outro fato curioso que eu reparei há alguns dias atrás. A janela da cantina do meu trabalho dá de frente para a garagem dos ônibus da prefeitura de Reykjavík, e eu estava reparando que o estacionamento da garagens estava cheio de carros e jipes. Nem mesmo os motoristas de ônibus usam os ônibus para ir pro trabalho.

A Islândia é o país do carro, com a maior proporção per-capita de uso de automóveis da Europa e provavelmente do mundo. Todo mundo dirige para o trabalho e para todo lado. Ninguém caminha na rua nem que seja para comprar pão na padaria do quarteirão vizinho. Ao ponto de que, sempre quando estou no carro com um colega de trabalho ou conhecido, toda vez que há um pedestre atravessando a rua, inevitavelmente se ouve um comentário de que ele é certamente um estrangeiro. Por aqui pedestre e estrangeiro são sinônimos. Ciclistas no trânsito então são certamente estrangeiros loucos. Eu imagino que essa aversão ao transporte público e à caminhadas por parte dos islandeses seja em grande parte por causa do clima. É inegável que nas frequentes nevascas e tempestades é bem melhor estar no quentinho do carro do que na rua. Também não ajuda que os ônibus são poucos e com poucas rotas pela cidade.

E quanto maior o carro melhor, alguns jipes até me deixam intrigado de como é que o motorista sobe nele sem uma escada, vou tentar tirar umas fotos e comentar especificamente sobre essas monstruosidades tão comuns no trânsito islandês.
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Björk, celebridades, e o primeiro-ministro

Descobri que vai ter um show da Björk aqui em Reykjavík no mês que vem e estou super animado pra ir no show, que marca o lançamento do sexto disco dela, chamado Volta. Sou fã dessa cantora islandesa desde o primeiro disco solo e ainda da época da banda Sugarcubes da qual ela fazia parte.

Eu já fui à dois shows da Björk, um no Rio de Janeiro que foi em 1998 eu acho, e outro aqui em Reykjavík em 2001 num cinema com um público pequeno de apenas algumas centenas de passoas. Gostei muito desses dois shows, e agora estou muito animado para esse próximo.

Várias pessoas já me falaram que viram a Björk na rua, falando assim como se tivessem encontrado com o padeiro do bairro. Aqui na Islândia é um verdadeiro tabu abordar celebridades na rua, ou agir de qualquer maneira diferente ao encontrar alguém famoso. Seria interessante ver a Björk na rua algum dia. Eu não acho que eu falaria com ela não, é melhor manter a imagem dos ídolos na cabeça assim como figuras longínquas, eu acho. Já li por exemplo, um relato de um jornalista do jornal britânico The Guardian sobre uma entrevista que ele fez com o Lou Reed, que foi tão grosseiro com o jornalista que ele nunca mais conseguiu gostar da música dele novamente da mesma maneira.

Falando de encontrar celebridades na rua, eu já encontrei com o primeiro-ministro da Islândia uma vez, que estava fazendo as compras dele num supermercado. Ninguém parecia notar que era o governante do país que estava ali e não havia nenhuma segurança especial pra ele. Pelo que já me contaram, o presidente, primeiro-ministro e outros membros do alto-escalão do governo islandês dirigem seus próprios carros e viajam de aviões normais quando em viagens oficiais. Nada de motoristas ou aviões fretados.
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Vento

O tempo não esteve muito bom nessa última semana, com muita neve e ventos fortes no país todo. Os jornais noticiaram que alguns carros foram jogados fora da estrada pelo vento, e o vento forte também virou um ônibus no sul da Islândia que estava cheio de crianças norueguesas numa excursão de escola. Ninguém se machucou, ainda bem. A força do vento aqui é algo impressionante mesmo.

Outro dia quando eu estava saindo do trabalho para visitar um cliente, eu e um companheiro de trabalho tivemos que enfrentar uma verdadeira tempestade de neve para tentar encontrar o carro da empresa no estacionamento. Quando finalmente entramos no carro, ele disse "bem-vindo à primavera islandesa!".
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O Livro dos Islandeses

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Quem você conhece faz toda a diferença

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Ah?! Por que o filme parou?

Fui no cinema hoje assistir o filme 300, que é baseado no evento histórico em que 300 soldados de Esparta conseguiram segurar a invasão persa de 480 AC por vários dias, lutando contra um exército de mais de dois milhões de soldados persas. Essa era uma sessão especial de pré-estréia promovida pela maior loja de quadrinhos de Reykjavík. O filme é fantástico, no final todos apludiram de pé.

Ir no cinema na Islândia é uma experiência com seus pontos interessantes. Existem vários bons cinemas em Reykjavík, e os cinemas nos dois grandes shopping centres da capital são especialmente populares. Os islandeses sempre compram muita pipoca e copos enormes de refrigerante para devorar enquanto assistindo o filme - mesmo com o preço de 500 kr, o equivalente a R$16,50 só pela pipoca e refrigerante.

O mais diferente aqui é que sempre no meio do filme, geralmente logo no meio de um momento emocionante, a tela se apaga, as luzes se acendem e todos se levantam e saem da sala. Nesse intervalo os islandeses vão comprar mais pipoca e refrigerante. Com todos reabastecidos e muitos tendo voltado de um cigarrinho rápido no frio congelante fora do cinema, depois de quinze minutos todos voltam, sentam nos mesmos lugares, as luzes se apagam e o filme continua. Para os estrangeiros que não sabem dessa tradição do intervalo no meio do filme, é bem confuso de se entender o que está acontecendo.
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Clima de inverno

Eu já estive em Reykjavík quando o clima estava horrível, quando mal se podia caminha pela rua por causa do vento. Esses últimos dias, no entanto, tem sido ótimos. Desde que cheguei o sol tem brilhado no céu e o vento resolveu soprar em outras bandas longe da capital. Mesmo com o frio de -6 graus, os dias tem sido lindos. Obrigado pela boa recepção, Islândia.
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O grande canteiro de obras de Reykjavík

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