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De volta ao verão islandês

Já tem um bom tempo desde o minha última atualização aqui do blog. Estive ocupado nessas últimas semanas aproveitando o curto verão islandês - você tem que parar tudo e aproveitar antes que acabe, porque passa rápido - e também estive viajando participando de um evento na Alemanha.

Agora estou de volta na Gelolândia, e de volta ao trabalho. É impressionante como o país para mesmo no verão, principalmente durante o mês de Julho. Nada acontece no trabalho, já que todo mundo, inclusive os clientes, estão de férias. Parece até época de carnaval no Brasil! O usual nos últimos anos pré- colapso de economia era dos islandeses irem passar suas férias de verão na Espanha ou outra parte ensolarada da Europa, mas hoje em dia na Kreppalandia (kreppa = "crise") a grande maioria dos islandeses está passando as férias acampando aqui na Islândia mesmo. Sempre achei meio loucura acampar por aqui, já que mesmo no verão ainda venta muito e é possível até nevar. Me lembro de uma história que um colega de trabalho me contou, de quando foi acampar no ano passado em Agosto, mas ventou tanto que todos tiveram que sair correndo da barraca que foi então levada pelo vento e nunca mais encontrada.

Antes de eu viajar para a Alemanha, duas semanas atrás, havia um grande escândalo político. Voltei, e o escândalo continua. Dois escândalos na verdade. O primeiro e o maior se trata de venda de uma companhia elétrica chamada HS Orka, pela prefeitura de Reykjanesbær, para uma empresa canadense chamada Magma. A coisa toda cheira à corrupção. Veja só, é proibido por lei na Islândia que empresas de fora da EEA (Área Econômica Européia) comprem fontes de energia natural no país. Para passar por essa lei, a tal empresa canadense abriu uma empresa de fachada na Suécia. E pior, a compra da companhia elétrica está sendo feita com 70% do preço sendo pago por meio de um empréstimo concedido pela própria prefeitura de Reykjanesbær, e empréstimo este segurado apenas nas ações da própria companhia elétrica. Ou seja, se a companhia quebrar, a empresa canadense não precisa pagar nada. Qual é o sentido então, onde está o investimento? É essa a questão que se está perguntando por aqui - com ninou;em menos que a diva islandesa Björk Guðmundsdóttir na liderança do protesto contra essa venda. E quando Björk se pronuncia, ela abe se fazer ouvir. O governo ondeou à beira da implosão por conta desse escândalo nos últimos dias, com um dos partidos da coalizão de governo, o Esquerda-Verde ameaçando deixar o governo se a venda for concluída. Um comitê foi convocado para analisar a situação, e tipicamente para a Islândia, ninguém no comitê tem nenhuma experiência legal e a líder é uma professora de artes! Vamos ver no que dá.

O segundo escândalo é quanto aos empréstimos em moeda estrangeira que foram feitos nos anos anteriores ao colapso da economia em 2008. Muita gente pegou dinheiro emprestado dos bancos em moeda estrangeira, e quando a trona desabou em valor em 2008, o valor dos empréstimo dobraram. Recentemente um juiz decretou que esses empréstimo foram todos ilegais. A parte política do escândalo é que parece que o Ministro da Economia Gylfi Magnússon já sabia há mais de um ano que esses empréstimos eram ilegais, e não só não fez nada à respeito mas ainda mentiu para o parlamento à respeito. A cereja no topo desse bolo de absurdos é que um dos bancos islandeses ameaçou agora processar o governo, olha só, por não tê-lo impedido de quebrar a lei quando emprestando dinheiro em moeda estrangeira! É como se eu estacionasse em lugar não premido, e depois processasse o governo por não me impedir em cometer essa contravenção!

Bom, e isso aí por enquanto… tenho que correr pra varanda pra aproveitar os últimos raios de sol do verão!
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