Um comitê especial de parlamentares, que estudou o "relatório negro" sobre a colapso do sistema financeiro do país, havia recomendado na semana passada que quatro ministros do antigo governo, que caiu com a recente "revolução da panelas", deveriam ser indiciados por negligência em seus cargos.
Os quatro são: a ex-Mistra de Relações Exteriores Ingibjörg Sólrún Gísladóttir, o ex-Ministro da Economia Árni M. Mathiesen, o ex-Ministro do Comércio e Bancos Björgvin G. Sigurdsson, e o ex-Primeiro Ministro Geir Haarde.
- Parlamento islandês ontem, durante a sessão de votaçãoOntem o parlamento islandês votou para aprovar as recomendações e iniciar o processo judicial contra os ex-ministros. Infelizmente, o que se viu foi uma tentativa dos parlamentarem de salvarem a pele de seus colegas. Das quatro recomendações, apenas o processo contra o ex-Primeiro Ministro Geir Haarde foi aprovado, num voto de 33 contra 30. Os outros três foram salvos pelos colegas.
Agora o Supremo Tribunal (Landsdómur) será convocado pela primeira vez na história do país, para julgar o caso contra Geir Haarde. Se condenado, a pena seria de até dois anos de prisão.
Os islandeses em geral, e eu também pessoalmente, ficaram desapontados com esse resultado, pela atitude dos parlamentares em proteger seus colegas. Me parece óbvio que os outros três ex-ministros deveriam ser indiciados também, como recomendado pelo comitê de investigação.
Agora vamos ver o que acontece com o processo no tribunal contra o ex-Primeiro Ministro por negligência no cargo. Eu acredito que ele é culpado, mas eu temo que mais uma vez os parlamentares e juízes protejam os colegas.
O lado bom disso é, pelo menos, que futuros ministros daqui pra frente sabem que há a possibilidade de conseqüências sérias caso não façam seu trabalho como devem, com responsabilidade e decoro.