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Ano Novo, e nada de novo

Já tem três semanas desde o meu último update ao blog, mas não porque decidi parar de escrever, ou que decidi mudar dessa rocha perdida no Atlântico Norte, ou mesmo que eu tenha esquecido o português. É simplesmente porque nada de novo anda acontecendo aqui na Gelolândia. Aliás, eu suponho esse é um assunto em si, de que num país pequeno e geograficamente isolado como esse, não acontece muita coisa. O que me lembra dos jornais daqui, que muitas vezes tem notícias sobre bezerros que nasceram em fazendas no interior, sobre alguma criança que aprendeu a tocar um instrumento musical, ou alguém que voltou de viagem de algum lugar mais exótico. Deve ser mesmo um desafio e tanto encher um jornal com notícias de uma comunidade tão pequena.

Bom, um evento que eu ainda não tinha falado à respeito é o Ano Novo. O que faz essa data ser uma experiência única e interessante aqui na Islândia é que não há um espetáculo de fogos de artifício oficial das cidades. O que acontece é que cada família compra muitos, mas muitos, fogos de artifício. Meus colegas de trabalho, por exemplo compraram entre 5 e 10 quilos de fogos para a ocasião. Logo na virada do ano, todas as famílias soltam os fogos ao mesmo tempo, de forma que o céu sobre a cidade fica cheio de explosões coloridas em todas as direções. Reykjavík fica parecendo uma zona de guerra super-colorida.

Meu lugar preferido para se observar o espetáculo dos fogos é no topo do morro onde fica a igreja em Kopavogur, logo fora de Reykjavik. De lá, olhando pro norte você vê Reykjavík, à direita fica Garðabær, e ao sul fica Hafnarfjörður, todos parte da Grande Reykjavík. Assim, quase 360-graus em volta, o céu está cheio de fogos.

Foi muito bonito nesse ano, mesmo com a ventania daquela noite. Uma amiga que mora na Flórida e passou o Ano Novo aqui em Reykjavík até disse que a velocidade do vento naquela noite seria considerado um furacão categoria 2 na Flórida, aqui na Gelolândia é considerado só tempo ruim mas nada fora do usual.



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