A final do handball contra a França foi um jogo difícil
para o time da Gelolândia, e terminou 28 à 23 para a
França. O grande astro do jogo foi sem dúvida o goleiro
francês, que defendeu 22 arremessos ao gol dos jogadores
islandeses.
Ainda que a Islândia tenha perdido na final, a medalha de
prata é uma grande conquista para o país. Essa é a
primeira medalha de prata que a Islândia ganha em 52
anos, e apenas a segunda medalha de prata para a Islândia
de todos os tempos em olimpíadas.
Hoje foi o jogo
da semi-final de handball nas olimpíadas, Islândia contra
Espanha. A atmosfera hoje estava como no Brasil quando é
final de copa do mundo. No meu trabalho montaram dois
telões a cantina, para os empregados assistirem o jogo.
Olhando pela janela, nenhum único carro passava pela
normalmente movimentada avenida que acompanha a orla da
capital. Segundo o canal estatal de televisão que exibiu
o jogo, a audiência foi de 100%, ou seja todos os
aparelhos de televisão ligados no país estavam
sintonizados no jogo.
A Islândia abriu o jogo com uma goleada de 5 a 0 na
Espanha, e manteve a liderança durante todo o jogo até o
placar final de 36 a 30 para a Islândia. A vitória
significa que a Islândia agora vai lutar pela conquista
de sua primeira medalha de ouro na história do país em
olimpíadas, e mesmo se só ficar na medalha de prata, será
apenas a segunda medalha de prata do país. O jogo da
final será no domingo às 7:45 da manhã no horário aqui da
Islândia, e às 4:45 no horário do Brasil.
Um colega de trabalho me disse logo após a vitória da
Islândia no jogo de hoje: "Você é de um país grande que
está acostumado a vencer em esportes. Você não pode
imaginar a importância que tem para nós islandeses, de
uma nação de apenas 300 mil habitantes, ganhar uma
medalha nas olimpíadas!"
(Presidente e primeira
dama celebrando a vitória da Islândia na
semi-final)
Mesmo com toda a emoção óbvia nas faces de cada um dos
islandeses assistindo o jogo, não pude deixar de notar a
diferença em termos de torcida entre os islandeses e os
brasileiros. Não ouve entre os islandeses nenhum grito de
incentivo ao time ou a barulheira que sempre acontece no
Brasil em jogos da seleção nacional. Com cada ponto
marcado do time de loiros de camisa vermelha, a torcida
reunida em volta do telão apenas aplaudia educadamente.
No final do jogo, com a vitória da Islândia marcando a
maior conquista esportiva do país em todos os tempos,
ainda assim, as cerca de 50 pessoas reunidas se
contentaram em aplaudir vigorosamente, sentados. Abraços
emocionados entre os colegas de trabalho, nem pensar.
(No meu trabalho, olha só a
festa animada da torcida durante o
jogo)
Estarei torcendo pela Islândia no domingo de manhã,
colado na frente de televisão!
E mesmo que seja contrário aos hábitos da torcida
gelolandesa, e para o provável espanto do vizinhos, vou
berrar e torcer como um brasileiro em final de copa do
mundo.
Já comentei aqui várias vezes antes sobre a crise
econômica atual na Islândia, mas ainda não tinha
explicado a situação com detalhes.
A Islândia passa atualmente pela maior crise econômica
dos últimos 30 anos. Os sinais da crise são claros para
qualquer um caminhando pelas ruas da capital. Algumas
lojas fecharam as portas, e o mais evidente, os vários
canteiros de obra espalhados por Reykjavík estão
desertos, as obras paradas com o fim do crédito fácil que
os bancos vinham oferecendo. As empresas islandesas
pararam de contratar, e muitas começaram a demitir.
Falando em bancos, os bancos islandêses, que representam
mais de 50% da atividade econômica do país, tiveram
nesses últimos 12 meses as maiores perdas de todos os
tempos. Até agora nenhum banco fechou, mas existe muita
especulação na mídia de que os maiores bancos estão
considerando mudar sua base da Islândia para outro país
europeu com uma economia mais estável.
A moeda islandesa, a Krona, caiu 56% em valor em relação
ao Euro desde o início do ano. Num país em que tudo é
importado, o resultado foi uma alta forte nos preços. A
inflação dos últimos 12 meses foi de 13%. Em comparação,
a inflação da Eurozone (área dos países que usam o Euro)
foi de 4% no mesmo período.
Com a moeda islandesa despencando em valor, a situação
ficou complicado para muita gente aqui na Islândia que
financiou a compra de sua casa com hipotecas em Euros, o
que foi muito comum de se fazer nos últimos anos. Muita
gente agora se encontra com uma hipoteca muito maior do
que o valor do imóvel.
Nesse último fim se semana, um amigo que trabalha para a
maior empresa de transporte marítimo da Islândia me
contou que ele tem enviado muitos carros novos de volta
para seus países de origem, porque as concercionárias na
Islândia estão com muita dificuldade em vender carros e
passaram à devolvê-los aos fabricantes. Esse me parece
mais um sinal claro da crise econômica.
O governo, na minha opinião e na opinião da maioria dos
islandeses com quem já conversei à respeito da crise
atual, tem sido péssimo no controle da economia do país.
Não houve nenhuma reação ou plano econômico do governo
até agora. Nem mesmo uma discussão franca e aberta sobre
o Euro.
Na minha opinião, e na opinião de 65% dos islandes, pelo
que vi em uma pesquisa recente, a Islândia deveria se
juntar à União Européia e adotar o Euro. O país é pequeno
demais para controlar uma moeda independente, e as
flutuações extremas da Krona atrapalham a economia. Bem,
o governo atual é contra a UE e o Euro, então não é uma
opção até pelo menos em 2011 quando haverá novas
eleições.
Tenho confiança de que a economia da Islândia vai se
recuperar, mas parece que isso só irá acontecer lá pela
segunda metade de 2009.
A Record exibiu no último domingo a terceira e última
parte da reportagem sobre a Islândia. Aqui está o vídeo
dessa última parte.
Agora que as três partes já foram exibidas, tenho que
dizer que gostei muito da reportagem. Parabéns à Record e
todos envolvidos diretamente com esse projeto pelo
excelente resultado.
Atendendo à pedidos de leitores (e o que eu não faço por
vocês!) aqui estão algumas informações sobre a presença
de Islândia na Olimpíada de Pequim, ou como chamam por
aqui Ólympíuleikar (Jogos Olímpicos).
A Islândia mandou para a Olímpiada em Pequim 29 atletas,
competindo em: arremesso de martelo, arremesso de dardo,
salto com vara, badminton, handball, judô, e natação.
Esse número, considerando a população do país de 300 mil,
até que é de tamanho considerável.
O time de handball, que é um dos esportes favoritos dos
islandeses, esta se dando bem. Já ganharam contra Russia
e Alemanha.
A Islândia ganhou em olimpíadas passadas somente duas
medalhas de bronze (judô em 1984 e salto com vara em
2000) e uma medlaha de prata (salto triplo em 1956). A
Islândia ainda não ganhou nenuma medalha de ouro em
olimpíadas. Será que nesse ano vai dar?
Eu recebo muitas perguntas dos leitores do blog através
de comentários aqui no site, ou diretamente por email ou
ainda scraps no Orkut. É sempre ótimo receber comentários
e perguntas, pelo fico sabendo que tem gente lendo o
blog!
Uma coisa que percebi é que muitas das perguntas se
repetem. Decidi então colocar uma página de Perguntas
& Respostas aqui no site. Coloquei nesta página
algumas das perguntas mais frequentes que já recebi.
Parece que a segunda parte da reportagem do Domingo
Espetacular da Rede Record, com a minha entrevista sobre
os elfos, não passou no último fim de semana. Imagino que
tenha sido uma mudança de última hora na programação, e
que deve passar no próximo domingo.
Eu recebi um video da primeira parte da reportagem que
passou há algumas semanas atrás, e estou colocando aqui
para todo mundo que não teve a oportunidade de ver quando
passou. A qualidade desse video poderia ser melhor, é
verdade, mas está boa o suficiente para assistir.
Gostei dessa primeira parte da reportagem, mostraram
muita coisa interessante e com bons comentários
exclarecedores sobre atrações turísticas e costumes
islandeses.
A única coisa que achei que ficou ruim foi terem mostrado
cenas do filme do Asterix quando mencionavam os vikings,
porque afinal o Asterix era um celta na França por volta
do ano 50 AC, cerca de mil anos antes dos vikings. Mas,
essa é a minha formação de historiador falando, e talvez
eu esteja sendo crítico demais.
Esse é o maior fim de semana na Islândia para viagens. A
maioria das empresas fecha as portas, mesmo as que
normalmente não fecham em fins de semana e feriados, e os
islandeses viajo para casas de campo e para festivais de
música.
O maior desses festivais acontece nas ilhas de
Vestmannaeyjar (Ihas dos Homens do Oeste), ao sul da
costa da Islândia. Ele que atrai cerca de 14 mil
visitantes (5% da população do país) todo ano que acampam
em barracas na ilha de Heimaey, que normalmente tem 4 mil
habitantes. Esse festival é legendário entre os
islandeses. Recentemente eu li um fato interessante
relacionado à esse fim de semana e ao festival - as duas
semanas em que mais nascem bebês na Islândia são as do
fim de Abril e começo de Maio, exatamente nove meses
depois desse fim de semana e do festival em
Vestmannaeyjar.
Eu passei o fim de semana na capital, e nunca vi as ruas
tão vazias. Quase nenhum carro nos estacionamentos em
Reykjavík e muito pouco tráfego.
No próximo domingo, dia 3 de Agosto, será exibida na
Record uma entrevista que dei sobre o folclore islandês e
o crença na existência dos elfos.
Afinal, eu tenho um certificado de “expert” da Escola dos
Elfos!
- (veja post de 10/05/2008)
Eu encontrei com a equipe da Record algumas vezes durante
a visita deles na Islândia no mês passado. O pessoal foi
super legal, muito profissional, e genuínamente
ineteressados na cultura islandesa.
Não percam a reportagem, será no programa Domingo
Espectacular, que começa às 18:00.
Estive discutindo com vários amigos, estrangeiros e
islandeses, o assunto do post anterior. Alguns deles
levantaram uma hipótese que é pelo menos interessante
para explicar a desvantagem dos estrangeiros no mercado
de trabalho islandês. Essa hipótese seria de que o
problema não é exatamente discriminação em específico, em
racismo, ou xenofobismo, mas ao invés disso o fato de que
tudo na Islândia funciona na base de quem você conhece.
Assim, segindo esse raciocínio, os estrangeros estariam
em desantagem por não ter os contato que os islandeses
tem, ou mesmo os laços familiares, já que todos s
islandeses são aparentados em algum nível. É verdade que
eu posso em imaginar que uma entrevista de trabalho aqui
na Islândia, com um candidato islandês, comece com o
ntrevistador e entrevistado definindo seu grau de
parentesco e o parentesco com outras pessoas da empresa,
e também definindo os conhecidos em comum, e imagino que
isso deve mesmo fazer uma grande diferença na hora de
escolher o candidato para uma determinada vaga.
Não sei se estou completamente convencido por essa
hipótese. Acho mais provavel que a coisa seja uma mistura
de ambos os fatores de discriminação e tabém essa atitude
de preferir candidatos com ligações pessoais ao pessoal
da empresa. De uma maneira ou de outra, qualquer que seja
a razão, o fato permanece de que estrangeiros na Islândia
tem estão em desvantagem e tem dificuldade em conseguir
bons empregos.
Existem várias coisas positivas sobre morar na Islândia,
disso não há dúvida. Mas nem tudo aqui nesse rochedo
perdido no Atlântico Norte é um paraíso. Uma das coisas
que mais me incomodam por aqui é discriminação contra
estrangeiros no mercado de trabalho. Vou ser direto no
assunto: salvo raras exceções, empresas islandesas vão
sempre contratar um islandês ao invés de um estrangeiro
mesmo que o estrangeiro seja melhor qualificado.
Ontem me encontrei com um amigo que eu já não via há
alguns meses e discutimos esse assunto em vista das
dificuldades que ele está passando no país. Esse amigo é
espanhol, mora aqui na Islândia há quatro anos e fala
islandês fluente. Ele é advogado formado em Barcelona e
com um mestrado em Direito Ambiental pela Universidade da
Islândia. Desde que ele concluiu o mestrado, há mais de
um ano, ele só conseguiu emprego como pintor de paredes,
entregador, e preparando comida em lanchonetes.
Ainda falando sobre esse amigo advogado espanhol, ele me
contou a experiência mais recente dele com essa
discriminação no mercado de trabalho, que realmente beira
o absurdo. Há algumas semanas atrás, tendo visto nos
jornais que o Ministério do Meio-Ambiente estava com uma
vaga para um advogado especializado na área, ele mandou
seu currículo e fez uma entrevista. Na semana seguinte
ele recebeu uma carta dizendo que haviam decidido dar o
emprego para outra pessoa, um islandês, que ainda está
fazendo o seu bacharelado em direito e só vai formar no
final do ano. Ou seja, podendo escolher entre alguém com
um mestrado específico na área, eles ainda preferiram dar
o emprego para alguém que nem se formou em direito ainda.
Absurdo. Agora ele está pensando em mudar de volta para a
Espanha com a namorada, islandesa, e filho nascido aqui.
Eu também já senti essa discriminação na pele, quando
recentemente fui há duas entrevistas para empresas de
informática em Reykjavík. Nas duas ocasiões, o
entrevistador me disse que eu era o melhor qualificado de
todos os candidatos. Ainda assim, não tive nenhuma oferta
de emprego. Até mesmo em uma empresa que já tinha
oferecido um emprego para um amigo meu islandês que
desistiu de entrar para a empresa na última hora, eu não
consegui uma oferta, mesmo sendo eu melhor qualificado
que esse amigo na mesma área.
Esse tipo de discriminação é algo com que eu não estou
acostumado. Morei sete anos no Reino Unido antes de mudar
para a Islândia, e lá esse tipo de coisa não acontece. Na
última empresa para qual eu trabalhei na Inglaterra antes
de mudar pra cá, haviam 130 pessoas no total e dentre
estas estrangeiros de 25 países diferentes. Deve ser, eu
imagino, porque por lá já estão acostumados com
estrangeiros, que ainda são um fenômeno recente aqui na
Islândia.
Outra coisa que eu acredito evidencia essa discriminação
contra estrangeiros no mercado de trabalho na Islândia é
o fato de que mesmo o número de estrangeiros por aqui
sendo alto e comparável ao resto da Europa, atualmente
representando 9% da população, ver estrangeiros em cargos
bem pagos em empresas é super raro. Eu trabalho
atualmente numa grande empresa, a maior empresa de
informática na Islândia, com mais de 400 empregados no
país, e eu sou o único estrangeiro não-escandinavo na
empresa. Onde estão então os mais de 25 mil estrageiros?
A conclusão é que a grande maioria dos estrangeiros estão
desempenhando as funções que os próprios islandeses não
querem fazer, nos subempregos.
Eu espero que essa atitude mude com o tempo, conforme os
islandeses se acostumem com o nível atual de imigração.
Mas, mesmo que mude, infelizmente eu acho que ainda vai
levar pelo menos uma ou duas décadas, ou talvez mais.
Hoje
teve um show gratuito num parque aqui em Reykjavík para
promover a preservação da natureza. A banda islandesa
Sigur Rós abriu o show, e a grande estrela islandesa
Björk tocou depois deles. Eu fui lá conferir e gostei
muito.
Fiz um video também:
Ouvi no rádio que 30 mil pessoas compareceram ao show, o
que é 10% da população total da Islândia!
-
Apesar do frio, você come sorvete sempre quando tem
oportunidade.
- Você pensa que peixe podre é uma delícia.
- Quanto maior o carro, melhor.
- Não existe pneu de carro que seja grande demais.
- Dirigir 150km pra ir ao cinema é normal.
- Você acha que Reykjavík é uma cidade grande.
- Você tem um impulso involuntário de perguntar "How do
you like Iceland?" quando encontrando com um estrangeiro.
- Você foi multado por alta velocidade pelo menos cinco
vezes no último ano.
- Você quer um dia morar na Dinamarca.
- Você acha que carne tem sempre que ser acompanhada de
geléia de ruibarbo.
- Sopa é considerada sobremesa.
- Você toma banho em água que tem cheiro de ovo podre.
- As maiores festas são festivais de cavalos e ovelhas.
- Ir à um bar antes das 1 da manhã é ridículo, mas ficar
na fila pra entrar em um às 5 da manhã não é.
- Enquanto esperando a hora correta de ir para um bar,
você circula pela cidade de carro, parando em intervalos
regulares para abastecer.
- Apesar de não ter nenhum interesse em carne de baleia,
você defende a pesca apenas para amolar os outros países.
- Você usa Facebook ao invés de email para se comunicar
com os seus amigos.
- Óleo de fígado de bacalheu é uma necessidade
primordial.
- Você acha que qualquer planta com mais de 15cm de
altura é uma "árvore", e cinco delas são uma "floresta".
- Você acredita que seres invisíveis moram em rochedos.
- Não há palavra na sua língua para "por favor".
- Andar com um carrinho de supermercado pelos shopping
centers é super normal.
- Você tem orgulho de que a Islândia está no topo das
tabelas de expectativa de vida, qualidade de vida, e de
menor idade em que se perde a virgindade.
- Você sabe pronunciar o nome da cerveja Egilsgull.
- A sua comunicação praticamente se resume a dizer "Haa?"
(o que?) e "heyrðu" (escuta aqui).
- Você nåo tem problema comas letras "ð" e "þ", mas fica
confuso com as letras "c" e "z".
- Todas as suas compras säo feita com cartão, mesmo se
for só uma bisnaga de pão ou só uma latinha de
refrigerante.
- Você aprendeu a dirigir um trator antes de tirar as
rodinhas da sua bicicleta.
- Todos os carros vem de fábrica com pneus pra neve.
- Você ficou com os dedos congelados e o rosto queimado
de sol na mesma semana.
- Férias no sul pra você significa no Canadá.
- Passarinhos catando às 3 da manhã em Julho é normal.
- Sair de saia e salto alto é normal durante um furacão.
- Você acha os preços em Londres uma verdadeira pechincha
e o tempo por lá pra você é tropical.
- A sua idéia de lingerie sexy são meias esportivas cano
médio e um agasalho de flanela.
- Você nunca ouviu falar de uma idade mínima para
consumir bebidas alcoólicas.
- Deu pra fazer um piquenique no verão porque o verão
nesse ano caiu num fim de semana.
- Você gosta de dirigir no inverno porque os muitos
buracos das ruas enchem de neve.
- As manchetes dos jornais são do estilo "Vaca nasceu em
Strutafjordur".
- Você acha que zero graus é um pouquinho frio.
- Você entende essas piadas.
|
Segundo urso polar morto na
islandia em duas semanas
Ontem um novo urso polar foi avistado na mesma área do
outro urso de duas semanas atrás.
Dessa vez o homem mais rico da Islândia e um dos 500 mais
ricos do mundo, Bjorgolfur Thor Bjorgolfsson, ofereceu
pagar por todos os custos do urso ser transportado de
volta para a Groenlandia. Um especialista do zoológico de
Copenhagen veio para a Islândia com uma jaula especial e
com uma arma de dardos tranquilizantes. Parecia que desa
vez a história teria um final feliz, mas infelizmente não
foi o caso.
Hoje, que é feriado de comemoração da independência da
Islândia (depois escrevo sobre isso), eu estava dirigindo
de volta para Reykjavík da casa de campo onde passei o
fim de semana prologado, quando o rádio deu a notícia de
que o urso polar tinha sido morto. Parece que a história
oficial até agora foi de que quando o tal especialista
vindo da Dinamarca estava se aproximando, o urso saiu
correndo em direção ao mar, e daí os policiais islandeses
o mataram à tiros. Eu me pergunto se a preocupação era
talvez de que o urso poderia matar peixes, o que seria um
absurdo, não?
Mais uma vez, o governo se mostra despreparado e confuso.
É hora de que uma política de ação seja estabelecida e
que o equipamento necessário seja distribuído à
autoridades locais. Essa situação me lembra da bagunça
que o governo está fazendo com a economia, que no moment
vai de mau à pior e o governo só finge que ão vê (outro
assunto para outro update no blog).
Esse acontecimento de hoje me fez refletir quanto ao fato
da Islândia não ser uma nação de amantes do animais.
Permita-me elaborar. Cachorros são proibidos no centro de
Reykjavík, gatos e cachorros não podem ser mantidos em
apartamentos, e mesmo quando se morando em uma casa
existe um verdadeiro labirinto burocrático para conseguir
uma permissão para ter um cachorro. Baleias, são caçadas
mesmo quando a caça não faz muito sentido economicamente.
E ursos, claro, apesar de existir uma lei os protegendo,
são sempre mortos à bala - até hoje nenhum desses animais
ameaçados de extinção sobreviveu depois de chegar à
Islândia.
Um parente da minha noiva que mora nos EUA veio nesse fim
de semana visitar a Islândia pela primeira vez e o
levamos hoje para fazer o passeio que por aqui chamam de
“Golden Circle”, visitando três das principais atrações
nos arredores da capital.
Geysir - A
nascente que erupte à cada três minuos e deu nome a todos
os outros géisers do mundo.
Gulfoss - A
“Cachoeira Dourada”, no rio Hvítá, que cai em um canyon.
Þingvellir - O
vale onde o parlamento islandês, que é o mais antigo do
mundo em funcionamento contínuo, costumava a se reunir do
ano 930 ao ano 1799. A
independência de Islândia foi declarada nesse mesmo lugar
em 1944. O vale é agora um parque nacional.
Foto panorâmica de Þingvellir (clique para
ampliar)
As três atrações que formam o “Golden Circle” são mesmo
visita obrigatória para quaquer turista. Eu já fiz esse
passeio várias vezes, e nunca me canso de visitar esses
três locais que são tão importantes para identidade
nacional dos islandeses.
Hoje um urso polar foi avistado numa região desabitada
aqui na Islândia. Ursos polares não são animais nativos
da Islândia, na verdade a Islândia não tem nenhum animal
nativo, sendo uma ilha vulcânica que nunca fez parte de
nenhum continente. O único animal que os colonizadores
encontraram quando chegaram na Islândia foi a raposa do
ártico, que veio da Groenlândia. O que acontece quanto
aos ursos polares é que alguns chegam à Islândia em
blocos de gelo que flutuam da Groenlândia. Dizem que eles
chegam aqui com muita fome depois de possivelmente
semanas no mar, e são assim perigosos.
Voltando ao urso que foi avistado hoje, esse parece que
já estava aqui ha um tempo nessa região desabitada, já
que estamos no verão e não há blocos de gelo no mar entre
a Islândia e a Groenlândia, o chamado Estreito da
Dinamarca, no momento. Infelizmente pro urso polar, ele
foi avistado hoje.
O que aconteceu, pelo que estão falando no noticiário, é
que quando a notícia que que havia um urso nessa região
começou a circular, pessoas que moravam nessa região
apareceram por lá para tirar fotos. Com os curiosos
chegando perto do urso, a polícia local resolveu que a
situação estava perigosa e mataram o urso.
Eu acho, francamente, um absurdo que o urso tenha sido
morto. O que deveria ter sido feito, que é exatamente o
que algumas pessoas estão argumentando no rádio e na TV,
seria atirar no urso com uma arma de dardos
tranquilizantes. Parece que a desculpa da autoridade
local no momento é de que ele não tinham uma arma para
disparar tais dardos. Mas, poderiam , é claro, ter
colocado o tranquilizante num pedaço de carne e deixado a
carne pro urso comer. Me entristeceu esse história de que
um animal ameaçado de extinção tenha sido morto quando
ele poderia ter sido colocado pra dormir e devolvido para
a Groenlândia de avião. É assim que o Canadá lida com
ursos polares que chegam perto das cidades, eles são
colocados pra dormir e levados de avião para o norte e
então soltos.
Na verdade existe uma lei aqui na Islândia dizendo que
ursos polares não devem ser mortos à menos que ameacem o
público. Mas ate hoje todo os ursos que chegaram até aqu
foram mortos.
Aliás, isso que aconteceu hoje me parece típico do
governo e das autoridades na Islândia - apesar de ser uma
situação que todos sabem que vai acontecer de novo e de
novo, as autoridades não fazem ou dizem nada, não existe
uma política definida de atuação, a lei que existe é
ignorada, enfim, uma bagunça.
Será que é tão difícil organizar para que cada cidade de
com mas de mil habitantes na costa oeste da Islândia
tenha uma arma de dardos tranquilizantes pronta para o
caso de ursos polares aparecerem na região?
O último urso polar que tinha vindo pra Islândia antes
desse foi em 1993. Os especialistas no assunto estão
dizendo que a estimativa é de que 500 ursos tenham vindo
ao país desde a colonização no ano 874.
Espero que o próximo urso polar à ter a má sorte de
chegar aqui na Islândia tenha um final feliz que esse de
hoje não teve. Ele seria o primeiro.
Nesse fim de semana foi o aniversário de 100 anos da
cidade de Hafnarfjordur, onde eu moro, que fica logo ao
sul da capital.
A prefeitura organizou uma festa no centro da cidade, com
um bolo de 100 metros, um festival viking, e uma feira
internacional mostrando a cultura dos estrangeiros que
moram na cidade.
O festival viking foi uma versão menor do festival anual
que acontece no final do mês de Junho todo ano em
Hafnarfjorður. Teve encenações de lutas com réplicas de
armas, escudos e roupas vikings, o que foi muito
interessate para mim como um entusiasta da história
nórdica. Os participantes batiam com suas espadas nos
escudos de cada um com tanta força com pedaços de madeira
dos escudos voavam com cada golpe. Outras atrações foram
um ferreiro forjando uma aspada com as técnicas
tradicionais vikings, comidas típicas, e roupas e jóias
sendo feitas ali.
A feira internacional foi bem interessante, com estandes
de mais de vinte países oferendo comidas típicas,
mostrando tradições, etc. Tinha até um estande do Brasil,
oferecendo feijoada. O estande do Tibet estava oference a
oportunidade de ter o seu nome escrito em tibetano, assim
como o estande do Japão estava oferecendo escrever nomes
em belo estilo caligráfico japonês. Eu não tinha
imaginado que existiam tantas pessoas de países
diferentes aqui em Hafnarfjorður. Viva a diversidade
cultural!
Achei interessante também um leilão de antiguidades
islandesas promovido pela prefeitura. Acabei comprando
uma pintura feita em cerâmica em 1974 em comemoração ao
anversário de 1100 anos da Islândia, mostrando Floki, que
foi o primeiro viking a morar na Islândia, olhando de
cima de uma montanha os fjords cheios de blocos de gelo -
um momento descrito pelas Sagascomo sendo quando ele
decidiu chamar o país de Ísland, que em islandes
significa Terra do Gelo. Foi um bom achado.
Depois de aproveitar as atrações do dia, fomos ao bar
viking tomar umas boas cervejas islandesas, no melhor
estilo tradicional dos bárbaros do norte.
A região sudoeste da Islândia foi sacudida hoje à tarde
por um terremoto de 6.7 na escala richter - comparável ao
terremoto de San Francisco de 1989 que causou grande
destruição e muitas mortes naquela cidade. Terremotos
acima de 6.0 na escala richter são considerados fortes.
O epicentro do terremoto foi na cidade cidade de Selfoss
(6300 habitantes),
que fica à 40km de Reykjavík. Estou escrevendo esse post
duas horas depois do terremoto, e as notícias no rádio
dizem que em Selfoss as pessoas correram para fora de
suas casas em pânico, e que houve considerável dano à
algumas casas. Felizmente, niguém se machucou.
Na hora do terremoto, por volta das quatro da tarde, eu
estava no trabalho. A minha impressão foi que durou uns
dez segundo. Tudo vibrava e sacudia, e dava pra perceber
claramente o prédio balançando de um lado pro outro. Esse
não foi meu primeiro terremoto na Islândia mas foi o mais
forte. O pessoal do trabalho nem levantou das mesas,
continuaram trabalhando. Os islandeses são acostumados
com terremotos.
A Islândia é uma das áreas mais geologicamente ativas do
mundo, porque o país fica exatamente entre duas das
placas tectônicas que cobre a Terra e que estão se
afastando. Esse movimento das placas tectônicas fazem com
que terremotos e erupções vulcânicas sejam comuns por
aqui, e também fazem com que o território da Islândia
cresça alguns centímetro por ano. Terremotos ocorrem
todos os dias na Islândia, mas a maioria é imperceptível.
As últimas duas grandes erupções vulcânicas foram em 1973
e 2004. As casas na Islândia são todas construídas para
serem à prova de terremotos.
Hoje depois do terremoto e fui pra casa preocupado com a
possibilidade de coisas em casa terem quebrado, etc. Mas
foi tudo bem, apenas algumas coisas caíram das
prateleiras ou foram movidas um pouco pela força do
terremoto.